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</front><body><![CDATA[ <p align="left"><font size="3" face="Verdana"><B>Editorial</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="left"><font size="3" face="Verdana"><B>Humanismo e sa&uacute;de </B></font></p>     <p align="left">&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><i><b>Geraldo Pereira    <br> Academia Pernambucana de Letras</b></i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O mundo vem experimentando um desenvolvimento assustador, de tal forma que nos &uacute;ltimos sessenta anos tudo mudou. Uma verdadeira metamorfose vem se instalando no cotidiano de toda gente, em todos os cantos desse universo em transforma&ccedil;&atilde;o. Nada &eacute; mais como foi! Os bancos, por exemplo, n&atilde;o refletem mais o que eram no ontem dos anos; h&aacute; m&aacute;quinas pra tudo e pra todos. Assim, tamb&eacute;m, com a sa&uacute;de, a automa&ccedil;&atilde;o tomou conta do dia a dia das pessoas doentes e dos profissionais. O organismo vem sendo submetido &agrave;s mais diversas investiga&ccedil;&otilde;es de laborat&oacute;rio, desde a sofistica&ccedil;&atilde;o das an&aacute;lises cl&iacute;nicas aos equipamentos voltados &agrave; tomografia e &agrave; resson&acirc;ncia magn&eacute;tica. H&aacute;, tamb&eacute;m, m&aacute;quinas pra tudo! </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Isso tem brutalizado a criatura humana, tornando-a rude, cada vez mais distante do pr&oacute;ximo. Como disse Nilo Pereira: "...Vemos a trag&eacute;dia humana como se fosse um filme de cinema. Passado o filme, passou tamb&eacute;m a nossa emo&ccedil;&atilde;o". &Eacute; como se assist&iacute;ssemos a um acidente na avenida do nosso costume e mesmo com a ocorr&ecirc;ncia de v&iacute;tima, n&atilde;o par&aacute;ssemos e pelo contr&aacute;rio, segu&iacute;ssemos adiante, considerando superado o horror que ficou pra traz. O jantar, antes aprazado, &eacute; curtido sem inquieta&ccedil;&otilde;es maiores! O ser humano, brutalizado como est&aacute;, leva esse comportamento imoderado para a profiss&atilde;o e isso tem uma repercuss&atilde;o grande, sobretudo se o profissional atua na &aacute;rea de sa&uacute;de. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sucede que as grades dos programas de gradua&ccedil;&atilde;o, com raras exce&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o contemplam determinadas disciplinas, como a sociologia ou a antropologia ou como a filosofia e a psicologia. S&atilde;o disciplinas que de certa forma amolecem o cora&ccedil;&atilde;o humano, flexibilizam o esp&iacute;rito. Fernando Figueira, pernambucano ilustre, j&aacute; dizia que o m&eacute;dico que s&oacute; sabe medicina, sabe muito pouco. E &eacute; isso mesmo, porque as faculdades deveriam incluir n&atilde;o apenas essas mat&eacute;rias, mas tamb&eacute;m a leitura de obras da literatura. Isso s&oacute; faz enriquecer o aluno, dando-lhe uma vis&atilde;o mais abrangente do semelhante e de suas liga&ccedil;&otilde;es com o entorno em que vive. A leitura, por exemplo, de Vidas Secas, do escritor Graciliano Ramos, &eacute; capaz de oferecer a quem estuda uma ideia bem precisa dos sert&otilde;es esturricados e de sua gente sofrida. At&eacute; a cadela baleia est&aacute; contemplada. E assim outras tantas obras de autores diversos! </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O que se v&ecirc; e o que se tem no vaiv&eacute;m das coisas, &eacute; que a brutalidade preside a intera&ccedil;&atilde;o entre o profissional e o doente. N&atilde;o s&oacute; os m&eacute;dicos est&atilde;o assim, mas outros profissionais da sa&uacute;de, tamb&eacute;m. N&atilde;o foi sem raz&atilde;o que aquele senhor, de cabelos pintando os anos e de corpo vergando, numa UTI, depois de um AVC, reclamou do que ouviu de uma profissional da sa&uacute;de. Uma recomenda&ccedil;&atilde;o, feita &agrave;s carreiras: "Fa&ccedil;a assim: ooooooooo". Uma forma de recuperar o sulco nasolabial! A comissura labial. Incr&iacute;vel! E o pior: o doente seguiu o que o profissional recomendou. N&atilde;o havia nada a fazer, justificou, porque depois que ela falou, desapareceu correndo. </font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o &eacute; incomum um especialista atender um paciente de conv&ecirc;nio de lado, sem encarar o seu interlocutor. Isso tem sido cada vez mais frequente. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma determinada pessoa flagrada exercendo a medicina sem diploma e l&oacute;gico, sem autoriza&ccedil;&atilde;o do Conselho Regional, foi motivo de uma manifesta&ccedil;&atilde;o de suas pretensas clientes. Aquelas pacientes protestaram, dizendo que ele era um homem muito atencioso. Os m&eacute;dicos, talvez, precisam aprender com os charlat&otilde;es a forma de tratar os seus doentes. Vive-se atualmente uma fase em que os exames de laborat&oacute;rio, sobretudo os de imagem, ocupam o espa&ccedil;o largo na elucida&ccedil;&atilde;o do diagn&oacute;stico. Um sofrimento abdominal qualquer &eacute; sempre seguido da solicita&ccedil;&atilde;o de uma tomografia, mesmo quando o quadro cl&iacute;nico &eacute; t&iacute;pico, como acontece com uma apendicite. Isso retarda a interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica e arrisca a vida do paciente. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Aqui n&atilde;o se est&aacute; estimulando a bondade ou a generosidade, apenas, mas o resgate da urbanidade, da cortesia que todos devem ter no trato com o semelhante. O saber ouvir, a escuta comprometida de quem sofre e de quem precisa contar, pelo menos, com a palavra amiga ou com um ombro, no qual possa depositar as d&uacute;vidas e as indaga&ccedil;&otilde;es, mesmo que sejam as &uacute;ltimas. O que se pede &eacute; que o humano volte a presidir a interlocu&ccedil;&atilde;o entre o paciente que sofre e a pessoa que lhe oferece a aten&ccedil;&atilde;o especializada, m&eacute;dico ou n&atilde;o. </font></p>     <p>    <p align="right">&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p></p>      ]]></body>

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