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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Transtorno obsessivo compulsivo em crianças e adolescentes: revisão de literatura e abordagem odontológica]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Obsessive-Compulsive Disorder (OCD) is a chronic psychiatric disorder which affects from 1 to 2% of the population of children and adolescents. Patients affected by this disorder need an adequate approach during dental attendance due to an increase in anxiety, medications used in the treatment of OCD and, possibly, due to compulsive behavior. This article aims to carry out a literature review concerning the main features of OCD in childhood and adolescence, as well as reveal important information regarding dental approaches for these patients. After reviewing the literature, it could be concluded that OCD is an anxiety disorder, and for this reason, it is common that these patients have a high possibility of becoming quite anxious during a dental visit. It is therefore very important that the dentist be aware of techniques for controlling behavior and anxiety that are appropriate for these patients. In addition, the dental care provider should evaluate possible interactions with antibiotics, anesthetics, and vasoconstrictors, in an attempt to minimize risks to the patient. The use of antidepressants often results in reduced salivation. Encouraging good oral hygiene (monitoring for compulsive cleaning behavior) associated with the use of fluoride gels and creams, antiseptic mouthwashes, and frequent visits to the dentist can reduce the incidence of rampant dental caries, periodontal disease, and other disorders associated with deficiencies in the production of saliva.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Odontopediatria.]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"></a><a name="top"/><B>Transtorno obsessivo compulsivo em crian&ccedil;as e adolescentes: revis&atilde;o de literatura e abordagem odontol&oacute;gica</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>Obsessive compulsive disorder in children and adolescents: literature review and dental approach</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Erika von S&ouml;hsten Marinho<sup>I</sup>; Esio de Carvalho Coelho Junior<sup>I</sup>; Kl&eacute;cio de Andrade Alves<sup>I</sup>; Rosana Christine Cavalcanti Ximenes<sup>I</sup>; Alice Kelly Barreira<sup>I</sup>; Geraldo Bosco Lindoso Couto<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <sup>I </sup>Departamento de Cl&iacute;nica e Odontologia Preventiva, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife, Pernambuco, Brasil</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Contato: kitasohsten@hotmail.com, esiocoelho@hotmail.com, klecioalves@yahoo.com.br, rosanaximenes@gmail.com, alicekelly@yahoo.com, gbosco@ufpe.br</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#back">Autor correspondente</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O transtorno obsessivo compulsivo (TOC) &eacute; um transtorno psiqui&aacute;trico cr&ocirc;nico que atinge de 1 a 2% da popula&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e adolescentes, necessitando de uma abordagem adequada durante o atendimento odontol&oacute;gico devido ao aumento da ansiedade, &agrave;s medica&ccedil;&otilde;es utilizadas no tratamento do transtorno e, possivelmente, devido a comportamentos compulsivos. O objetivo deste trabalho foi fazer um levantamento bibliogr&aacute;fico a respeito das principais caracter&iacute;sticas do TOC na inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia e trazer informa&ccedil;&otilde;es importantes para o atendimento odontol&oacute;gico destes pacientes. Ap&oacute;s a an&aacute;lise da literatura, ficou claro que o TOC &eacute; um transtorno de ansiedade, e, por esta raz&atilde;o, &eacute; natural que estes pacientes apresentem-se muito ansiosos durante uma consulta odontol&oacute;gica. Sendo assim, &eacute; de grande import&acirc;ncia que o odontopediatra tenha conhecimento de t&eacute;cnicas de controle de comportamento e ansiedade adequadas a estes pacientes. Al&eacute;m disso, o profissional deve avaliar poss&iacute;veis intera&ccedil;&otilde;es com antibi&oacute;ticos, anest&eacute;sicos e vasoconstrictores, com o objetivo de minimizar os riscos para o paciente. O uso de antidepressivos frequentemente resulta em hipossaliva&ccedil;&atilde;o. O incentivo a uma boa higiene bucal (com vigil&acirc;ncia do respons&aacute;vel &agrave; compuls&atilde;o por limpeza) associado ao uso de cremes e g&eacute;is fluoretados, colut&oacute;rios antiss&eacute;pticos e visitas frequentes ao dentista podem reduzir a incid&ecirc;ncia de les&otilde;es de c&aacute;rie rampantes, doen&ccedil;a periodontal e outros dist&uacute;rbios associados &agrave; defici&ecirc;ncia na produ&ccedil;&atilde;o de saliva.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>Descritores: </B>Odontopediatria. Transtorno obsessivo-compulsivo. Terap&ecirc;utica. Adolescente. Crian&ccedil;a.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>ABSTRACT</B> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Obsessive-Compulsive Disorder (OCD) is a chronic psychiatric disorder which affects from 1 to 2% of the population of children and adolescents. Patients affected by this disorder need an adequate approach during dental attendance due to an increase in anxiety, medications used in the treatment of OCD and, possibly, due to compulsive behavior. This article aims to carry out a literature review concerning the main features of OCD in childhood and adolescence, as well as reveal important information regarding dental approaches for these patients. After reviewing the literature, it could be concluded that OCD is an anxiety disorder, and for this reason, it is common that these patients have a high possibility of becoming quite anxious during a dental visit. It is therefore very important that the dentist be aware of techniques for controlling behavior and anxiety that are appropriate for these patients. In addition, the dental care provider should evaluate possible interactions with antibiotics, anesthetics, and vasoconstrictors, in an attempt to minimize risks to the patient. The use of antidepressants often results in reduced salivation. Encouraging good oral hygiene (monitoring for compulsive cleaning behavior) associated with the use of fluoride gels and creams, antiseptic mouthwashes, and frequent visits to the dentist can reduce the incidence of rampant dental caries, periodontal disease, and other disorders associated with deficiencies in the production of saliva.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>Uniterms: </B>Pediatric dentistry. Obsessive-compulsive disorder. Therapeutics. Child. Adolescents.</font> </p> <hr noshade size="1">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B> INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O transtorno obsessivo compulsivo (TOC) &eacute; um transtorno cr&ocirc;nico, que atinge cerca de 0,7% a 2,5% dos indiv&iacute;duos da popula&ccedil;&atilde;o geral, ao longo da vida<sup>1</sup>. &Eacute;, tamb&eacute;m, relativamente comum entre crian&ccedil;as e adolescentes, apontando uma preval&ecirc;ncia que varia de 1% a 2% na popula&ccedil;&atilde;o abaixo de 18 anos de idade<sup>2</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este transtorno &eacute; caracterizado pela presen&ccedil;a de obsess&otilde;es e/ou compuls&otilde;es. As obsess&otilde;es podem ser definidas como pensamentos, id&eacute;ias, impulsos ou representa&ccedil;&otilde;es mentais recorrentes, como experi&ecirc;ncias intrusivas e sem significado particular para o indiv&iacute;duo. Esses pensamentos s&atilde;o frequentemente acompanhados por sensa&ccedil;&otilde;es de inc&ocirc;modo, desconforto, ansiedade e sofrimento e geralmente levam a pessoa a tentar ignor&aacute;-las ou suprimi-las por meio de outro pensamento ou a&ccedil;&atilde;o. As obsess&otilde;es podem ser criadas a partir de palavras, pensamentos, medos, preocupa&ccedil;&otilde;es, mem&oacute;rias, imagens, m&uacute;sicas ou cenas<sup>3</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; as compuls&otilde;es, s&atilde;o comportamentos repetitivos e intencionais, realizados mentalmente ou por meio de a&ccedil;&otilde;es motoras. S&atilde;o geralmente realizadas com o objetivo de reduzir ou prevenir a ansiedade ou sofrimento, ao inv&eacute;s de oferecer prazer ou gratifica&ccedil;&atilde;o<sup>4</sup>. Sintomas acess&oacute;rios tamb&eacute;m podem estar presentes, tais como a ansiedade e sintomas depressivos. Em crian&ccedil;as e adolescentes, este transtorno geralmente resulta em dificuldades de aprendizagem na escola, problemas sociais e perturba&ccedil;&otilde;es no ambiente familiar<sup>3</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Dentre as obsess&otilde;es mais frequentes, especialmente nesta faixa et&aacute;ria, tem-se o medo de contamina&ccedil;&atilde;o, de agress&atilde;o, de conte&uacute;do sexual ou religioso, a preocupa&ccedil;&atilde;o com simetria ou o medo de se perder as coisas. Algumas das compuls&otilde;es mais comuns envolvem rituais de limpeza ou lavagem, verifica&ccedil;&atilde;o, ordena&ccedil;&atilde;o ou arranjo, colecionismo ou compuls&otilde;es "tic-like", ou seja, comportamentos semelhantes a tiques, por&eacute;m precedidos de obsess&otilde;es<sup>5</sup>. A sintomatologia caracter&iacute;stica do TOC tamb&eacute;m se faz presente em outras situa&ccedil;&otilde;es, em especial, aos transtornos do espectro obsessivo-compulsivo, como a S&iacute;ndrome de Tourette (ST)<sup>5</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pouco se sabe a respeito da etiologia do Transtorno Obsessivo Compulsivo. Atualmente, acredita-se em uma heran&ccedil;a gen&eacute;tica associada &agrave; resposta do individuo a estressores ambientais. Entretanto, ainda n&atilde;o foi identificada a carga gen&eacute;tica especifica para pacientes suscet&iacute;veis ao TOC e aos demais transtornos associados<sup>6</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O tratamento de escolha para crian&ccedil;as e adolescentes diagnosticados com TOC inclui a farmacoterapia, representada principalmente pelos Inibidores Seletivos da Recapta&ccedil;&atilde;o da Serotonina (ISRS), assim como a terapia cognitivocomportamental. A frequ&ecirc;ncia de resposta positiva nestes tratamentos varia de 50% a 75% na farmacoterapia e cerca de 67% na terapia cognitivocomportamental<sup>7</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Apesar do transtorno obsessivo compulsivo na crian&ccedil;a e adolesc&ecirc;ncia j&aacute; estar bem descrito na literatura, pouco h&aacute; relatado a respeito da abordagem odontol&oacute;gica voltada para estes pacientes. O objetivo deste trabalho &eacute; fazer um levantamento bibliogr&aacute;fico atrav&eacute;s de livros de refer&ecirc;ncia em TOC, bases de dados na internet (MEDLINE, LILACS, PUBMED, SCIELO, BBO e Biblioteca Cochrane) e o banco de teses da Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior (CAPES), a respeito do TOC na inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia e do atendimento odontol&oacute;gico desses pacientes. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B> REVIS&Atilde;O DA LITERATURA</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O TOC se manifesta independentemente de ra&ccedil;a, sexo, intelig&ecirc;ncia, estado civil, n&iacute;vel socioecon&ocirc;mico, religi&atilde;o e nacionalidade. Estimase atualmente que o TOC seja o quarto transtorno psiqui&aacute;trico mais frequente, superado apenas pelas fobias, depress&atilde;o e depend&ecirc;ncias qu&iacute;micas<sup>3,8</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Achados sugerem que o TOC pode iniciar-se em qualquer &eacute;poca da vida, contudo, na maioria dos casos, o in&iacute;cio ocorre na inf&acirc;ncia ou na adolesc&ecirc;ncia<sup>9</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O TOC em crian&ccedil;as e adolescentes &eacute; bastante similar em preval&ecirc;ncia e sintomatologia quando comparado a adultos<sup>10</sup>. Entre 50 e 75% dos adultos com TOC, o aparecimento dos sintomas &eacute; identificado antes dos 18 anos de idade<sup>11</sup>. Um estudo realizado pela Epidemiologic Catchment Area Study (ECA) entrevistou uma amostra populacional de 20.862 indiv&iacute;duos e constatou que 64% dos portadores de TOC apresentaram in&iacute;cio dos sintomas antes dos 25 anos de idade, e 74%, antes dos 30 anos<sup>12</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Estudos em crian&ccedil;as com TOC demonstraram que mais de 70% da amostra era composta por meninos<sup>13</sup>. Durante a adolesc&ecirc;ncia, h&aacute; um aumento na incid&ecirc;ncia em meninas, chegando a uma propor&ccedil;&atilde;o de 1:1 na idade adulta<sup>14</sup>. Estudos epidemiol&oacute;gicos revelaram uma curva bimodal para a idade de in&iacute;cio dos sintomas: os homens os apresentam em uma idade mais precoce (na inf&acirc;ncia ou adolesc&ecirc;ncia), enquanto as mulheres, mais na idade adulta. Os casos de TOC com in&iacute;cio precoce apresentam maior comorbidade com tiques, mais fen&ocirc;menos sensoriais<sup>15</sup>, maior gravidade dos sintomas obsessivos e uma pior evolu&ccedil;&atilde;o<sup>16</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um dado de grande import&acirc;ncia foi revelado no estudo de Del-Porto<sup>8</sup>, quando concluiu que aproximadamente 2% dos suic&iacute;dios entre adolescentes nos Estados Unidos (em um total de 31.000, em 1990) foram atribu&iacute;dos ao TOC, com ou sem condi&ccedil;&otilde;es co-m&oacute;rbidas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quanto &agrave; etiologia, acredita-se que os genes respons&aacute;veis pelo TOC sofrem influ&ecirc;ncias m&uacute;tuas e t&ecirc;m sua expressividade modificada por fatores ambientais. Isto torna a heran&ccedil;a gen&eacute;tica n&atilde;omendeliana ou complexa<sup>17</sup>. O TOC seria, portanto, um transtorno "complexo" do ponto de vista gen&eacute;tico<sup>3</sup>, com ou sem hist&oacute;ria familiar. V&aacute;rios estudos de fam&iacute;lias t&ecirc;m fornecido evid&ecirc;ncias irrefut&aacute;veis de que o TOC &eacute; familiar<sup>18</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Eventos estressantes s&atilde;o frequentemente observados antecedendo a instala&ccedil;&atilde;o do TOC, sendo identificados em at&eacute; 70% dos casos entre crian&ccedil;as e adolescentes. Fatores desencadeantes relacionamse geralmente a per&iacute;odos de maior exig&ecirc;ncia: rompimentos afetivos, morte de pessoas pr&oacute;ximas, situa&ccedil;&otilde;es de maior solicita&ccedil;&atilde;o nos estudos, mudan&ccedil;a de domic&iacute;lio, etc<sup>9</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na maioria dos casos, o curso do TOC &eacute; cr&ocirc;nico e flutuante e o in&iacute;cio do quadro pode ser abrupto ou insidioso. Os sintomas obsessivocompulsivos tendem a variar bastante, tanto entre pacientes diferentes quanto em momentos distintos da evolu&ccedil;&atilde;o do quadro de um mesmo paciente. As crian&ccedil;as e os adolescentes s&atilde;o geralmente ainda mais sigilosos em rela&ccedil;&atilde;o aos sintomas do que os adultos<sup>3</sup>. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O TOC &eacute; caracterizado por pensamentos ou imagens (obsess&otilde;es) recorrentes, intrusivos e angustiantes, que v&atilde;o de encontro aos valores do indiv&iacute;duo. Os pensamentos obsessivos s&atilde;o usualmente confinados ao medo de contamina&ccedil;&atilde;o, medo de ferir os outros e a si mesmo, temas sexuais, pensamentos agressivos, religiosidade, quest&otilde;es de escr&uacute;pulo e busca incessante por simetria e exatid&atilde;o. As compuls&otilde;es s&atilde;o feitas numa tentativa de aliviar a desordem gerada pelos pensamentos obsessivos. Os mais comuns s&atilde;o lavagens e verifica&ccedil;&otilde;es. Mas tamb&eacute;m podem estar presentes as repeti&ccedil;&otilde;es, contagens e ordena&ccedil;&otilde;es<sup>10</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Outro sintoma que &eacute; de dif&iacute;cil investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; a evita&ccedil;&atilde;o. Na tentativa de evitar a ansiedade ou desconforto gerado em alguma situa&ccedil;&atilde;o, o paciente procura evitar que esta situa&ccedil;&atilde;o aconte&ccedil;a. Por exemplo, para evitar o desconforto causado pelo medo da contamina&ccedil;&atilde;o, o paciente pode evitar tocar em pessoas, ma&ccedil;anetas, ou at&eacute; mesmo pode querer usar luvas<sup>3</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O excesso de responsabilidade, supervaloriza&ccedil;&atilde;o do pensamento, preocupa&ccedil;&atilde;o excessiva sobre a import&acirc;ncia de controlar o pensamento alheio, supervaloriza&ccedil;&atilde;o do perigo, intoler&acirc;ncia e incerteza, e o perfeccionismo s&atilde;o avalia&ccedil;&otilde;es cognitivas cr&iacute;ticas no TOC<sup>19</sup>. Libby et al.<sup>10</sup> mostraram que jovens com TOC apresentaram maiores n&iacute;veis de responsabilidade excessiva que jovens com outros tipos de desordens de ansiedade em um grupo controle.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O diagn&oacute;stico &eacute; firmado de acordo com as caracter&iacute;sticas cl&iacute;nicas dos pacientes. Na fase inicial da instala&ccedil;&atilde;o do TOC, nem sempre os sintomas t&ecirc;m car&aacute;ter claramente obsessivo. Sintomas de ansiedade, sobretudo f&oacute;bicos, ou dist&uacute;rbios do humor, com manifesta&ccedil;&otilde;es depressivas ou certa disforia acompanhada de tens&atilde;o e irritabilidade, podem ser observados<sup>9</sup>. Ainda n&atilde;o existe nenhum exame laboratorial ou radiol&oacute;gico que seja patognom&ocirc;nico da doen&ccedil;a<sup>3</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com o Manual Diagn&oacute;stico e Estat&iacute;stico de Transtornos Mentais<sup>20</sup>, em sua 4a edi&ccedil;&atilde;o (DSM-IV-TR), da Associa&ccedil;&atilde;o Americana de Psiquiatria (APA), para o diagn&oacute;stico de TOC &eacute; necess&aacute;ria a presen&ccedil;a de obsess&otilde;es e/ou compuls&otilde;es, que causem acentuado sofrimento, consumam tempo (ao menos uma hora por dia) ou interfiram significativamente na rotina, funcionamento ocupacional (ou escolar) e atividades ou relacionamentos sociais habituais do indiv&iacute;duo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Crian&ccedil;as e adolescentes que, al&eacute;m do TOC, manifestam tiques cr&ocirc;nicos ou a s&iacute;ndrome de Tourette (ST) parecem constituir um grupo separado com caracter&iacute;sticas especificas de resposta ao tratamento, tanto cl&iacute;nicas quanto fenomenol&oacute;gicas. Este grupo caracteriza-se por uma idade mais precoce de aparecimento dos sintomas, com predomin&acirc;ncia do sexo masculino e um padr&atilde;o distinto de resposta ao tratamento. Os pacientes apresentam maior frequ&ecirc;ncia de transtornos de humor e de ansiedade do que pacientes com TOC ou ST isoladamente, indicando, portanto, maior gravidade<sup>21</sup>. De acordo com Coffey et al.<sup>22</sup>, pacientes com TOC e ST apresentaram taxas mais altas de comorbidade com transtornos de d&eacute;ficit de aten&ccedil;&atilde;o com hiperatividade, fobia social, tricotilomania e transtorno dism&oacute;rfico corporal, que as observadas nos pacientes com TOC, mas sem ST. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das mais recentes teorias envolvendo fatores de risco associados ao TOC correlaciona a ocorr&ecirc;ncia da infec&ccedil;&atilde;o estreptoc&oacute;cica precedendo quadro, por vezes transit&oacute;rio, de TOC e transtornos de tique (como ST) em crian&ccedil;as5. Foi proposto um subgrupo de TOC em crian&ccedil;as denominado PANDAS (Pediatric Autoimmune Neuropsychiatric Disorders Associated with Streptococal Infections), cuja preval&ecirc;ncia ainda &eacute; desconhecida. Autores prop&otilde;em a exist&ecirc;ncia de PANDAS tamb&eacute;m em adultos<sup>23</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muitas fam&iacute;lias sofrem por conta dos sintomas de crian&ccedil;as e adolescentes com TOC. Frequentemente, pais e familiares se tornam envolvidos nos comportamentos de neutraliza&ccedil;&atilde;o e compuls&otilde;es numa tentativa de aliviar o medo e a ansiedade que o paciente est&aacute; sentindo<sup>24</sup>. Quando o familiar participa diretamente do sintoma, dando condi&ccedil;&otilde;es para que o paciente realize a compuls&atilde;o, ele est&aacute;, sem perceber, refor&ccedil;ando este sintoma<sup>4</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Existe uma grande lat&ecirc;ncia entre o in&iacute;cio dos sintomas obsessivo-compulsivos e a busca por tratamento, em m&eacute;dia, s&atilde;o sete anos. Esta demora poderia ser parcialmente explicada pelo car&aacute;ter secreto e reservado dos sintomas, que faz com que os pacientes busquem ajuda apenas quando a intensidade do quadro tenha se acentuado a tal ponto que os familiares t&ecirc;m de intervir e acompanh&aacute;-los a um atendimento m&eacute;dico<sup>9</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tanto os Inibidores da Recapta&ccedil;&atilde;o da Serotonina (IRS) quanto as psicoterapias de base cognitiva e/ou comportamental t&ecirc;m tido resultados positivos no tratamento de crian&ccedil;as e adolescentes com TOC4. No entanto, o tratamento do TOC &eacute; dif&iacute;cil, apresentando baixos &iacute;ndices de remiss&atilde;o completa dos sintomas<sup>9</sup>. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A terapia cognitivo-comportamental (TCC) &eacute; atualmente a principal abordagem terap&ecirc;utica para pacientes mais jovens com TOC, uma vez que melhora os sintomas obsessivo-compulsivos e diminui o risco de reca&iacute;da ap&oacute;s a retirada da medica&ccedil;&atilde;o, devendo, portanto, ser considerada como tratamento de escolha na inf&acirc;ncia. O TOC &eacute; uma das desordens de ansiedade mais dif&iacute;ceis de tratar, com aproximadamente 50% dos jovens apresentando dificuldades persistentes, mesmo com a terap&ecirc;utica<sup>10</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B> Abordagem odontol&oacute;gica</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alguns aspectos do transtorno em crian&ccedil;as e adolescentes devem ser levados em considera&ccedil;&atilde;o pelos profissionais da odontologia. A observa&ccedil;&atilde;o de altera&ccedil;&otilde;es comportamentais durante o atendimento odontol&oacute;gico, associado ou n&atilde;o &agrave; presen&ccedil;a de sinais cl&iacute;nicos contribui favoravelmente para a detec&ccedil;&atilde;o do transtorno. Dessa maneira, o paciente pode ser encaminhado ao psic&oacute;logo e/ou psiquiatra e ser atendido de forma integral em uma fase mais precoce. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O primeiro aspecto a ser observado referese ao estado de ansiedade acentuada apresentado por este grupo de pacientes<sup>13</sup>. Essa ansiedade excessiva pode ocorrer at&eacute; mesmo num simples exame cl&iacute;nico rotineiro, sem que ainda haja qualquer interven&ccedil;&atilde;o invasiva. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A American Academy of Pediatric Dentistry<sup>20</sup> delineou dez m&eacute;todos de controle de ansiedade para uso em crian&ccedil;as, que podem tamb&eacute;m ser usados no atendimento odontol&oacute;gico daquelas que apresentam sintomas ou diagn&oacute;stico de TOC. S&atilde;o eles: controle verbal, dizer-mostrar-fazer, motiva&ccedil;&atilde;o positiva, distra&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-verbal, t&eacute;cnica da m&atilde;o sobre a boca, conten&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, seda&ccedil;&atilde;o consciente, &oacute;xido nitroso e anestesia geral. No caso do adolescente, a t&eacute;cnica do di&aacute;logo &eacute; considerada como a mais adequada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O uso de imagens positivas com tem&aacute;tica odontol&oacute;gica para crian&ccedil;as, momentos antes da consulta parece reduzir o seu n&iacute;vel de ansiedade em rela&ccedil;&atilde;o ao atendimento<sup>25</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando se reduz a ansiedade, obt&ecirc;m-se uma melhor coopera&ccedil;&atilde;o no tratamento, contribuindo para a melhor qualidade do mesmo. Para tanto, a escolha da t&eacute;cnica, por parte do profissional, vai depender da idade e do comportamento da crian&ccedil;a e do adolescente apresentados durante o atendimento. Algumas sess&otilde;es de condicionamento, principalmente se forem associadas &agrave; terapia cognitivo-comportamental s&atilde;o bastante eficientes para se obter a coopera&ccedil;&atilde;o do paciente. &Eacute; importante tamb&eacute;m se manter o contato com o terapeuta, caso o paciente j&aacute; esteja em tratamento, para observar a sua evolu&ccedil;&atilde;o e contribuir para a melhora dos sintomas, utilizando t&eacute;cnicas de atendimento adequadas ao quadro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Deve-se dar uma aten&ccedil;&atilde;o especial ao cuidado com a higieniza&ccedil;&atilde;o bucal, pois, dentre os comportamentos apresentados, os rituais de limpeza fazem parte de um dos sintomas mais comuns, como os rituais na escova&ccedil;&atilde;o dos dentes, onde o paciente pode passar horas para concluir a limpeza<sup>20</sup>. No entanto, nem sempre esse cuidado acentuado com a limpeza implica numa boa condi&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de bucal. Autores como Newman et al.<sup>26</sup> afirmaram que alguns pacientes podem exercer uma for&ccedil;a de escova&ccedil;&atilde;o excessiva, capaz de gerar recess&atilde;o gengival devido &agrave; abras&atilde;o dos tecidos gengivais. Al&eacute;m disso, as escova&ccedil;&otilde;es falhas e traum&aacute;ticas podem estar associadas a abras&otilde;es dent&aacute;rias. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essas les&otilde;es de abras&atilde;o apresentam um importante significado cl&iacute;nico odontol&oacute;gico pelo fato de serem irrevers&iacute;veis, causarem sensibilidade e destrui&ccedil;&atilde;o permanente da estrutura dental, podendo at&eacute; ocasionar fraturas dos elementos dentais. O cirurgi&atilde;o-dentista deve atentar para este sinal e suspeitar do transtorno precocemente, antes mesmo da instala&ccedil;&atilde;o completa dos sintomas que caracterizariam um poss&iacute;vel diagn&oacute;stico do transtorno. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando se existe a indica&ccedil;&atilde;o do tratamento farmacol&oacute;gico em crian&ccedil;as e adolescentes com TOC, as drogas mais utilizadas s&atilde;o os antidepressivos que inibem a recaptura de serotonina. Dentre eles, os ISRS (Inibidores seletivos da recapta&ccedil;&atilde;o de serotonina), principalmente a fluvoxamina, a fluoxetina, a sertralina, a paroxetina e o citalopram e os antidepressivos tric&iacute;clicos, tais como a clomipramina<sup>4</sup>. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A xerostomia, causada pelo uso de antidepressivos nestes pacientes, varia de acordo com a classe de cada medicamento. Usu&aacute;rios de Imipramina (antidepressivo tric&iacute;clico) se queixam mais frequentemente de xerostomia do que pacientes em uso de ISRS. Acredita-se que os antidepressivos tric&iacute;clicos diminuam o fluxo salivar, enquanto que os ISRS agem como agente secund&aacute;rio nesta diminui&ccedil;&atilde;o<sup>27</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fluxo salivar normal em todos os pacientes &eacute; respons&aacute;vel pelas condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de bucal com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; c&aacute;rie, doen&ccedil;a periodontal e halitose. No entanto, crian&ccedil;as e adolescentes que apresentam quadro de hipossaliva&ccedil;&atilde;o frequentemente se queixam de secura da boca e l&iacute;ngua, acompanhada ou n&atilde;o por ard&ecirc;ncia e perda do paladar. Em alguns casos, pode-se observar queilite angular, dificuldades ao falar, mastigar ou deglutir, al&eacute;m de um aumento da incid&ecirc;ncia de les&otilde;es de c&aacute;rie e doen&ccedil;a periodontal. Esta alta susceptibilidade &agrave;s infec&ccedil;&otilde;es, les&otilde;es cariosas rampantes e doen&ccedil;a periodontal se deve &agrave; modifica&ccedil;&atilde;o da microbiota bucal como resultado da redu&ccedil;&atilde;o do fluxo salivar<sup>28</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para o controle de algumas altera&ccedil;&otilde;es, como o aparecimento de les&otilde;es cariosas e gengivites, os cremes e g&eacute;is fluoretados, assim como agentes colut&oacute;rios anti-s&eacute;pticos devem ser prescritos. No caso dos pacientes acometidos por xerostomia, a avalia&ccedil;&atilde;o deve ser feita em intervalos de tempo menores, antes que aconte&ccedil;a a instala&ccedil;&atilde;o de qualquer quadro cl&iacute;nico relacionado &agrave; redu&ccedil;&atilde;o do fluxo salivar. Neste pacientes, deve-se haver um controle rigoroso da higiene bucal. As orienta&ccedil;&otilde;es devem vir desde a escolha de escovas macias, uso de cremes dentais fluoretados e fio dental, at&eacute; a correta t&eacute;cnica de escova&ccedil;&atilde;o, adequada a cada faixa et&aacute;ria<sup>18</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como de costume, antes da prescri&ccedil;&atilde;o de qualquer medicamento, o profissional deve observar poss&iacute;veis intera&ccedil;&otilde;es medicamentosas com as drogas que estes pacientes estejam utilizando para o tratamento do transtorno. Sabe-se que a clomipramina apresenta intera&ccedil;&otilde;es medicamentosas com antibi&oacute;ticos<sup>27</sup>. Tortamano, Armonia<sup>29</sup> citaram que alguns cuidados devem tomados em pacientes sob a vig&ecirc;ncia de antidepressivos quando da escolha da base anest&eacute;sica e do vasoconstrictor. Pode-se haver uma potencializa&ccedil;&atilde;o do efeito vasoconstrictor e o desencadeamento de uma crise hipertensiva. O ideal seria utilizar anest&eacute;sicos sem vasoconstrictores nos pacientes que fazem uso dessas medica&ccedil;&otilde;es durante o atendimento odontol&oacute;gico. Uma autoriza&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica por escrito para a realiza&ccedil;&atilde;o de procedimentos odontol&oacute;gicos e utiliza&ccedil;&atilde;o de medicamentos seria essencial nestes casos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Constipa&ccedil;&atilde;o, xerostomia, ins&ocirc;nia, nervosismo, e tremor foram relatados como rea&ccedil;&otilde;es adversas do uso de clomipramina. No entanto, esses efeitos podem ser sintomas pr&oacute;prios da ansiedade e depress&atilde;o que ocorrem no TOC<sup>30</sup>, o que poderia confundir o profissional. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Texeira &amp; Silva<sup>31</sup> preconizaram para o transtorno obsessivo-compulsivo em crian&ccedil;as e adolescentes, associado &agrave; psicoterapia cognitiva comportamental, a utiliza&ccedil;&atilde;o do antidepressivo inibidor seletivo da recapta&ccedil;&atilde;o de serotonina, cloridrato de sertralina, que apresentou efici&ecirc;ncia em estudos cl&iacute;nicos controlados com pacientes pedi&aacute;tricos, al&eacute;m de maior tolerabilidade, pelo perfil de poucos efeitos colaterais e seguran&ccedil;a nesse grupo de pacientes. De acordo com Argimon et al.<sup>32</sup>, para o tratamento de crian&ccedil;as e adolescentes com TOC, este tratamento combinado seria o mais indicado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo um estudo realizado pela Pediatric Obsessive-Compulsive Disorder Treatment Study Team<sup>33</sup>, a primeira escolha &eacute; a Terapia Cognitivo- Comportamental associada a um inibidor seletivo de recapta&ccedil;&atilde;o da serotonina. A segunda op&ccedil;&atilde;o de tratamento &eacute; apenas a Terapia Cognitivo- Comportamental. Sendo constatada a necessidade de terap&ecirc;utica medicamentosa, o inibidor de recapta&ccedil;&atilde;o da serotonina utilizado seria a fluoxetina. A frequ&ecirc;ncia na escolha desse medicamento se deve aos resultados satisfat&oacute;rios no tratamento de crian&ccedil;as e adolescentes com TOC e ao fato de seu custo ser acess&iacute;vel &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. A indica&ccedil;&atilde;o da dose di&aacute;ria &eacute; de 20 a 60mg. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na maior parte dos casos, especialmente na inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia, quando detectados precocemente, apenas a terapia cognitivocomportamental &eacute; necess&aacute;ria, podendo dispensar o uso de drogas e prevenir, assim, poss&iacute;veis intera&ccedil;&otilde;es medicamentosas<sup>32</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O trabalho educativo tamb&eacute;m &eacute; fundamental. Por isso, orienta&ccedil;&otilde;es aos familiares e aos pacientes, com o objetivo de esclarecer quest&otilde;es sobre o TOC, al&eacute;m de explicar atitudes da fam&iacute;lia que auxiliariam no tratamento, s&atilde;o essenciais para a melhora dos pacientes<sup>4,33</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Guedes<sup>34</sup>, a aus&ecirc;ncia de suporte profissional espec&iacute;fico para a fam&iacute;lia conduz &agrave; suposi&ccedil;&atilde;o de que ela age de maneira que n&atilde;o &eacute; planejada, sistem&aacute;tica e avaliada. Ao contr&aacute;rio, a a&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia &eacute; natural, intuitiva, inconsciente e emocional. Dessa forma, h&aacute; a necessidade de se considerar, de maneira exaustiva, as rela&ccedil;&otilde;es entre a fam&iacute;lia e o paciente para que se possa planejar e executar interven&ccedil;&otilde;es com alguma chance de sucesso.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B> CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</B></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   O tratamento odontol&oacute;gico, muitas vezes, est&aacute; associado a algum grau de ansiedade e medo por parte de crian&ccedil;as e adolescentes. Sabendo-se que o TOC &eacute; um transtorno de ansiedade, &eacute; natural que estes pacientes apresentem-se muito ansiosos durante uma consulta odontol&oacute;gica. Sendo assim, &eacute; de grande import&acirc;ncia que o odontopediatra tenha conhecimento de t&eacute;cnicas de controle de comportamento e ansiedade. Al&eacute;m disso, o profissional deve avaliar poss&iacute;veis intera&ccedil;&otilde;es com antibi&oacute;ticos, anest&eacute;sicos e vasoconstrictores, com o objetivo de minimizar os riscos para o paciente. O uso de antidepressivos frequentemente resulta em hipossaliva&ccedil;&atilde;o. O incentivo a uma boa higiene bucal (com vigil&acirc;ncia do respons&aacute;vel &agrave; compuls&atilde;o por limpeza) associado ao uso de cremes e g&eacute;is fluoretados, colut&oacute;rios anti-s&eacute;pticos e visitas frequentes ao dentista podem reduzir a incid&ecirc;ncia de les&otilde;es de c&aacute;rie rampantes, doen&ccedil;a periodontal e outros dist&uacute;rbios associados &agrave; defici&ecirc;ncia na produ&ccedil;&atilde;o de saliva. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s a primeira suspeita, por parte do odontopediatra, de sintomas de TOC nos pacientes, deve ser feito o encaminhamento ao psic&oacute;logo ou psiquiatra para o correto diagn&oacute;stico e tratamento do transtorno, contribuindo, assim, para que o atendimento do paciente seja integral e multidisciplinar.</font></p>       <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>REFER&Ecirc;NCIAS </B></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Weissman MM, Bland RC, Canino GJ, Greenwald S, Hwu HG, Lee CK, et al. The cross national epidemiology of obsessive compulsive disorder. The Cross National Collaborative Group. J Clin Psychiatry. 1994; 55 Suppl:5-10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=012965&pid=S1516-0939201100040000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Perlmutter SJ, Leitman SF, Garvey MA, Hamburger S, Feldman E, Leonard HL, et al. Therapeutic plasma exchange and intravenous immunoglobulin for obsessive-compulsive disorder and tic disorders in childhood. Lancet. 1999; 354:1153-8.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 3. Campos MCR. Estudo gen&eacute;tico familiar de crian&ccedil;as e adolescentes com transtorno obsessivocompulsivo (TOC) &#91;tese&#93;. S&atilde;o Paulo: Faculdade de Medicina da USP; 2004.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Ferr&atilde;o YA. Caracter&iacute;sticas cl&iacute;nicas do transtorno obsessivo-compulsivo refrat&aacute;rio aos tratamentos convencionais &#91;tese&#93;. S&atilde;o Paulo: Faculdade de Medicina da USP; 2004.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 5. Ronchetti R, B&ouml;hme ES, Ferr&atilde;o YA. A hip&oacute;tese imunol&oacute;gica no Transtorno Obsessivo- Compulsivo: revis&atilde;o de um subtipo (PANDAS) com manifesta&ccedil;&atilde;o na inf&acirc;ncia. Rev Psiquiatr. 2004; 26:62-9. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Pauls DL, Alsobrook JP II. The inheritance of obsessive-compulsive disorder. Child Adolesc Psychiatr Clin N Am.1999; 8:481-96.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 7. Arnold PD, Richter MA. Is obsessive compulsive disorder an auto-immune disease? CMAJ. 2001; 165:1353-8. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Del-Porto JA. Epidemiologia e aspectos transculturais do transtorno obsessivocompulsivo. Rev Bras Psiquiatr. 2001; 23(Supl 2):3-5. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Miranda MA, Bordin IA. Curso cl&iacute;nico e progn&oacute;stico do transtorno obsessivo-compulsivo. Rev Bras Psiquiatr. 2001; 23(Supl 2):10-2. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Libby S, Reynolds S, Derisley J, Clark S. Cognitive appraisals in young people with obsessive-compulsive disorder. J Child Psychol Psychiatry. 2004; 45:1076&ndash;84. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Pauls DL, Alsobrook JP, Goodman W, Rasmussen S, Leckman J. A family study of obsessivecompulsive disorder. Am J Psychiatry. 1995; 152:76&ndash;84. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Karno M, Golding JM. Obsessive compulsive disorder. In: Robins LN, Regier DA, editors. Psychiatric disorders in America: the epidemiologic catchment area study. New York: Free Press; 1991. p.204-19. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Swedo SE, Rapoport JL. Phenomenology and differential diagnosis of obsessive-compulsive disorder in children and adolescents. In: Rapoport JL, editor. Obsessive-compulsive disorder in children and adolescents. Arlington: Am Psychiatric Press; 1989. p.13-32. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Zohar AH. The epidemiology of obsessivecompulsive disorder in children and adolescents. Child Adolesc Psychiatr Clin N Am. 1999; 8:445- 60. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Hounie AG, Brotto SA, Diniz J, Chacon PJ, Miguel EC. Transtorno obsessivo-compulsivo: poss&iacute;veis subtipos. Rev Bras Psiquiatr. 2001; 23(Supl 2):13-6. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Campos MCR. Transtorno obsessivo-compulsivo de in&iacute;cio precoce e de in&iacute;cio tardio: caracter&iacute;sticas cl&iacute;nicas, psicopatol&oacute;gicas e de comorbidade &#91;disserta&ccedil;&atilde;o&#93;. S&atilde;o Paulo: Universidade de S&atilde;o Paulo; 1998.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 17. Hounie A. Transtornos do espectro obsessivocompulsivo e febre reum&aacute;tica: um estudo de transmiss&atilde;o familiar &#91;tese&#93;. S&atilde;o Paulo: Faculdade de Medicina da USP; 2003. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. Gonzalez CH. Estudo de fam&iacute;lias no transtorno obsessivo-compulsivo &#91;tese&#93;. S&atilde;o Paulo: Escola Paulista de Medicina da UNIFESP; 2003. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19. Obsessive Compulsive Cognitions Working Group. Cognitive assessment of obsessivecompulsive disorder. Behav Res Ther. 1997; 35:667&ndash;81.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 20. Americam Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorder, DSMIV- TR. 4th ed. (Text revision). Washington DC: American Psychiatric Press, 2000.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 21. Holzer JC, Goodman WK, McDougle CJ, Baer L, Boyarsky BK, Leckman JF et al. Obsessivecompulsive disorder with and without a chronic tic disorder: A comparison of symptoms in 70 patients. Br J Psychiatry. 1994; 464:469-73.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 22. Coffey BJ, Miguel EC, Biederman J, Baer L, Rauch SL, O'Sullivan RL, et al. Tourette's disorder with and without obsessive-compulsive disorder in adults: are they different? J Nerv Ment Dis. 1998; 186:201-6. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">23. Bodner SM, Morshed SA, Peterson BS. The question of PANDAS in adults. Biol Psychiatry. 2001; 49:807-10. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">24. Alonso P, Mench&oacute;n JM, Mataix-Cols D, Pifarr&eacute; J, Urretavizcaya M, Crespo JM, et al. Perceived parental rearing style in obsessive&ndash;compulsive disorder: relation to symptom dimensions. Psychiatry Res. 2004; 127:267&ndash;78. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">25. Fox C, Newton JT. A controlled trial of the impact of exposure to positive images of dentistry on anticipatory dental fear in children. Community Dent Oral Epidemiol. 2006; 34:455&ndash;9. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">26. Newman MG, Takei HH, Carranza FA. Periodontia cl&iacute;nica. 9a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2004. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">27. Kopittke L, G&oacute;mez R, Barros HMT. Opposite effects of antidepressants on unstimulated and stimulated salivary flow. Arch Oral Biol. 2005; 50:17-21. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">28. Grados M, Scahill L, Riddle MA. Pharmacotherapy in children and adolescents with obsessivecompulsive disorder. Child Adolesc Psychiatr Clin N Am. 1999; 8:617-34. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">29. Tortamano N, Armonia PL. Guia terap&ecirc;utico odontol&oacute;gico. 14a ed. S&atilde;o Paulo: Santos; 2001. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">30. Graeff FG. Aspectos neuroqu&iacute;micos: o papel da serotonina no TOC. Rev Bras Psiquiatr. 2001; 23(Supl 2):35-7. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">31. Teixeira GH, Silva FMBN. S&iacute;ndrome de Asperger e transtorno obsessivo-compulsivo em crian&ccedil;a de 12 anos de idade. Arq Bras Psiquiatr Neurol Med Leg. 2006; 100:51-3. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">32. Argimon IIL, Bicca MG, Rinaldi J. Transtorno obsessivo-compulsivo na adolesc&ecirc;ncia. Rev Bras Ter Cog. 2007; 3:15-9. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">33. Pedriatric Obsessive-Compulsive Disorder Treatment Study Team (POTS). Cognitivebehavioral therapy, sertraline, and their combination for children and adolescents with obsessive-compulsive disorder: the pediatric obsessive-compulsive disorder treatment study randomized controlled trial. J Am Med Assoc. 2004; 292: 1969-76. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">34. Guedes ML. Rela&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-paciente no transtorno obsessivo-compulsivo. Rev Bras Psiquiatr. 2001; 23(Supl 2):65-7.</font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="back"/></a><a href="#top"><img src="/img/revistas/aodo/v47n4/seta.jpg" border="0" align="absmiddle"/></a><b>Autor correspondente:</b>    <br>   Kl&eacute;cio de Andrade Alves    <br> Rua Quipap&aacute;, 352,201 &ndash; Iputinga    <br> CEP: 50800-080 - Recife - PE - Brasil</font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <br> E-mail: <a href="mailto:klecioalves@yahoo.com.br" target="_blank">klecioalves@yahoo.com.br</a></font></p>      <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em 22/05/2010 &ndash; Aceito em 17/09/2010</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
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