<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0004-5276</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista da Associacao Paulista de Cirurgioes Dentistas]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. Assoc. Paul. Cir. Dent.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0004-5276</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Associacão Paulista de Cirurgiões-Dentistas]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0004-52762016000200011</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Uma nova perspectiva sobre a biologia da osseointegração]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A new perspective in the biology of osseointegration]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mendes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Vanessa Cristina]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Davies]]></surname>
<given-names><![CDATA[John E.]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade de Toronto Faculdade de Odontologia ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Universidade de Toronto Faculdade de Odontologia Departamento de Biomateriais]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<volume>70</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>166</fpage>
<lpage>171</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0004-52762016000200011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0004-52762016000200011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0004-52762016000200011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O termo osseointegração refere-se à ancoragem de um implante no tecido ósseo, de forma que esse implante possa suportar carga funcional. O processo de osseointegração envolve vários mecanismos biológicos e o entendimento desses mecanismos e do papel da superfície dos implantes nesse processo, auxiliará o clínico de duas maneiras importantes: 1) na escolha dos implantes mais apropriados para os seus pacientes; e 2) no reconhecimento de problemas que possam surgir após a colocação de um implante. Nesse artigo, abordaremos uma nova perspectiva sobre a osseointegração, baseada em um trabalho recente que demonstrou que a reparação peri- -implantar pode ser considerada um processo de restauração da homeostasia óssea. Esse processo representa um fenômeno universal, com vários exemplos nas ciências naturais e biológicas. O crescimento exponencial da ancoragem do implante no tecido ósseo através do tempo leva a um novo equilíbrio que pode ser representado por uma simples equação, onde dois parâmetros são importantes: 1) o valor máximo da ancoragem entre o implante e osso (novo equilíbrio tecidual) e 2) o período através do qual esse equilíbrio é adquirido. Portanto, em condições experimentais, é importante monitorar o processo de reparo por um longo período de tempo para que esse novo equilibrio seja obtido. Esse período de tempo necessário para que a hemostasia seja adquirida é descrito por um parâmetro matemático chamado "Tau", que surge como uma maneira única de quantificar e comparar a performance do processo de osseointegração dos implantes. Essa nova perspectiva sobre a osseointegração será discutida em detalhes nesse artigo.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Osseointegration refers to the anchorage of an implant in bone, to a degree that can withstand functional loading. Osseointegration comprises several distinct biological mechanisms. An understanding these phenomena, and the role of implant surface topography in this process, will assist the clinician in two important ways: 1) It will inform their choice of the most appropriate implant designs for their patients, and 2) It will facilitate their recognition of problems that may arise after implant placement. We describe herein a new perspective on osseointegration. It is based on recent work that has demonstrated that peri-implant healing may be regarded as a restoration of bony homeostasis. Restoration of homeostasis is a universal phenomenon of which there are a multitude of examples in the natural and biological worlds. Applied to bone healing, the exponential rise in bone anchorage with time reaches the new equilibrium. This can be modeled using a simple equation where two important parameters emerge: 1) The ultimate value of implant/bone anchorage, which represents the new tissue equilibrium and 2) The rate at which this equilibrium is reached. Thus, experimentally, it is important to monitor healing over a relatively long time so that the new bony equilibrium, can be achieved. However, the rate at which homeostasis is reached, described by a single mathematical parameter "tau", emerges as a unique means by which the osseointegration performance of implants can be quantified and compared. This new perspective on osseointegration will be discussed in more details herein.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[osseointegração]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[implantes dentários]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[implantação dentária endo-óssea]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[homeostase.]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[eointegration]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[dental implants]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[dental implantation]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[endosseous]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[homeostasis.]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="righ"><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>Artigo original (convidado)</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="top"/></a><B>Uma nova perspectiva sobre a biologia da osseointegra&ccedil;&atilde;o</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>A new perspective in the biology of osseointegration</B> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Vanessa Cristina Mendes<sup>I</sup></b></b><b>; John E. Davies<sup>II</sup></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup> Doutora - Professora assistente da Faculdade de Odontologia, Universidade de Toronto    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <sup>II</sup> Doutor - Professor Titular do Departamento de Biomateriais da Faculdade de Odontologia, Universidade de Toronto    <br>       <br> </font>     <p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#back">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O termo osseointegra&ccedil;&atilde;o refere-se &agrave; ancoragem de um implante no tecido &oacute;sseo, de forma que esse implante possa suportar carga funcional. O processo de osseointegra&ccedil;&atilde;o envolve v&aacute;rios mecanismos biol&oacute;gicos e o entendimento desses mecanismos e do papel da superf&iacute;cie dos implantes nesse processo, auxiliar&aacute; o cl&iacute;nico de duas maneiras importantes: 1) na escolha dos implantes mais apropriados para os seus pacientes; e 2) no reconhecimento de problemas que possam surgir ap&oacute;s a coloca&ccedil;&atilde;o de um implante. Nesse artigo, abordaremos uma nova perspectiva sobre a osseointegra&ccedil;&atilde;o, baseada em um trabalho recente que demonstrou que a repara&ccedil;&atilde;o peri-implantar pode ser considerada um processo de restaura&ccedil;&atilde;o da homeostasia &oacute;ssea. Esse processo representa um fen&ocirc;meno universal, com v&aacute;rios exemplos nas ci&ecirc;ncias naturais e biol&oacute;gicas. O crescimento exponencial da ancoragem do implante no tecido &oacute;sseo atrav&eacute;s do tempo leva a um novo equil&iacute;brio que pode ser representado por uma simples equa&ccedil;&atilde;o, onde dois par&acirc;metros s&atilde;o importantes: 1) o valor m&aacute;ximo da ancoragem entre o implante e osso (novo equil&iacute;brio tecidual) e 2) o per&iacute;odo atrav&eacute;s do qual esse equil&iacute;brio &eacute; adquirido. Portanto, em condi&ccedil;&otilde;es experimentais, &eacute; importante monitorar o processo de reparo por um longo per&iacute;odo de tempo para que esse novo equilibrio seja obtido. Esse per&iacute;odo de tempo necess&aacute;rio para que a hemostasia seja adquirida &eacute; descrito por um par&acirc;metro matem&aacute;tico chamado "Tau", que surge como uma maneira &uacute;nica de quantificar e comparar a performance do processo de osseointegra&ccedil;&atilde;o dos implantes. Essa nova perspectiva sobre a osseointegra&ccedil;&atilde;o ser&aacute; discutida em detalhes nesse artigo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>Descritores: </B>osseointegra&ccedil;&atilde;o; implantes dent&aacute;rios; implanta&ccedil;&atilde;o dent&aacute;ria endo-&oacute;ssea; homeostase.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>ABSTRACT</B> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Osseointegration refers to the anchorage of an implant in bone, to a degree that can withstand functional loading. Osseointegration comprises several distinct biological mechanisms. An understanding these phenomena, and the role of implant surface topography in this process, will assist the clinician in two important ways: 1) It will inform their choice of the most appropriate implant designs for their patients, and 2) It will facilitate their recognition of problems that may arise after implant placement. We describe herein a new perspective on osseointegration. It is based on recent work that has demonstrated that peri-implant healing may be regarded as a restoration of bony homeostasis. Restoration of homeostasis is a universal phenomenon of which there are a multitude of examples in the natural and biological worlds. Applied to bone healing, the exponential rise in bone anchorage with time reaches the new equilibrium. This can be modeled using a simple equation where two important parameters emerge: 1) The ultimate value of implant/bone anchorage, which represents the new tissue equilibrium and 2) The rate at which this equilibrium is reached. Thus, experimentally, it is important to monitor healing over a relatively long time so that the new bony equilibrium, can be achieved. However, the rate at which homeostasis is reached, described by a single mathematical parameter "tau", emerges as a unique means by which the osseointegration performance of implants can be quantified and compared. This new perspective on osseointegration will be discussed in more details herein.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>Descriptors: </B>eointegration; dental implants; dental implantation, endosseous; homeostasis.</font> </p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B> RELEV&Acirc;NCIA CL&Iacute;NICA</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A relev&acirc;ncia cl&iacute;nica desse artigo fundamenta-se no entendimento dos mecanismos biol&oacute;gicos da osseointegra&ccedil;&atilde;o dos implante dent&aacute;rios e de como esse conhecimento poder&aacute; auxiliar o cl&iacute;nico na escolha de implantes mais apropriados para os seus pacientes, assim como no reconhecimento de problemas que possam surgir ap&oacute;s a coloca&ccedil;&atilde;o de um implante.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B> INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</B></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Osseointegra&ccedil;&atilde;o: processo de reparo ou rejei&ccedil;&atilde;o?</i> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Osseointegra&ccedil;&atilde;o &eacute; um termo que pode ser utilizado para descrever a ancoragem de um implante end&oacute;sseo, suficiente para suportar cargas funcionais. A osseointegra&ccedil;&atilde;o de um implante &eacute; vital para o seu sucesso cl&iacute;nico, portanto, para que seja poss&iacute;vel dissecar os mecanismos da osseointegra&ccedil;&atilde;o, &eacute; fundamental que se entenda o processo natural de osteog&ecirc;nese (forma&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea) durante os per&iacute;odos de regenera&ccedil;&atilde;o e remodela&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como os implantes s&atilde;o inseridos no tecido &oacute;sseo, uma das abordagens para explicar o fen&ocirc;meno da osseointegra&ccedil;&atilde;o considera esse processo como sendo parte do mecanismo relacionado &agrave; repara&ccedil;&atilde;o de inj&uacute;rias &oacute;sseas. De fato, v&aacute;rios autores estabeleceram semelhan&ccedil;as entre o processo de repara&ccedil;&atilde;o peri-implantar endo-&oacute;sseo e o processo de reparo de fraturas.<sup>1</sup></b> Essa abordagem tem a vantagem de ser fundamentada em um modelo geral de repara&ccedil;&atilde;o tecidual, que engloba alguns processos fundamentais comuns ao reparo da maioria dos tecidos, como por exemplo, a resolu&ccedil;&atilde;o do co&aacute;gulo sangu&iacute;neo no local da inj&uacute;ria, a necessidade da forma&ccedil;&atilde;o de novos vasos sangu&iacute;neos (angiog&ecirc;nese), e a import&acirc;ncia das c&eacute;lulas perivasculares como fonte de c&eacute;lulas-tronco mesenquimais presentes nos tecidos. Essa abordagem, que considera os aspectos fundamentais, ou comuns, do processo de reparo de feridas, nos levou recentemente a elaborar uma nova perspectiva para entender o processo de reparo de forma geral, e a osseointegra&ccedil;&atilde;o de forma particular. Essa nova proposta est&aacute; fundamentada na restaura&ccedil;&atilde;o da homeostasia tecidual e ser&aacute; abordada nesse artigo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recentemente, no entanto, foi proposta na literatura outra abordagem, radicalmente diferente da descrita acima, que surgiu da ideia de que a osseointegra&ccedil;&atilde;o &eacute; o resultado de uma resposta imunol&oacute;gica contra o implante.<sup>2</sup></b> Existem fatores importantes que s&atilde;o comuns a essas duas abordagens (processo de reparo vs. rea&ccedil;&atilde;o imunol&oacute;gica contra o implante), como por exemplo, as intera&ccedil;&otilde;es iniciais do sangue com a superf&iacute;cie do implante. No entanto, essas duas linhas de pensamento s&atilde;o divergentes quando se considera a inevit&aacute;vel resposta inflamat&oacute;ria aguda. A inflama&ccedil;&atilde;o aguda, causada pelo trauma cir&uacute;rgico ao tecido, provoca uma intrincada resposta imune adaptativa que poder&aacute; resultar em uma r&aacute;pida resolu&ccedil;&atilde;o da les&atilde;o, mesmo na presen&ccedil;a de infec&ccedil;&atilde;o. No entanto, a inflama&ccedil;&atilde;o aguda tamb&eacute;m poder&aacute; transicionar para uma resposta cr&ocirc;nica, caracterizada pelo recrutamento de c&eacute;lulas gigantes de corpo estranho.<sup>3</sup></b> Essa sequela cr&ocirc;nica pode ser exemplificada pela presen&ccedil;a de um espinho encravado em tecido mole e encapsulado por tecido fibroso, o qual em algum momento, poder&aacute; ser expulso do organismo como corpo estranho. O "encapsulamento" de um implante pelo tecido &oacute;sseo foi sugerido como sendo outro exemplo de sequestro pelo tecido conjuntivo<sup>4</sup></b>, no entanto, &eacute; importante considerar que a presen&ccedil;a de c&eacute;lulas gigantes de corpo estranho nesse ambiente seria um indicador claro da rejei&ccedil;&atilde;o do implante pelo organismo. Portanto, o seguinte questionamento &eacute; inevit&aacute;vel: a integra&ccedil;&atilde;o de um implante endo-&oacute;sseo seria o resultado de uma resposta reparativa do organismo, que resultaria no restabelecimento da homeostasia, ou seria uma tentativa do organismo de sequestrar, ou rejeitar um corpo estranho? O enorme sucesso cl&iacute;nico dos implantes dent&aacute;rios endo-&oacute;sseos indica que a primeira op&ccedil;&atilde;o seria uma suposi&ccedil;&atilde;o mais razo&aacute;vel, al&eacute;m dessa tamb&eacute;m estar contida no conceito de Raghavendra, frequentemente citato na literatura para ilustrar a transi&ccedil;&atilde;o entre a estabilidade prim&aacute;ria e secund&aacute;ria de um implante dent&aacute;rio durante o processo de osseointegra&ccedil;&atilde;o. <sup>5</sup></b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Duas li&ccedil;&otilde;es importantes sobre o processo de remodela&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea</i> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Existem dois conceitos cr&iacute;ticos que surgiram a partir do nosso entendimento sobre o fen&ocirc;meno natural de remodela&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea, e que tamb&eacute;m s&atilde;o relevantes para o entendimento da osseointegra&ccedil;&atilde;o. O primeiro conceito est&aacute; relacionado &agrave; topografia da superf&iacute;cie do tecido &oacute;sseo remanescente ap&oacute;s reabsor&ccedil;&atilde;o por um osteoclasto. Essa topografia &eacute; tridimensional e complexa em tr&ecirc;s escalas distintas: 1) sub-microm&eacute;trica (em ingl&ecirc;s: "sub-micron scale"), representada pela superf&iacute;cie &oacute;ssea exposta ap&oacute;s desmineraliza&ccedil;&atilde;o das fibras de col&aacute;geno orientadas em v&aacute;rios planos; 2) microm&eacute;trica (em ingl&ecirc;s: "micron scale"), representada por lacunas individuais de Howship; e 3) a escala microm&eacute;trica grosseira (em ingl&ecirc;s: "coarse-micron scale"), representada pela profundidade de reabsor&ccedil;&atilde;o da superf&iacute;cie &oacute;ssea por grupos de osteoclastos e tamb&eacute;m pela complexidade tridimensional dessa superf&iacute;cie (<a href="#fig01">Figura 1</a>).<sup>6</sup></b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp; </p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/apcd/v70n2/a11fig01.jpg">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O segundo conceito refere-se &agrave;s c&eacute;lulas osteog&ecirc;nicas que ir&atilde;o se diferenciar em osteoblastos e secretar matriz &oacute;ssea sobre a superf&iacute;cie do implante durante o processo de osteog&ecirc;nese por contato. Essas c&eacute;lulas osteog&ecirc;nicas s&atilde;o derivadas de c&eacute;lulas perivasculares (em ingl&ecirc;s: "perivascular cells" or "pericytes"), localizadas ao redor das paredes dos vasos sangu&iacute;neos presentes na &aacute;rea de remodela&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea, ou na regi&atilde;o peri-implantar durante o processo de reparo. Crisan et al. (2008)<sup>7</sup></b> demonstraram que as c&eacute;lulas perivasculares representam uma fonte ub&iacute;qua de c&eacute;lulas mesenquimais progenitoras em todos os &oacute;rg&atilde;os do organismo. Sabemos que essas c&eacute;lulas migram atrav&eacute;s da regi&atilde;o peri-implantar para povoar a superf&iacute;cie do implante, sobre a qual elas ir&atilde;o diferenciar e elaborar uma nova matriz &oacute;ssea (<a href="#fig02">Figura 2</a>). De forma semelhante, c&eacute;lulas perivasculares migram da parede dos vasos sangu&iacute;neos contidos nos canais Haversianos para a superf&iacute;cie do t&uacute;nel de reabsor&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea, com objetivo de produzir &#91;novo&#93; tecido &oacute;sseo lamelar durante o processo natural de remodela&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Um pequeno resumo sobre os mecanismos de repara&ccedil;&atilde;o peri-implantar</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As v&aacute;rias defini&ccedil;&otilde;es publicadas para "osseointegra&ccedil;&atilde;o" atestam para o fato de que um &uacute;nico termo n&atilde;o consegue abranger a cascata de eventos biol&oacute;gicos que resulta na ancoragem de um implante inanimado (normalmente met&aacute;lico) no tecido &oacute;sseo vivo. O processo de osseointegra&ccedil;&atilde;o pode ser subdividido em tr&ecirc;s fases distintas, mas que se sobrep&otilde;em em algum momento: 1) osteocondu&ccedil;&atilde;o, 2) forma&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea e 3) remodela&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea.<sup>8,9</sup></b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Osteocondu&ccedil;&atilde;o</i> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O processo de osteocondu&ccedil;&atilde;o foi definido como sendo o recrutamento e a migra&ccedil;&atilde;o de c&eacute;lulas osteog&ecirc;nicas para a superf&iacute;cie de um implante.8 Como mencionado acima, esse mesmo fen&ocirc;meno ocorre durante o processo natural de remodela&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea, quando uma popula&ccedil;&atilde;o de c&eacute;lulas perivasculares &#91;osteog&ecirc;nicas&#93; migra dos vasos sangu&iacute;neos neoformados para a superf&iacute;cie &oacute;ssea deixada pelos osteoclastos. A diferen&ccedil;a entre remodela&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea e repara&ccedil;&atilde;o peri-implantar &eacute; a presen&ccedil;a do co&aacute;gulo sangu&iacute;neo. Dessa forma, em ambos os casos, a angiog&ecirc;nese precede a osteog&ecirc;nese, uma vez que sem angiog&ecirc;nese, as c&eacute;lulas osteog&ecirc;nicas n&atilde;o seriam levadas para os s&iacute;tios de reparo ou remodela&ccedil;&atilde;o. &Agrave; medida que as c&eacute;lulas perivasculares &#91;osteog&ecirc;nicas&#93; migram para a superf&iacute;cie do implante durante o processo de osteocondu&ccedil;&atilde;o, elas se diferenciam para tornarem-se secretoriamente ativas e depositar matriz &oacute;ssea diretamente sobre a superf&iacute;cie do implante. &Eacute; importante ressaltar que s&atilde;o necess&aacute;rios v&aacute;rios dias at&eacute; que as c&eacute;lulas osteog&ecirc;nicas atinjam a superf&iacute;cie do implante, e durante esse processo, essa superf&iacute;cie sofre v&aacute;rias modifica&ccedil;&otilde;es em n&iacute;vel molecular, atrav&eacute;s da adsor&ccedil;&atilde;o de prote&iacute;nas do soro sangu&iacute;neo e da atividade de uma infinidade de c&eacute;lulas do sangue. Dessa forma, a composi&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica da superf&iacute;cie do implante torna-se radicalmente diferente daquela de quando o implante foi empacotado, esterilizado e recebido pelo cl&iacute;nico antes da cirurgia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Forma&ccedil;&atilde;o e ades&atilde;o &oacute;ssea</i> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O tecido &oacute;sseo &eacute; composto por uma matriz extracelular mineralizada de col&aacute;geno e cont&eacute;m oste&oacute;citos em sua estrutura. No entanto, os osteoblastos, antes de sua completa diferencia&ccedil;&atilde;o, elaboram uma matriz extracelular mineralizada que n&atilde;o cont&eacute;m col&aacute;geno. Essa matriz foi chamada de "linha cementante" (em ingl&ecirc;s: "cement line") por von Ebner em 1875. A linha cementante (mineralizada e sem col&aacute;geno) ocupa a interface que est&aacute; constantemente sendo criada entre o osso "antigo" (reabsorvido) e o tecido &oacute;sseo neoformado, no processo natural de remodela&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea que ocorre durante a vida de um individuo. As c&eacute;lulas osteog&ecirc;nicas que formam a linha cementante inicialmente secretam prote&iacute;nas n&atilde;o colagenosas no espa&ccedil;o extracelular. Essas prote&iacute;nas, antes de serem mineralizadas, espalham-se por irregularidades e reten&ccedil;&otilde;es presentes na superf&iacute;cie sobre a qual elas foram depositadas<sup>8</sup></b> &#91;de forma semelhante, na odontologia, ao vazamento de gesso (antes da presa) em um molde de alginato&#93;. As fibras col&aacute;genas ficam aderidas &agrave; essa linha cementante que forma uma interface entre o osso "antigo" e o osso neoformado, como von Ebner havia suposto. A mesma condi&ccedil;&atilde;o ocorre na superf&iacute;cie de um implante que apresenta reten&ccedil;&otilde;es em sua topografia, e uma vez mineralizada, a linha cementante ficar&aacute; fortemente aderida a essa superf&iacute;cie. Esse fen&ocirc;meno &eacute; conhecido como ades&atilde;o &oacute;ssea, ou em ingl&ecirc;s: "bone bonding".<sup>10,11</sup></b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig02"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp; </p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/apcd/v70n2/a11fig02.jpg">     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, &eacute; importante destacar que essa interface "verdadeira", que ocorre entre a linha cementante e o tecido &oacute;sseo reabsorvido (no processo de remodela&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea) ou a superf&iacute;cie do implante, acontece em uma escala nanom&eacute;trica e n&atilde;o &eacute; suficiente para aguentar carga funcional. De fato, as linhas cementantes do tecido &oacute;sseo foram consideradas interfaces "fracas"<sup>12</sup></b> e a resist&ecirc;ncia &agrave; carga biomec&acirc;nica t&ecirc;m sido atribu&iacute;da &agrave; estrutura tridimensional complexa do col&aacute;geno mineralizado, tanto em escala microm&eacute;trica quanto em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; arquitetura do tecido &oacute;sseo.<sup>13,14</sup></b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Ancoragem &oacute;ssea</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Enquanto a osseointegra&ccedil;&atilde;o pode ser descrita como sendo a ancoragem funcional de um implante no tecido &oacute;sseo, precisamos definir o termo "ancoragem". Funcionalmente, ancoragem representa a resist&ecirc;ncia de um implante endo-&oacute;sseo contra remo&ccedil;&atilde;o. Pode-se imaginar que espa&ccedil;os vazios de qualquer tamanho e forma na superf&iacute;cie do implante, que permitam a deposi&ccedil;&atilde;o de tecido &oacute;sseo em seu interior, ir&atilde;o oferecer algum tipo de resist&ecirc;ncia &agrave; remo&ccedil;&atilde;o do implante (utilizando-se for&ccedil;a de tra&ccedil;&atilde;o ou de tens&atilde;o). Se, de forma hipot&eacute;tica, um implante possuir grandes poros em sua superf&iacute;cie, que possibilitariam o crescimento &oacute;sseo em seu interior, a resist&ecirc;ncia contra a remo&ccedil;&atilde;o desse implante (ancoragem) seria maior do que a resist&ecirc;ncia contra a remo&ccedil;&atilde;o de um implante sem os mesmos poros. Para que esse primeiro implante seja removido, o tecido &oacute;sseo tender&aacute; a fraturar pr&oacute;ximo a um plano localizado na regi&atilde;o mais externa desses poros, ao inv&eacute;s de separar na interface direta osso/ implante. Isso acontece sem que o tecido &oacute;sseo precise estar aderido ("bonded") &agrave; superf&iacute;cie do implante. Nesse contexto, podemos ressaltar a observa&ccedil;&atilde;o de Br&aring;nemark, em 1983, que menciona: "Esfor&ccedil;os para remover os implantes levaram a fraturas no tecido &oacute;sseo dos maxilares, per se, e n&atilde;o na interface".<sup>15</sup></b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Portanto, "ancoragem" pode ser diferenciada de "ades&atilde;o" ("bonding"), uma vez que ades&atilde;o refere-se &agrave; interface direta entre o tecido &oacute;sseo e a superf&iacute;cie do implante (em escala nanom&eacute;trica). Em resumo, a ades&atilde;o &oacute;ssea ("bone bonding") ocorre apenas na interface "verdadeira" do osso com a superf&iacute;cie do implante, enquanto a ancoragem &oacute;ssea, sob carga funcional, &eacute; determinada pelas caracter&iacute;sticas topogr&aacute;ficas da superf&iacute;cie do implante em maior escala (microm&eacute;trica e supra-microm&eacute;trica), as quais delimitam a interface "funcional" (<a href="#fig03">Figura 3</a>).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig03"></a></p>     <p>&nbsp; </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/apcd/v70n2/a11fig03.jpg">     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>O papel do desenho da superf&iacute;cie do implante</i> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante as &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas, ficou claro que o desenho da superf&iacute;cie do implante pode provocar um grande impacto no processo de repara&ccedil;&atilde;o peri-implantar e na ancoragem &oacute;ssea funcional. Sabemos que esse desenho, representado por caracter&iacute;sticas topogr&aacute;ficas em escala nano ou microm&eacute;trica, possui um papel significante nos est&aacute;gios iniciais da repara&ccedil;&atilde;o peri-implantar. O trabalho de Buser et al.<sup>16</sup></b> trouxe uma contribui&ccedil;&atilde;o significativa &agrave; literatura e os autores conclu&iacute;ram que "Superf&iacute;cies de implantes rugosas geralmente demonstraram um aumento na deposi&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea em compara&ccedil;&atilde;o com superf&iacute;cies polidas ou menos complexas". No entanto, &eacute; importante ressaltar tamb&eacute;m o trabalho de Wong et al.<sup>17</sup></b> que demonstrou "que medidas percentuais da cobertura de implantes s&atilde;o indicadores menos sens&iacute;veis relacionados &agrave; osseointegra&ccedil;&atilde;o do que os testes mec&acirc;nicos." Dessa forma, a utiliza&ccedil;&atilde;o de um teste funcional para a avalia&ccedil;&atilde;o da osseointegra&ccedil;&atilde;o de um implante endo-&oacute;sseo &eacute; considerada mais importante do que a quantidade limitada de dados que se pode obter medindo o contato entre o tecido &oacute;sseo e o implante (em ingl&ecirc;s: "bone/implant contact" &ndash; BIC) em cortes histol&oacute;gicos. Essa foi uma conclus&atilde;o importante do trabalho desses autores, pois est&aacute; relacionada de uma forma muito pr&oacute;xima com a realidade cl&iacute;nica, onde apenas m&eacute;todos f&iacute;sicos (an&aacute;lise da frequ&ecirc;ncia de resson&acirc;ncia, torque reverso, ou manipula&ccedil;&atilde;o digital) podem ser empregados para a avalia&ccedil;&atilde;o da osseointegra&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa &ecirc;nfase inicial na rugosidade das superf&iacute;cies de implante resultou na publica&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios estudos que caracterizaram as superf&iacute;cies atrav&eacute;s de m&eacute;todos que geram par&acirc;metros matem&aacute;ticos comparativos de rugosidade. Apesar de se entender facilmente a influ&ecirc;ncia da rugosidade da superf&iacute;cie de um implante na for&ccedil;a necess&aacute;ria para romp&ecirc;-lo do tecido &oacute;sseo<sup>18</sup></b>, esses par&acirc;metros de rugosidade n&atilde;o oferecem qualquer esclarecimento sobre os mecanismos biol&oacute;gicos relacionados &agrave; ancoragem &oacute;ssea. No entanto, o desenho da topografia da superf&iacute;cie de um implante tem uma import&acirc;ncia clara e presente, pois quase todos os fabricantes, e muitos outros que utilizam implantes met&aacute;licos, modificam suas superf&iacute;cies com a inten&ccedil;&atilde;o de acelerar a repara&ccedil;&atilde;o peri-implantar e melhorar a ancoragem &oacute;ssea. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Restaura&ccedil;&atilde;o da homeostasia</i> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A nossa nova abordagem considera o processo de repara&ccedil;&atilde;o peri-implantar endo-&oacute;sseo como sendo o restabelecimento de um novo equil&iacute;brio tecidual, ou homeostasia. A literatura confirma que existe uma grande quantidade de informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel no campo das ci&ecirc;ncias naturais relacionada &agrave; restaura&ccedil;&atilde;o da homeostasia. Alguns exemplos podem ser t&atilde;o variados como a restaura&ccedil;&atilde;o dos estoques de peixes em locais onde a pesca foi proibida<sup>19</sup></b>, ou a recupera&ccedil;&atilde;o da massa &oacute;ssea de astronautas ap&oacute;s o retorno &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es gravitacionais da Terra.<sup>20</sup></b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses exemplos de restaura&ccedil;&atilde;o da homeostasia podem ser modelados matematicamente atrav&eacute;s de uma abordagem comum, e s&atilde;o descritos pelas curvas assint&oacute;ticas que se aproximam das isotermas de Langmuir.<sup>21</sup></b> No entanto, detalhes matem&aacute;ticos n&atilde;o s&atilde;o importantes aqui, pois gostar&iacute;amos apenas de ilustrar um princ&iacute;pio geral (veja as fun&ccedil;&otilde;es relevantes na legenda da <a href="#fig04">Figura 4</a>). Ent&atilde;o, em ess&ecirc;ncia, um aumento na medida de uma vari&aacute;vel levar&aacute; a um crescimento exponencial at&eacute; que um plat&ocirc;, ou limite, seja atingido. Uma analogia para ilustrar esse conceito poderia ser feita com a utiliza&ccedil;&atilde;o de um barril cheio de &aacute;gua salgada, como mostrado na <a href="#fig04">Figura 4A</a>. A homeostasia seria uma condi&ccedil;&atilde;o em que ambas as torneiras estariam simultaneamente fornecendo &aacute;gua salgada e esvaziando o barril na mesma propor&ccedil;&atilde;o. Agora, imagine que a torneira que fornecia a &aacute;gua salgada, passe ent&atilde;o a fornecer &aacute;gua doce. Ap&oacute;s certo per&iacute;odo de tempo, o barril estar&aacute; recebendo apenas &aacute;gua doce e um novo equil&iacute;brio ser&aacute; alcan&ccedil;ado quando as duas torneiras estiverem simultaneamente fornecendo &aacute;gua doce e esvaziando o barril na mesma propor&ccedil;&atilde;o. A mudan&ccedil;a (aumento) na quantidade de &aacute;gua doce dentro do barril, atrav&eacute;s do tempo, &eacute; representada pelas curvas no gr&aacute;fico da <a href="#fig04">Figura 4B</a>. No entanto, a taxa de fornecimento de &aacute;gua doce para que o plat&ocirc; da curva seja atingido, ir&aacute; depender inteiramente da propor&ccedil;&atilde;o (quantidade) que as torneiras estiverem abertas &ndash; o tempo poder&aacute; ser longo ou curto. Al&eacute;m disso, a quantidade de tempo que leva para que ocorra essa mudan&ccedil;a de &aacute;gua salgada para a &aacute;gua doce, chamada de constante do tempo &ndash; que convencionalmente recebe a letra grega Tau "&tau;" &ndash; &eacute; definida como sendo o tempo necess&aacute;rio para que o valor medido aumente at&eacute; atingir 63.2% do &#91;plat&ocirc;&#93; m&aacute;ximo. Dessa forma, "&tau;" ir&aacute; depender da quantidade em que as torneiras estiverem abertas (assumindo-se que ambas as torneiras estejam abertas ou fechadas na mesma propor&ccedil;&atilde;o). Essa mesma constante de tempo &eacute; utilizada em muitos outros fen&ocirc;menos biol&oacute;gicos e os exemplos variam desde a farmacocin&eacute;tica, onde "&tau;" representa a taxa m&eacute;dia de reten&ccedil;&atilde;o de uma droga<sup>22</sup></b>, at&eacute; a neuroci&ecirc;ncia, onde "&tau;" &eacute; a constante que representa o aumento do potencial de a&ccedil;&atilde;o de um neur&ocirc;nio.<sup>23</sup></b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig04"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp; </p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/apcd/v70n2/a11fig04.jpg">      <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig05"></a></p>     <p>&nbsp; </p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/apcd/v70n2/a11fig05.jpg">     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Demonstramos recentemente que essa mesma rela&ccedil;&atilde;o pode ser aplicada &agrave; osseointegra&ccedil;&atilde;o.<sup>24</sup></b> Como mencionado acima, n&atilde;o existem d&uacute;vidas de que a osseointegra&ccedil;&atilde;o representa a restaura&ccedil;&atilde;o da homeostasia, ou em outras palavras, &agrave; medida em que a repara&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea progride, o equil&iacute;brio &eacute; alcan&ccedil;ado. Investigamos o desenvolvimento desse equil&iacute;brio atrav&eacute;s de testes mec&acirc;nicos para avaliar a ancoragem de implantes no tecido &oacute;sseo em fun&ccedil;&atilde;o do tempo. O aumento da ancoragem atrav&eacute;s do tempo seguiu uma curva exponencial e alcan&ccedil;ou um plat&ocirc; (<a href="#fig05">Figura 5</a>), da mesma forma que foi descrito na <a href="#fig04">Figura 4</a>. Espera-se que a altura desse plat&ocirc; ("C" &ndash; for&ccedil;a necess&aacute;ria para romper o modelo) seja modificada pelo tipo de tecido &oacute;sseo e sua microarquitetura, e dessa forma, ir&aacute; variar em implantes testados em osso imaturo de animais, ou em osso lamelar humano &ndash; ou at&eacute; mesmo entre o osso lamelar e trabecular. No entanto, o que surgiu desse trabalho experimental foi que a constante de tempo "&tau;" n&atilde;o depende da metodologia do teste, mas do desenho da topografia da superf&iacute;cie do implante. Mais especificamente, quando comparamos um implante contendo uma topografia de superf&iacute;cie nanotexturizada com outro que possui uma topografia de superf&iacute;cie microtexturizada, "&tau;nano" foi significantemente menor do que "&tau;micro" (veja &tau;n and &tau;m na <a href="#fig05">Figura 5</a>), indicando que a superf&iacute;cie com nanotopografia provocou um aumento significante na taxa de osseointegra&ccedil;&atilde;o em compara&ccedil;&atilde;o com a superf&iacute;cie microtopogr&aacute;fica. O mais importante, no entanto, e que est&aacute; de acordo com dados cl&iacute;nicos publicados, &eacute; que com o passar do tempo, ambas as superf&iacute;cies adquirem o mesmo equil&iacute;brio e plat&ocirc;. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dois par&acirc;metros cr&iacute;ticos: "C" e "&tau;" surgem atrav&eacute;s dessa nova abordagem experimental e do preparo das curvas assint&oacute;ticas (utilizando a equa&ccedil;&atilde;o descrita na <a href="#fig04">Figura 4</a>). Ao mesmo tempo em que um valor alto de "C" representa uma ancoragem robusta entre o implante e o tecido &oacute;sseo, quanto mais baixo o valor de "&tau;", mais r&aacute;pido essa ancoragem ser&aacute; obtida. Assim, enquanto esses dois par&acirc;metros s&atilde;o importantes, o valor de Tau &eacute; o que representa a taxa de osseointegra&ccedil;&atilde;o de um implante. Considerando que esse par&acirc;metro, calculado a partir de dados experimentais, fornece informa&ccedil;&atilde;o imediata sobre o potencial de osseointegra&ccedil;&atilde;o da superf&iacute;cie de um implante, e considerando tamb&eacute;m que "&tau;" &eacute; uma fun&ccedil;&atilde;o do desenho da superf&iacute;cie do implante, o Tau surge como o primeiro par&acirc;metro matem&aacute;tico que poder&aacute; ser utilizado para comprar o potencial de osseointegra&ccedil;&atilde;o de superf&iacute;cies de implantes com diferentes desenhos topogr&aacute;ficos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>CONCLUS&Atilde;O</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De forma geral, atualmente j&aacute; se conhece bastante sobre a biologia b&aacute;sica relacionada &agrave; osseointegra&ccedil;&atilde;o. Esse entendimento surgiu quase que inteiramente a partir do conhecimento sobre o processo de remodela&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea natural e sobre a complexidade da interface formada entre o osso remanescente (reabsolvido por osteoclastos) e o osso neoformado. Esse conhecimento fundamenta o entendimento sobre a import&acirc;ncia do desenho topogr&aacute;fico da superf&iacute;cie de implante no processo de osseointegra&ccedil;&atilde;o e, em particular, como a osseointegra&ccedil;&atilde;o pode ocorrer em todos os tipos de tecido &oacute;sseo, uma vez utilizada a superf&iacute;cie de implante mais apropriada para cada caso. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os aspectos mais importantes da osseointegra&ccedil;&atilde;o acontecem antes da forma&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea, ou em escalas m&eacute;tricas inacess&iacute;veis at&eacute; mesmo &agrave;s t&eacute;cnicas radiogr&aacute;ficas mais modernas. Dessa forma, o entendimento da biologia &oacute;ssea b&aacute;sica da osseointegra&ccedil;&atilde;o fornece n&atilde;o apenas a oportunidade para uma an&aacute;lise racional sobre a escolha de desenhos espec&iacute;ficos de superf&iacute;cies de implantes mais adequadas para os pacientes, mas tamb&eacute;m nos permite come&ccedil;ar a entender os problemas que possam surgir ap&oacute;s a coloca&ccedil;&atilde;o de um implante no tecido &oacute;sseo.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>REFER&Ecirc;NCIAS</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Kuzyk PRT, Schemitsch EH, Davies JE. A biodegradable scaffold for the treatment of a diaphyseal bone defect of the tibia. J Orthop Res. 2010;28(4):474&ndash;80. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Trindade R, Albrektsson T, Wennerberg A. Current concepts for the biological basis of dental implants: foreign body equilibrium and osseointegration dynamics. Oral Maxillofac Surg Clin North Am. 2015;27(2):175&ndash;83. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. McNally AK, Anderson JM. Macrophage fusion and multinucleated giant cells of inflammation. Adv Exp Med Biol. 2011;713:97&ndash;111. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Donath K, Laall M, Giinzl H-J The histopathology of different foreign-body reactions in oral soft tissue and bone tissue. Virchows Archiv: Pathol Anat 1992;420:131-137. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Raghavendra S, Wood MC, Taylor TD. Early wound healing around endosseous implants: a review of the literature. Int J Oral Maxillofac Implants. 2005;20(3):425&ndash;31. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Davies JE. Basic biology of osseontegration. In: Tamimi D, editor(s). Specialty imaging: Dental implants. 1st ed. (US): Amirsys Inc. 2014:2-9. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Crisan M, Yap S, Casteilla L, Chen C-W, Corselli M, Park TS, et al. A perivascular origin for mesenchymal stem cells in multiple human organs. Cell Stem Cell. 2008;3(3):301&ndash;13. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Davies JE. Mechanisms of endosseous integration. Int J Prosthodont 1998;11(5):391&ndash;401. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Davies JE. Understanding peri-implant endosseous healing. J Dent Educ. 2003;67(8):932&ndash;49. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Davies JE. Bone bonding at natural and biomaterial surfaces. Biomaterials. 2007;28(34):5058&ndash;67. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Mendes VC, Moineddin R, Davies JE. The effect of discrete calcium phosphate nanocrystals on bone-bonding to titanium surfaces. Biomaterials. 2007;28(32):4748&ndash;55. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Brunski JB. In vivo bone response to biomechanical loading at the bone/dental-implant interface. advances in dental research. SAGE Publications. 1999;13(1):99&ndash;119. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Tai K, Dao M, Suresh S, Palazoglu A, Ortiz C. Nanoscale heterogeneity promotes energy dissipation in bone. Nat Mater. 2007;6(6):454&ndash;62. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Lakes R. Materials with structural hierarchy. Nature. 1993;361(6):511&ndash;5. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Br&aring;nemark PI. Osseointegration and its experimental background. J Prosthet Dent. 1983;50(3):399&ndash;410. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Buser D, Schenk RK, Steinemann S, Fiorellini JP, Fox CH, Stich H. Influence of surface characteristics on bone integration of titanium implants. A histomorphometric study in miniature pigs. J Biomed Mater Res.1991;25(7):889&ndash;902. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. Wong M, Eulenberger J, Schenk R, Hunziker E. Effect of surface topology on the osseointegration of implant materials in trabecular bone. J Biomed Mater Res. 1995 Dec;29(12):1567&ndash;75. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. Gotfredsen K, Berglundh T, Lindhe J. Anchorage of titanium implants with different surface characteristics: an experimental study in rabbits. Clin Implant Dent Relat Res. 2000;2(3):120&ndash;8. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19. McClanahan TR, Graham NAJ, Calnan JM, MacNeil MA. Toward pristine biomass: reef fish recovery in coral reef marine protected areas in Kenya. Ecological Applications. 2007;17(4):1055&ndash;67. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">20. Sibonga JD, Evans HJ, Sung HG, Spector ER, Lang TF, Oganov VS, et al. Recovery of spaceflight-induced bone loss: Bone mineral density after long-duration missions as fitted with an exponential function. Bone. 2007;41(6):973&ndash;8. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">21. Langmuir I. The constitution and fundamental properties of solids and liquids. Part I. Solids. J Am Chem Soc. 1916;38(11):2221&ndash;95. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">22. Cheng HY, Jusko WJ. Mean residence time concepts for pharmacokinetic systems with nonlinear drug elimination described by the Michaelis-Menten equation. Pharm Res. 1988;5(3):156&ndash;64. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">23. Rall W. Time constants and electrotonic length of membrane cylinders and neurons. Biophys J. 1969;9(12):1483&ndash;508. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">24. Liddell R, Ajami E, Davies JE. Tau "&tau;": A new parameter to assess the osseointegration potential of an implant surface. 2016; In press.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="back"/></a><a href="#top"><img src="/img/revistas/apcd/v70n2/seta.jpg" border="0" align="absmiddle"/></a><b>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vanessa C. Mendes - Faculdade de Odontologia     <br>   Universidade de Toronto    <br>   University of Toronto    <br>   170 College Street (Mining Building), room 330     <br>   Toronto, Ontario     <br>   M5S 3E3     <br>   </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   e-mail: </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="mailto:vanessa.mendes@dentistry.utoronto.ca" target="_blank">vanessa.mendes@dentistry.utoronto.ca</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Recebido: mar/2016    <br> Aceito: abr/2016</b></font></p>      ]]></body>
<back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Kuzyk]]></surname>
<given-names><![CDATA[PRT]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Schemitsch]]></surname>
<given-names><![CDATA[EH]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Davies]]></surname>
<given-names><![CDATA[JE.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A biodegradable scaffold for the treatment of a diaphyseal bone defect of the tibia.]]></article-title>
<source><![CDATA[J Orthop Res.]]></source>
<year>2010</year>
<volume>28</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>474-80.</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
