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</front><body><![CDATA[ <p align="left"><font size="3" face="Verdana"><B>Mat&eacute;ria de capa</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="3" face="Verdana"><B>A&Ccedil;&Uacute;CAR X C&Aacute;RIE E OUTRAS DOEN&Ccedil;AS: UM CONTEXTO MAIS AMPLO</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> "No passado, a explica&ccedil;&atilde;o para a etiologia da doen&ccedil;a c&aacute;rie era linear. Uma simples equa&ccedil;&atilde;o de causa e efeito era utilizada para entender o desenvolvimento dessa complexa doen&ccedil;a. Atualmente, compreendemos a c&aacute;rie dent&aacute;ria como um desequil&iacute;brio no processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a, o qual apresenta importante componente social e comportamental e est&aacute; fortemente associado &agrave;s pr&aacute;ticas alimentares. Nesse contexto mais amplo, a preven&ccedil;&atilde;o da c&aacute;rie n&atilde;o passa exclusivamente pelo esfor&ccedil;o de educa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de para redu&ccedil;&atilde;o do consumo de a&ccedil;&uacute;car no &acirc;mbito individual (embora ele seja importante), mas tamb&eacute;m pela modifica&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es sociais, econ&ocirc;micas, pol&iacute;ticas e culturais que acabam por influenciar as escolhas e pr&aacute;ticas alimentares inadequadas" &ndash; Fabian Calixto Fraiz. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Biologicamente, o ser humano &eacute; preparado para preferir o sabor doce. Essa prefer&ecirc;ncia foi importante para a evolu&ccedil;&atilde;o humana, pois favoreceu o aleitamento materno no rec&eacute;m-nascido e o consumo posterior de frutas. Ao mesmo tempo, a rejei&ccedil;&atilde;o ao sabor amargo - que na natureza normalmente est&aacute; associado &agrave; toxicidade -, existia como um fator de prote&ccedil;&atilde;o. Entretanto, com o processo de industrializa&ccedil;&atilde;o e mais recentemente com a globaliza&ccedil;&atilde;o, a oferta de a&ccedil;&uacute;cares livres (principalmente a sacarose) atingiu um patamar assustadoramente grande. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O professor titular de Odontopediatria da Universidade Federal do Paran&aacute; (UFPR), l&iacute;der dos grupos de pesquisas CNPq/ UFPR sobre "Supervis&atilde;o de sa&uacute;de bucal durante a inf&acirc;ncia e a adolesc&ecirc;ncia" e "Alimenta&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de bucal", Fabian Calixto Fraiz, comenta que "para que esse movimento de globaliza&ccedil;&atilde;o e consequente 'padroniza&ccedil;&atilde;o alimentar mundial' tenha sucesso, as grandes corpora&ccedil;&otilde;es sabem que &eacute; imprescind&iacute;vel oferecer alimentos que sejam aceitos por todos os povos, independentemente de seus h&aacute;bitos e costumes. Nesse processo, os alimentos doces assumem um papel central. Se no passado o consumo de doces durante a inf&acirc;ncia estava associado a produtos de &acirc;mbito regional e fabrica&ccedil;&atilde;o familiar, os quais eram carregados de significado cultural, hoje as crian&ccedil;as t&ecirc;m &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o um universo de alimentos doces de f&aacute;cil acesso, grande apelo visual e nenhum significado cultural. A consequ&ecirc;ncia foi o aumento dr&aacute;stico do consumo e do impacto nas doen&ccedil;as ligadas a essa mudan&ccedil;a alimentar, no caso da Odontologia, a c&aacute;rie dent&aacute;ria". </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">H&aacute; muito tempo, o a&ccedil;&uacute;car &eacute; conhecido como um vil&atilde;o para a sa&uacute;de bucal. Segundo a odontopediatra, professora doutora associada da disciplina de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia da Universidade de S&atilde;o Paulo (Fousp), Mariana Minatel Braga, que atua em pesquisas principalmente nas &aacute;reas de c&aacute;rie dent&aacute;ria, sa&uacute;de bucal, educa&ccedil;&atilde;o, diagn&oacute;stico e pesquisa cl&iacute;nica, "os Cirurgi&otilde;es-Dentistas, de maneira geral, orientam que o a&ccedil;&uacute;car deve ser evitado desde longa data. Contudo, como as evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas s&atilde;o din&acirc;micas, o que se sabe hoje &eacute; diferente do que se conhecia h&aacute; tempos atr&aacute;s. N&atilde;o digo da parte biol&oacute;gica do processo, que a&ccedil;&uacute;car &eacute; um dos fatores etiol&oacute;gicos da c&aacute;rie, mas sim, de quais fatores relacionados ao consumo de a&ccedil;&uacute;car podem estar relacionados a ter ou n&atilde;o ter c&aacute;rie." </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De acordo com o mestre em Sa&uacute;de Coletiva, doutor em Epidemiologia e professor adjunto do curso de Odontologia da Universidade Luterana do Brasil (gradua&ccedil;&atilde;o e programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o), Carlos Alberto Feldens, mais do que apenas relacionar a&ccedil;&uacute;car e c&aacute;rie, h&aacute; evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas fortes que baseiam dois aspectos sobre o consumo de a&ccedil;&uacute;car: 1) A introdu&ccedil;&atilde;o precoce da sacarose na vida do beb&ecirc; o condiciona para que aceite exclusivamente alimentos doces, perpetuando um "padr&atilde;o de comportamento" que determina c&aacute;rie dent&aacute;ria na crianinf&acirc;ncia e que possivelmente vai influenciar na ocorr&ecirc;ncia de c&aacute;rie na denti&ccedil;&atilde;o permanente. Al&eacute;m disso, h&aacute; evid&ecirc;ncias de que o consumo de a&ccedil;&uacute;car no primeiro ano de vida influencia o estabelecimento de bact&eacute;rias cariog&ecirc;nicas, aumentando tamb&eacute;m o risco de c&aacute;rie na inf&acirc;ncia; 2) Alta frequ&ecirc;ncia de ingest&atilde;o de alimentos a&ccedil;ucarados, independentemente da idade, &eacute; fator que mant&eacute;m um pH &aacute;cido na boca, determinando perda mineral constante e a ocorr&ecirc;ncia de c&aacute;rie dent&aacute;ria. Pesquisas recentes t&ecirc;m demonstrado um efeito dose-resposta, ou seja, quanto maior o n&uacute;mero de vezes por dia que a&ccedil;&uacute;car &eacute; consumido, maior o n&uacute;mero de les&otilde;es de c&aacute;rie. "Para a implementa&ccedil;&atilde;o destes conhecimentos na cl&iacute;nica &eacute; fundamental que a crian&ccedil;a tenha acesso ao Cirurgi&atilde;o-Dentista j&aacute; no primeiro ano de vida, antes que um padr&atilde;o de alto consumo de a&ccedil;&uacute;car esteja estabelecido. O profissional tamb&eacute;m deve estar n&atilde;o s&oacute; familiarizado com estes conceitos como convencido de que faz parte de seu trabalho discutir tais quest&otilde;es com os pacientes e seus respons&aacute;veis. &Eacute; importante destacar que uma pr&aacute;tica cl&iacute;nica exclusivamente restauradora, sem o que chamamos de 'controle da doen&ccedil;a' est&aacute; fadada ao insucesso, uma vez que os procedimentos ter&atilde;o que ser refeitos em um menor prazo, gerando insatisfa&ccedil;&atilde;o dos pacientes e frustra&ccedil;&atilde;o profissional", salienta. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mariana acrescenta que "conduzindo sua orienta&ccedil;&atilde;o da dieta baseada em evid&ecirc;ncias, o cl&iacute;nico tem mais seguran&ccedil;a no que faz e, em longo prazo, ter&aacute; tamb&eacute;m maiores benef&iacute;cios para os pacientes. O mesmo vale se pensarmos em a&ccedil;&otilde;es coletivas (n&atilde;o em &acirc;mbito cl&iacute;nico), com impacto na popula&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o em n&iacute;vel individual." </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ainda em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s novas orienta&ccedil;&otilde;es baseada em evid&ecirc;ncias, Fabian refor&ccedil;a que, no entanto, uma das maiores dificuldades na orienta&ccedil;&atilde;o do n&uacute;cleo familiar com rela&ccedil;&atilde;o ao controle da ingest&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car est&aacute; exatamente na press&atilde;o externa promovida pela m&iacute;dia e pelas grandes empresas aliment&iacute;cias. "Promover uma alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel em uma sociedade que tem ampla oferta de produtos prejudiciais com forte apelo comercial &eacute; um grande desafio. Sua supera&ccedil;&atilde;o vai exigir de todos, inclusive da categoria odontol&oacute;gica, uma postura cr&iacute;tica e criativa", enfatiza. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Novas orienta&ccedil;&otilde;es sobre o consumo de a&ccedil;&uacute;car devem pautar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de sa&uacute;de</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em mar&ccedil;o de 2015, a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS) disponibilizou um Guideline (diretrizes de conduta) para nortear o consumo de a&ccedil;&uacute;car por adultos e crian&ccedil;as. A recomenda&ccedil;&atilde;o &eacute; a restri&ccedil;&atilde;o do consumo de a&ccedil;&uacute;car extr&iacute;nseco (ou a&ccedil;&uacute;car livre), para menos de 10%, a fim de reduzir o risco de sobrepeso, de obesidade e tamb&eacute;m de c&aacute;rie dent&aacute;ria. O documento diz que se a diminui&ccedil;&atilde;o for para menos de 5%, aproximadamente 25 gramas ou seis colheres de ch&aacute; por dia, o ganho para a sa&uacute;de &eacute; maior. A OMS ainda considera que, os efeitos negativos da doen&ccedil;a c&aacute;rie &agrave; sa&uacute;de s&atilde;o cumulativos (desde a inf&acirc;ncia &agrave; fase adulta), mesmo uma pequena redu&ccedil;&atilde;o no risco de c&aacute;rie na inf&acirc;ncia &eacute; significativo para a vida futura, assim, o consumo de a&ccedil;&uacute;cares livres deve ser t&atilde;o baixo quanto poss&iacute;vel. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De acordo com a nutricionista, mestre na &aacute;rea de Nutri&ccedil;&atilde;o e Pediatria pela Unifesp - EPM, Val&eacute;ria Paschoal, que &eacute; coordenadora cient&iacute;fica e docente convidada dos cursos de Nutri&ccedil;&atilde;o Cl&iacute;nica Funcional e Nutri&ccedil;&atilde;o Esportiva Funcional da Universidade Cruzeiro do Sul, diretora da VP Consultoria Nutricional, coordenadora da comiss&atilde;o cient&iacute;fica do Instituto Brasileiro de Nutri&ccedil;&atilde;o Funcional (IBNF) e membro do The Institute for Functional Medicine &ndash; USA, o a&ccedil;&uacute;car &eacute; adicionado em prepara&ccedil;&otilde;es e em produtos industrializados, principalmente com a finalidade de agregar sabor, "e cada vez mais, notamos a necessidade de aumentar a quantidade deste alimento nos produtos, para suprir as necessidades sensoriais da popula&ccedil;&atilde;o. J&aacute; s&atilde;o muito bem esclarecidos, por meio de embasamento cient&iacute;fico, os malef&iacute;cios do consumo excessivo de a&ccedil;&uacute;car em todas as idades. Este aumento no consumo de a&ccedil;&uacute;car acompanha o aumento da preval&ecirc;ncia de doen&ccedil;as graves que geram impacto negativo no nosso sistema de sa&uacute;de e economia. Portanto, este Guideline &eacute; extremamente importante para esclarecer os poss&iacute;veis preju&iacute;zos deste consumo excessivo, bem como orientar o consumo adequado", destaca. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na opini&atilde;o do mestre e doutor em Sa&uacute;de P&uacute;blica em Odontologia na University College London, professor de Sa&uacute;de P&uacute;blica em Odontologia e chefe do Departamento de Epidemiologia e Sa&uacute;de P&uacute;blica da mesma institui&ccedil;&atilde;o, Richard Watt, o Guideline 2015 da OMS sobre consumo de a&ccedil;&uacute;car por adultos e crian&ccedil;as &eacute; um documento muito importante para o Brasil e mesmo globalmente. "O documento tem sido baseado em duas revis&otilde;es sistem&aacute;ticas bem detalhadas sobre a evid&ecirc;ncia dos a&ccedil;&uacute;cares tanto na sa&uacute;de oral como na sa&uacute;de geral. Recomendar que o consumo de a&ccedil;&uacute;cares adicionados &agrave;s comidas e bebidas e aqueles contidos no suco de fruta, mel e frutas secas n&atilde;o devem exceder 5% do total de consumo di&aacute;rio de energia tanto em adultos como em crian&ccedil;as &eacute; uma meta bem exigente j&aacute; que, atualmente, na maioria dos pa&iacute;ses o consumo de a&ccedil;&uacute;car &eacute; consideravelmente maior que 5% da energia total. No Reino Unido, por exemplo, a ingest&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car livre contribui com 12% a 17% da energia total, sendo 2 a 3 vezes maior que a recomenda&ccedil;&atilde;o da OMS. E esse a&ccedil;&uacute;car &eacute; altamente consumido entre crian&ccedil;as e jovens por meio os refrigerantes, balas, biscoitos e cereais de caf&eacute; da manh&atilde;. Essa &eacute; uma importante quest&atilde;o de sa&uacute;de p&uacute;blica j&aacute; que o consumo &eacute; ainda mais alto entre os grupos mais pobres e menos educados, contribuindo para as desigualdades em sa&uacute;de. A redu&ccedil;&atilde;o na quantidade de a&ccedil;&uacute;cares livre teria um grande e profundo impacto tanto na sa&uacute;de oral como na sa&uacute;de geral." </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com a recomenda&ccedil;&atilde;o da OMS de redu&ccedil;&atilde;o no consumo de a&ccedil;&uacute;car &eacute; esperado que os governos adotem pol&iacute;ticas especificas para atingir esse objetivo. "A OMS apresenta diretrizes gerais, no entanto, sua implanta&ccedil;&atilde;o deve respeitar o contexto socioecon&ocirc;mico e cultural de cada pais ou, como no caso do Brasil, de cada regi&atilde;o. A OMS ainda sugere que sejam investidos esfor&ccedil;os na rotulagem dos alimentos, conscientiza&ccedil;&atilde;o dos consumidores, na regulamenta&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o dos alimentos e nas pol&iacute;ticas fiscais. No Brasil, um importante passo nesse sentido foi dado na d&eacute;cada de 90, quando as Normas Brasileira de Comercializa&ccedil;&atilde;o de Alimentos para Lactentes, a qual abrange os leites, complementos alimentares, mamadeiras, bicos, chupetas e copos com bico foram publicadas", lembra Fabian. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No Brasil, estudos mostram o consumo m&eacute;dio de a&ccedil;ucares livre em torno de 10% a 15% da energia total em adultos jovens. Outros trabalhos mostram que os lanches a&ccedil;ucarados e balas podem acrescer cerca de 10% nesse percentual em crian&ccedil;as. "O Guideline da OMS &eacute; baseado em estudos de alt&iacute;ssima qualidade e, portanto suas orienta&ccedil;&otilde;es s&atilde;o confi&aacute;veis cientificamente. Al&eacute;m disso, este guia chama aten&ccedil;&atilde;o sobre a c&aacute;rie dent&aacute;ria (valorizando fortemente a sa&uacute;de bucal) por ser uma doen&ccedil;a de forte impacto nas pessoas e que est&aacute; associada, junto com outras doen&ccedil;as n&atilde;o comunic&aacute;veis como diabetes e doen&ccedil;as cardiovasculares, ao consumo de a&ccedil;&uacute;car. O impacto do guia na sa&uacute;de bucal e geral depende 'se' e 'como' ele ser&aacute; aplicado na pr&aacute;tica. As orienta&ccedil;&otilde;es objetivas que o documento fornece, se implementadas na forma de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, podem reduzir um fator de risco comum (o alto consumo de a&ccedil;&uacute;car) a diferentes agravos, com potencial de diminuir a ocorr&ecirc;ncia de c&aacute;rie dent&aacute;ria em crian&ccedil;as e adultos. Al&eacute;m disso, a m&eacute;dio e em longo prazo, as outras doen&ccedil;as ou condi&ccedil;&otilde;es associadas tamb&eacute;m ter&atilde;o redu&ccedil;&atilde;o significativa. &Eacute; importante salientar, entretanto, que o guia enfatiza apenas a quantidade de a&ccedil;&uacute;car consumido, o que &eacute; s&oacute; 'parte' da orienta&ccedil;&atilde;o a ser dada por profissionais da sa&uacute;de bucal. Dois aspectos n&atilde;o contemplados no documento &ndash; e que est&atilde;o fortemente associados &agrave; c&aacute;rie dent&aacute;ria &ndash; e, por isso, devem ser agregados ao corpo de orienta&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o: n&atilde;o introduzir a&ccedil;&uacute;car antes dos dois anos de idade e controlar a frequ&ecirc;ncia (n&uacute;mero de vezes por dia) de consumo de a&ccedil;&uacute;car", considera Feldens. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tamb&eacute;m concordando que o Guideline &eacute; uma iniciativa importante, "pois tem o potencial de abranger uma gama grande da popula&ccedil;&atilde;o", e refor&ccedil;ando que se trata de um guia para sa&uacute;de em geral "e a c&aacute;rie dent&aacute;ria est&aacute; ali reconhecida, mostrando o impacto que a mesma tem na qualidade de vida das pessoas", Mariana ainda discerne sobre o fato de n&atilde;o ser um documento voltado apenas para as crian&ccedil;as, mas sim para a popula&ccedil;&atilde;o em geral, incluindo adultos. "Cabe, ent&atilde;o, a luz das evid&ecirc;ncias, fazer alguns apartes importantes, como sobre evitar a introdu&ccedil;&atilde;o precoce do a&ccedil;&uacute;car na dieta da crian&ccedil;a como mencionado acima. Talvez essa seja uma das mais fortes evid&ecirc;ncias que se tenha para controle de c&aacute;rie dent&aacute;ria em crian&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o ao consumo de a&ccedil;&uacute;cares. Isso &eacute; contemplado, por exemplo, na Caderneta da Crian&ccedil;a, produzida pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de Brasileiro, com recomenda&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas para os primeiros anos de vida. Atualmente ouve-se muito falar sobre que os 1000 primeiros dias da crian&ccedil;a podem ser decisivos para o desenvolvimento de algumas altera&ccedil;&otilde;es sist&ecirc;micas importantes como a obesidade. Isso tamb&eacute;m &eacute; v&aacute;lido para o a&ccedil;&uacute;car e deve ser considerado al&eacute;m da quantidade de a&ccedil;&uacute;car consumida em si (obviamente, quando ele passar a ser consumido). Acredito que, em longo prazo, esse guia tende a suscitar uma s&eacute;rie de medidas, n&atilde;o apenas individuais, mas sociais e coletivas, que tendam a modificar o padr&atilde;o de consumo do a&ccedil;&uacute;car no mundo inteiro. Certamente, isso &eacute; um desafio para o Brasil que, historicamente, tem um padr&atilde;o alimentar bastante adocicado, j&aacute; que a&ccedil;&uacute;car aqui sempre foi muito barato e de f&aacute;cil acesso (diferentemente de muitos locais no mundo). Assim, espero que, a exemplo do tabaco, para o qual a OMS fez um guia semelhante, se consiga mudar a vis&atilde;o sobre o produto e que seu uso racional seja francamente estimulado". </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Perigos do consumo do a&ccedil;&uacute;car s&atilde;o maiores do que se imagina e precisam ser amplamente divulgados</b> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A nutricionista esclarece que, al&eacute;m do diabetes, o consumo excessivo de a&ccedil;&uacute;car &eacute; relacionado com o aumento da inf&acirc;ncia preval&ecirc;ncia de outras doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas como a obesidade, doen&ccedil;as cardiovasculares, c&acirc;ncer e doen&ccedil;as neurodegenerativas. "Muitas pesquisas justificam esta situa&ccedil;&atilde;o com alguns mecanismos fisiol&oacute;gicos. O excesso de a&ccedil;&uacute;car, por exemplo, estimula a s&iacute;ntese de &aacute;cidos graxos &ndash; por meio da lipog&ecirc;nese &ndash; que poder&atilde;o ser armazenados no tecido adiposo. A lipog&ecirc;nese excessiva, por sua vez, pode estimular a diferencia&ccedil;&atilde;o de adip&oacute;citos, predispondo o ganho de peso. Os adip&oacute;citos s&atilde;o gatilhos para infiltra&ccedil;&atilde;o de c&eacute;lulas imunol&oacute;gicas &ndash; como os macr&oacute;fagos - que geram respostas inflamat&oacute;rias por induzirem a express&atilde;o g&ecirc;nica de citocinas - como IL6 (Interleucina 6), NFkB (Fator Nuclear Kappa B) e TNF-alfa (Fator de Necrose Tumoral) - que interferem nas fun&ccedil;&otilde;es de todos os nossos &oacute;rg&atilde;os. Esta inflama&ccedil;&atilde;o sist&ecirc;mica aumenta o risco de algumas doen&ccedil;as. No sistema cardiovascular, as citocinas inflamat&oacute;rias interagem com o tecido endotelial, prejudicando a homeostase press&oacute;rica. Al&eacute;m disso, o aumento da inflama&ccedil;&atilde;o pode gerar les&otilde;es no tecido endotelial, que em associa&ccedil;&atilde;o ao aumento da oxida&ccedil;&atilde;o de lipoprote&iacute;nas de baixa densidade (LDL), aumenta o risco de doen&ccedil;a ateroscler&oacute;tica, e em situa&ccedil;&otilde;es mais graves, infarto agudo do mioc&aacute;rdio ou outras doen&ccedil;as vasculares &ndash; como trombose e acidente vascular encef&aacute;lico (AVE). Em n&iacute;vel hep&aacute;tico, estas citocinas pr&oacute;-inflamat&oacute;rias podem desencadear dist&uacute;rbios metab&oacute;licos, como esteatose hep&aacute;tica. Ainda, alguns estudos sugerem que a inflama&ccedil;&atilde;o seja um gatilho relevante para o desenvolvimento de doen&ccedil;as tireoidianas, como hipotireoidismo e doen&ccedil;as autoimunes da tireoide. O c&acirc;ncer &eacute; outra patologia que pode ser desencadeada com o consumo excessivo de a&ccedil;&uacute;car. Alguns estudos sup&otilde;em que o aumento nos n&iacute;veis glic&iacute;dicos e, em sequ&ecirc;ncia, aumento nos n&iacute;veis de insulina e IGF-1(Fator de Crescimento Similar a Insulina Tipo 1) &ndash; devido ao consumo constante de a&ccedil;&uacute;car - inibem a apoptose e estimulam a prolifera&ccedil;&atilde;o de c&eacute;lulas cancerosas. O consumo de a&ccedil;&uacute;car tamb&eacute;m &eacute; associado ao aumento de les&otilde;es de c&aacute;rie, como &eacute; amplamente conhecido pela comunidade cient&iacute;fica. Para explicar esta rela&ccedil;&atilde;o, o consumo exagerado de alimentos a&ccedil;ucarados desequilibra o sistema &aacute;cido-base e torna o ambiente bucal mais prop&iacute;cio ao crescimento bacteriano e evolu&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a c&aacute;rie. Este desequil&iacute;brio no pH pode, ainda, ser refletido em outros sistemas, elevando o risco de doen&ccedil;as como c&acirc;ncer e outras condi&ccedil;&otilde;es inflamat&oacute;rias", detalha Val&eacute;ria. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O professor de Sa&uacute;de P&uacute;blica em Odontologia da University College London tamb&eacute;m afirma que estudos epidemiol&oacute;gicos de alta qualidade t&ecirc;m mostrado o papel importante dos a&ccedil;&uacute;cares livres no desenvolvimento tanto de c&aacute;rie como sobrepeso/obesidade. "Evid&ecirc;ncias robustas existem agora para papel do a&ccedil;&uacute;car livre no desenvolvimento de sobrepeso e obesidade e associando-os a condi&ccedil;&otilde;es metab&oacute;licas como diabetes. Obesidade e diabetes s&atilde;o os maiores e crescentes problemas de sa&uacute;de no mundo, inclusive no Brasil. Essas condi&ccedil;&otilde;es cr&ocirc;nicas t&ecirc;m um impacto significante na qualidade de vida das pessoas e maior causa de mortalidade precoce. H&aacute;, ent&atilde;o, uma necessidade urgente de reduzir a&ccedil;&uacute;cares livres.Uma combina&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de sa&uacute;de p&uacute;blica e interven&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas s&atilde;o necess&aacute;rias para resolver esse problema. As estrat&eacute;gias chave de sa&uacute;de p&uacute;blica incluem: 1) Regula&ccedil;&atilde;o da propaganda de produtos a&ccedil;ucarados e bebidas especialmente para crian&ccedil;as jovens; 2) Reformula&ccedil;&atilde;o dos alimentos processados para reduzir os n&iacute;veis de a&ccedil;&uacute;cares livres; 3) Estabelecimento de pol&iacute;ticas de impostos/taxas para reduzir os custos de comidas e bebidas saud&aacute;veis, al&eacute;m de aumentar os custos de itens com altos n&iacute;veis de a&ccedil;&uacute;car; 4) Aumento da disponibilidade e apelo de op&ccedil;&otilde;es de bebidas e comidas saud&aacute;veis como, por exemplo, frutas frescas, &aacute;gua e leite. Neste contexto, Cirurgi&otilde;es-Dentistas e outros profissionais de sa&uacute;de tamb&eacute;m t&ecirc;m um importante papel em ajudar os pacientes a reduzir o consumo de a&ccedil;&uacute;car. A equipe odontol&oacute;gica precisa ser treinada para prover aconselhamento de dieta baseado em evid&ecirc;ncia e requer recursos apropriados para isso", argumenta Richard Watt. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ainda pensando na melhor orienta&ccedil;&atilde;o para a popula&ccedil;&atilde;o de forma geral sobre o consumo de a&ccedil;&uacute;car, o professor adjunto do curso de Odontologia da Universidade Luterana do Brasil diz que h&aacute; indica&ccedil;&otilde;es de que a medida mais efetiva "&eacute; a seguinte orienta&ccedil;&atilde;o, tanto em n&iacute;vel coletivo quanto individual: 'a&ccedil;&uacute;car: n&atilde;o antes dos dois anos'! Se aplicada, tem o potencial de reduzir desfechos muito importantes na inf&acirc;ncia como sobrepeso, obesidade, c&aacute;rie dent&aacute;ria e possivelmente anemia. &Eacute; importante destacar que esta orienta&ccedil;&atilde;o tem os requisitos necess&aacute;rios para ser efetiva: &eacute; simples, &eacute; poss&iacute;vel colocar em pr&aacute;tica e n&atilde;o representa custo adicional para as fam&iacute;lias. Faz parte deste conceito compreender que o a&ccedil;&uacute;car d&aacute; prazer e &eacute; inevit&aacute;vel, mas sua utiliza&ccedil;&atilde;o pode ser transferida para os dois anos em diante, na hora da sobremesa. Por fim, importante destacar que tais orienta&ccedil;&otilde;es devem ser agregadas &agrave;s orienta&ccedil;&otilde;es j&aacute; demonstradas como muito efetivas no controle de c&aacute;rie dent&aacute;ria na inf&acirc;ncia, com &ecirc;nfase para a utiliza&ccedil;&atilde;o de dentifr&iacute;cio fluoretado com pelo menos 1.000 ppm de fluoreto a partir da erup&ccedil;&atilde;o do primeiro dente", ensina Carlos Alberto Feldens. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como odontopediatra, Mariana Braga tamb&eacute;m concorda com a orienta&ccedil;&atilde;o &agrave;s m&atilde;es para a introdu&ccedil;&atilde;o tardia do a&ccedil;&uacute;car. "O est&iacute;mulo ao aleitamento materno certamente tende a ajudar nessa condi&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, sabemos que, em alguns casos, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel amamentar exclusivamente at&eacute; os seis meses. Nesses casos, a introdu&ccedil;&atilde;o dos alimentos deveria ser feita sem adi&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;cares "extra", estimulando os alimentos saud&aacute;veis. A orienta&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o consumir a&ccedil;&uacute;car at&eacute; os 2 anos &eacute; baseada em evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica e pode ser seguida para que se previna c&aacute;rie e, mais importante ainda, se tende a ganhar em v&aacute;rios outros aspectos de sa&uacute;de geral. Fugir do que contenha a&ccedil;&uacute;car n&atilde;o &eacute; uma tarefa f&aacute;cil. Por isso, &eacute; importante orientar as m&atilde;es que, sempre que poss&iacute;vel, prefiram alimentos n&atilde;o processados e observem os r&oacute;tulos de alimentos para evitar o consumo involunt&aacute;rio. Para crian&ccedil;as at&eacute; 2 anos, escolher os alimentos &eacute; uma tarefa mais ligada aos pais e, por isso, seguir essa recomenda&ccedil;&atilde;o &eacute; mais f&aacute;cil de ser implementada. Al&eacute;m disso, essa crian&ccedil;a n&atilde;o foi exposta ao sabor do a&ccedil;&uacute;car em si e conhece apenas aquilo que lhe &eacute; oferecido. Alguns advogam que isso mudaria a prefer&ecirc;ncia da crian&ccedil;a. N&atilde;o sei dizer se &eacute; exatamente isso, mas, com certeza, estabelece h&aacute;bitos mais saud&aacute;veis, que devem e podem ser estimulados pelos pais. Em crian&ccedil;as mais velhas, &eacute; mesmo dif&iacute;cil banir o a&ccedil;&uacute;car da alimenta&ccedil;&atilde;o. Essas crian&ccedil;as j&aacute; frequentam escolas e outros ambientes sociais, nos quais o a&ccedil;&uacute;car geralmente est&aacute; dispon&iacute;vel. Desde que o consumo seja racional e se controle a frequ&ecirc;ncia, acredito que n&atilde;o haver&aacute; problemas, se essa crian&ccedil;a usar dentifr&iacute;cio fluoretado (independentemente de qualquer outro fator social e/ou contextual). Reduzir balas e outros doces de ingest&atilde;o frequente pode contribuir com a ingest&atilde;o demasiada de a&ccedil;&uacute;cares livres, conforme recomenda a OMS, al&eacute;m de reduzir a frequ&ecirc;ncia de ingest&atilde;o de a&ccedil;&uacute;cares. Assim, para crian&ccedil;as maiores, a sobremesa (ou consumo em dias espec&iacute;ficos) pode ser uma forma fact&iacute;vel de se controlar o consumo de a&ccedil;&uacute;car a fim de evitar c&aacute;rie, sem que o a&ccedil;&uacute;car seja eliminado da vida dessas crian&ccedil;as. A tend&ecirc;ncia &eacute; que isso se torne mais f&aacute;cil se crian&ccedil;as e os n&uacute;cleos familiares em que est&atilde;o inseridas tiverem sido orientados precocemente sobre os riscos do a&ccedil;&uacute;car e tiverem institu&iacute;dos, dentro dos n&uacute;cleos, h&aacute;bitos saud&aacute;veis. Outro desafio s&atilde;o as escolas que, muitas vezes, s&atilde;o os locais onde essas crian&ccedil;as fazem as refei&ccedil;&otilde;es. Hoje em dia, diante do apelo da quest&atilde;o de sobrepeso e da obesidade em crian&ccedil;as, muitas escolas t&ecirc;m reformulado card&aacute;pios e utilizado o slogan de 'Escola Saud&aacute;vel'. Isso certamente contribui para h&aacute;bitos alimentares saud&aacute;veis. &Eacute;, no entanto, ainda importante trabalhar nesses contextos para orienta&ccedil;&otilde;es dos profissionais, a fim de tamb&eacute;m difundirem informa&ccedil;&otilde;es adequadas e baseadas em evid&ecirc;ncia sobre o assunto. Em linhas gerais, h&aacute;bitos saud&aacute;veis de consumo do a&ccedil;&uacute;car, embora n&atilde;o sozinhos (j&aacute; que outros fatores s&atilde;o importantes e a c&aacute;rie &eacute; multifatorial), podem ajudar a prevenir c&aacute;rie em qualquer idade. H&aacute;bitos precocemente instalados s&atilde;o mais f&aacute;ceis de serem mantidos para a vida. Por outro lado, quanto mais velho for o h&aacute;bito, mais dif&iacute;cil de mud&aacute;-lo", reitera Mariana. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Desafios e estrat&eacute;gias na constru&ccedil;&atilde;o de uma pr&aacute;tica alimentar saud&aacute;vel</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> De acordo com Val&eacute;ria Paschoal, mesmo com a ampla divulga&ccedil;&atilde;o sobre os malef&iacute;cios do a&ccedil;&uacute;car, h&aacute; muita dificuldade em realizar a redu&ccedil;&atilde;o no consumo, que muitas vezes &eacute; justificada pelo estresse em que a pessoa vive rotineiramente, que induz a procura por alimentos mais palat&aacute;veis como um conforto tempor&aacute;rio. Assim, &eacute; importante avaliar os fatores que est&atilde;o por tr&aacute;s deste consumo inadequado para melhor direcionamento da conduta. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Questionada como realiza as orienta&ccedil;&otilde;es de dieta em termos individuais e coletivos, na sua pr&aacute;tica cl&iacute;nica, a nutricionista conta que, primeiramente, &eacute; importante reduzir o consumo de a&ccedil;&uacute;car refinado, que usualmente &eacute; acrescentado em bebidas e em prepara&ccedil;&otilde;es doces. "Como alternativa, a adi&ccedil;&atilde;o de frutas doces &ndash; como banana nanica, manga e mam&atilde;o &ndash; pode contribuir para o sabor adocicado da prepara&ccedil;&atilde;o. A adi&ccedil;&atilde;o de canela tamb&eacute;m &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o eficaz para ressaltar o sabor doce das prepara&ccedil;&otilde;es e, ainda, auxilia na modula&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de insulina. Em casos de compuls&atilde;o por doce, &eacute; necess&aacute;rio avaliar defici&ecirc;ncias nutricionais e sintomas envolvidos. Como exemplo, alguns estudos sugerem que a defici&ecirc;ncia de cromo pode desencadear epis&oacute;dios de compuls&atilde;o por doces, visto que atua na homeostase da insulina e consequentemente, nos n&iacute;veis glic&iacute;dicos. O cromo pode ser ofertado, principalmente, atrav&eacute;s de gr&atilde;os e cereais integrais. De forma central, &eacute; importante o consumo de nutrientes que atuem no equil&iacute;brio de serotonina &ndash; neurotransmissor envolvido no controle da compuls&atilde;o alimentar &ndash; como magn&eacute;sio, niacina (vitamina B3), piridoxina (vitamina B6), &aacute;cido f&oacute;lico (vitamina B9), presentes em alimentos integrais e vegetais folhosos. As oleaginosas tamb&eacute;m contribuem para a manuten&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de serotonina, por serem fontes de magn&eacute;sio. Al&eacute;m disso, s&atilde;o fontes de sel&ecirc;nio e &aacute;cidos graxos insaturados - como &ocirc;mega 9 - que s&atilde;o imprescind&iacute;veis para a redu&ccedil;&atilde;o da inflama&ccedil;&atilde;o e estresse oxidativo. O amino&aacute;cido triptofano &eacute; precursor deste neurotransmissor, sendo igualmente essencial para o seu equil&iacute;brio, e pode ser encontrado em alimentos como gr&atilde;o de bico, banana, cacau, quinoa e amaranto. &Eacute; importante ressaltar que as orienta&ccedil;&otilde;es nutricionais devem ser realizadas de acordo com a condi&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica do paciente, acompanhada de exames bioqu&iacute;micos e sintomas relatados e observados durante a consulta. Por meio destes crit&eacute;rios, &eacute; poss&iacute;vel determinar as melhores op&ccedil;&otilde;es para a restri&ccedil;&atilde;o/substitui&ccedil;&atilde;o do a&ccedil;&uacute;car por outros alimentos adequados e que consigam suprir as necessidades do paciente. No coletivo, &eacute; importante demonstrar os efeitos prejudiciais deste consumo excessivo, bem como os benef&iacute;cios em ter este consumo reduzido, aliado a uma alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel como um todo", orienta Val&eacute;ria. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O professor titular de Odontopediatria da UFPR, Fabian Calixto, salienta que a Odontologia deve participar e colaborar com os movimentos de conscientiza&ccedil;&atilde;o e de viabiliza&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es estruturais para que as fam&iacute;lias adotem pr&aacute;ticas alimentares saud&aacute;veis, o que inclui o consumo cada vez menor e mais tardio de a&ccedil;&uacute;car adicionado (a n&iacute;vel domiciliar ou industrial). "A partir de a&ccedil;&otilde;es transdisciplinares, a modifica&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas alimentares para a ado&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos mais saud&aacute;veis tornam-se mais prov&aacute;veis e certamente, mais dur&aacute;veis, podendo, al&eacute;m de apresentar efeitos imediatos, alcan&ccedil;ar as gera&ccedil;&otilde;es futuras. Em outras palavras, n&atilde;o podemos, enquanto &aacute;rea do conhecimento, criar orienta&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias desconectadas das outras &aacute;reas, mas sim assumir um discurso integrado e integrador. Devemos ter cuidado para n&atilde;o termos uma vis&atilde;o simplista e atribuindo a um &uacute;nico fator a posi&ccedil;&atilde;o de vil&atilde;o, porque quando se pensa em comportamentos em sa&uacute;de, &eacute; mais improv&aacute;vel que modifica&ccedil;&otilde;es positivas ocorram quando focarmos somente em um aspecto, seja o a&ccedil;&uacute;car, o tabaco ou qualquer outro fator. O processo de educa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de deve ser mais amplo e visar a constru&ccedil;&atilde;o de posturas de vida cada vez mais associadas &agrave; sa&uacute;de, seja a redu&ccedil;&atilde;o do consumo do a&ccedil;&uacute;car ou do uso do tabaco. Como j&aacute; disse, &eacute; improdutivo tentar ranquear qual comportamento inadequado para a sa&uacute;de &eacute; pior. Por que nesse caso voltar&iacute;amos aquele pensamento linear de causa e efeito. Uma vis&atilde;o positivista da doen&ccedil;a que acaba por impedir que a&ccedil;&otilde;es mais amplas e de maior impacto sejam adotadas. Temos exemplos na Odontologia (e nas outras &aacute;reas da sa&uacute;de) de erros cometidos nas orienta&ccedil;&otilde;es, porque est&aacute;vamos desvinculados de uma abordagem mais integral, e indic&aacute;vamos o que era condenado por outra &aacute;rea da sa&uacute;de. As contradi&ccedil;&otilde;es das diversas &aacute;reas do conhecimento devem ser superadas para a constru&ccedil;&atilde;o de discurso que seja mais claro e objetivo e, portanto mais fact&iacute;vel". </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na pr&aacute;tica cl&iacute;nica, ainda conforme Fabian, a ideia de constru&ccedil;&atilde;o de postura de vida associada &agrave; sa&uacute;de deve procurar despertar na fam&iacute;lia a preocupa&ccedil;&atilde;o de criar filhos saud&aacute;veis permitindo que esta se organize para que ao longo dos anos e das d&eacute;cadas, encontre solu&ccedil;&otilde;es adequadas a sua realidade. "As estrat&eacute;gias devem ser estabelecidas com a fam&iacute;lia e devem caracterizar-se como um processo din&acirc;mico de crescente autoconhecimento e percep&ccedil;&atilde;o dos fatores associados &agrave; qualidade de vida. Pretende-se que os indiv&iacute;duos e suas fam&iacute;lias adquiram autonomia e consci&ecirc;ncia para adotar uma postura de vida saud&aacute;vel, mas tamb&eacute;m para lutar pelas condi&ccedil;&otilde;es estruturais para sua execu&ccedil;&atilde;o. &Eacute; claro que o esfor&ccedil;o realizado na pr&aacute;tica cl&iacute;nica pelo Cirurgi&atilde;o-Dentista encontrar&aacute; maior impacto se a sociedade tamb&eacute;m estiver caminhando na mesma dire&ccedil;&atilde;o, por isso s&atilde;o importantes as diretrizes, as a&ccedil;&otilde;es governamentais, a regulamenta&ccedil;&atilde;o da propaganda, a vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de, o envolvimento das entidades de classe, das institui&ccedil;&otilde;es de ensino, etc. Sabemos que na quest&atilde;o diet&eacute;tica, o n&uacute;cleo familiar tem import&acirc;ncia fundamental, n&atilde;o s&oacute; na viabiliza&ccedil;&atilde;o do alimento, mas tamb&eacute;m porque o ambiente positivo de sua oferta &eacute; capaz de estimular seu consumo. Os pais influenciam a dieta das crian&ccedil;as de v&aacute;rias maneiras, servindo de exemplo, escolhendo e disponibilizando os alimentos e adotando medidas educativas. Assim, &eacute; esperado que em uma fam&iacute;lia com um alto grau de empoderamento seja mais f&aacute;cil a modifica&ccedil;&atilde;o de aspectos espec&iacute;ficos e que tem grande impacto na sa&uacute;de bucal; por exemplo, a redu&ccedil;&atilde;o da frequ&ecirc;ncia de consumo de a&ccedil;&uacute;car ou a elimina&ccedil;&atilde;o do uso de mamadeira. Por fim, na orienta&ccedil;&atilde;o alimentar voltada para a preven&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as bucais, inclusive a c&aacute;rie, devemos proporcionar a fam&iacute;lia as informa&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas, para o desenvolvimento de habilidades e atitudes para a ado&ccedil;&atilde;o de uma pr&aacute;tica alimentar saud&aacute;vel. No entanto, para romper a for&ccedil;a dos costumes e cren&ccedil;as, a fam&iacute;lia depende n&atilde;o s&oacute; do conhecimento, mas tamb&eacute;m do apoio profissional para superar suas contradi&ccedil;&otilde;es e duvidas. Compreender estes aspectos permite que novas estrat&eacute;gias sejam estabelecidas", finaliza Fabian.</font></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><font size="2" face="Verdana"><i><b>Por Swellyn Fran&ccedil;a    <br> </b></i></font></p>      ]]></body>

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