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<journal-title><![CDATA[Revista de Cirurgia e Traumatologia Buco-maxilo-facial]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Abscesso Intracraniano de Origem Odontogênica - Relato de Caso]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Hospital Regional do Agreste  ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The cerebral abscess is a rare but serious life-threatening disease. Dental infections have occasionally been reported as a source of bacteria that can lead to this clinical picture. Oral pathogens from an odontogenic infection may enter the brain via a hematologic or lymphatic route, or by direct extension through the fascial planes. The treatment of abscesses of the central nervous system (CNS) is based on three main points: clinical treatment with antibiotics, neurosurgical treatment of the abscess using a method appropriate to the case, and treatment of the primary focus of infection. The aim of this paper is to report the case of a patient with a brain abscess whose source of infection was odontogenic and which was treated with intravenous antibiotics and removal of the cause]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Abscesso encefálico]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Tratamento]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Treatment]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="top"/></a><B>Abscesso Intracraniano de Origem Odontog&ecirc;nica &ndash; Relato de Caso</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Intracranial abscess of odontogenic origin: a case report</b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Emerson Filipe de Carvalho Nogueira<sup>I</sup>; Gabriela Granja Porto<sup>II</sup>; Paulo Roberto Cerqueira<sup>III</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup> Residente em CTBMF do Hospital Regional do Agreste.    <br> <sup>II</sup> PhD em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial pela FOP-UPE, Staff do Hospital Regional do Agreste em Caruaru/PE.    <br> <sup>III </sup>PhD em Implantodontia pela S&atilde;o Leopoldo Mandik, Staff do Hospital Regional do Agreste em Caruaru/PE. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#back">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Abscesso cerebral &eacute; uma doen&ccedil;a rara, por&eacute;m grave, com risco de vida para o paciente. Infec&ccedil;&otilde;es dent&aacute;rias t&ecirc;m sido ocasionalmente relatadas como uma fonte de bact&eacute;rias, que podem dar origem a esse quadro cl&iacute;nico. Pat&oacute;genos bucais de uma infec&ccedil;&atilde;o odontog&ecirc;nica podem entrar no c&eacute;rebro atrav&eacute;s de uma rota hematol&oacute;gica, linf&aacute;tica ou pela extens&atilde;o direta atrav&eacute;s dos planos fasciais. O tratamento dos abscessos do sistema nervoso central &eacute; fundamentado em tr&ecirc;s pontos principais: tratamento cl&iacute;nico com antibi&oacute;ticos, tratamento neurocir&uacute;rgico do abscesso por m&eacute;todo adequado e apropriado ao caso e tratamento do foco prim&aacute;rio da infec&ccedil;&atilde;o. O presente trabalho tem como objetivo relatar um caso cl&iacute;nico de um paciente apresentando abscesso cerebral cuja fonte infecciosa foi odontog&ecirc;nica, tendo ele sido tratado por meio da antibioticoterapia endovenosa e remo&ccedil;&atilde;o da causa. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>Descritores: </B>Abscesso encef&aacute;lico; Infec&ccedil;&atilde;o Focal Dent&aacute;ria; Tratamento.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>ABSTRACT</B> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">The cerebral abscess is a rare but serious life-threatening disease. Dental infections have occasionally been reported as a source of bacteria that can lead to this clinical picture. Oral pathogens from an odontogenic infection may enter the brain via a hematologic or lymphatic route, or by direct extension through the fascial planes. The treatment of abscesses of the central nervous system (CNS) is based on three main points: clinical treatment with antibiotics, neurosurgical treatment of the abscess using a method appropriate to the case, and treatment of the primary focus of infection. The aim of this paper is to report the case of a patient with a brain abscess whose source of infection was odontogenic and which was treated with intravenous antibiotics and removal of the cause.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>Keywords: </B>Brain abscess; Focal Infection, Dental; Treatment.</font> </p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B> INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Abscesso cerebral &eacute; uma doen&ccedil;a rara, por&eacute;m grave, com risco de vida e se constitui em uma &aacute;rea localizada com supura&ccedil;&atilde;o cerebral. Usualmente, ocorre ap&oacute;s trauma craniano, cirurgia ou secundariamente por um foco s&eacute;ptico em outros locais distribu&iacute;dos por extens&atilde;o direta ou via hematol&oacute;gica<sup>1,2</sup>. Recentes avan&ccedil;os nas t&eacute;cnicas de diagn&oacute;stico por imagem e o desenvolvimento de antibi&oacute;ticos eficazes ajudaram a reduzir a taxa de mortalidade<sup>3</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Infec&ccedil;&otilde;es dent&aacute;rias t&ecirc;m sido ocasionalmente relatadas como uma fonte de bact&eacute;rias que podem dar origem a um abscesso cerebral. Sinusite maxilar e met&aacute;stase hematog&ecirc;nica s&atilde;o sugeridas como o mecanismo que leva uma infec&ccedil;&atilde;o dent&aacute;ria, a um quadro de abscesso cerebral<sup>3</sup>. Pat&oacute;genos bucais de uma infec&ccedil;&atilde;o odontog&ecirc;nica podem entrar no c&eacute;rebro atrav&eacute;s de uma rota hematol&oacute;gica (art&eacute;ria facial, angular, oft&aacute;lmica, propaga&ccedil;&atilde;o do seio cavernoso), linf&aacute;tica ou pela extens&atilde;o direta atrav&eacute;s dos planos fasciais<sup>4</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O tratamento dos abscessos do sistema nervoso central (SNC) &eacute; fundamentado em tr&ecirc;s pontos: tratamento cl&iacute;nico com antibi&oacute;ticos, tratamento neurocir&uacute;rgico do abscesso por m&eacute;todo adequado e apropriado ao caso e tratamento do foco prim&aacute;rio da infec&ccedil;&atilde;o. Uma vez estabelecido o diagn&oacute;stico, o tratamento emp&iacute;rico com antibi&oacute;ticos de largo espectro, com boa penetra&ccedil;&atilde;o no SNC e que alcance aer&oacute;bios e anaer&oacute;bios deve ser imediatamente iniciado, tendo como base os dados da literatura sobre os germes mais prov&aacute;veis, at&eacute; que se processem os exames necess&aacute;rios para isolamento definitivo do agente<sup>5</sup>. O tratamento cl&iacute;nico sem cirurgia &eacute; poss&iacute;vel e eficiente em um grupo selecionado de pacientes. Quando o paciente apresenta um abscesso cerebral de origem odontog&ecirc;nica, deve-se observar que a decis&atilde;o de tratar a doen&ccedil;a dental radicalmente ou mais conservadoramente depende do estado m&eacute;dico geral do paciente, da severidade da doen&ccedil;a dental, do entendimento do tratamento dental pelo paciente e dos bons m&eacute;todos de higiene oral<sup>6</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O presente trabalho tem como objetivo relatar um caso cl&iacute;nico de um paciente apresentando abscesso cerebral cuja fonte infecciosa foi odontog&ecirc;nica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B> RELATO DE CASO</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Paciente do sexo masculino, 9 anos de idade, faioderma, referindo odontalgia e letargia foi encaminhado ao Setor de Cirurgia Oral e Maxilofacial do Hospital Regional do Agreste, Caruaru-PE, Brasil. Ao exame f&iacute;sico, observou-se elemento dent&aacute;rio 36 com les&atilde;o cariosa extensa. Devido &agrave; sua condi&ccedil;&atilde;o geral, o paciente foi internado no hospital para a realiza&ccedil;&atilde;o de antibioticoterapia endovenosa. Uma semana ap&oacute;s, a infec&ccedil;&atilde;o se difundiu, e ele apresentou abscesso periorbit&aacute;rio e hemiplegia no lado direito da face. Com base nesse quadro cl&iacute;nico, o diagn&oacute;stico de abscesso cerebral foi sugerido (<a href="#fig01">Figura 1</a>), e uma tomografia computadorizada foi realizada com o objetivo de confirmar o diagn&oacute;stico (<a href="#fig02">Figura 2</a>). Confirmado o diagn&oacute;stico, a resson&acirc;ncia magn&eacute;tica mostrou precisamente os limites da les&atilde;o por meio de uma imagem localizada no espa&ccedil;o mastigat&oacute;rio, epidurais intracranianos (assoalho da fossa m&eacute;dia) &agrave; esquerda e tamb&eacute;m sinais de meningo-encefalite com &ecirc;mbolos s&eacute;pticos intra-axiais (<a href="#fig03">Figura 3</a>). Ent&atilde;o, optou-se por remover o dente, al&eacute;m de iniciar antibioticoterapia endovenosa com clindamicina 600mg 2ml dilu&iacute;dos em 20 ml de &aacute;gua destilada (AD), de 8 em 8 horas, e Targocid&reg; (teicoplanina) 400mg 1,8 ml dilu&iacute;dos em 20ml de AD, de 12 em 12 horas, durante 15 dias, conduta essa que controlou a infec&ccedil;&atilde;o (<a href="#fig04">Figura 4</a>).</font></p>       <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rctbmf/v11n3/a03fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rctbmf/v11n3/a03fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig03"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/rctbmf/v11n3/a03fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig04"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rctbmf/v11n3/a03fig04.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B> DISCUSS&Atilde;O</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os abscessos cerebrais s&atilde;o raros e normalmente origin&aacute;rios de infec&ccedil;&otilde;es de origem odontog&ecirc;nica e maxilo-faciais, podendo colocar em risco a vida dos pacientes acometidos, se n&atilde;o tratados precocemente e de maneira adequada<sup>1</sup>. Apresentam uma preval&ecirc;ncia de 1 para cada 100.000 habitantes, com um percentual de mortalidade entre 0 e 24%<sup>7</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Shotelersuk et al. <sup>8</sup>, o abscesso cerebral ocorre entre 13 -22% de todos os processos infecciosos intracranianos. Em muitas publica&ccedil;&otilde;es em s&eacute;ries, a sinusite paranasal foi a causa mais comum do abscesso cerebral, ocorrendo em 56-77% dos casos. Seguida por ordem, as causas mais comuns s&atilde;o meningite, infec&ccedil;&atilde;o otog&ecirc;nica e trauma. Numa maior publica&ccedil;&atilde;o de s&eacute;ries de 699 casos de abscesso cerebral, infec&ccedil;&atilde;o dental foi a quinta mais comum causa, ocorrendo em 5 casos (0,7%). Embora o abscesso cerebral seja uma complica&ccedil;&atilde;o por infec&ccedil;&atilde;o dental bem documentada, ainda &eacute; notavelmente uma ocorr&ecirc;ncia rara. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os procedimentos buco-dentais que podem causar abscesso cerebral incluem cirurgia dento-alveolar, dent&iacute;stica operat&oacute;ria, terapia periodontal, infiltra&ccedil;&atilde;o de anest&eacute;sico local bucal e profilaxia dental. Pat&oacute;genos bucais de uma infec&ccedil;&atilde;o odontog&ecirc;nica podem entrar no c&eacute;rebro por meio de uma rota hematol&oacute;gica (art&eacute;ria facial, angular, oft&aacute;lmica, propaga&ccedil;&atilde;o do seio cavernoso), uma rota linf&aacute;tica, ou pela extens&atilde;o direta por meio dos planos<sup>4</sup>. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em virtude da relativa raridade, o diagn&oacute;stico dessa condi&ccedil;&atilde;o t&atilde;o amea&ccedil;adora &eacute; um desafio significativo para todos os profissionais envolvidos, uma vez que ocorre "espontaneamente", e a fonte de infec&ccedil;&atilde;o deve ser identificada rapidamente<sup>2</sup>. O diagn&oacute;stico &eacute; baseado no quadro cl&iacute;nico, exame neurol&oacute;gico, exames complementares de neuroimagem, como a tomografia computadorizada (TC) e a resson&acirc;ncia magn&eacute;tica (RM). A piora ou morte s&uacute;bita de um paciente pode indicar a ruptura do abscesso, uma complica&ccedil;&atilde;o grav&iacute;ssima com alta mortalidade. Nesses casos, h&aacute; eleva&ccedil;&atilde;o s&uacute;bita da press&atilde;o intracraniana e toxemia intensa pela libra&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do purulento do abscesso dentro do par&ecirc;nquima. Em alguns casos de f&iacute;stula, o material purulento pode sair em grande quantidade pelo ouvido, nariz ou pelo trajeto fistuloso<sup>5</sup>. </font></p>      <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Febre, convuls&otilde;es e d&eacute;ficit motor s&atilde;o algumas das caracter&iacute;sticas cl&iacute;nicas comumente encontradas no abscesso cerebral<sup>6,8</sup>. Vialogo et al. <sup>5</sup> acrescentam outros poss&iacute;veis sintomas, como mal-estar, fotofobia, rigidez da nuca, colapso circulat&oacute;rio, cefaleia, n&aacute;useas, v&ocirc;mitos e papiledema (edema da papila &oacute;ptica). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Existem tr&ecirc;s fases cl&iacute;nicas na evolu&ccedil;&atilde;o do abscesso: uma inicial, em que h&aacute; mal-estar geral, febre, cefaleia e poss&iacute;vel evid&ecirc;ncia de foco infeccioso prim&aacute;rio; a segunda seria de lat&ecirc;ncia e remiss&atilde;o dos sintomas sist&ecirc;micos e a terceira caracteriza-se pelo quadro fraco de processo expansivo intracraniano, com hipertens&atilde;o intracraniana e sinais neurol&oacute;gicos focais. A velocidade com que esse quadro cl&iacute;nico se instala &eacute; vari&aacute;vel e dependente de v&aacute;rios fatores, de tal modo que a distin&ccedil;&atilde;o dessas fases pode n&atilde;o ser claramente percebida. Da mesma forma, podem todas estarem presentes ao mesmo tempo, em graus variados. &Eacute; necess&aacute;ria uma hist&oacute;ria cl&iacute;nica detalhada, um exame minuncioso do paciente &agrave; procura de focos infecciosos e um alto grau de suspei&ccedil;&atilde;o por parte do m&eacute;dico examinador. O n&iacute;vel de consci&ecirc;ncia do paciente, no momento da admiss&atilde;o ou no primeiro exame, &eacute; um dos dados cl&iacute;nicos mais importantes para se relacionar com o progn&oacute;stico<sup>5</sup>. Provavelmente, o paciente relatado neste trabalho encontrava-se na fase inicial, pois ele procurou o servi&ccedil;o referindo odontalgia e letargia, n&atilde;o tendo sido observado altera&ccedil;&atilde;o no n&iacute;vel de consci&ecirc;ncia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A TC modificou radicalmente a evolu&ccedil;&atilde;o dos abscessos cerebrais, permitindo diagn&oacute;stico mais apurado da les&atilde;o e sua localiza&ccedil;&atilde;o mais bem definida, sendo o exame de primeira escolha, fornecendo importantes dados adicionais: est&aacute;gio evolutivo, locula&ccedil;&atilde;o, presen&ccedil;a de edema cerebral, desvios da linha m&eacute;dia, hidrocefalia associada e par&acirc;metros para cirurgia estereost&aacute;tica ou neuroendosc&oacute;pica. A RM tamb&eacute;m contribui para o diagn&oacute;stico dos abscessos cerebrais, devendo ser utilizada onde for dispon&iacute;vel, tendo a mesma validade que a TC<sup>4</sup>. Esta possui mais sensibilidade que a TC para detec&ccedil;&atilde;o de pequenas cole&ccedil;&otilde;es fluidas devido &agrave; aus&ecirc;ncia de artefatos no cr&acirc;nio e &agrave; capacidade de mostrar imagem multiplanar. Recentemente, os avan&ccedil;os nessas t&eacute;cnicas de imagem como tamb&eacute;m a introdu&ccedil;&atilde;o de mais antibi&oacute;ticos t&ecirc;m reduzido a mortalidade a uma taxa de 0-24%<sup>4</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os organismos respons&aacute;veis pelo abscesso cerebral usualmente refletem o curso prim&aacute;rio da infec&ccedil;&atilde;o. A maioria dos abscessos cerebrais de origem oral produzem microorganismos anaer&oacute;bios (facultativa ou estrito), principalmente porque seu crescimento &eacute; favorecido por baixas concentra&ccedil;&otilde;es de oxig&ecirc;nio no c&eacute;rebro, no interst&iacute;cio cerebral e nas &aacute;reas infartadas que originam o pr&oacute;prio abscesso. Entre os anaer&oacute;bios facultativos, os mais comuns s&atilde;o Streptococcus viridans, seguido de Actinomyces spp. e Eikenella spp. Com rela&ccedil;&atilde;o a anaer&oacute;bios estritos, predominam Bacteroides spp. e Fusobacterium spp.<sup>2,6,9</sup>. Tamb&eacute;m considerando que o abscesso cerebral &eacute; frequentemente polimicrobiano, alguns outros microorganismos, tais como Staphylococcus aureus e bact&eacute;rias anaer&oacute;bicas facultativas Gram-negativos (i.e. Enterobacteriaceae), t&ecirc;m sido relatados como uma microflora causal, dependendo da fonte de infec&ccedil;&atilde;o<sup>4</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para o isolamento do germe, o melhor procedimento &eacute; a neurocirurgia, por meio de tr&eacute;pano-pun&ccedil;&atilde;o, pun&ccedil;&atilde;o por estereotaxia ou neuroendoscopia. Nesses casos, pode haver dupla vantagem: drenagem do material com al&iacute;vio da hipertens&atilde;o intracraniana e obten&ccedil;&atilde;o do material para estudo. Material purulento de focos externos, como auricular, nasal, abscessos subcut&acirc;neos ou de feridas cir&uacute;rgicas, devem ser cultivados em meios apropriados. Esse procedimento, muitas vezes, &eacute; relegado a um segundo plano, pois a aten&ccedil;&atilde;o &eacute; direcionada, para se obter material do abscesso. Entretanto, o germe causador do abscesso tem grande probabilidade de ser o mesmo das descargas piog&ecirc;nicas externas<sup>5</sup>. No caso apresentado, n&atilde;o foi realizada a drenagem cir&uacute;rgica, pois ele apresentou resposta satisfat&oacute;ria ao tratamento cl&iacute;nico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vialogo et al.<sup>5</sup> afirmam que o m&eacute;todo ideal de tratamento dos abscessos do SNC ainda &eacute; controverso e achar o melhor m&eacute;todo &eacute; um desafio. Entretanto, a literatura afirma que o tratamento dos abscessos do SNC &eacute; fundamentado em tr&ecirc;s pontos: tratamento cl&iacute;nico com antibi&oacute;ticos, tratamento neurocir&uacute;rgico do abscesso por m&eacute;todo adequado e apropriado ao caso e tratamento do foco prim&aacute;rio da infec&ccedil;&atilde;o. O tratamento ideal dos abscessos do SNC est&aacute; longe de ser definitivamente estabelecido devido a uma s&eacute;rie de variantes que influenciam a evolu&ccedil;&atilde;o dessa grave patologia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sobre um ponto, entretanto, n&atilde;o h&aacute; controv&eacute;rsia: uma vez estabelecido o diagn&oacute;stico, o tratamento com antibi&oacute;ticos de largo espectro, com boa penetra&ccedil;&atilde;o no SNC e que alcance aer&oacute;bios e anaer&oacute;bios deve ser imediatamente iniciado, tendo como base os dados da literatura sobre os germes mais prov&aacute;veis, enquanto se processam os exames necess&aacute;rios para isolamento definitivo do agente<sup>5</sup>. Para Mueller et al.<sup>6</sup> uma cefalosporina de terceira gera&ccedil;&atilde;o associada a um antibi&oacute;tico antiestafiloc&oacute;cico geralmente &eacute; recomendada. Na fase de cerebrite, a antibioticoterapia &eacute; a &uacute;nica forma de tratamento poss&iacute;vel, podendo ser curativa. N&atilde;o h&aacute; consenso sobre a dura&ccedil;&atilde;o do tratamento dos abscessos, mas geralmente deve ser mantido durante seis a oito semanas, com TC seriada. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se o abscesso n&atilde;o estiver melhorando, indica-se o tratamento neurocir&uacute;rgico adequado ao caso. O tratamento cl&iacute;nico sem cirurgia &eacute; poss&iacute;vel e eficiente em um grupo selecionado de pacientes. Isso requer um minucioso exame cl&iacute;nico, pacientes com pouca sintomatologia e totalmente despertos, sem comprometimento da consci&ecirc;ncia, sem sinais de hipertens&atilde;o intracraniana, com les&otilde;es relativamente pequenas, menores do que 3,5cm em di&acirc;metro. &Eacute; especialmente indicado em pacientes com m&uacute;ltiplos abscessos. Deve haver uma observa&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica cuidadosa e TC seriada. A craniotomia para ressec&ccedil;&atilde;o total do abscesso com excis&atilde;o da c&aacute;psula tamb&eacute;m tem suas vantagens, segundo algumas s&eacute;ries, pois &eacute; uma cirurgia definitiva e diminui o tempo de tratamento. Entretanto, &eacute; contraindicada nos est&aacute;gios precoces e quando o abscesso &eacute; profundo e em &aacute;reas eloquentes, quando o risco de les&atilde;o ao c&oacute;rtex funcional adjacente pela cirurgia &eacute; consider&aacute;vel<sup>5</sup>. No caso relatado, ap&oacute;s exame cl&iacute;nico minuncioso, em que foi observado foco dent&aacute;rio infeccioso, associado com a queixa de odontalgia e letargia, observa&ccedil;&otilde;es de altera&ccedil;&otilde;es nos exames de imagem e ap&oacute;s elimina&ccedil;&atilde;o de outras poss&iacute;veis causas, foi conclu&iacute;do o diagn&oacute;stico de abscesso intracraniano de causa dent&aacute;ria. A partir da&iacute;, optou-se pela remo&ccedil;&atilde;o do elemento dent&aacute;rio cariado e iniciou-se antibioticoterapia endovenosa com clindamicina 600mg e a teicoplanina 400mg, que &eacute; um antibi&oacute;tico do grupo dos glicopept&iacute;dios, ativo contra estafilococos durante 15 dias. Nesse caso, o paciente respondeu bem ao tratamento terap&ecirc;utico, n&atilde;o sendo necess&aacute;ria qualquer conduta cir&uacute;rgica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b> </font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando o paciente apresenta abscesso cerebral de origem odontog&ecirc;nica, deve-se observar que a decis&atilde;o de tratar a doen&ccedil;a dental radicalmente ou mais conservadoramente depende do estado m&eacute;dico geral do paciente da severidade da doen&ccedil;a dental, do entendimento do tratamento dental pelo paciente e dos bons m&eacute;todos de higiene oral. Ent&atilde;o, todas as op&ccedil;&otilde;es de procedimentos terap&ecirc;uticos devem ser oferecidas, por exemplo, cirurgia periodontal, terapia do canal radicular, cirurgia endod&ocirc;ntica e dent&iacute;stica restauradora. Em rela&ccedil;&atilde;o ao tratamento do abscesso cerebral, a opini&atilde;o do neurocirurgi&atilde;o &eacute; mandat&oacute;ria e leva em considera&ccedil;&atilde;o a extens&atilde;o da les&atilde;o e a resposta ou n&atilde;o &agrave; antibioticoterapia sist&ecirc;mica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS </B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 1. Corson MA, Postlethwaite KP, Seymour RA: Are dental infections a cause of brain abscess? Case report and review of the literature. Oral Dis 2001; 7: 61&ndash;65. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Wagner KW, Sch&ouml;n R, Schumacher M, Schmelzeisen R, Schulze D. Case report: brain and liver abscesses caused by oral infection with Streptococcus intermedius. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod 2006; 102: e21-e23. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Sakamoto H, Karakida K, Otsuru M, Arai M, Shimoda M. A case of brain abscess extended from deep fascial space infection. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod 2009; 108: e21-e25. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Mylonas AI, Tzerbos FH, Mihalaki M, Rologis D, Boutsikakis I. Cerebral abscess of odontogenic origin. Journal of Cranio-Maxillofacial Surgery 2007; 35: 63&ndash;67.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 5. Vialogo JGG, Sanches MCA. Abscesso cerebelar tratado clinicamente. Arq Neuriosiquiatr 2001; 59 (3-B): 824-828.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 6. Mueller AA, Saldamli B, St&uuml;binger S, Walter C, Fl&uuml;ckiger U, Merlo A, Zimmerer KS, Zeilhofer HF, Zimmerer S. Oral bacterial cultures in nontraumatic brain abscesses: results. of a first-line study of a first-line study. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod 2009; 107: 469-476. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Jim&eacute;nez Y, Bag&aacute;n JV, Murillo J, Poveda R. Odontogenic infections. Complications. Systemic manifestations. Med Oral Patol Oral Cir Bucal 2004; 9 Suppl: S1 39-47. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Shotelersuk V, Goyal M, Rauchenstein JN, Konez O. Subdural empyema secondary to odontogenic masticator space abscess: Detection by indium-111-labeled white cell scan. Journal of Clinical Imaging 2001; 25: 18-22.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 9. Posse JL, Carmona IT, Feijoo JF, V&aacute;zquez CM, Iglesias AC, Dios PD. Abscesos cerebrales de origen oral. REV NEUROL 2003; 37 (3): 201-206.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="back"/></a><a href="#top"><img src="/img/revistas/rctbmf/v11n3/seta.jpg" border="0" align="absmiddle"/></a><b>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Emerson Filipe de Carvalho Nogueira    <br>   Rua 15 de mar&ccedil;o, 242 -Bongi. Recife, PE-Brasil CEP: 50761-070</font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <br>   e-mail: </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="mailto:emerson_filipe@hotmail.com" target="_blank">emerson_filipe@hotmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
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