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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Auditoria odontológica: intercorrências endodônticas e o esclarecimento ao paciente]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Objective: To investigate the frequency of submission of the terms of clarification, and to verify the main complications observed in endodontic treatments of patients seen by an accredited Dental Health Plan Operator. Methods: Cross-sectional observational study that conducted a retrospective data survey in documents called terms of clarification of a large operator in the years 2010 and 2011. The quoted term is sent for audit whenever the provider dentist verifies any complications in the endodontic treatment and aims to make the patient aware of what happened. Results: 61.40% of the terms analyzed were female, and 38.60% male. The relative frequency between the term sent and the procedure performed ranged between 1.90% and 8.46%. There were a total of 13,968 endodontic treatments performed, and only 702 documents sent. The most common complications were atresia/calcification of the conduit (204), followed by the overfilling (129) and filling beyond the root apex (124). Conclusion: The frequency of notification of the Term of Clarification by the ones accredited to the Dental Health Plan Operator was low. The most common complications reported were: Atresia/ calcification of the conduit, overfilling and filling beyond the root apex.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><a name="top"/></a><B>Auditoria odontol&oacute;gica: intercorr&ecirc;ncias endod&ocirc;nticas e o esclarecimento ao paciente</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Dental audit: endodontic complications and clarification to the patient</B> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Geraldo Elias Miranda<sup> I</sup>; Cl&aacute;udia Marques Kobata <sup>II</sup>; Marta Cristina Siqueira <sup>II</sup>; Rachel Maria Brand&atilde;o God&oacute;i<sup> II</sup>; Eduardo Daruge J&uacute;nior <sup>III</sup>; Luiz Francisquini J&uacute;nior <sup>IV</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup> Auditor odontol&oacute;gico, aluno de mestrado em Odontologia Legal FOP/Unicamp, Piracicaba, SP, Brasil    <br>   <sup>II</sup> Auditoras odontol&oacute;gicas, Belo Horizonte, MG, Brasil    <br>   <sup>III</sup> Livre docente em Odontologia, professor Titular de Odontologia Legal da FOP/Unicamp, Piracicaba, SP, Brasil    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <sup>IV</sup> Livre docente em Odontologia Legal pela FOP/Unicamp, Piracicaba, SP, Brasil</font>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#back">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Objetivo: Averiguar a frequ&ecirc;ncia de envio do termo de esclarecimento e verificar as principais intercorr&ecirc;ncias observadas nos tratamentos endod&ocirc;nticos de pacientes atendidos pelos credenciados de uma Operadora de Plano de Sa&uacute;de Odontol&oacute;gico. M&eacute;todos: Trata-se de um trabalho observacional transversal que realizou um levantamento retrospectivo nos documentos denominados termos de esclarecimento de uma operadora de grande porte nos anos de 2010 e 2011. O citado termo &eacute; enviado para fins de auditoria sempre que o cirurgi&atilde;o-dentista prestador verificar alguma intercorr&ecirc;ncia no tratamento endod&ocirc;ntico e visa a dar ci&ecirc;ncia do ocorrido ao paciente. Resultados: 61,40% dos termos analisados eram do sexo feminino e 38,60%, do sexo masculino. A frequ&ecirc;ncia relativa entre o termo enviado e o procedimento executado variou entre 1,90% e 8,46%. Houve um total de 13.968 tratamentos endod&ocirc;nticos executados e apenas 702 documentos enviados. As intercorr&ecirc;ncias mais comuns foram atresia/calcifica&ccedil;&atilde;o do conduto (204), seguida da obtura&ccedil;&atilde;o al&eacute;m (129) e da obtura&ccedil;&atilde;o aqu&eacute;m do &aacute;pice (124). Conclus&atilde;o: A frequ&ecirc;ncia de notifica&ccedil;&atilde;o do termo de esclarecimento pelos credenciados &agrave; Operadora de Plano de Sa&uacute;de Odontol&oacute;gico foi baixa. As intercorr&ecirc;ncias notificadas mais frequentes foram: atresia/calcifica&ccedil;&atilde;o do conduto, obtura&ccedil;&atilde;o al&eacute;m e obtura&ccedil;&atilde;o aqu&eacute;m do &aacute;pice.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>Palavras-chave: </B>Auditoria odontol&oacute;gica. Endodontia. Termos de consentimento.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>ABSTRACT</B> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Objective: To investigate the frequency of submission of the terms of clarification, and to verify the main complications observed in endodontic treatments of patients seen by an accredited Dental Health Plan Operator. Methods: Cross-sectional observational study that conducted a retrospective data survey in documents called terms of clarification of a large operator in the years 2010 and 2011. The quoted term is sent for audit whenever the provider dentist verifies any complications in the endodontic treatment and aims to make the patient aware of what happened. Results: 61.40% of the terms analyzed were female, and 38.60% male. The relative frequency between the term sent and the procedure performed ranged between 1.90% and 8.46%. There were a total of 13,968 endodontic treatments performed, and only 702 documents sent. The most common complications were atresia/calcification of the conduit (204), followed by the overfilling (129) and filling beyond the root apex (124). Conclusion: The frequency of notification of the Term of Clarification by the ones accredited to the Dental Health Plan Operator was low. The most common complications reported were: Atresia/ calcification of the conduit, overfilling and filling beyond the root apex.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>Keywords: </B>Dental audit. Endodontics. Consent forms.</font> </p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B> Introdu&ccedil;&atilde;o</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Segundo dados da Ag&ecirc;ncia Nacional de Sa&uacute;de Suplementar (ANS), o segmento de planos odontol&oacute;gicos foi o que mais cresceu nos &uacute;ltimos anos em n&uacute;mero de benefici&aacute;rios. Essa expans&atilde;o significativa &eacute; fruto da alavancagem natural de um nicho de mercado ainda em fase de desenvolvimento associada ao car&aacute;ter complementar intr&iacute;nseco &agrave; assist&ecirc;ncia odontol&oacute;gica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; m&eacute;dico-hospitalar<sup>1</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com esse ritmo crescente, a qualidade n&atilde;o &eacute; mais um pr&eacute;-requisito opcional e sim uma obriga&ccedil;&atilde;o para quem deseja manter-se no mercado. Hoje o conceito de qualidade n&atilde;o se restringe &agrave; conformidade, mas associa-se &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o de clientes e prestadores, proporcionando &agrave; operadora de sa&uacute;de uma posi&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica perante ao mercado. Constituem-se em instrumentos fundamentais da qualidade: a avalia&ccedil;&atilde;o e o monitoramento. Assim, as operadoras de sa&uacute;de precisaram desenvolver instrumentos gerenciais para avaliar a qualidade dos servi&ccedil;os prestados &agrave; popula&ccedil;&atilde;o<sup>2</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse contexto evidencia-se a import&acirc;ncia da Operadora de Plano de Sa&uacute;de Odontol&oacute;gico avaliar a qualidade dos tratamentos executados pelos prestadores. Esse controle &eacute; feito pela Auditoria Odontol&oacute;gica que pode ser definida como um recurso utilizado como forma de controle e fiscaliza&ccedil;&atilde;o do trabalho dos profissionais contratados pelas operadoras, al&eacute;m de ser tamb&eacute;m uma estrat&eacute;gia de manuten&ccedil;&atilde;o da qualidade na presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o<sup>3</sup>. A auditoria &eacute; uma das ferramentas de qualidade mais eficientes para aprimorar um sistema de gest&atilde;o<sup>16</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A supervis&atilde;o da operadora sobre os servi&ccedil;os de sa&uacute;de exige avalia&ccedil;&atilde;o e um monitoramento constante para permitir dom&iacute;nio sobre os poss&iacute;veis erros, controle financeiro e servi&ccedil;os de qualidade<sup>4</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Essa supervis&atilde;o para os casos de tratamentos endod&ocirc;nticos &eacute; realizada pela Auditoria T&eacute;cnica. A auditoria pode solicitar ao prestador um termo chamado de "termo de esclarecimento" ao detectar uma intercorr&ecirc;ncia n&atilde;o prevista no tratamento. Esse termo visa a dar ci&ecirc;ncia de um evento adverso ao paciente, visto que isso poder&aacute; diminuir o sucesso do tratamento. O termo &eacute; assinado pelo profissional que se compromete a proservar o caso e pelo paciente que se compromete a comparecer a consultas peri&oacute;dicas para acompanhamento. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Esse documento, que neste trabalho &eacute; chamado de "termo de esclarecimento", &eacute; solicitado ap&oacute;s a detec&ccedil;&atilde;o da intercorr&ecirc;ncia e n&atilde;o pode ser confundido com o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), que &eacute; obtido antes do tratamento. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O TCLE &eacute; um documento de manifesta&ccedil;&atilde;o livre do paciente ap&oacute;s receber todas as informa&ccedil;&otilde;es, riscos e benef&iacute;cios relacionados com o tratamento que ir&aacute; receber no sentido de que, respeitada a autonomia da sua vontade, quer se submeter ou n&atilde;o ao que lhe &eacute; proposto<sup>5</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como o mercado de sa&uacute;de suplementar est&aacute; em expans&atilde;o, esse trabalho poder&aacute; viabilizar defini&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;ticas de monitoramento de eventos adversos e, assim, evitar futuros processos judiciais. O objetivo deste estudo &eacute; averiguar a frequ&ecirc;ncia de envio do termo de esclarecimento, bem como verificar as principais intercorr&ecirc;ncias observadas nos tratamentos endod&ocirc;nticos de pacientes atendidos pelos credenciados de uma Operadora de Plano de Sa&uacute;de Odontol&oacute;gico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Materiais e m&eacute;todo</B> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Trata-se de um trabalho observacional transversal com abordagem quantitativa que realizou um levantamento retrospectivo nos arquivos de uma Operadora de Plano Odontol&oacute;gico de grande porte. A ANS classifica uma operadora de plano privado de assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de de grande porte quando h&aacute; mais de cem mil benefici&aacute;rios. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Foram coletados dados dos termos de esclarecimento dos pacientes que tiveram alguma intercorr&ecirc;ncia no tratamento endod&ocirc;ntico e que foram notificados pelos credenciados &agrave; operadora nos anos de 2010 e 2011. Este trabalho foi aprovado pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa da FOP/Unicamp sob o protocolo no 061/2012. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Todos os termos arquivados no per&iacute;odo foram contados para, inicialmente, verificar a frequ&ecirc;ncia de envio do referido documento. Esse termo &eacute; enviado para fins de auditoria sempre que o cirurgi&atilde;o-dentista prestador verificar alguma intercorr&ecirc;ncia em tratamentos endod&ocirc;nticos. As intercorr&ecirc;ncias registradas no documento e que s&atilde;o marcadas pelo cirurgi&atilde;o-dentista que realizou o tratamento s&atilde;o: presen&ccedil;a de les&atilde;o periapical, fratura de instrumento, desvio do conduto, comprometimento periodontal/ perda &oacute;ssea, "les&atilde;o de furca" (incluindo perfura&ccedil;&atilde;o da c&acirc;mara pulpar), obtura&ccedil;&atilde;o aqu&eacute;m do &aacute;pice, obtura&ccedil;&atilde;o al&eacute;m do &aacute;pice, extravasamento de cimento obturador, perfura&ccedil;&atilde;o da raiz e atresia/calcifica&ccedil;&atilde;o do conduto. Mais de um desses eventos adversos poderiam ser marcados em cada tratamento endod&ocirc;ntico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os dados foram coletados em ficha de coleta previamente elaborada pelos pesquisadores. Os dados coletados n&atilde;o cont&ecirc;m elementos que permitam a identifica&ccedil;&atilde;o do paciente ou do profissional. Todos os dados obtidos foram integralizados e analisados de forma descritiva atrav&eacute;s de tabelas de distribui&ccedil;&atilde;o de frequ&ecirc;ncia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Resultados</b> </font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><a name="tab01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rfo/v17n3/a12tab01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="tab02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rfo/v17n3/a12tab02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Discuss&atilde;o</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os dados mostraram que dos 702 termos analisados, 61,40% eram pacientes do sexo feminino e 38,60%, do sexo masculino. Esse resultado est&aacute; de acordo com outros trabalhos que mostraram uma maior procura das mulheres pelo tratamento odontol&oacute;gico<sup>6-7</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A <a href="#tab01">Tabela 1</a> evidencia que a frequ&ecirc;ncia relativa entre o termo de esclarecimento enviado e o procedimento executado variou entre 1,90 e 8,46%. Nos anos de 2010 e 2011 houve um total de 13.968 tratamentos endod&ocirc;nticos executados e apenas 702 termos de esclarecimentos enviados. A baixa frequ&ecirc;ncia de termos notificados mostra uma tend&ecirc;ncia do cirurgi&atilde;o-dentista credenciado em tomar todos os cuidados necess&aacute;rios para uma boa pr&aacute;tica cl&iacute;nica, pois sabe que seu procedimento ser&aacute; avaliado tecnicamente pelo auditor. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Foi o que mostrou um estudo com pacientes que realizaram tratamento endod&ocirc;ntico por meio de um conv&ecirc;nio odontol&oacute;gico. Observou-se que a taxa de adequa&ccedil;&atilde;o da terapia endod&ocirc;ntica foi eminente em rela&ccedil;&atilde;o aos estudos populacionais desse tipo, indicando que o controle r&iacute;gido de qualidade pode proporcionar &iacute;ndices de sucesso superiores na terapia endod&ocirc;ntica<sup>8</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mas essa baixa frequ&ecirc;ncia tamb&eacute;m pode ser em raz&atilde;o das subnotifica&ccedil;&otilde;es. &Agrave;s vezes o profissional prefere receber a glosa a ter que coletar assinatura do paciente no documento e esclarec&ecirc;-lo sobre a intercorr&ecirc;ncia. Outro trabalho com plano de sa&uacute;de odontol&oacute;gico tamb&eacute;m observou um baixo &iacute;ndice de procedimentos n&atilde;o conformes de tratamentos endod&ocirc;nticos, visto que somente 2,3% dos casos foram glosados<sup>9</sup>. Entretanto, deve-se considerar que a endodontia n&atilde;o &eacute; a especialidade mais procurada pelos credenciados dos planos odontol&oacute;gicos<sup>18</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Numa pesquisa em que foram abordados os m&eacute;todos utilizados pelo profissional para deixar o paciente a par da situa&ccedil;&atilde;o, progn&oacute;stico e proserva&ccedil;&atilde;o de um tratamento endod&ocirc;ntico quando ocorrem acidentes, os autores observaram que 40% dos profissionais esclareciam verbalmente o paciente, 10% relataram confeccionar um documento de ci&ecirc;ncia por escrito e 50% realizavam tanto o esclarecimento verbal quanto um documento de ci&ecirc;ncia por escrito<sup>10</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O paciente tem direito a receber informa&ccedil;&otilde;es sobre o tratamento endod&ocirc;ntico em quaisquer de suas etapas: pr&eacute;, durante e p&oacute;s-tratamento. Esse direito encontra sua correla&ccedil;&atilde;o no chamado "dever de informar do cirurgi&atilde;o-dentista", que constitui a categoria dos deveres laterais de conduta que integram o contrato de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os odontol&oacute;gicos<sup>11</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Embora o consentimento informado ainda tenha uso incipiente em nossos meios m&eacute;dico-jur&iacute;dicos, este tem pleno amparo legal, devendo vir a se formar, por for&ccedil;a das leis j&aacute; existentes, pr&aacute;tica corriqueira no exerc&iacute;cio m&eacute;dico-jur&iacute;dico, assim como elemento componente na forma&ccedil;&atilde;o de convic&ccedil;&atilde;o dos magistrados na elabora&ccedil;&atilde;o de seus julgados. O mero uso desse termo n&atilde;o isenta quanto &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o da lei nos erros por imper&iacute;cia, imprud&ecirc;ncia ou neglig&ecirc;ncia do profissional, nem dos processos por tais atos, mas seus supostos erros podem ser descartados com razo&aacute;vel confiabilidade quando a informa&ccedil;&atilde;o &eacute; plena pela confec&ccedil;&atilde;o de um termo informado redigido de forma honesta, clara, simples e transparente<sup>12</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como exposto, o termo de esclarecimento solicitado pela auditoria n&atilde;o isenta o Plano de Sa&uacute;de Odontol&oacute;gico de sua responsabilidade objetiva, nem de uma a&ccedil;&atilde;o regressa da operadora contra o prestador, mas demonstra a boa-f&eacute; do profissional perante o paciente e a empresa. Al&eacute;m disso, em potenciais processos jur&iacute;dicos, uma documenta&ccedil;&atilde;o completa poder&aacute; ajudar o profissional a comprovar seu procedimento. Assim, o referido documento &eacute; necess&aacute;rio e muito importante quando ocorrer algum evento adverso na terapia endod&ocirc;ntica que possa prejudicar o sucesso do tratamento. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Documentos devem ser produzidos e assinados com o intuito de deixar o paciente ciente de alguma situa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica. Al&eacute;m disso, o paciente deve ser esclarecido verbalmente e por escrito sobre o significado do achado cl&iacute;nico ou algum acidente<sup>10</sup>. N&atilde;o basta somente coletar a assinatura do paciente. &Eacute; necess&aacute;rio que ele seja esclarecido sobre o ocorrido, por isso, o termo deve ter linguagem de f&aacute;cil compreens&atilde;o e assinado sem qualquer meio de coa&ccedil;&atilde;o ou obriga&ccedil;&atilde;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A responsabilidade do cirurgi&atilde;o-dentista acerca da presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os odontol&oacute;gicos, incluindo os endod&ocirc;nticos, encontra-se em todas as fases do tratamento, at&eacute; mesmo ap&oacute;s conclu&iacute;dos os procedimentos cl&iacute;nicos. Portanto, torna-se prudente que o profissional defina crit&eacute;rios para proservar e, principalmente, estabele&ccedil;a uma periodicidade de retorno e avalia&ccedil;&atilde;o radiogr&aacute;fica. O paciente precisa ser informado sobre sua condi&ccedil;&atilde;o bucal, a necessidade de retorno p&oacute;s-tratamento endod&ocirc;ntico, bem como da periodicidade, para monitora&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nico-radiogr&aacute;fica de regress&atilde;o de les&otilde;es periapicais, de reabsor&ccedil;&otilde;es radiculares, de perfura&ccedil;&otilde;es e de outras situa&ccedil;&otilde;es que o profissional julgar relevante proservar<sup>13</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A <a href="#tab02">Tabela 2</a> mostra que a intercorr&ecirc;ncia mais frequente foi a atresia/calcifica&ccedil;&atilde;o do conduto, provavelmente pelo fato de os profissionais usarem com frequ&ecirc;ncia esse motivo para justificar a obtura&ccedil;&atilde;o aqu&eacute;m da pat&ecirc;ncia do canal. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os resultados tamb&eacute;m mostraram que a maior ocorr&ecirc;ncia do termo de esclarecimento foi em tratamentos endod&ocirc;nticos de dentes trirradiculares. Isso se deve ao fato de que os acidentes s&atilde;o mais comuns nesses elementos em raz&atilde;o da anatomia peculiar desses dentes. Foram considerados trirradiculares aqueles dentes que possu&iacute;am tr&ecirc;s ou mais canais. Por exemplo, os molares inferiores, apesar de normalmente possu&iacute;rem duas ra&iacute;zes, apresentam tr&ecirc;s canais, portanto foram classificados como trirradiculares. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Realmente, a complexidade da anatomia do sistema de canais radiculares pode vir a dificultar o tratamento endod&ocirc;ntico, contudo a causa mais frequente da necessidade de interven&ccedil;&atilde;o endod&ocirc;ntica s&atilde;o os acidentes e as complica&ccedil;&otilde;es oriundas da falta de conhecimentos t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos por parte do profissional<sup>14</sup>. Esses eventos adversos podem ocorrer na cl&iacute;nica de qualquer cirurgi&atilde;o-dentista, mas ele precisa mitigar essas intercorr&ecirc;ncias utilizando a boa pr&aacute;tica consolidada na literatura odontol&oacute;gica para tratamentos endod&ocirc;nticos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Existem dois tipos de intercorr&ecirc;ncias: as relacionadas aos acidentes em endodontia (perfura&ccedil;&otilde;es, fraturas de instrumentos etc.) e aquelas inerentes ao caso cl&iacute;nico (calcifica&ccedil;&otilde;es, curvaturas etc.). Essas altera&ccedil;&otilde;es morfol&oacute;gicas podem dificultar ou at&eacute; mesmo impossibilitar a terapia endod&ocirc;ntica no que diz respeito ao acesso e/ou &agrave; instrumenta&ccedil;&atilde;o do canal radicular. O conhecimento de tais anomalias &eacute; de grande import&acirc;ncia para o sucesso da terapia endod&ocirc;ntica, pois possibilitar&aacute; a r&aacute;pida identifica&ccedil;&atilde;o da forma de tratamento e cuidados adequados durante a interven&ccedil;&atilde;o, evitando, assim, insucessos<sup>17,19</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A presen&ccedil;a de particularidades biol&oacute;gicas/imunol&oacute;gicas do paciente s&atilde;o fatores capazes de interferir diretamente no progn&oacute;stico do tratamento e no restabelecimento da sa&uacute;de do indiv&iacute;duo, tornando evidente e real a possibilidade de insucesso endod&ocirc;ntico por fatores intr&iacute;nsecos ao paciente e fora do alcance do profissional. Nem todos os fatores que implicam o sucesso da terap&ecirc;utica endod&ocirc;ntica est&atilde;o sob o controle do cirurgi&atilde;o-dentista que a executa<sup>13</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">V&aacute;rios fatores que influenciam no sucesso dos tratamentos endod&ocirc;nticos s&atilde;o encontrados na literatura, tais como sele&ccedil;&atilde;o dos casos, t&eacute;cnicas de tratamento e obtura&ccedil;&atilde;o do sistema de canais radiculares, habilidade do operador, as dificuldades impostas pelo caso, os recursos da &eacute;poca do tratamento tratamento, o conhecimento completo da anatomia dental e obten&ccedil;&atilde;o de radiografias de qualidade para o estudo. A correta utiliza&ccedil;&atilde;o do instrumental e t&eacute;cnicas adequadas s&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es essenciais para evitar acidentes operat&oacute;rios t&atilde;o dif&iacute;cies de reparar<sup>15</sup>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Conclus&atilde;o</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A frequ&ecirc;ncia de notifica&ccedil;&atilde;o do termo de esclarecimento pelos credenciados &agrave; Operadora de Plano de Sa&uacute;de Odontol&oacute;gico foi baixa. As intercorr&ecirc;ncias notificadas mais frequentes foram: atresia/calcifica&ccedil;&atilde;o do conduto, obtura&ccedil;&atilde;o al&eacute;m e obtura&ccedil;&atilde;o aqu&eacute;m do &aacute;pice.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Refer&ecirc;ncias</B></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">1. Brasil. Ag&ecirc;ncia Nacioal de Sa&uacute;de Suplementar. Planos odontol&oacute;gicos: evolu&ccedil;&atilde;o, desafios e perspectivas para a regula&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de suplementar. Rio de Janeiro: ANS, 2009.152p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=162279&pid=S1413-4012201200030001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">2. Paim CRP, Ciconelli RM. Auditoria de avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de. Rev Adm Sa&uacute;de 2007; 9(36):85-92. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">3. Simpl&iacute;cio AHLS, Santos PA, Campos JADB. Perfil dos conv&ecirc;nios odontol&oacute;gicos no munic&iacute;pio de Araraquara-SP, Brasil. Cienc Odontol Bras 2008; 11(4):30-9. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">4. Santos LC, Barcellos VF. Auditoria em Sa&uacute;de: uma ferramenta de gest&atilde;o. &#91;Especializa&ccedil;&atilde;o em Gest&atilde;o e Auditoria em Sa&uacute;de&#93;. Bras&iacute;lia: Centro Universit&aacute;rio UNIEURO, 2009. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">5. Vanrell JP. Odontologia Legal e Antropologia Forense. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan; 2009. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">6. Przysiezny PE, Milanezi LA, Przysiezny LTS, Cordeiro FP. Perfil da situa&ccedil;&atilde;o sist&ecirc;mica do paciente pr&eacute;-exodontia em postos de sa&uacute;de de Curitiba. Arch Ora Res 2012; 7(2):129-40. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">7. Hamada MH, Maruo IT, Araujo CM, Tanaka OM, Guariza Filho O, Camargo ES. Preval&ecirc;ncia de dentes supranumer&aacute;rios em pacientes que procuraram tratamento ortod&ocirc;ntico. Arch Ora Res 2012; 7(2):141-46. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">8. Giusti EC, Puertas KV, Santos EM, Bussadori SK, Martins MD, Nagatani VS, et al. Avalia&ccedil;&atilde;o radiogr&aacute;fica da qualidade de tratamentos endod&ocirc;nticos realizados por especialistas de um plano de sa&uacute;de odontol&oacute;gico. Conscientiae Sa&uacute;de 2007; 6(2):371-75. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">9. Bragan&ccedil;a DPP, Daruge J&uacute;nior E, Queluz DP, Fernandes MM, Paranhos LR. Avalia&ccedil;&atilde;o dos procedimentos cl&iacute;nicos mais glosados nos conv&ecirc;nios odontol&oacute;gicos. RFO 2011; 16(2):136-39. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">10. Silva RF, Daruge J&uacute;nior E, Francesquini J&uacute;nior L, Estrela C, Paes FR, Portilho CDM. Aspectos legais frente a acidentes endod&ocirc;nticos. J Bras Endod 2005; 5(21/22):426-32. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">11. Kliemann A, Calvielli ITP. Os contratos de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os odontol&oacute;gicos &agrave; luz atual da teoria dos contratos. Rev Assoc Paul Cir Dent 2007; 61(2):111-14. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">12. Sim&otilde;es LCS. Consentimento informado: o desafio m&eacute;dico-jur&iacute;dico de nossos dias. Rev Bras Ortop 2010; 45(2):191-95. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">13. Silva RF, Barbieri L, Portilho CDM, Prado MM, Daruge J&uacute;nior E. Import&acirc;ncia das informa&ccedil;&otilde;es prestadas ao paciente antes, durante e depois do tratamento endod&ocirc;ntico: abordagem &agrave; luz do C&oacute;digo de Defesa do Consumidor. RSBO 2010; 7(4):481-87. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">14. Alves DF, Barros E. Tratamento Cl&iacute;nico-Cir&uacute;rgico dos Insucessos Endod&ocirc;nticos. Odontol Cl&iacute;n-Cientif 2008; 7(1):67-73. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">15. De Deus AD. Endodontia (1992) apud Esp&iacute;ndola ACS, Passos CO, Souza EDA, Santos RA. Avalia&ccedil;&atilde;o do Grau de Sucesso e Insucesso no Tratamento Endod&ocirc;ntico. RGO 2002; 50(3):164-66. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">16. Medeiros UV, Miranda MSDF. O papel do auditor odontol&oacute;gico. Rev Bras Odontol 2010; 76(1):63-8. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">17. Amorim ESA, Bernardo RV, Kora RC, Magre AF, Meneses GPS, Scelza MFZ. Algumas altera&ccedil;&otilde;es morfol&oacute;gicas que dificultam o tratamento endod&ocirc;ntico. Odontol Cl&iacute;n-Cientif 2007; 6(3):203-06. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">18. Simpl&iacute;cio AHLS, Santos PA, Campos JADB. Perfil dos conv&ecirc;nios odontol&oacute;gicos no munic&iacute;pio de Araraquara-SP, Brasil. Cienc Odontol Bras 2008; 11(4):30-9. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">19. Batra R, Kumar A, Bhardwaj K. Root canal treatment in mandibular canines with two roots: a case report. Int J Contem Dent 2012; 3(1):54-6.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="back"/></a><a href="#top"><img src="/img/revistas/rfo/v17n3/seta.jpg" border="0" align="absmiddle"/></a><b>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   </font><font size="2" face="Verdana">Geraldo Elias Miranda    <br>   Rua Conde Ribeiro do Vale, 105/303    <br>   Sagrada Fam&iacute;lia    <br>   31.030-470 Belo Horizonte - MG    <br>    e-mail: </font><font size="2" face="Verdana"><a href="mailto:geraldoelias@hotmail.com" target="_blank">geraldoelias@hotmail.com</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      ]]></body>
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<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>Brasil^dAgência Nacioal de Saúde Suplementar.</collab>
<source><![CDATA[Planos odontológicos: evolução, desafios e perspectivas para a regulação da saúde suplementar.]]></source>
<year>2009</year>
<page-range>152p.</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[ANS]]></publisher-name>
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