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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Learning gives human beings a privileged position in guiding the world and history, which requires the teacher to have an appropriate stance to this demand. Coherent with this premise, the aim of this study was to reflect about the relevance of class as a teacher's strategy to develop student learning. Class was understood as a specific scheduled time in which information is expressed by a teacher to a class of students in a school. For this, autobiographical narrative was chosen considering the experiences in which the author himself is the protagonist. Reports of experiences allowed observing the limitation of the class as a learning space, whether by excessive authoritarianism from the teacher as the great protagonist of the process, or the lack of motivation by students in building knowledge in this educational space. Therefore, it is urgent that the classes be transformed into living spaces, influencing a positive eagerness in students, conceived by teachers who are not just in school, but participating in the students' lives, contributing to the construction of a greater learning environment, as well as to the achievements and the uncertainties, seeking ways to respect the contradictory, sharing doubts and discovering possibilities, only possible for human minds.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right">&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="top"/></a><B>A import&acirc;ncia da aula</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>The importance of class</b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Luiz Roberto Augusto Noro<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup> Professor do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de Coletiva e do Departamento de Odontologia da UFRN    <br>       <br>     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     <br>     <br>     <br> </font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a href="#back">Correspond&ecirc;ncia para:</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A aprendizagem confere aos seres humanos uma posi&ccedil;&atilde;o privilegiada na condu&ccedil;&atilde;o do mundo e da hist&oacute;ria, o que exige do professor uma postura adequada a essa demanda. Coerente com essa premissa foi objetivo do presente estudo refletir sobre a pertin&ecirc;ncia da aula como estrat&eacute;gia para professores desenvolverem a aprendizagem dos alunos. Aula foi entendida como momento temporal espec&iacute;fico no qual s&atilde;o expostos determinados conte&uacute;dos previamente definidos por um professor, para uma turma de alunos, em estabelecimento de ensino. Para isso, optou-se metodologicamente pela investiga&ccedil;&atilde;o narrativa autobiogr&aacute;fica ao tomar-se como objeto de estudo experi&ecirc;ncias nas quais o pr&oacute;prio autor &eacute; o protagonista. Os relatos das viv&ecirc;ncias permitiram observar a limita&ccedil;&atilde;o da aula como espa&ccedil;o de aprendizado, quer pelo excesso de autoritarismo empregado pelo professor na condi&ccedil;&atilde;o de grande protagonista do processo, quer pela falta de est&iacute;mulo ao aluno em construir conhecimento nesse espa&ccedil;o pedag&oacute;gico. &Eacute; urgente, portanto, que as aulas sejam transformadas em espa&ccedil;os vivos, que provoquem a ansiedade positiva dos alunos, pensadas por professores que n&atilde;o simplesmente estejam na escola, mas que participem da vida do educando, contribuindo para a constru&ccedil;&atilde;o de uma esperan&ccedil;a maior tanto nas conquistas como nas incertezas, buscando caminhos que respeitem o contradit&oacute;rio, compartilhando d&uacute;vidas e descobrindo possibilidades, somente poss&iacute;veis para mentes humanas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>Descritores: </B>Aprendizagem. Docentes. Ensino. Educa&ccedil;&atilde;o.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>ABSTRACT</B> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Learning gives human beings a privileged position in guiding the world and history, which requires the teacher to have an appropriate stance to this demand. Coherent with this premise, the aim of this study was to reflect about the relevance of class as a teacher's strategy to develop student learning. Class was understood as a specific scheduled time in which information is expressed by a teacher to a class of students in a school. For this, autobiographical narrative was chosen considering the experiences in which the author himself is the protagonist. Reports of experiences allowed observing the limitation of the class as a learning space, whether by excessive authoritarianism from the teacher as the great protagonist of the process, or the lack of motivation by students in building knowledge in this educational space. Therefore, it is urgent that the classes be transformed into living spaces, influencing a positive eagerness in students, conceived by teachers who are not just in school, but participating in the students' lives, contributing to the construction of a greater learning environment, as well as to the achievements and the uncertainties, seeking ways to respect the contradictory, sharing doubts and discovering possibilities, only possible for human minds. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>Descriptors: </B>Learning, Faculty, Teaching, Education.</font> </p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>1 REFLEX&Otilde;ES PRELIMINARES</B> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Refletir sobre a forma&ccedil;&atilde;o obrigatoriamente remete a necessidade de identificar as principais estrat&eacute;gias a serem referencial para que ocorra o aprendizado, objetivo final do processo vivenciado cotidianamente por alunos e professores. A aprendizagem confere-se como uma das principais diferen&ccedil;as entre animais racionais (humanos) e os outros, o que coloca os primeiros numa posi&ccedil;&atilde;o privilegiada na condu&ccedil;&atilde;o do mundo e da hist&oacute;ria. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar disso, muito do que se realiza em algumas estrat&eacute;gias de ensino, te&oacute;rica-mente respons&aacute;veis pela aprendizagem, configuram-se como mero ato de fazer com que seres humanos repitam de forma mec&acirc;nica os preceitos definidos por professores, os quais muitas vezes, repassam nas atividades did&aacute;ticas, n&atilde;o apenas o conte&uacute;do de determinado tema, mas, o que &eacute; mais preocupante, ideologias e cren&ccedil;as que em muito destoam dos objetos propriamente ditos<sup>1</sup>. Isto ocorre uma vez que s&atilde;o legitimados pelo "poder do conhecimento" conferido aos professores pelo seu percurso acad&ecirc;mico, legalizados pela miss&atilde;o de serem agentes essenciais na constitui&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es de ensino, respeitados por sua arrog&acirc;ncia na rela&ccedil;&atilde;o com "seres (alunos) </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">inferiores". Isso, &eacute; claro, quando tratamos de pseudoprofessores. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando, entretanto, procuramos identificar sujeitos efetivamente comprometidos em desenvolver o ato educativo enquanto mecanismo de compartilhar viv&ecirc;ncias e conhecimentos, de forma fraterna e desprovida de vaidade, com perspectiva de respeitar o contradit&oacute;rio, capacidade de compartilhar as formula&ccedil;&otilde;es e conceitos daqueles que n&atilde;o necessariamente configuram-se como aluno, mas como aliado a proporcionar novas reflex&otilde;es, deparamos com a perspectiva de compreender e reconhecer o professor na sua ess&ecirc;ncia. O verdadeiro professor n&atilde;o tem como pretens&atilde;o amarrar os homens a si mesmos, mas procura elev&aacute;-los a patamares mais altos do que a si mesmos, quando apelam ao que existe em cada um deles, que &eacute; mais do alto do que eles mesmos<sup>2</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A atitude do professor tem sustenta&ccedil;&atilde;o quando consegue encantar o seu aluno, contribuindo para que aprenda a olhar o que ainda n&atilde;o foi visto ou olhar como se fosse novo, o j&aacute; conhecido<sup>3</sup>. As mesmas autoras ainda consideram que a forma&ccedil;&atilde;o do aluno se d&aacute; ao mesmo tempo e lugar em que se d&aacute; a forma&ccedil;&atilde;o do formador, num contexto no qual ambos se encontram na mesma dimens&atilde;o, permitindo uma aproxima&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a e respeito m&uacute;tuo<sup>3</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quanto tempo perde-se em atividades as quais deveriam ser potencialmente formuladoras de novas concep&ccedil;&otilde;es e saberes, preocupados, de um lado (professores) em ensinar preceitos com sustenta&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica absoluta, apesar da mutabilidade da ci&ecirc;ncia, e de outro (alunos) em memorizar conceitos, datas, fatos, f&oacute;rmulas, regras que viabilizem a continuidade prevista na progress&atilde;o para valida&ccedil;&atilde;o dos estudos que permita alcan&ccedil;ar novos est&aacute;gios na "pir&acirc;mide" educacional. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O presente estudo tem por objetivo refletir sobre a pertin&ecirc;ncia da aula como estrat&eacute;gia para professores desenvolverem a aprendizagem dos alunos, desenvolvido a partir do percurso do autor enquanto sujeito de processo educativo marcado por contradi&ccedil;&otilde;es e buscas, na pretens&atilde;o de refletir sobre os principais caminhos para a forma&ccedil;&atilde;o do professor, a partir de suas experi&ecirc;ncias no papel de estudante. A reconstitui&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria de vida &eacute; vista como transformadora e reconstituinte do sujeito, podendo servir para ressignificar suas experi&ecirc;ncias, saindo da posi&ccedil;&atilde;o de aliena&ccedil;&atilde;o frente &agrave; Hist&oacute;ria para assumir como agente de sua vida e da coletividade<sup>4</sup>. Sinalizam, para isso, os maiores diferenciais que permitiram um posicionamento sobre como alcan&ccedil;ar a miss&atilde;o de fazer de cada momento um mecanismo no qual a aprendizagem seja decorrente da responsabilidade da constru&ccedil;&atilde;o de um mundo mais igualit&aacute;rio, a partir da a&ccedil;&atilde;o reflexiva como mecanismo de aproxima&ccedil;&atilde;o natural entre professores e estudantes, sem necessariamente uma rela&ccedil;&atilde;o hier&aacute;rquica claramente marcada por esta dimens&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B> 2 PERCURSO METODOL&Oacute;GICO</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Para desenvolvimento deste estudo optou-se metodologicamente pela investiga&ccedil;&atilde;o narrativa autobiogr&aacute;fica, caracterizada como pesquisa da experi&ecirc;ncia vivida, ao tomar-se como objeto de estudo uma experi&ecirc;ncia na qual o pr&oacute;prio autor &eacute; o protagonista. As autobiografias em sentido estrito s&atilde;o textos que narram vidas, independentemente de um car&aacute;ter mais ou menos pessoal, &iacute;ntimo, profissional ou p&uacute;blico<sup>5</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As narrativas autobiogr&aacute;ficas visam &agrave; reconstitui&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria de si pr&oacute;prio, o que possibilita o encontro do narrador com o seu "eu" e com os v&aacute;rios "eus" de sua personagem<sup>6</sup>. Assim como os acontecimentos da vida, inconclusos e singulares, s&atilde;o tamb&eacute;m os fatos que ocorrem na escola, n&atilde;o repet&iacute;veis e inacabados<sup>6</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pesquisa em educa&ccedil;&atilde;o com abordagem qualitativa nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas vem adotando as narrativas autobiogr&aacute;ficas como estrat&eacute;gia investigativa uma vez que possibilita que o professor seja ao mesmo tempo sujeito e objeto do estudo, permitindo que a investiga&ccedil;&atilde;o e a forma&ccedil;&atilde;o aconte&ccedil;am simultaneamente<sup>7</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tal metodologia remete &agrave;s dimens&otilde;es singulares da vida, especialmente no presente estudo na rela&ccedil;&atilde;o do autor com a escola, n&atilde;o existindo f&oacute;rmulas ou receitas absolutamente seguras para se prosseguir nela, uma vez que, cada pesquisa constr&oacute;i sua 'ci&ecirc;ncia' e gera sua pr&oacute;pria estrat&eacute;gia metodol&oacute;gica<sup>8</sup>, em especial ao se buscar um equil&iacute;brio entre a sensibilidade, expressa pelo ato vivido pelo autor e a raz&atilde;o, a qual d&aacute; significado ao ato propriamente dito<sup>9</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Buscou-se no estudo, a "decifra&ccedil;&atilde;o" do passado, a partir de sentidos inacab&aacute;veis mantidos na mem&oacute;ria, para que sejam evitadas as inadequa&ccedil;&otilde;es desse per&iacute;odo, evitando sua repeti&ccedil;&atilde;o no futuro<sup>10</sup>. As narrativas aqui desenvolvidas est&atilde;o veiculadas aos grupos sociais (fam&iacute;lia e escola) com o qual o autor conviveu e convive<sup>11</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Indo ao encontro do proposto por Souza<sup>12</sup> a escrita da presente narrativa nasceu a partir dos questionamentos do autor sobre "o sentido de sua vida, suas aprendizagens, suas experi&ecirc;ncias e implica reflex&otilde;es ontol&oacute;gicas, culturais e valorativas". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, a partir da reflex&atilde;o desenvolvida pelo autor, foi poss&iacute;vel resgatar a pr&oacute;pria vida, permitindo que esta reconstitui&ccedil;&atilde;o enquanto sujeito, possibilitasse reconstituir seu tempo, sua hist&oacute;ria e sua cultura<sup>13</sup>. Com este processo foi poss&iacute;vel ao autor teorizar a pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia a partir da releitura do escrito, reconstruindo a trajet&oacute;ria e dando &agrave; mesma, novos significados<sup>11</sup>. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entretanto, &eacute; fundamental lembrar que, a conviv&ecirc;ncia de tempos diferentes em que o autor produz o seu registro escrito, impregna e torna-se inerente &agrave; escrita autobiogr&aacute;fica, o que sinaliza para a necessidade de que a leitura desse material seja realizada com muito senso cr&iacute;tico<sup>14</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerando a ideia de trabalhar-se com uma abordagem metodol&oacute;gica de narrativa autobiogr&aacute;fica este estudo partiu do pressuposto que a aula &eacute; classicamente entendida como o momento temporal espec&iacute;fico, no qual s&atilde;o expostos determinados conte&uacute;dos previamente definidos, por um professor, para uma turma de alunos, em estabelecimento de ensino.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B> 3 PERCURSO REFLEXIVO</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">  A cada dia, quando acordo, penso no que poderei aprender e procuro refletir sobre tudo o que aprendi ao longo da vida. N&atilde;o cheguei aqui &agrave; toa! Sem d&uacute;vida aprendi muito e tudo o que sei serve para alertar minha consci&ecirc;ncia sobre o quanto n&atilde;o sei e, principalmente, o que ainda espero aprender. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os conceitos sobre comunismo e socialismo em longos di&aacute;logos-mon&oacute;logos com o Alberto, numa &eacute;poca em que meu grande interesse era a sua filha. O que poderia ser um momento de mera escuta, transformava-se num espa&ccedil;o de reflex&atilde;o e necessidade da busca de novos conhecimentos para poder participar ativamente de um aprendizado que me levaria a trilhar um caminho de formar meus filhos na l&oacute;gica da busca da justi&ccedil;a social, do respeito ao direito dos outros, do desafio de um mundo menos individualista. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Li&ccedil;&otilde;es sem giz ou lousa, sem necessidade de decoreba e muito menos nota para "provar" que houvera aprendido o suficiente para ser promovido. Estes momentos faziam-me questionar, n&atilde;o sem certa revolta, o que aprendi naquelas aulas de Hist&oacute;ria intermin&aacute;veis, sem qualquer refer&ecirc;ncia &agrave; vida, ao mundo; apenas datas, personagens, fatos est&aacute;ticos a preencherem o caderno &aacute;vido pela escrita cada vez menos leg&iacute;vel, t&atilde;o bem treinada nos cadernos de caligrafia. Um ac&uacute;mulo de informa&ccedil;&otilde;es sem conex&atilde;o com a realidade e o real papel da compreens&atilde;o do que seres humanos contribu&iacute;ram ou n&atilde;o para transforma&ccedil;&otilde;es amplas e capazes de unir as pessoas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas n&atilde;o foram estes os meus primeiros aprendizados. Nestes, minhas grandes professoras foram minha m&atilde;e e a dela. Momentos, sempre repletos de amor e cuidado, ensinavam-me a import&acirc;ncia do respeito ao pr&oacute;ximo, da pertin&ecirc;ncia da verdade, da humildade, da dignidade, do sentido de fam&iacute;lia. Lembro-me aqui, tamb&eacute;m, da Dona Salete, minha ultra-afetiva professora </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">do pr&eacute;-prim&aacute;rio (naquele tempo, era assim) no qual cada aula servia para pintar, brincar, aprofundar a socializa&ccedil;&atilde;o com os colegas, desenvolver a coordena&ccedil;&atilde;o motora. Com isto aprendi que n&atilde;o estava sozinho no mundo e que eu n&atilde;o era o seu centro. Muito mais: meu papel deveria ser de algu&eacute;m que pudesse contribuir com ele para sua melhora e a minha. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Surge, ent&atilde;o, a "necessidade" de aprender a ler e escrever. Habilidades absolutamente necess&aacute;rias a qualquer movimento que pretenda incluir no mundo o mais b&aacute;sico dos direitos humanos: a liberdade. Exercitar a liberdade depende do quanto o telenc&eacute;falo presente nos c&eacute;rebros humanos &eacute; capaz de, a partir de referenciais e viv&ecirc;ncias, identificar o que deve ser transformado em aprendizagem daquilo que pouco traz de contribui&ccedil;&atilde;o ao mundo. O caminho foi suave, pois Dona Ruth o trilhou da forma mais leve poss&iacute;vel, preocupada em demonstrar que apesar de "Lulu ter visto a uva", dever&iacute;amos prestar aten&ccedil;&atilde;o para outras coisas no mundo, para al&eacute;m das uvas. Nesta fase, &eacute; fundamental que as habilidades aprendidas em outras anteriores se consolidem. Tive grandes companheiras para isto (Dona Cleonice, Dona Teresinha, Dona Altiva, Dona Filomena) prontas para distribuir o carinho e sabedoria necess&aacute;rios para permitir meu gosto pelo estudo. Todas, junto com Dona Teresinha (de Santos) foram essenciais no, &agrave; &eacute;poca, Ensino Prim&aacute;rio. Sem d&uacute;vida, o Prim&aacute;rio, t&atilde;o desvalorizado e fundamental (quanto a Aten&ccedil;&atilde;o Prim&aacute;ria em Sa&uacute;de) permitiu que a escola fosse al&eacute;m de um local para assistir aula e sair correndo para o recreio. Tive momentos privilegiados de aprendizado, entretanto, quando em algumas ocasi&otilde;es, minhas afetivas professoras buscavam a formaliza&ccedil;&atilde;o da aula, identificava na estrat&eacute;gia marcada pela mera transmiss&atilde;o de conte&uacute;dos, seus limites. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aos onze anos, subindo a serra de volta, deparo-me com a primeira disputa para sobreviver no mundo dos pretendentes a "letrados". Sim, na &eacute;poca, n&atilde;o era suficiente querer estudar. Era preciso enfrentar o primeiro desafio seletivo, encarnado no Exame de Admiss&atilde;o. Ou seja, para voc&ecirc; ser admitido no 1&ordm; ano do gin&aacute;sio (atual 5&ordf; s&eacute;rie) em escola p&uacute;blica era necess&aacute;rio superar outros que tinham o mesmo desejo (ou sonho, ou esperan&ccedil;a, ou pretens&atilde;o). Na verdade, o princ&iacute;pio que aparentemente prevalecia na &eacute;poca era o de quanto menos gente na escola, menos movimentos que pudessem levar a relacionar coisas, ensaiar uma reflex&atilde;o, questionar injusti&ccedil;as, desafiar o "status quo". Em fun&ccedil;&atilde;o disso, o acesso era restrito a uma minoria que n&atilde;o tinha tanto do que reclamar, nem se preocupava em relacionar coisas ou ensaiar reflex&atilde;o (o m&aacute;ximo que ensaiei, no gin&aacute;sio, foi para a quadrilha da festa junina). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na &eacute;poca, entretanto, nada disso passava na minha cabe&ccedil;a. Queria ser melhor que os outros para ser aprovado e continuar com os estudos que me garantissem a continuidade do caminho idealizado para qualquer crian&ccedil;a de classe m&eacute;dia. Com isso, descobri depois, poderia trilhar uma profiss&atilde;o que me inserisse no mercado de trabalho. Na verdade, meu maior medo era frustrar minha m&atilde;e, que sempre acreditava na minha capacidade em tirar notas. Mas exame? Para dar uma ajudinha, fiz um "refor&ccedil;o escolar" (aulas extras) para o Exame de Admiss&atilde;o no qual foi fundamental aquela aula de... </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar do pouco aprendizado, o esfor&ccedil;o do "refor&ccedil;o" contribuiu para eu acertar um n&uacute;mero suficiente de quest&otilde;es, as quais permitiram minha continuidade no percurso escolar, na condi&ccedil;&atilde;o de aluno. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vencido o desafio, come&ccedil;a o terror. Encarar v&aacute;rias disciplinas ministradas por v&aacute;rios professores era a diferencia&ccedil;&atilde;o dos meninos que antes iam de cal&ccedil;&atilde;o para a escola. Come&ccedil;ar um dia com uma aula de Matem&aacute;tica, passar para uma de Ci&ecirc;ncias, emendar uma de Franc&ecirc;s, voltar do recreio para encarar Hist&oacute;ria e finalizar com Geografia, sem qualquer liga&ccedil;&atilde;o entre elas, era um grande labirinto cognitivo. Seria, entretanto, injusto com alguns reais professores se n&atilde;o reconhecesse o papel deles na minha forma&ccedil;&atilde;o. Entretanto, grande parte das viv&ecirc;ncias no ambiente escolar se distanciava muito de qualquer perspectiva de processo educativo. Em especial, mas n&atilde;o &uacute;nica, a constante inseguran&ccedil;a em atingir a m&eacute;dia, para conseguir aprova&ccedil;&atilde;o em cada uma das disciplinas, a maioria com baix&iacute;ssima perspectiva de aprendizado (e tive que ser admitido para isso). Mas tive aulas inesquec&iacute;veis como aquela de... </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre as v&aacute;rias sess&otilde;es de tortura, recordo a maluquice de fazer festa pela aus&ecirc;ncia do professor para aplicar a prova de Desenho (fundamental para minha forma&ccedil;&atilde;o) quando, faltando 20 minutos para acabar o tempo da tal prova aparece o ultrajovial professor comunicando que far&iacute;amos a prova. Pestinha (n&atilde;o tinha esse apelido por acaso) bradou um revoltado "N&atilde;o &eacute; justo!" absurdamente corajoso para a &eacute;poca. O jovem professor, sem pestanejar respondeu "A justi&ccedil;a aqui sou eu!". Compara&ccedil;&otilde;es com os dias atuais n&atilde;o guardam qualquer rela&ccedil;&atilde;o... </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E vamos fazer a prova de uma &uacute;nica quest&atilde;o: escrever a palavra "Tchecoslov&aacute;quia" (acho que era assim que se escrevia) em um tipo de letra que n&atilde;o levava menos de 5 minutos para confec&ccedil;&atilde;o de cada uma. Tive que me contentar com a sauda&ccedil;&atilde;o ga&uacute;cha, a qual, entretanto, me deixou com uma nota 2,5 (em 10) na primeira prova depois da Admiss&atilde;o. Resultado: terei que estudar muito Desenho para compensar nos bimestres seguintes, para n&atilde;o ficar de exame, ou o pior, a temida 2&ordf; &eacute;poca. Mas isso ser&aacute; fundamental para a minha vida, pois nas aulas de Desenho aprendi tudo sobre... </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas v&aacute;rias aulas contribu&iacute;ram para elementos fundamentais em minha forma&ccedil;&atilde;o, ao imporem que eu memorizasse as capitanias heredit&aacute;rias, os &oacute;rg&atilde;os reprodutores das gimnospermas, a f&oacute;rmula de Bhaskara, o ciclo de vida da <i>Taenia Solium</i> (e da <i>Saginata</i>), os afluentes do Rio Amazonas, as obras de Cruz e Souza (ou seria Silva?), a an&aacute;lise sint&aacute;tica, com quantos carbonos se faz uma boa c&oacute;pia (era Qu&iacute;mica ou Portugu&ecirc;s?), a tundra e a taiga. Enfim, todas as aulas que frequentei para "aprender" isso foram maravilhosas, pois passei por m&eacute;dia em todas as disciplinas. Foram, portanto, essenciais para minha progress&atilde;o. Entretanto, n&atilde;o me lembro de mais nada de nenhum destes temas. Mas aprendi muito naquela aula de... </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entretanto, momentos tensos como a devolutiva da nota, entrega de trabalhos no prazo, levantar para cantar o Hino Nacional (o da Rep&uacute;blica, o da Bandeira, o da Independ&ecirc;ncia), passar uma aula toda em p&eacute; para compreender o respeito ao professor, assistir aula com um imoral professor de Educa&ccedil;&atilde;o Moral e C&iacute;vica, foram marcantes para o aprendizado da "disciplina", fundamental para sobreviver &agrave; &eacute;poca. Hoje, gostaria que meus filhos n&atilde;o precisassem ter este tipo de aprendizado. Mas, ao longo do gin&aacute;sio, lembro-me perfeitamente que teve uma aula muito importante sobre... </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tive aulas de Hist&oacute;ria, Portugu&ecirc;s, F&iacute;sica (o livro era autoinstrutivo...), Geografia, Matem&aacute;tica, Ingl&ecirc;s (ainda bem que minha m&atilde;e me matriculou numa escola particular de Ingl&ecirc;s antes), Artes etc. Como um aluno padr&atilde;o, me "virava" relativamente bem em todas, que me estimulavam a estudar pelo desafio de tirar uma boa nota e passar por m&eacute;dia. Muito do que li neste tempo pouco contribuiu para meu aprendizado. Mas serviu para ter notas aceit&aacute;veis na caderneta, o que era suficiente para que meus pais acreditassem que eu estava aprendendo, apesar de frequentar cotidianamente cada uma daquelas aulas que expunham cartesianamente o "conhecimento" do professor. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O percurso no ensino m&eacute;dio n&atilde;o foi diferente, uma vez que permaneceria na mesma escola que era uma refer&ecirc;ncia das escolas estaduais do bairro. E, creio, n&atilde;o seria diferente em nenhuma outra. Na realidade, dei muita sorte, pois a minha escola, naquele preciso ano, passou a ofertar apenas o ensino m&eacute;dio. Sorte de um lado, azar do outro: por esta caracter&iacute;stica, foi necess&aacute;rio um exame para selecionar os alunos que ingressariam (ou permaneceriam) na escola uma vez que passou a ser uma das poucas a ofertar esta modalidade na regi&atilde;o. Mais uma vez os conte&uacute;dos memorizados foram suficientes para me manter no meu percurso cognitivo. E haja aula... </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tamanho excesso de informa&ccedil;&atilde;o (e falta de forma&ccedil;&atilde;o) fazia que os jovens da &eacute;poca, &aacute;vidos para ingressar na Universidade, se empolgassem em incorporar armas de &uacute;ltima gera&ccedil;&atilde;o para um novo combate seletivo: o vestibular. Esta arma terrivelmente mortal chamava-se "cursinho" (no diminutivo). Sem d&uacute;vida, a m&iacute;dia televisiva colocava estes "espa&ccedil;os de ensino" como fundamentais para encarar o vestibular, em especial para quem n&atilde;o houvera frequentado escolas de renome habitadas pela elite. Para estes, n&atilde;o havia necessidade de cursinho. Mas eles os frequentavam, para garantir... </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quantas aulas tive no cursinho! Professores s&eacute;rios, outros nem tanto, mas todos com o mesmo intuito: instrumentalizar o cliente com o que houvesse de mais letal para arrasar qualquer advers&aacute;rio. Qualquer ingresso era lucro, para aparecer no "outdoor" ou na mat&eacute;ria da televis&atilde;o, muito bem paga pelo dono do cursinho (o retorno era garantido) e realizada pelos marqueteiros do ufanismo. Quem acreditava no esquema se transformava num escravo das apostilas e dos simulados, invariavelmente realizados nos s&aacute;bados &agrave; noite ou nos domingos pela manh&atilde; (no meu caso, era poss&iacute;vel escolher...). De tudo que frequentei ao longo de um longo ano de cursinho, lembro-me muito daquela aula de... </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E para prestar o vestibular, num mundo capitalista, &eacute; essencial pensar na inser&ccedil;&atilde;o do mercado de trabalho. E para isto &eacute; fundamental escolher uma profiss&atilde;o, numa fase da vida em que outras incertezas se acumulam a esta. Mas, como a expectativa de vida era por volta dos 60 anos, era importante definir logo. No percurso para a escolha da profiss&atilde;o, pela experi&ecirc;ncia j&aacute; relatada, &eacute; &oacute;bvio concluir que poucas contribui&ccedil;&otilde;es tirei da escola ou do cursinho. O sofrimento com a perda precoce dos dentes dec&iacute;duos, o contato frequente com o ru&iacute;do do motor de alta rota&ccedil;&atilde;o e a dor da remo&ccedil;&atilde;o da dentina cariada, a ang&uacute;stia dos el&aacute;sticos a separarem os dentes e as les&otilde;es provocadas pelos "brackets" me levaram &agrave; perspectiva de aprender uma profiss&atilde;o para autoprote&ccedil;&atilde;o: Odontologia. Talvez eu pudesse contribuir para que outros, que passavam pelos mesmos traumas, pudessem ter este percurso doloroso minimizado pela minha interven&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E eis que, na terceira grande "guerra seletiva" (naquele momento, deixei muita gente para tr&aacute;s), tenho uma das maiores conquistas da minha vida: o ingresso na institui&ccedil;&atilde;o de ensino superior mais respeitada e reconhecida da Am&eacute;rica Latina, qual seja, a Universidade de S&atilde;o Paulo. Mas com uma pequena ressalva: venci a guerra, mas n&atilde;o a batalha de uma nota que me sustentasse em uma das 80 vagas para fazer o curso em S&atilde;o Paulo, capital. Fui parar em Ribeir&atilde;o Preto, num campus e cidade que viabilizaram muito mais aprendizado que os longos dias dentro de salas de aula, laborat&oacute;rios e cl&iacute;nicas de ensino, qual seja, os espa&ccedil;os formais de ensino. Por conta disso, pouco pude contribuir em minimizar os problemas dent&aacute;rios da popula&ccedil;&atilde;o. A preocupa&ccedil;&atilde;o com os microganismos gram positivos (e os negativos, tamb&eacute;m), a fase gama 2 do am&aacute;lgama, a import&acirc;ncia do ducto col&eacute;doco, a f&oacute;rmula do EDTA, entre outros, n&atilde;o deixavam muito espa&ccedil;o para esta outra formula&ccedil;&atilde;o. Aliado a estes conte&uacute;dos fundamentais para a forma&ccedil;&atilde;o de um cirurgi&atilde;o-dentista, outro papel fundamental da gradua&ccedil;&atilde;o era o de treinar as m&atilde;os para desenvolver habilidade motora. E assim, a cera, o gesso, o hollemback, a resina, a habilidade no manuseio de uma seringa carpule e de um motor de alta-rota&ccedil;&atilde;o tornamse elementos mais importantes do que qualquer reflex&atilde;o sobre o papel de um profissional para a sociedade. Em fun&ccedil;&atilde;o da falta desta articula&ccedil;&atilde;o com minha perspectiva de contribuir para redu&ccedil;&atilde;o do sofrimento por dor de dente, vibrei muito na minha gradua&ccedil;&atilde;o naquela aula de... </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E como o mundo n&atilde;o para, &eacute; importante acumular mais conhecimento para entrar no mundo do trabalho. Nesta fase, as contribui&ccedil;&otilde;es na gradua&ccedil;&atilde;o s&atilde;o fundamentais... Como transformar a trajet&oacute;ria tradicional de profiss&atilde;o liberal da Odontologia em algo que permitisse uma melhor sa&uacute;de bucal, n&atilde;o apenas para quem pudesse pagar. Por que cada dia era igual ao outro na Unidade de Sa&uacute;de onde trabalhava, sem acontecer nada que pudesse sinalizar um avan&ccedil;o? Por que aprendi t&eacute;cnicas na gradua&ccedil;&atilde;o, incompat&iacute;veis com quem n&atilde;o podia pagar por elas ou com pouca resolutividade para os problemas bucais da grande maioria da popula&ccedil;&atilde;o? Enfim, quantas oportunidades tive ao longo da gradua&ccedil;&atilde;o, em um curso de institui&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de educa&ccedil;&atilde;o superior, refer&ecirc;ncia mundial em ensino de Odontologia, para fazer estas reflex&otilde;es? S&oacute; mesmo naquela aula de... </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E quando menos espero, entre as v&aacute;rias perspectivas, vislumbro na Sa&uacute;de Coletiva a grande possibilidade de me transformar em um profissional importante para a sociedade. Isto somente se materializou pouco mais de cinco anos depois de "formado". O aprendizado conquistado na observa&ccedil;&atilde;o da dificuldade do acesso das pessoas ao atendimento odontol&oacute;gico, da necessidade de utiliza&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos coletivos para preven&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as bucais, da evid&ecirc;ncia da import&acirc;ncia da pol&iacute;tica na defini&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias, direcionou-me para a &aacute;rea. Para isto foi fundamental, na gradua&ccedil;&atilde;o, aquela aula de... </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesta fase, tive realmente grandes professores! Compartilhavam sem ego&iacute;smo e sem necessidade de um p&uacute;lpito seus conhecimentos, viv&ecirc;ncias e percep&ccedil;&otilde;es. Aprendizado baseado na d&uacute;vida, no contradit&oacute;rio, no fogo, no desafio da busca e da necessidade de aprofundamento. Sem datashow (ou qualquer outro show), sem quadro branco ou cadeiras perfeitamente enfileiradas. Reuni&otilde;es de trabalho transformavam-se em semin&aacute;rios, articula&ccedil;&atilde;o com a popula&ccedil;&atilde;o virava mesa-redonda, depoimentos de usu&aacute;rios ganham "status" de Confer&ecirc;ncia. Estas rela&ccedil;&otilde;es permitem minha primeira experi&ecirc;ncia em compreender melhor o porque de tanta indigna&ccedil;&atilde;o com momentos que deveriam ser de festa pelo acesso ao conhecimento. Fui selecionado para participar de uma "Capacita&ccedil;&atilde;o Pedag&oacute;gica" no &acirc;mbito da Secretaria Municipal de Sa&uacute;de e, muito diferente da minha expectativa (aprender a dar aula), tive oportunidade de refletir sobre como as pessoas aprendem (ou n&atilde;o). E n&atilde;o eram aulas! Eram momentos de discuss&atilde;o que jamais houvera vivenciado, em qualquer um dos espa&ccedil;os formais de educa&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Passo a perceber que existem outros professores perfeitamente alinhados &agrave; perspectiva da educa&ccedil;&atilde;o como estrat&eacute;gia para defesa dos mais valorosos sentidos humanos. E estava em casa, o meu referencial deste tipo de professor, ou melhor, Professora, a me privilegiar em todo momento com seu mais puro esp&iacute;rito de aprendizado baseado no amor e na cumplicidade. Professora preocupada com a ess&ecirc;ncia de compreender o aluno como agente transformador da sua realidade e da comunidade na qual est&aacute; envolvido, &aacute;vida pela justi&ccedil;a social e sempre pronta para escutar a ang&uacute;stia dos alunos. Sua ess&ecirc;ncia crist&atilde;, residente em cada frase budista, conquista o mais atento de seus alunos. Sua autenticidade provida de reflex&otilde;es e carinho permite a mim que a cada momento ocorra um novo aprendizado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dentre estas reflex&otilde;es e aprendizado, surge a proposta de mudar o rumo da vida. Sair de uma cidade com mais de dez milh&otilde;es de habitantes, centro do "progresso" e da tecnologia, para uma cidade nordestina, t&atilde;o pouco valorizada e reconhecida pela grande maioria dos mais cultos e financeiramente bem-sucedidos do "centro". A busca tinha como princ&iacute;pio vislumbrar novos desafios, talvez permitindo distintas experi&ecirc;ncias das vivenciadas at&eacute; ent&atilde;o. Novas possibilidades, novos caminhos, novas incertezas num percurso que inclu&iacute;a um cirurgi&atilde;o-dentista, uma Professora (sim, com P mai&uacute;sculo) e uma pequena inspira&ccedil;&atilde;o, com pouco mais de um ano de idade. Incertezas, sonhos, perspectivas e frustra&ccedil;&otilde;es conviviam de forma harm&ocirc;nica ao longo dos primeiros dias (meses), em especial pelo percurso ter sido feito sem planejamento estruturado. Mediado e incentivado pela possibilidade de novas experi&ecirc;ncias, n&atilde;o foram poucos, entretanto, os momentos de questionamento sobre a op&ccedil;&atilde;o escolhida. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estranhamente, nesta peculiar mudan&ccedil;a de vida, o dentista muito envolvido com gest&atilde;o em sa&uacute;de coletiva, ao ver fecharem-se as portas para continuidade de sua potencial voca&ccedil;&atilde;o (ou afinidade) toma um rumo que traz uma perspectiva jamais imaginada ao passar em processo seletivo para assumir um posto de professor substituto na Universidade Federal do Cear&aacute;. Ainda desfigurado, uma vez que a &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o sinalizada nesta ocasi&atilde;o referia-se a pr&aacute;tica odontol&oacute;gica muito anterior ao investimento de aprofundamento em sa&uacute;de coletiva, absolutamente marcado pela necessidade de sobreviv&ecirc;ncia no mercado de trabalho. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dando um novo passo ao que se transformaria num novo rumo na vida, o exdentista, iniciante como professor substituto de Dent&iacute;stica, aceita ocupar uma vaga como professor de sa&uacute;de coletiva (ah, o destino) em uma Universidade privada (destino?). Nesta trilha, as dicotomias Odontologia/Sa&uacute;de Coletiva, p&uacute;blico/ privado, ensino/servi&ccedil;o v&atilde;o moldando um novo caminho, o qual tem habitado minhas maiores esperan&ccedil;as em contribuir com meu mundo, ao meu tempo, na perspectiva da carreira docente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> E, natural ao exerc&iacute;cio profissional escolhido surge a necessidade de fazer um curso de mestrado, para aprender a ser professor, conforme ficou muito claro naquela aula de... Acreditei que o Mestrado em Sa&uacute;de P&uacute;blica me faria um Mestre. Parecia meio natural, n&atilde;o? Mas n&atilde;o &eacute; bem a realidade, uma vez que em nenhum momento do Mestrado fui estimulado a qualquer discuss&atilde;o relativa &agrave; pr&aacute;tica docente ou estrat&eacute;gias para facilitar o aprendizado de alunos. Ali&aacute;s, no Doutorado o mesmo aconteceu. Entretanto, neste espa&ccedil;o isso j&aacute; era previsto, considerando que o Doutor deve investir em ser um pesquisador (outra dimens&atilde;o de excel&ecirc;ncia do professor) e sua forma&ccedil;&atilde;o docente foi desenvolvida ao longo do Mestrado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Compreender o respeito aos saberes do estudante, assumir a inconcretude do professor, construir o conhecimento a partir da realidade t&ecirc;m se configurado como enormes desafios na condu&ccedil;&atilde;o do meu percurso acad&ecirc;mico. Como abordar aquele assunto para que os alunos possam efetivamente ver sentido naquela aula, ou naquele momento &uacute;nico capaz de encantar ou desencantar, dependendo da abordagem. Quando vejo meu filho, com toda possibilidade de aprender, n&atilde;o identifico como a escola opera seu papel. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Passar aleatoriamente por corredores em institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior, com salas de aula com carteiras enfileiradas uma ap&oacute;s a outra, ouvindo discursos de diferentes disciplinas, algumas com a entona&ccedil;&atilde;o do professor dono do conhecimento, suportadas exclusivamente no conteudismo, com alunos absolutamente ref&eacute;ns de um espa&ccedil;o sem vida ou reflex&atilde;o. Com um professor inconsciente de seu papel transformador de respons&aacute;vel pela inclus&atilde;o da maioria da sociedade, para um mero reprodutor dos interesses da classe social &agrave; qual pertence (ou n&atilde;o), refor&ccedil;ando a concep&ccedil;&atilde;o de outros, com interesses nem sempre claros para o pr&oacute;prio professor. Num percurso que pouco contribui para sua liberta&ccedil;&atilde;o enquanto sujeito essencial na transforma&ccedil;&atilde;o de um mundo ainda repleto de inconsist&ecirc;ncias, desigualdades, preconceitos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como n&atilde;o lembrar momentos inesquec&iacute;veis de verdadeiros professores, como Paulo Freire, Leonardo Boff, Edgar Morin, Ilma Passos, Patativa do Assar&eacute;, M&aacute;rio S&eacute;rgio Cortella, Ariano Suassuna, entre outros, desprovidos de vaidade e repletos de significado. Em todos esses momentos privilegiados, n&atilde;o havia um hor&aacute;rio previamente estipulado com a obriga&ccedil;&atilde;o de responder a presen&ccedil;a; havia, sim, um grande interesse meu, em poder me aproximar da sabedoria de seres humanos que est&atilde;o no mundo a servi&ccedil;o dele e da popula&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professores que n&atilde;o simplesmente est&atilde;o na escola, mas que est&atilde;o na vida do educando, das pessoas, nas d&uacute;vidas e incertezas, contribuindo para a constru&ccedil;&atilde;o de uma esperan&ccedil;a maior. Nesta perspectiva, todos podemos ser professor e aluno, ao mesmo tempo, buscando caminhos, compartilhando d&uacute;vidas e descobrindo possibilidades, somente poss&iacute;veis para mentes humanas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>REFER&Ecirc;NCIAS  </B></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Bordenave JED, Pereira, AM. Estrat&eacute;gias de ensino-aprendizagem. 30 ed. Petr&oacute;polis: Vozes, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=390390&pid=S1679-5954201500040001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Larrosa J. Pedagogia profana: dan&ccedil;as, piruetas e mascaradas. Trad. Alfredo Veiga-Neto. 4 ed. Belo Horizonte: Aut&ecirc;ntica, 2003. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Amorim VM, Castanho ME. Da dimens&atilde;o est&eacute;tica da aula ou do lugar da beleza na educa&ccedil;&atilde;o. Reflex. A&ccedil;&atilde;o. 2007;15(1):158-73. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Teixeira LC. Escrita autobiogr&aacute;fica e constru&ccedil;&atilde;o subjetiva. Psicol. USP2003;14(1):37-64. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Vi&ntilde;ao A. Las autobiograf&iacute;as, memorias y diarios como fuente hist&oacute;rico-educativa: tipolog&iacute;a y usos. Teias. 2000;1(1):82-97. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Lima MEC, Geraldi CMG, Geraldi JW. O trabalho com narrativas na investiga&ccedil;&atilde;o em educa&ccedil;&atilde;o. Educ Rev. 2015;31(1):17- 44. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Cunha RC. A pesquisa narrativa: uma estrat&eacute;gia investigativa sobre o ser professor. Anais do 5o Encontro de Pesquisa em Educa&ccedil;&atilde;o da UFPI. Teresina: EDUFPI, 2009. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Ferrara LD. Olhar Perif&eacute;rico. S&atilde;o Paulo: EDUSP/FAPESP, 1999. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Bakhtin MM. Para uma filosofia do ato respons&aacute;vel. S&atilde;o Carlos, SP: Pedro e Jo&atilde;o Editores, 2010. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Ginzburg C. Sinais. Ra&iacute;zes de um paradigma indici&aacute;rio. In: Ginzburg C. Mitos, emblemas, sinais. S&atilde;o Paulo: Cia das Letras. 2011. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Cunha MI. Conta-me agora! As narrativas como alternativas pedag&oacute;gicas na pesquisa e no ensino. Rev Fac Educ. 1997;23:(1-2). Dispon&iacute;vel em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=s ci_arttext&amp;pid=S0102- 25551997000100010 </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Souza EC. Hist&oacute;rias de vida e forma&ccedil;&atilde;o de professores. S&atilde;o Paulo: Quartet, 2008. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Kramer S. Leitura e escrita de professores em suas hist&oacute;rias de vida e forma&ccedil;&atilde;o. Cad Pesqui. 1999;106:129-57. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Gomes MLM. Escrita autobiogr&aacute;fica e hist&oacute;ria da educa&ccedil;&atilde;o matem&aacute;tica. Bolema. 2012;26(42):105-38.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back"/></a><a href="#top"><img src="/img/revistas/abeno/v15n4/seta.jpg" border="0" align="absmiddle"/></a>    <b>Correspond&ecirc;ncia para:</b> <br/>   Prof. Dr. Luiz Roberto Augusto Noro<br/>   Departamento de Odontologia da UFRN <br/>   Avenida Salgado Filho, 1787<br/>   59056-000 - Natal/RN<br/>   E-mail: <a href="mailto:luiz_noro@hotmail.com">luiz_noro@hotmail.com</a></font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
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