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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Objective: To review the literature regarding sources of cells, scaffolds, and morphogenic agents currently used to produce articular cartilage. In addition, to address the main challenges for the production of functional cartilage: mechanical and lubricant properties. Literature review: The articular cartilage is a highly specialized tissue that reduces joint friction and distributes forces related to high mechanical loads between bone ends. Thus, trauma and certain inflammatory diseases that affect the articular cartilage may severely compromise quality of life, causing pain and disability. In this context, tissue engineering is an emerging and multidisciplinary field, which three main components are responsive cells, scaffolds, and morphogenic agents. Final considerations: Current treatments for articular cartilage repair have major limitations. Accordingly, tissue engineering could overcome these limitations by producing in vitro cartilage substitutes. However, the triad components - stem cells, morphogenic agents, and scaffolds - need further improvement before clinical application. Moreover, one should consider the application of mechanical stimuli and surface properties to produce an articular cartilage with satisfactory characteristics for in vivo application.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><a name="top"/></a><B>Engenharia tecidual de cartilagem articular com &ecirc;nfase em odontologia</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Articular cartilage tissue engineering with emphasis in dentistry</B> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Estela Fernandes e Silva <sup>I</sup>; Karine Laste Macagnan <sup>I</sup>; Camila Perell&oacute; Ferr&uacute;a <sup>II</sup>; Rafaely Ferreira Severo <sup>I</sup>; Fl&aacute;vio Fernando Demarco <sup>III</sup>; Fernanda Nedel <sup>IV</sup></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>  Graduandas, Centro de Biotecnologia, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, RS, Brasil    <br> <sup>II</sup> Doutoranda do Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de e Comportamento, Universidade Cat&oacute;lica de Pelotas, Pelotas, RS, Brasil    <br> <sup>III</sup> Professor, Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Odontologia, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, RS, Brasil    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <sup>IV</sup> Professora, Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de e Comportamento, Universidade Cat&oacute;lica de Pelotas, Pelotas, RS, Brasil    <br> </font><font size="2" face="Verdana">    <br>     <br>       <br> </font>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#back">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Resumo</b> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Objetivo: revisar a literatura no que tange &agrave;s fontes de c&eacute;lulas, scaffolds e agentes morfog&ecirc;nicos atualmente utilizados para a gera&ccedil;&atilde;o de cartilagem articular. Al&eacute;m disso, abordam-se os principais desafios para a gera&ccedil;&atilde;o de cartilagem funcional: propriedades mec&acirc;nicas e lubrificantes. Revis&atilde;o de literatura: a cartilagem articular &eacute; um tecido altamente especializado que reduz a fric&ccedil;&atilde;o articular e distribui as for&ccedil;as relacionadas com elevadas cargas mec&acirc;nicas entre as extremidades &oacute;sseas. Assim, traumas e certas doen&ccedil;as inflamat&oacute;rias que afetam a cartilagem articular podem comprometer seriamente a qualidade de vida, causando dor e incapacitando o paciente. Nesse contexto, a engenharia tecidual &eacute; um campo emergente e multidisciplinar, cujos tr&ecirc;s componentes principais s&atilde;o: c&eacute;lulas responsivas, scaffolds e agentes morfog&ecirc;nicos. Considera&ccedil;&otilde;es finais: os tratamentos atuais para o reparo de danos da cartilagem articular apresentam s&eacute;rias limita&ccedil;&otilde;es. Nesse sentido, a engenharia tecidual poderia contornar essas limita&ccedil;&otilde;es pela gera&ccedil;&atilde;o de cartilagens substitutivas in vitro. Contudo, os componentes da tr&iacute;ade &ndash; c&eacute;lulas-tronco, agentes morfog&ecirc;nicos e scaffolds &ndash; necessitam de aperfei&ccedil;oamento antes da aplica&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica. Al&eacute;m disso, deve-se considerar a aplica&ccedil;&atilde;o de est&iacute;mulos mec&acirc;nicos e propriedades de superf&iacute;cie a fim de gerar uma cartilagem articular com caracter&iacute;sticas satisfat&oacute;rias para a aplica&ccedil;&atilde;o in vivo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>Palavras-chave: </B>Condr&oacute;citos. Osteoartrite. Regenera&ccedil;&atilde;o. Engenharia tecidual. C&eacute;lulas-tronco.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Abstract</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Objective: To review the literature regarding sources of cells, scaffolds, and morphogenic agents currently used to produce articular cartilage. In addition, to address the main challenges for the production of functional cartilage: mechanical and lubricant properties. Literature review: The articular cartilage is a highly specialized tissue that reduces joint friction and distributes forces related to high mechanical loads between bone ends. Thus, trauma and certain inflammatory diseases that affect the articular cartilage may severely compromise quality of life, causing pain and disability. In this context, tissue engineering is an emerging and multidisciplinary field, which three main components are responsive cells, scaffolds, and morphogenic agents. Final considerations: Current treatments for articular cartilage repair have major limitations. Accordingly, tissue engineering could overcome these limitations by producing in vitro cartilage substitutes. However, the triad components - stem cells, morphogenic agents, and scaffolds - need further improvement before clinical application. Moreover, one should consider the application of mechanical stimuli and surface properties to produce an articular cartilage with satisfactory characteristics for in vivo application.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>Keywords:</B> Chondrocytes. Osteoarthritis. Regeneration. Tissue engineering. Stem cells.</font></p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B> Revis&atilde;o de literatura</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Biologia da cartilagem articular</b> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">As extremidades dos ossos longos dos mam&iacute;feros s&atilde;o cobertas por uma cartilagem articular que permite o atrito e a distribui&ccedil;&atilde;o de carga entre os ossos<sup>1</sup>. A estrutura pr&oacute;pria da cartilagem fornece ao conjunto de tecidos, elementos necess&aacute;rios para suportar cargas, absorvendo impactos mec&acirc;nicos e permitindo a movimenta&ccedil;&atilde;o. Essa cartilagem &eacute; um tecido conjuntivo, de consist&ecirc;ncia semirr&iacute;gida, formado por um &uacute;nico tipo celular, os condr&oacute;citos. Em seres humanos, essas c&eacute;lulas correspondem a 1% do volume total do tecido, enquanto os 99% restantes s&atilde;o constitu&iacute;dos por uma matriz extracelular (MEC), altamente especializada, composta por: col&aacute;geno tipo II, proteoglicanos, prote&iacute;nas n&atilde;o-colagenosas, glicoprote&iacute;nas, &aacute;gua e eletr&oacute;litos dissolvidos<sup>2</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A MEC &eacute; composta, principalmente, por col&aacute;geno do tipo II, o que proporciona resist&ecirc;ncia &agrave; tra&ccedil;&atilde;o<sup>3</sup>, enquanto os proteoglicanos proporcionam resist&ecirc;ncia &agrave; compress&atilde;o<sup>4</sup>. Subunidades proteoglicanos s&atilde;o chamados glicosaminoglicanos (GAGs), que formam as mol&eacute;culas maiores chamadas agrecana<sup>5</sup>. Os condr&oacute;citos localizam-se em lacunas no interior da cartilagem e sintetizam os compostos necess&aacute;rios &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o da MEC, al&eacute;m de a estabilizarem.A MEC est&aacute; organizada em quatro zonas: superficial, m&eacute;dia, profunda e calcificada. A organiza&ccedil;&atilde;o em zonas espec&iacute;ficas bem como a nanoarquitetura da MEC contribuem para gera&ccedil;&atilde;o das propriedades viscoel&aacute;sticas<sup>6</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A nutri&ccedil;&atilde;o dos condr&oacute;citos d&aacute;-se por meio de uma barreira de difus&atilde;o, em condi&ccedil;&otilde;es de anaerobiose<sup>4</sup>. Devido &agrave; natureza avascular desse tecido, a nutri&ccedil;&atilde;o ocorre por meio da difus&atilde;o de subst&acirc;ncias oriundas dos capilares do tecido conjuntivo fibroso que envolve todo tecido cartilaginoso, chamada peric&ocirc;ndrio. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No tecido cartilaginoso adulto normal, para manter uma condi&ccedil;&atilde;o est&aacute;vel da matriz, faz-se necess&aacute;ria a regula&ccedil;&atilde;o do ambiente interno. O balanceamento acontece por meio de diversos fatores de crescimento, de forma que n&atilde;o ocorra ganho ou perda de tecido. Dentre os fatores de crescimento envolvidos podem ser citados dois deveras relevantes, o fator de crescimento semelhante &agrave; insulina-1 (IGF- 1) e o fator de transforma&ccedil;&atilde;o de crescimento-beta (TGF-b). Ambos estimulam a s&iacute;ntese de agrecana e de col&aacute;geno; al&eacute;m das citocinas como interleucina-1 (IL-1), a interleucina-6 (IL-6) e o fator de necrose tumoral alfa </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Les&otilde;es e tratamentos</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Haja vista que o tecido cartilaginoso articular &eacute; respons&aacute;vel por absorver impactos mec&acirc;nicos, as les&otilde;es que acometem essa estrutura podem agregar aspectos negativos quanto &agrave; qualidade de vida dos pacientes. Essas les&otilde;es podem se desenvolver a partir da pr&aacute;tica esportiva, de acidentes automobil&iacute;sticos ou por outros traumas. Al&eacute;m disso, a cartilagem articular tamb&eacute;m pode ser acometida por doen&ccedil;as inflamat&oacute;rias reum&aacute;ticas que afetam pessoas de todas as idades e sexos, com causas e cura ainda desconhecidas<sup>8,9</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Uma das mais relevantes doen&ccedil;as inflamat&oacute;rias reum&aacute;ticas &eacute; a osteoartrite (OA), que afeta mais de 200 milh&otilde;es de pessoas em todo o mundo, s&oacute; na Europa, 350.000 cirurgias artrosc&oacute;picas s&atilde;o realizadas anualmente<sup>10</sup>. Nota-se, assim, que qualquer agente causador de danos &agrave; cartilagem articular &eacute; deveras importante e deve ser exclu&iacute;do ou minimizado, uma vez que, devido &agrave; sua natureza avascular, o tecido cartilagino tem regenera&ccedil;&atilde;o limitada<sup>11,12</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse &acirc;mbito, in&uacute;meros tratamentos visam contornar o comprometimento da cartilagem articular. Dentre as op&ccedil;&otilde;es de tratamento, tem-se como alternativa a substiui&ccedil;&atilde;o do tecido cartilaginoso lesado por um tecido aut&oacute;geno, trata-se de uma t&eacute;cnica promissora por evitar rejei&ccedil;&atilde;o imunol&oacute;gica e transmiss&atilde;o de doen&ccedil;as. Contudo, esses tratamentos podem apresentar limita&ccedil;&otilde;es, como a baixa resist&ecirc;ncia mec&acirc;nica do tecido substituinte. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Existem outras op&ccedil;&otilde;es para sanar ou minimizar as complica&ccedil;&otilde;es que afetam tecidos cartilaginosos, como o aloenxerto e o xenoenxerto, esse em menor grau, devido &agrave; limita&ccedil;&atilde;o da imunogenicidade, que pode levar &agrave; imunorrejei&ccedil;&atilde;o. Dessa forma, muitos tratamentos s&atilde;o paleativos e restringem-se &agrave; elimina&ccedil;&atilde;o da dor. Assim, o "padr&atilde;o-ouro" no tratamento continua sendo a substitui&ccedil;&atilde;o total da articula&ccedil;&atilde;o, que, embora bem sucedida, tem uma vida &uacute;til de aproximadamente dez a quinze anos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Logo, a grande incid&ecirc;ncia e o car&aacute;cter nocivo da degenera&ccedil;&atilde;o de cartilagem mostram-se como indicadores para o desenvolvimento da engenharia de tecidos (ET)<sup>13,14</sup>. Portanto, a presente revis&atilde;o ir&aacute; abordar as principais fontes de c&eacute;lulas, tipos de scaffolds e agentes morfog&ecirc;nicos pesquisados na atualidade para o desenvolvimento de cartilagem a partir da ET. Finalmente, abordar&aacute; os principais desafios para gera&ccedil;&atilde;o de cartilagens funcionais: propriedades mec&acirc;nicas e lubrificantes. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>Engenharia tecidual: aspectos importantes</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A engenharia de tecidos trata-se de um novo campo da ci&ecirc;ncia, que tem como objetivo reconstruir ou restaurar tecidos vivos. Devido ao seu car&aacute;ter multidisciplinar, faz-se necess&aacute;rio sumarizar sua complexidade por meio de uma tr&iacute;ade, que cont&eacute;m elementos b&aacute;sicos que atuam como pilares para a gera&ccedil;&atilde;o dos tecidos biol&oacute;gicos: c&eacute;lulas responsivas, scaffolds e agentes morfog&ecirc;nicos<sup>5</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No entanto, sem o aporte sangu&iacute;neo, um tecido criado pela ET, poder&aacute; apresentar dificuldades no seu desenvolvimento no s&iacute;tio de reparo. A vasculariza&ccedil;&atilde;o &eacute; de suma import&acirc;ncia, visto que &eacute; respons&aacute;vel pelo abastecimento das c&eacute;lulas com O2 e nutrientes, e excre&ccedil;&atilde;o de CO2 e outros metab&oacute;litos. Possibilita a sobreviv&ecirc;ncia, a funcionalidade, a organiza&ccedil;&atilde;o estrutural e a intera&ccedil;&atilde;o entre tecido rec&eacute;m- formado e &aacute;rea lesada<sup>15</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para o sucesso da ET, a grande maioria dos tecidos do organismo depende de um sistema de vasos sangu&iacute;neos ramificados, com distanciamento ideal menor que 200 &mu;m. Todavia, a cartilagem bem como a c&oacute;rnea e a pele s&atilde;o tecidos que podem ser suplementados com nutrientes e O2 advindos de uma rede de vasos sangu&iacute;neos pr&oacute;ximos por meio de difus&atilde;o, justificando assim o poss&iacute;vel sucesso da ET em &aacute;reas de reconstru&ccedil;&atilde;o em pele e cartilagem<sup>16</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>C&eacute;lulas responsivas</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">C&eacute;lulas responsivas s&atilde;o c&eacute;lulas sens&iacute;veis &agrave; sinaliza&ccedil;&atilde;o que podem ser obtidas a partir de abordagens b&aacute;sicas. Um dos m&eacute;todos de obten&ccedil;&atilde;o &eacute; o modo aut&oacute;logo, no qual, por meio de uma biopsia, obt&ecirc;m-se c&eacute;lulas &oacute;rg&atilde;o-espec&iacute;ficas. Essa t&eacute;cnica se aplica &agrave; maioria dos &oacute;rg&atilde;os, contudo, para alguns tecidos ou &oacute;rg&atilde;os, como v&aacute;lvulas card&iacute;acas, a bi&oacute;psia direta n&atilde;o &eacute; uma alternativa vi&aacute;vel. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Existe, contudo, outra op&ccedil;&atilde;o para a obten&ccedil;&atilde;o de c&eacute;lulas responsivas, que consiste no isolamento de c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias ou adultas, uma vez que elas t&ecirc;m a capacidade de diferenciar-se em diversos tipos celulares. Todavia, deve-se compreender o correto mecanismo de indu&ccedil;&atilde;o &agrave; diferencia&ccedil;&atilde;o e controle para o tipo de c&eacute;lula desej&aacute;vel. Ainda, a utiliza&ccedil;&atilde;o de c&eacute;lula-tronco embrion&aacute;ria encontra limita&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas devido &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o das c&eacute;lulas da massa interna do blastocisto, que leva &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o do blastocisto e, por conseguinte, &agrave; incapacidade de gerar vida<sup>15</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dessa forma, pesquisas recentes focam-se na obten&ccedil;&atilde;o de c&eacute;lulas-tronco adultas, como as do tecido pulpar de dentes dec&iacute;duos<sup>17</sup> e permanentes<sup>18</sup>, no entanto, sabe-se que essas n&atilde;o s&atilde;o as &uacute;nicas fontes dentro da cavidade bucal. Podem-se encontrar tamb&eacute;m c&eacute;lulas-tronco no ligamento periodontal<sup>19</sup> e na papila apical de dentes n&atilde;o totalmente desenvolvidos<sup>20</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tamb&eacute;m na tentativa de contornar quest&otilde;es &eacute;ticas acerca da utiliza&ccedil;&atilde;o de embri&otilde;es humanos e problemas relacionados &agrave; imunorrejei&ccedil;&atilde;o, as c&eacute;lulas-tronco pluripotentes induzidas (CTPIs) foram desenvolvidas. A gera&ccedil;&atilde;o dessas c&eacute;lulas baseia-se na transforma&ccedil;&atilde;o de c&eacute;lulas diferenciadas em c&eacute;lulas-tronco semelhantes a c&eacute;lulas embrion&aacute;rias por meio da inser&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de fatores de transcri&ccedil;&atilde;o no genoma, a fim de converter o estado transcricional e epigen&eacute;tico em um estado de pluripot&ecirc;ncia<sup>21</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><i>Scaffolds</i></b> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Os scaffolds s&atilde;o estruturas tridimensionais porosas<sup>22</sup> que propiciam um microambiente adequado para o crescimento e a diferencia&ccedil;&atilde;o celular, promovendo ades&atilde;o e migra&ccedil;&atilde;o das c&eacute;lulas<sup>23</sup>. Durante o desenvolvimento de certos tecidos por ET, pode-se fazer uso de scaffolds que se degradam lenta e progressivamente ap&oacute;s a implanta&ccedil;&atilde;o<sup>24</sup>, ou scaffolds n&atilde;o biodegrad&aacute;veis, confeccionadas, por exemplo, &agrave; base de tit&acirc;nio<sup>25</sup>. Salienta-se que essas estruturas devem apresentar caracter&iacute;sticas ambientais que induzam a reconstru&ccedil;&atilde;o tecidual por meio da intera&ccedil;&atilde;o das c&eacute;lulas selecionadas com a superf&iacute;cie de ades&atilde;o do scaffold e com outras c&eacute;lulas existentes no microambiente, e/ou com a incorpora&ccedil;&atilde;o de fatores de crescimento<sup>26</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Agentes morfog&ecirc;nicos</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os agentes morfog&ecirc;nicos, tamb&eacute;m chamados de fatores de crescimento, s&atilde;o prote&iacute;nas sol&uacute;veis que atuam na prolifera&ccedil;&atilde;o celular, s&iacute;ntese de matriz e diferencia&ccedil;&atilde;o tecidual. Eles podem ter a&ccedil;&atilde;o mitog&ecirc;nica, sendo respons&aacute;veis pela prolifera&ccedil;&atilde;o de determinados tipos celulares, ou a&ccedil;&atilde;o morfog&ecirc;nica, quando comanda altera&ccedil;&otilde;es do fen&oacute;tipo de c&eacute;lulas-alvo. Pode-se afirmar que seus efeitos s&atilde;o mediados por receptores de superf&iacute;cie das c&eacute;lulas-alvo, como fatores de crescimento derivados das plaquetas (PDGF), similares a IGFs, TGF-&szlig; e prote&iacute;nas &oacute;sseas morfogen&eacute;ticas (BMPs)<sup>27,28</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na odontologia, destaca-se um grupo de fatores de crescimento, o das BMPs, que est&atilde;o presentes nos extratos indutores da matriz &oacute;ssea. Corroborando com os resultados positivos advindos da ET, as BMPs contribuem de forma significativa no aumento do reparo &oacute;sseo<sup>29</sup> de les&otilde;es no palato e na mand&iacute;bula<sup>30</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Angiog&ecirc;nese</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A angiog&ecirc;nese consiste na forma&ccedil;&atilde;o de novos vasos sangu&iacute;neos. &Eacute; um mecanismo essencial para o crescimento, o reparo e a cicatriza&ccedil;&atilde;o de tecidos. </font><font size="2" face="Verdana">A angiog&ecirc;nese contribui diretamente para o sucesso da ET, haja vista que &eacute; dependente da vasculariza&ccedil;&atilde;o dos enxertos produzidos<sup>10</sup>. Assim, para que o tecido criado por ET receba aporte sangu&iacute;neo, &eacute; preciso que os vasos sangu&iacute;neos sejam funcionais e que se anastomosem com o sistema vascular do hospedeiro, fato que &eacute; um dos grandes desafios nessa &aacute;rea<sup>31</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A neovasculariza&ccedil;&atilde;o, por sua vez, &eacute; um evento cr&iacute;tico, pois as c&eacute;lulas podem permanecer vivas por difus&atilde;o somente quando est&atilde;o pr&oacute;ximas a um suprimento de sangue<sup>32</sup>. Para induzir a neovasculariza&ccedil;&atilde;o de tecidos hip&oacute;xicos, pode-se utilizar uma abordagem de administra&ccedil;&atilde;o de fatores de crescimento pr&oacute;-angiog&ecirc;nicos, como o fator de crescimento vascular endotelial (VEGF)<sup>33</sup>. Contudo, no que diz respeito &agrave; angiog&ecirc;nese, a gera&ccedil;&atilde;o de cartilagem articular n&atilde;o &eacute; um entrave significativo, pois diferente de outros tipos de tecidos essa estrutura mostra-se avascular<sup>10</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Engenharia tecidual para obten&ccedil;&atilde;o de cartilagem articular: atualidade</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Fonte de c&eacute;lulas responsivas</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A fonte ideal de c&eacute;lulas para a engenharia de cartilagem &eacute; aquela que pode ser facilmente isolada e ampliada, em cultivo in vitro, e que sintetiza abundantes componentes espec&iacute;ficos de MEC, como agrecana e col&aacute;geno tipo II. Dessa forma, as c&eacute;lulas mais estudadas para essa finalidade s&atilde;o os condr&oacute;citos e as c&eacute;lulas-tronco<sup>34</sup>. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>Condr&oacute;citos</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os condr&oacute;citos s&atilde;o c&eacute;lulas capazes de produzir, manter e remodelar a MEC da cartilagem<sup>35,36</sup>. Essas c&eacute;lulas podem ser utilizadas em tratamentos de algumas desordens de sa&uacute;de, pois s&atilde;o capazes de reparar de forma eficaz defeitos articulares<sup>37</sup>. No entanto, algumas desvantagens s&atilde;o observadas, como a falta de disponibilidade de condr&oacute;citos aut&oacute;logos e a diminui&ccedil;&atilde;o da funcionalidade de c&eacute;lulas coletadas nas articula&ccedil;&otilde;es de pacientes doentes. Al&eacute;m disso, condr&oacute;citos cultivados em monocamadas sofrem desdiferencia&ccedil;&atilde;o, caracterizada pela diminui&ccedil;&atilde;o da s&iacute;ntese de proteoglicanos e express&atilde;o de col&aacute;geno do tipo II e aumento de express&atilde;o de col&aacute;geno tipo I<sup>35,36</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A idade do doador dos condr&oacute;citos exerce influ&ecirc;ncia no cultivo in vitro<sup>1</sup>. Condr&oacute;citos de jovens doadores demonstram prolifera&ccedil;&atilde;o mais r&aacute;pida e potencial condrog&ecirc;nico aumentado em rela&ccedil;&atilde;o a condr&oacute;citos de doadores mais velhos, sendo essas c&eacute;lulas metabolicamente menos ativas in vitro<sup>38</sup>. Essas limita&ccedil;&otilde;es podem ser parcialmente compensadas com a condi&ccedil;&atilde;o de cultivo, como utiliza&ccedil;&atilde;o de biorreatores<sup>39</sup>, tens&atilde;o de oxig&ecirc;nio reduzida<sup>40</sup> e adi&ccedil;&atilde;o de fatores de crescimento<sup>41</sup>. No entanto, o uso dessas c&eacute;lulas para reparar a cartilagem n&atilde;o parece favor&aacute;vel. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Um aspecto desfavor&aacute;vel para a utiliza&ccedil;&atilde;o dessas c&eacute;lulas &eacute; o fato de que, por exemplo, os condr&oacute;citos costais (CC) por si s&oacute; n&atilde;o s&atilde;o capazes de atenuar a ossifica&ccedil;&atilde;o do tecido cartilaginoso. Contudo, com o cocultivo de CC e de c&eacute;lulas-tronco da polpa de dentes permanentes (DPSCs) na presen&ccedil;a do fator de crescimento fibrobl&aacute;stico-9 (FGF-9), &eacute; possivel aperfei&ccedil;oar a diferencia&ccedil;&atilde;o das DPSCs em tecido cartilaginoso e inibir parcialmente a sua mineraliza&ccedil;&atilde;o<sup>37</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>C&eacute;lulas-tronco</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Uma poss&iacute;vel solu&ccedil;&atilde;o para superar a oferta limitada de condr&oacute;citos &eacute; a utiliza&ccedil;&atilde;o de c&eacute;lulas-tronco multipotentes, principalmente c&eacute;lulas com origem na medula &oacute;ssea e no tecido adiposo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As c&eacute;lulas-tronco derivadas da medula &oacute;ssea (BMSCs) podem ser facilmente obtidas e induzidas a se diferenciar em cartilagem, para posterior expans&atilde;o in vitro8. As c&eacute;lulas-tronco derivadas de tecido adiposo (ADSCs) s&atilde;o capazes de se diferenciar em condr&oacute;citos, utilizando sistemas de cultivo 3D na presen&ccedil;a de &aacute;cido asc&oacute;rbico, dexametasona e TGF-&beta;42. Embora estudos apontem a produ&ccedil;&atilde;o de componentes da matriz bem como o aumento de propriedades mec&acirc;nicas, destaca-se que o potencial condrog&ecirc;nico &eacute; menor se comparado com BMSCs. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste contexto, a melhor compreens&atilde;o dos mecanismos moleculares que regulam a diferencia&ccedil;&atilde;o mostra-se essencial. Bobick et al.<sup>9</sup> (2010) relataram pela primeira vez que as vias de sinaliza&ccedil;&atilde;o ERK5 e ERK1/2 (prote&iacute;nas quinase ativadas por mit&oacute;genos) desempenham pap&eacute;is opostos na regula&ccedil;&atilde;o da condrog&ecirc;nese de BMSCs. Desse modo, a via de sinaliza&ccedil;&atilde;o ERK5 mostra-se como regulador negativo da forma&ccedil;&atilde;o de cartilagem, enquanto a via ERK1/2 mostra-se como regulador positivo<sup>9</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Agentes morfog&ecirc;nicos</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diversas citocinas, horm&ocirc;nios e fatores de crescimento podem influenciar os processos anab&oacute;licos e catab&oacute;licos dos condr&oacute;citos. Portanto, um grande n&uacute;mero de fatores de crescimento, incluindo TGF-&beta;, IGF-1, BMPs e, em menor grau, FGFs e fator de crescimento epid&eacute;rmico (EGF), tem sido utilizado em estudos de ET de cartilagem in vitro para promover o fen&oacute;tipo condrog&ecirc;nico, estimular a produ&ccedil;&atilde;o de MEC e promover condrog&ecirc;nese de c&eacute;lulas-tronco mesenquimais (CTMs)<sup>43</sup>. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Diferentes isoformas de TGF-&beta; desempenham um papel importante no desenvolvimento e reparo da cartilagem, principalmente as isoformas TGF-&beta;1, 2 e 3, que aumentam a prolifera&ccedil;&atilde;o de condr&oacute;citos e a s&iacute;ntese de MEC pelos condr&oacute;citos. Al&eacute;m disso, o TGF-&beta;1 e 3 promovem a condrog&ecirc;nese de CTMs<sup>44,45</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outro estudo corrobora os achados anteriores e aponta que a intera&ccedil;&atilde;o celular de CTMs na forma de cultivo em micromassas (c&eacute;lulas dissociadas que s&atilde;o reagregadas em esferoides, evitando a utiliza&ccedil;&atilde;o de scaffold) pode regular a prolifera&ccedil;&atilde;o e diferencia&ccedil;&atilde;o das CTMs do peri&oacute;steo durante condrog&ecirc;nese, e que este efeito &eacute; refor&ccedil;ado quando na presen&ccedil;a de TGF- &beta;3<sup>46</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O IGF-1 pode estimular a atividade anab&oacute;lica de condr&oacute;citos e induzir &agrave; condrog&ecirc;nese de CTM<sup>47</sup>. As BMPs, especialmente BMP-2 e BMP-7, promovem tamb&eacute;m a condrog&ecirc;nese de CTMs e aumentam a produ&ccedil;&atilde;o de MEC pelos condr&oacute;citos e CTMs<sup>3</sup>. Assim, uma combina&ccedil;&atilde;o de fatores de crescimento nas culturas de condr&oacute;citos e CTMs in vitro pode potencializar os efeitos sobre essas c&eacute;lulas<sup>48</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No entanto, o efeito da aplica&ccedil;&atilde;o de mol&eacute;culas de sinaliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; apenas dependente do tipo de fator que &eacute; aplicado. Outros par&acirc;metros tamb&eacute;m est&atilde;o envolvidos, como a dose, o tempo de administra&ccedil;&atilde;o e o tipo de c&eacute;lula em que atuam<sup>49</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><i>Scaffolds</i></b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quando, por meio da ET, tenta-se reestabelecer um tecido cartilaginoso, a t&eacute;cnica baseia-se em cultivar os condr&oacute;citos em uma matriz artificial, biodegrad&aacute;vel, que possa suportar o crescimento da cartilagem durante alguns meses, enquanto os condr&oacute;citos e a MEC se estabelecem, sem altera&ccedil;&otilde;es fenot&iacute;picas. O scaffold, por sua vez, degrada-se gradualmente, em oito a dez semanas ap&oacute;s o implante de cartilagem<sup>50</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diferentes sistemas de cultura s&atilde;o usados na expans&atilde;o dos condr&oacute;citos: a cultura de condr&oacute;citos em monocamadas<sup>4</sup> e a cultura em sistema tridimensional em esponjas de col&aacute;geno, fibrina, gel de agarose, hidrogel de alginato, quitosana, etc<sup>1</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Pol&iacute;meros naturais</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os pol&iacute;meros naturais podem ser classificados, quanto &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o, em prote&iacute;nas, como fibrina e col&aacute;geno, e em carboidratos, como agarose, alginato, &aacute;cido hialur&ocirc;nico e quitosana. Muitos desses s&atilde;o hidrog&eacute;is, o que os torna apropriados para a engenharia de cartilagem que tem alto conte&uacute;do de &aacute;gua. A caracter&iacute;stica mais atrativa de hidrog&eacute;is &eacute; que as c&eacute;lulas encapsuladas em scaffolds conseguem manter seu fen&oacute;tipo de condr&oacute;citos esf&eacute;ricos e n&atilde;o desdiferenciam<sup>51</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Al&eacute;m disso, uma nova perspectiva &eacute; a incorpora&ccedil;&atilde;o de nano e microfibras de tit&acirc;nio e de hidroxiapatita em hidrog&eacute;is de alginato. Esse m&eacute;todo proporciona um scaffold com caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas melhoradas e, concomitantemente, gera um ambiente mais adequado para ades&atilde;o e prolifera&ccedil;&atilde;o celular<sup>52</sup>. N&atilde;o obstante, os scaffolds &agrave; base de hidrogel s&atilde;o tamb&eacute;m interessantes para estudos que empregam carga mec&acirc;nica, pois s&atilde;o capazes de transduzi-la, de modo que as for&ccedil;as podem ser exercidas sobre as c&eacute;lulas<sup>51</sup>. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>Pol&iacute;meros sint&eacute;ticos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Os pol&iacute;meros sint&eacute;ticos mais utilizados em scaffolds s&atilde;o os poli-hidroxi-&alpha;-&eacute;steres, especialmente o &aacute;cido polil&aacute;tico (PLA) e o &aacute;cido poliglic&oacute;lico (PGA), devido &agrave; sua biodegradabilidade. Scaffolds feitos &agrave; base de pol&iacute;meros sint&eacute;ticos, quando comparados com hidrog&eacute;is, apresentam melhor resist&ecirc;ncia mec&acirc;nica<sup>53</sup>. Al&eacute;m disso, as propriedades dos scaffolds sint&eacute;ticos podem ser alteradas, permitindo ajustar, por exemplo, a taxa de degrada&ccedil;&atilde;o, suas caracter&iacute;sticas estruturais e de resist&ecirc;ncia mec&acirc;nica. Em contrapartida, uma desvantagem dos pol&iacute;meros sint&eacute;ticos &eacute; que as c&eacute;lulas muitas vezes n&atilde;o mant&ecirc;m seu fen&oacute;tipo normal e produzem MEC com propriedades inferiores em rela&ccedil;&atilde;o aos scaffolds &agrave; base de polimeros naturais<sup>54</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Arquitetura, porosidade e rigidez</b></font> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A porosidade, o tamanho dos poros e a interconectividade do scaffold s&atilde;o propriedades importantes, uma vez que influenciam a migra&ccedil;&atilde;o celular e a difus&atilde;o de oxig&ecirc;nio, nutrientes, produtos residuais e mol&eacute;culas de sinaliza&ccedil;&atilde;o<sup>55</sup>. Por exemplo, a oferta de oxig&ecirc;nio n&atilde;o homog&ecirc;nea da periferia ao centro da cultura pode levar &agrave; morte celular nas regi&otilde;es centrais<sup>56</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Al&eacute;m disso, um material poroso melhora mecanicamente a rela&ccedil;&atilde;o entre o implante e a cartilagem natural, proporcionando uma maior estabilidade mec&acirc;nica na interface. Tem sido observado que o tamanho ideal dos poros para promover a prolifera&ccedil;&atilde;o &eacute; entre 100 mm e 500 mm<sup>57</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A rigidez dos scaffolds tamb&eacute;m influencia na diferencia&ccedil;&atilde;o e no crescimento das c&eacute;lulas em cultura de tecidos. O aumento da rigidez influencia na morfologia dos condr&oacute;citos, que passa de uma forma arredondada com actina nebulosa e substratos mais fracos a uma forma predominante com morfologia plana, com fibras de actina sobre estresse e substratos mais r&iacute;gidos<sup>58</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Odontologia e tecido cartilaginoso</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quando os t&oacute;picos odontologia e tecido cartilaginoso s&atilde;o abordados concomitantemente, duas quest&otilde;es podem surgir: como reabilitar pacientes com desordens no disco cartilaginoso da articula&ccedil;&atilde;o temporomandibular (ATM) e como os tecidos bucais podem servir de fonte celular para criar tecido cartilaginoso. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Cabe destacar que as desordens na ATM comprometem a por&ccedil;&atilde;o cartilaginosa do c&ocirc;ndilo e d&atilde;o origem a novas investiga&ccedil;&otilde;es na &aacute;rea da ET, que busca sanar o desafio de reconstruir cartilagem e minimizar defeitos cartilaginosos<sup>59</sup>. Assim, estudos em modelo animal mostram que &eacute; poss&iacute;vel reconstituir, em poucos meses, todos os elementos da cartilagem condilar<sup>60</sup>. Discos substitutos foram gerados a partir de ET, utilizando scaffolds altamente porosos e biorreabsorv&iacute;veis, semeados com condr&oacute;citos. Ap&oacute;s doze semanas foi obtida uma neocartilagem, que mostrou evid&ecirc;ncias histol&oacute;gicas de cartilagem hialina organizada<sup>61</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tamb&eacute;m, n&atilde;o menos importante, vale ressaltar que a cavidade oral tem m&uacute;ltiplos s&iacute;tios fontes de c&eacute;lulas-tronco, como o tecido pulpar de dentes dec&iacute;duos<sup>17</sup> e permanentes<sup>18</sup>, o ligamento periodontal<sup>19</sup> e a papila apical de dentes n&atilde;o totalmente desenvolvidos<sup>20</sup>. Dentre essas c&eacute;lulas, destacam-se as de origem pulpar, j&aacute; que os dentes s&atilde;o facilmente obtidos por motivos ortod&ocirc;nticos, periodontais, c&aacute;rie e exfolia&ccedil;&atilde;o natural de dec&iacute;duos<sup>62</sup>. Al&eacute;m disso, essas c&eacute;lulas possuem a capacidade de diferencia&ccedil;&atilde;o em tecido condrog&ecirc;nico<sup>63,64</sup>. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">As CTMs, por sua vez, possuem capacidade de migra&ccedil;&atilde;o e diferencia&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de participarem da morfog&ecirc;nese de alguns tecidos, como o cartilaginoso. Mesmo passado o per&iacute;odo de morfog&ecirc;nese essas c&eacute;lulas, com caracter&iacute;sticas de c&eacute;lulas-tronco adultas, seguem com capacidade de diferenciar-se e podem contribuir ativamente no reparo de les&otilde;es, favorecendo a regenera&ccedil;&atilde;o tecidual<sup>65</sup>. Dessa forma, um estudo recente, utilizando CTMs de origem bucal, mostra que com um microambiente favor&aacute;vel e sinais indutivos &eacute; poss&iacute;vel diferenciar essas c&eacute;lulas em tecido condrog&ecirc;nico com caracter&iacute;sticas de viabilidade<sup>66</sup>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Conclus&atilde;o</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os tratamentos atuais para o reparo de danos da cartilagem articular apresentam s&eacute;rias limita&ccedil;&otilde;es. Nesse &acirc;mbito, a engenharia de tecidos poderia contornar essas limita&ccedil;&otilde;es pela gera&ccedil;&atilde;o de cartilagens substitutivas in vitro. Contudo, os componentes da tr&iacute;ade necessitam de aperfei&ccedil;oamento antes da aplica&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica. Com isso, acredita-se que as c&eacute;lulas-tronco multipotentes s&atilde;o promissoras em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; disponibilidade, por&eacute;m faz-se necess&aacute;rio elucidar mecanismos de gera&ccedil;&atilde;o da MEC. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Al&eacute;m disso, os scaffolds de pol&iacute;meros sint&eacute;ticos mostram-se vantajosos por facilitarem o controle das propriedades de carga e degrada&ccedil;&atilde;o, entretanto, muitas vezes s&atilde;o incapazas de manter o fen&oacute;tipo dos condr&oacute;citos. Quanto aos agentes morfog&ecirc;nicos, in&uacute;meros aspectos devem ser considerados e adaptados ao tipo de c&eacute;lula cultivada, como o tipo de agente, sua concentra&ccedil;&atilde;o e tempo de exposi&ccedil;&atilde;o. Finalmente, al&eacute;m de contornar as limita&ccedil;&otilde;es dos componentes da tr&iacute;ade, deve-se considerar a aplica&ccedil;&atilde;o de est&iacute;mulos mec&acirc;nicos e propriedades de superf&iacute;cie a fim de gerar uma cartilagem articular com caracter&iacute;sticas satisfat&oacute;rias para a aplica&ccedil;&atilde;o in vivo.</font> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Refer&ecirc;ncias</B></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">1. Hunziker EB. Articular cartilage repair: basic science and clinical progress. A review of the current status an prospects. Osteoarthr Cartil 2001; 10:432-63.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=178696&pid=S1413-4012201500030001700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">2. Kisiday JD, Jin M, DiMicco MA, Kurz B, Grodzinsky AJ. Effects of dynamic compressive loading on chondrocyte biosynthesis in self-assembling peptide scaffolds. J Biomech 2004; 37(5):595-604. </font></p>     ]]></body>
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<body><![CDATA[<br>   Rua Gon&ccedil;alves Chaves, 377, sala 411 pr&eacute;dio C, Centro    <br>   96015-560 Pelotas, RS    <br>     e-mail: </font><font size="2" face="Verdana"><a href="mailto:fernanda.nedel@gmail.com" target="_blank">fernanda.nedel@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Recebido: 17/11/15<br/> Aceito: 28/09/15</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
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<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Articular cartilage repair: basic science and clinical progress. A review of the current status an prospects.]]></article-title>
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