<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1413-4012</journal-id>
<journal-title><![CDATA[RFO UPF]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[RFO UPF]]></abbrev-journal-title>
<issn>1413-4012</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Faculdade de Odontologia da UPF]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1413-40122011000300001</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O cenário atual dos periódicos brasileiros de odontologia]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Shinkai]]></surname>
<given-names><![CDATA[Rosemary]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2011</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2011</year>
</pub-date>
<volume>16</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>242</fpage>
<lpage>243</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1413-40122011000300001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1413-40122011000300001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1413-40122011000300001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>Editorial</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>O cen&aacute;rio atual dos peri&oacute;dicos brasileiros de odontologia</B></font></p>       <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Dentro do contexto da evolu&ccedil;&atilde;o da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o brasileira, um dos aspectos que merece uma an&aacute;lise reflexiva por sua import&acirc;ncia na divulga&ccedil;&atilde;o do conhecimento produzido &eacute; o atual papel dos peri&oacute;dicos cient&iacute;ficos editados no Brasil. A odontologia apresenta atualmente o segundo maior &iacute;ndice de crescimento da produ&ccedil;&atilde;o bibliogr&aacute;fica dos programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s, somente abaixo da &aacute;rea de medicina. Em decorr&ecirc;ncia da consolida&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica brasileira e de sua qualifica&ccedil;&atilde;o internacional, uma significativa parcela da publica&ccedil;&atilde;o em odontologia tem sido realizada em peri&oacute;dicos indexados em bases internacionais de alto impacto, publicadas no exterior por editoras profissionais, tais como Elsevier, Blackwell e Springer. Al&eacute;m disso, esses peri&oacute;dicos de alto impacto s&atilde;o em geral editados por associa&ccedil;&otilde;es de classe ou de especialidade odontol&oacute;gica ou ainda por sociedades cient&iacute;ficas nacionais e internacionais. Aqui reside uma das principais diferen&ccedil;as entre os perfis dos peri&oacute;dicos brasileiros e os peri&oacute;dicos editados no exterior, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Muitos peri&oacute;dicos cient&iacute;ficos brasileiros, n&atilde;o somente da &aacute;rea de Odontologia, s&atilde;o editados por faculdades ou departamentos dentro de universidades p&uacute;blicas ou privadas, sendo que as equipes editoriais cient&iacute;ficas e executivas s&atilde;o volunt&aacute;rias e compostas por docentes, pesquisadores, funcion&aacute;rios da universidade e alunos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. Muitas vezes, os peri&oacute;dicos s&atilde;o publicados por editoras universit&aacute;rias ou empresas terceirizadas de pequeno ou m&eacute;dio porte, cujo pessoal t&eacute;cnico dificilmente tem forma&ccedil;&atilde;o especializada na produ&ccedil;&atilde;o de peri&oacute;dicos segundo padr&otilde;es internacionais de editora&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica. Um reflexo desses pontos cr&iacute;ticos &eacute; a relativa falta de profissionaliza&ccedil;&atilde;o do processo editorial. Por exemplo, no Brasil &eacute; ainda bastante restrita a ado&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios recursos editoriais e de publica&ccedil;&atilde;o on-line que s&atilde;o comuns em peri&oacute;dicos de primeira linha, tais como utiliza&ccedil;&atilde;o de d.o.i. (digital object identifier) e publica&ccedil;&atilde;o de &ldquo;early view&rdquo; e &ldquo;press release&rdquo; de artigos, bem como o uso de softwares para detec&ccedil;&atilde;o de pl&aacute;gio e para gerenciamento de todo o processo editorial de submiss&atilde;o, revis&atilde;o por pares e edi&ccedil;&atilde;o final do manuscrito. Embora muitas dessas ferramentas sejam disponibilizadas em alguns peri&oacute;dicos publicados no Brasil atrav&eacute;s da cole&ccedil;&atilde;o SciELO ou do Sistema de Editora&ccedil;&atilde;o Eletr&ocirc;nica de Revistas via IBICT, o n&iacute;vel de profissionaliza&ccedil;&atilde;o do processo editorial ainda est&aacute; muito distante dos pares internacionais. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A necessidade de maior profissionaliza&ccedil;&atilde;o editorial esbarra em quest&otilde;es de sustentabilidade financeira dos peri&oacute;dicos brasileiros e de sua capacidade competitiva para divulgar os melhores artigos cient&iacute;ficos da &aacute;rea em n&iacute;vel mundial. Segundo a BVS Odontologia Brasil, as estat&iacute;sticas de peri&oacute;dicos cient&iacute;ficos de odontologia indexados e ativos em bases de dados nacionais e internacionais s&atilde;o bastante diversas (informa&ccedil;&atilde;o da equipe da BVS Odontologia Brasil em fevereiro de 2012): 59 t&iacute;tulos brasileiros na BBO, 49 t&iacute;tulos na Lilacs, 5 t&iacute;tulos correntes na cole&ccedil;&atilde;o SciELO Brasil, 863 t&iacute;tulos no Medline (3 t&iacute;tulos brasileiros correntes), 131 t&iacute;tulos na Scopus (7 t&iacute;tulos brasileiros correntes) e 77 t&iacute;tulos no ISI (JCR) (1 t&iacute;tulo brasileiro corrente). Embora n&atilde;o seja poss&iacute;vel comparar diretamente esses n&uacute;meros devido aos diferentes crit&eacute;rios de indexa&ccedil;&atilde;o de t&iacute;tulos nas bases, algumas observa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o &oacute;bvias. Em primeiro lugar, existem muitos peri&oacute;dicos brasileiros de odontologia n&atilde;o indexados em bases internacionais de maior prest&iacute;gio. Em segundo lugar, embora a produ&ccedil;&atilde;o bibliogr&aacute;fica dos programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em odontologia do Brasil tenha avan&ccedil;ado significativamente nos &uacute;ltimos anos, paralelamente n&atilde;o houve qualifica&ccedil;&atilde;o dos peri&oacute;dicos brasileiros em termos de indexa&ccedil;&atilde;o internacional de impacto. Em decorr&ecirc;ncia dessa situa&ccedil;&atilde;o, que perdura por v&aacute;rios anos, os peri&oacute;dicos brasileiros sofrem de falta de visibilidade internacional e t&ecirc;m dificuldades para atrair artigos de potencial alto impacto, mesmo de autores brasileiros. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma quest&atilde;o crucial &eacute; como inserir de forma mais incisiva internacionalmente os peri&oacute;dicos brasileiros de odontologia que j&aacute; est&atilde;o indexados nas bases de dados de maior prest&iacute;gio internacional. Nesse aspecto, torna-se relevante um planejamento estrat&eacute;gico do peri&oacute;dico que considere aspectos pol&iacute;ticos e operacionais, tais como a profissionaliza&ccedil;&atilde;o editorial, a maior participa&ccedil;&atilde;o do corpo editorial em organismos internacionais e a ades&atilde;o a recomenda&ccedil;&otilde;es internacionais de editora&ccedil;&atilde;o e de &eacute;tica em publica&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, o reconhecimento da comunidade cient&iacute;fica odontol&oacute;gica e seu envolvimento ativo na promo&ccedil;&atilde;o dos peri&oacute;dicos brasileiros &eacute; tamb&eacute;m fundamental. Talvez seja necess&aacute;ria uma maior movimenta&ccedil;&atilde;o nacional em prol dos peri&oacute;dicos brasileiros e sua valoriza&ccedil;&atilde;o quando da cita&ccedil;&atilde;o de artigos publicados nos trabalhos submetidos a todos os peri&oacute;dicos especializados em odontologia. Isso n&atilde;o significa promover uma cultura de cita&ccedil;&atilde;o per se, mas de valorizar autores e peri&oacute;dicos brasileiros cujos trabalhos s&atilde;o similares ou melhores que os publicados por pares em outras revistas. Esta &eacute; uma tarefa que necessita da conscientiza&ccedil;&atilde;o e do esfor&ccedil;o conjunto de toda a comunidade odontol&oacute;gica enquanto leitores, autores, revisores, editores, professores, orientadores e discentes de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Por outro lado, o que fazer com a grande maioria dos peri&oacute;dicos especializados em odontologia que ainda n&atilde;o est&atilde;o indexados nas grandes bases internacionais? A massifica&ccedil;&atilde;o de todos os peri&oacute;dicos brasileiros n&atilde;o parece ser uma sa&iacute;da plaus&iacute;vel, pois n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o internacional para tantas revistas com perfil e escopo similar. A pulveriza&ccedil;&atilde;o de publica&ccedil;&atilde;o dos melhores artigos cient&iacute;ficos em in&uacute;meros peri&oacute;dicos brasileiros n&atilde;o vai promover a editora&ccedil;&atilde;o brasileira. Esta &eacute; uma quest&atilde;o delicada que merece um olhar mais aprofundado sobre o papel dos peri&oacute;dicos de odontologia editados no Brasil. Qual sua miss&atilde;o? Qual seu escopo? Qual seu p&uacute;blico-alvo? Quais seus objetivos e suas metas em curto, m&eacute;dio e longo prazo? Talvez cada peri&oacute;dico individualmente precise fazer uma autoan&aacute;lise e nossa comunidade odontol&oacute;gica precise enxergar com maior clareza a distin&ccedil;&atilde;o entre os modelos de peri&oacute;dicos mais voltados para a academia ou para a comunidade cl&iacute;nica. Conhecer a si mesmo pode ser um bom ponto de partida. Somente peri&oacute;dicos cient&iacute;ficos brasileiros de alto impacto, em l&iacute;ngua inglesa, n&atilde;o v&atilde;o fazer toda a diferen&ccedil;a para melhorar a aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de bucal da popula&ccedil;&atilde;o brasileira quer no servi&ccedil;o p&uacute;blico quer em consult&oacute;rio privado. Se quisermos ter uma classe odontol&oacute;gica educada, capaz de compreender e utilizar a melhores evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas na pr&aacute;tica cl&iacute;nica di&aacute;ria, precisamos fornecer as ferramentas adequadas: boas revistas cl&iacute;nicas, com conte&uacute;do atualizado e baseado em evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas, em l&iacute;ngua portuguesa, com a divulga&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia diretamente para a pr&aacute;tica cl&iacute;nica em larga escala. Esta &eacute; uma face dos peri&oacute;dicos especializados em odontologia em que cita&ccedil;&otilde;es e indexa&ccedil;&atilde;o contam menos, mas a qualidade da informa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e cl&iacute;nica &eacute; fundamental. O impacto direto nas pr&aacute;ticas cl&iacute;nicas tamb&eacute;m deve ser maior do que nas revistas estritamente cient&iacute;ficas, mas tal medi&ccedil;&atilde;o &eacute; muito dif&iacute;cil de ser realizada. Talvez seja hora de repensarmos nossos peri&oacute;dicos brasileiros de odontologia e sua avalia&ccedil;&atilde;o na produ&ccedil;&atilde;o da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o considerando estas perspectivas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><font size="2" face="Verdana"><i><b>Rosemary Shinkai     ]]></body>

</article>
