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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Grupos focais: uma estratégia para a pesquisa em saúde]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[INTRODUCTION: The research strategy through open interviews is a qualitative alternative that can capture the meaning embedded in opinions expressed, revealing values and feelings of the research subjects. As a constructivist method it requires the interpretative analysis of the speech. Data collection requires pragmatism from the researcher and absence of stimuli that might induce or inhibit the interviewees. OBJECTIVE: This study had the following proposals: a) to implement the strategy of focus groups as part of the evaluation of the Qualitative Methods discipline in a stricto sensu course; b) to search the criteria that determine the patient's choice of dental professional. MATERIAL AND METHODS: In order to achieve the objectives of the research, an exercise was carried out aimed at understanding the content of focus groups through active learning methodology based on the experience and binomial action-reflection. The activity was developed under the theme "Determinants in the relationship established between the dental professional and their patients", according to the patients' opinions. The group that coordinated the activity consisted of four dentists, students of the Qualitative Methods discipline, who played the following roles: a) mediator; b) reporter; c) observer; d) recording operator. The discussion group was composed of six (N = 6) volunteers from a total of 20 students enrolled in this discipline. The exclusion criteria included those with private dental plans and/or the exclusive users of public health services. The recording was transcribed and submitted to content analysis. To this end the ATLAS.ti 5.0 computer program was used. RESULTS: Patients select the dental professional according to the references they get from others. The personal relationship was highly valued by the group, reinforcing the skills and abilities of sensitivity and commitment to the human being presented in the text of the National Curriculum Guidelines (NCG) for Dentistry courses. The importance of professional commitment to continuing education and to technical skill was highlighted as well. The involvement of various professionals is not perceived as problem-solving, but as actions unconnected to each other. The importance of a professional that provides clear information and a qualified listening in order to give voice to the patient's needs was pointed out. Regarding the organization of the service, biosafety procedures are one of the patient's main concerns. CONCLUSION: The qualitative interview strategy in the mode of the focus group showed to be adequate to the purpose of the activity. The results of the focus group revealed that the recommendations of the NCG for Dentistry courses are connected with the dentist social representation.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGO ORIGINAL DE PESQUISA </b>ORIGINAL RESEARCH ARTICLE</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"> <b><a name="tx"></a>Grupos focais: uma estrat&eacute;gia para a pesquisa em sa&uacute;de</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Focus groups: a strategy for health research</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Maria da Gra&ccedil;a Kfouri Lopes<sup>I</sup>; Herbert Rubens Koch Filho<sup>II</sup>; Izabel  Do Rocio Costa Ferreira<sup>III</sup>; Roberto Eduardo Bueno<sup>IV</sup>; Simone Tetu Moys&eacute;s<sup>V</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>Cirurgi&atilde;&#45;dentista. Professora coordenadora do curso de Odontologia da Universidade Positivo e professora no curso de Odontologia e na P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o em Odontologia da Universidade Federal do Paran&aacute; (UFPR). Mestre em Educa&ccedil;&atilde;o &#150; Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Paran&aacute; (PUCPR). Doutoranda em Odontologia, &aacute;rea de concentra&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de Coletiva &#150; PUCPR    <br>   <sup>II</sup>Cirurgi&atilde;o&#45;dentista. Professor no curso de Odontologia da PUCPR. Especialista em Did&aacute;tica do Ensino Superior  &#150;  PUCPR. Mestre em Odontologia, &aacute;rea de concentra&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de Coletiva &#150; PUCPR. Doutorando em Odontologia, &aacute;rea de concentra&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de Coletiva &#150; PUCPR    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <sup>III</sup>Cirurgi&atilde;&#45;dentista. Professora coordenadora do curso t&eacute;cnico em Sa&uacute;de Bucal da Escola T&eacute;cnica da UFPR. Especialista em Odontopediatria &#150; UFPR. Mestre em Sa&uacute;de e Gest&atilde;o do Trabalho &#150; Universidade do Vale do Itaja&iacute; (Univali). Doutoranda em Odontologia, &aacute;rea de concentra&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de Coletiva &#150; PUCPR    <br>   <sup>IV</sup>Cirurgi&atilde;o&#45;dentista. Professor da Faculdade Herrero. Especialista em Odontologia em Sa&uacute;de Coletiva &#150; PUCPR. Mestre em Odontologia, &aacute;rea de concentra&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de Coletiva &#150; PUCPR. Doutorando em Odontologia, &aacute;rea de concentra&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de Coletiva &#150; PUCPR    <br> <sup>V</sup>Cirurgi&atilde;&#45;dentista. Professora coordenadora do Programa de P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o em Odontologia, &aacute;rea de concentra&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de Coletiva &#150; PUCPR</font></p>     <p><a href="#nt"><font size="2" face="Verdana">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O:</b> A estrat&eacute;gia de pesquisa por meio de entrevistas abertas &eacute; uma alternativa qualitativa que permite a capta&ccedil;&atilde;o do significado embutido em opini&otilde;es expressas, externando valores e sentimentos dos sujeitos da pesquisa. Enquanto m&eacute;todo construtivista, pressup&otilde;e a an&aacute;lise interpretativa da fala. A coleta de dados exige pragmatismo do pesquisador e aus&ecirc;ncia de est&iacute;mulos que induzam ou inibam os entrevistados.     <br> <b>OBJETIVO:</b> Este trabalho traz como propostas: a) aplicar a estrat&eacute;gia de grupos focais como parte da avalia&ccedil;&atilde;o da disciplina de M&eacute;todos Qualitativos de um curso de p&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o <I>stricto sensu</I>; b) pesquisar os crit&eacute;rios que determinam a escolha do profissional de Odontologia pelo paciente.     <br>  <b>MATERIAL E M&Eacute;TODOS:</b> De modo a cumprir com os objetivos da pesquisa, foi promovido um exerc&iacute;cio visando &agrave; compreens&atilde;o do conte&uacute;do dos grupos focais por meio de metodologia ativa de aprendizagem que se concretiza na viv&ecirc;ncia e no bin&ocirc;mio a&ccedil;&atilde;o&#45;reflex&atilde;o. A atividade foi desenvolvida com o tema "Determinantes na rela&ccedil;&atilde;o que se estabelece entre o profissional de Odontologia e seus pacientes" sob o ponto de vista destes. O grupo que coordenou a atividade foi composto por quatro cirurgi&otilde;es&#45;dentistas, alunos da referida disciplina, que desempenharam as fun&ccedil;&otilde;es de: a) mediador; b) relator; c) observador; d) operador de grava&ccedil;&atilde;o. De um total de 20 alunos matriculados nessa disciplina, o grupo de discuss&atilde;o foi composto por seis (N = 6) volunt&aacute;rios. Como crit&eacute;rio de exclus&atilde;o foram estipulados os portadores de planos odontol&oacute;gicos e/ou os usu&aacute;rios exclusivos do servi&ccedil;o p&uacute;blico de sa&uacute;de. A grava&ccedil;&atilde;o foi transcrita e submetida a an&aacute;lise de conte&uacute;do. Para tal se utilizou o programa computacional Atlas TI 5.0.     ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <b>RESULTADOS:</b> Os pacientes selecionam o profissional de Odontologia pelas refer&ecirc;ncias que obt&ecirc;m a respeito dele. O relacionamento pessoal foi muito valorizado pelo grupo, refor&ccedil;ando as compet&ecirc;ncias e as habilidades de sensibilidade e compromisso com o ser humano contidas no texto das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para os cursos de Odontologia. Tamb&eacute;m foi enaltecida a import&acirc;ncia do compromisso profissional com a educa&ccedil;&atilde;o continuada e com a habilidade t&eacute;cnica. A interven&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios profissionais n&atilde;o &eacute; percebida como resolutiva, mas sim como a&ccedil;&otilde;es desconectadas entre si. Ressaltou&#45;se a import&acirc;ncia de o profissional fornecer informa&ccedil;&otilde;es claras e exercer a escuta qualificada, no sentido de dar voz ao paciente nas suas necessidades. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o, uma das maiores preocupa&ccedil;&otilde;es do paciente &eacute; com os procedimentos de biosseguran&ccedil;a.     <br> <b>CONCLUS&Atilde;O:</b> A estrat&eacute;gia da entrevista qualitativa na modalidade de grupo focal mostrou&#45;se adequada ao prop&oacute;sito da atividade. Os resultados do grupo focal revelaram que as recomenda&ccedil;&otilde;es das DCNs para os cursos de Odontologia est&atilde;o conectadas com a representa&ccedil;&atilde;o social do cirurgi&atilde;o&#45;dentista.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras&#45;chave:</b> pesquisa qualitativa; grupos focais; Odontologia. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>INTRODUCTION: </b>The research strategy through open interviews is a qualitative alternative that can capture the meaning embedded in opinions expressed, revealing values and feelings of the research subjects. As a constructivist method it requires the interpretative analysis of the speech. Data collection requires pragmatism from the researcher and absence of stimuli that might induce or inhibit the interviewees.     <br>     <b>OBJECTIVE: </b>This study had the following proposals: a) to implement the strategy of focus groups as part of the evaluation of the Qualitative Methods discipline in a <I>stricto sensu</I> course; b) to search the criteria that determine the patient's choice of dental professional.     <br> <b>MATERIAL AND METHODS:</b> In order to achieve the objectives of the research, an exercise was carried out aimed at understanding the content of focus groups through active learning methodology based on the experience and binomial action&#45;reflection. The activity was developed under the theme "Determinants in the relationship established between the dental professional and their patients", according to the patients' opinions. The group that coordinated the activity consisted of four dentists, students of the Qualitative Methods discipline, who played the following roles: a) mediator; b) reporter; c) observer; d) recording operator. The discussion group was composed of six (N = 6) volunteers from a total of 20 students enrolled in this discipline. The exclusion criteria included those with private dental plans and/or the exclusive users of public health services. The recording was transcribed and submitted to content analysis. To this end the ATLAS.ti 5.0 computer program was used.     <br> <b>RESULTS:</b> Patients select the dental professional according to the references they get from others. The personal relationship was highly valued by the group, reinforcing the skills and abilities of sensitivity and commitment to the human being presented in the text of the National Curriculum Guidelines (NCG) for Dentistry courses. The importance of professional commitment to continuing education and to technical skill was highlighted as well. The involvement of various professionals is not perceived as problem&#45;solving, but as actions unconnected to each other. The importance of a professional that provides clear information and a qualified listening in order to give voice to the patient's needs was pointed out. Regarding the organization of the service, biosafety procedures are one of the patient's main concerns.     <br> <b>CONCLUSION:</b> The qualitative interview strategy in the mode of the focus group showed to be adequate to the purpose of the activity. The results of the focus group revealed that the recommendations of the NCG for Dentistry courses are connected with the dentist social representation.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywords:</b> qualitative research; focus groups; Dentistry.</font></p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A estrat&eacute;gia de pesquisa mediante entrevistas abertas &eacute; uma alternativa nos casos em que a investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica se destina a evidenciar o significado de fen&ocirc;menos sociais. Por interm&eacute;dio da fala, os sujeitos participantes se expressam de forma livre, contribuindo para o entendimento aprofundado a respeito de um tema central &#91;3, 14, 15&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As entrevistas abertas transp&otilde;em as limita&ccedil;&otilde;es de instrumentos estruturados e semiestruturados que n&atilde;o permitem a capta&ccedil;&atilde;o do significado embutido em opini&otilde;es expressas, nos valores e sentimentos dos sujeitos da pesquisa &#91;4, 14&#93;. As entrevistas qualitativas s&atilde;o classificadas como m&eacute;todo construtivista, pois pressup&otilde;em a an&aacute;lise interpretativa da fala, contrapondo&#45;se ao m&eacute;todo positivista, que prev&ecirc; o tratamento estat&iacute;stico dos dados coletados e a possibilidade de extrapolar os resultados para situa&ccedil;&otilde;es da mesma natureza &#91;15&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tendo em vista a subjetividade das entrevistas abertas, percebe&#45;se que as habilidades do pesquisador e a adequa&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia aos objetivos da pesquisa s&atilde;o fundamentais para a credibilidade dos resultados &#91;14&#93;. O sucesso da aplica&ccedil;&atilde;o da t&eacute;cnica est&aacute; intimamente ligado &agrave; neutralidade do pesquisador e ao seu conhecimento do tema &#91;4&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para a obten&ccedil;&atilde;o de dados fidedignos, o pesquisador n&atilde;o deve interferir no discurso do sujeito, pois &eacute; nele que o significado da realidade &eacute; atribu&iacute;do. Esse significado s&oacute; pode ser produto das viv&ecirc;ncias e da hist&oacute;ria de vida do indiv&iacute;duo, as quais ser&atilde;o interpretadas ap&oacute;s uma escuta atenta e distante. O papel do pesquisador &eacute; estimular os relatos dando total liberdade de express&atilde;o para que o material seja o mais rico poss&iacute;vel &#91;4, 14, 15&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A proposta do presente trabalho foi aplicar a estrat&eacute;gia de grupos focais (GFs) como parte da avalia&ccedil;&atilde;o da disciplina de M&eacute;todos Qualitativos de um curso de p&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o<I> stricto sensu</I>. A entrevista foi conduzida de maneira a cumprir dois prop&oacute;sitos: promover um exerc&iacute;cio para a compreens&atilde;o do conte&uacute;do dos GFs por meio de metodologia ativa de aprendizagem que se concretiza na viv&ecirc;ncia e no bin&ocirc;mio "a&ccedil;&atilde;o&#45;reflex&atilde;o" e verificar os crit&eacute;rios que determinam a escolha do profissional de Odontologia pelo paciente.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Grupos focais</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A estrat&eacute;gia de GF consiste em uma diversifica&ccedil;&atilde;o da entrevista aberta, em que grupos s&atilde;o estimulados a dialogar e discutir sobre um determinado tema &#91;11&#93;. &Eacute; uma atividade relativamente simples e r&aacute;pida, que parece responder a contento &agrave; nova tend&ecirc;ncia de pesquisa em sa&uacute;de, que tem se deslocado da perspectiva do indiv&iacute;duo para a do grupo social &#91;3&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Essa t&eacute;cnica tem suas caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias e distingue&#45;se das demais principalmente pelo processo de intera&ccedil;&atilde;o grupal, em que a fala a ser trabalhada n&atilde;o &eacute; meramente descritiva ou expositiva, e sim uma "fala em debate" &#91;4, 11, 13&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As express&otilde;es de cada indiv&iacute;duo que participa da din&acirc;mica sofrem a interven&ccedil;&atilde;o dos demais sujeitos, permitindo que a coleta dos dados tamb&eacute;m apresente modifica&ccedil;&otilde;es enquanto se realiza a atividade. Tal viv&ecirc;ncia de aproxima&ccedil;&atilde;o faz com que o processo de intera&ccedil;&atilde;o grupal se desenvolva, de modo a favorecer trocas, descobertas e participa&ccedil;&otilde;es comprometidas. As pessoas sentem&#45;se mais &agrave; vontade de expressar suas opini&otilde;es em grupo do que individualmente, e &eacute; exatamente essa intera&ccedil;&atilde;o de processo que o GF tenta captar &#91;3, 9, 11&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em pesquisas explorat&oacute;rias, seu prop&oacute;sito &eacute; gerar novas ideias ou hip&oacute;teses e estimular o pensamento do pesquisador, enquanto em pesquisas fenomenol&oacute;gicas ou de orienta&ccedil;&atilde;o &eacute; apreender como os participantes interpretam a realidade, seus conhecimentos e experi&ecirc;ncias &#91;6, 13&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O pesquisador, no papel de mediador, &eacute; respons&aacute;vel por manter a liberdade de express&atilde;o, mas especialmente o foco dos pronunciamentos em torno do tema pesquisado &#91;4&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Entre as vantagens do uso da t&eacute;cnica est&aacute; a possibilidade de intensificar o acesso &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es acerca de um fen&ocirc;meno, seja pela inten&ccedil;&atilde;o de gerar tantas ideias quanto poss&iacute;vel ou pela averigua&ccedil;&atilde;o de uma ideia em profundidade &#91;14, 15&#93;. A hist&oacute;ria individual constr&oacute;i&#45;se no seio de inter&#45;rela&ccedil;&otilde;es sociais, em que os relatos, as opini&otilde;es e os posicionamentos s&atilde;o constructos que v&atilde;o se delineando nas rela&ccedil;&otilde;es uns com os outros, remetendo&#45;se &agrave;s manifesta&ccedil;&otilde;es da hist&oacute;ria pregressa e contempor&acirc;nea de cada um. Assim, os sujeitos assumem a condi&ccedil;&atilde;o de porta&#45;vozes do contexto em que se inserem, e o debate no GF torna&#45;se uma constru&ccedil;&atilde;o &#91;5&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os grupos s&atilde;o constitu&iacute;dos por pessoas, escolhidas por apresentarem pelo menos um tra&ccedil;o comum, importante para o estudo proposto. Desse modo, os crit&eacute;rios para a sele&ccedil;&atilde;o dos participantes de uma sess&atilde;o de GF s&atilde;o determinados pelo objetivo do estudo, configurando aquilo que se chama de amostra intencional &#91;13, 16&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As cr&iacute;ticas &agrave; estrat&eacute;gia de GF relacionam&#45;se ao rigor cient&iacute;fico, que para alguns &eacute; inexistente em pesquisa qualitativa sem estrutura&ccedil;&atilde;o rigorosa. Pesquisadores positivistas tendem a questionar a fidedignidade dos dados coletados em pesquisa qualitativa, pois nem sempre eles permitem a generaliza&ccedil;&atilde;o para situa&ccedil;&otilde;es semelhantes. A subjetividade presente na fala dos indiv&iacute;duos do grupo leva &agrave; depend&ecirc;ncia quase completa da interpreta&ccedil;&atilde;o do pesquisador, que por vezes se rende ao romantismo e passa a buscar significados ocultos na mente das pessoas, contaminando a an&aacute;lise do discurso &#91;14&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tamb&eacute;m se deve considerar que os dados obtidos de GF contrastam com os colhidos em question&aacute;rios fechados, que podem estatisticamente ser mais precisos, mas n&atilde;o permitem o conhecimento em profundidade das impress&otilde;es humanas &#91;8&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, a escolha de tal estrat&eacute;gia deve vislumbrar as demandas do tema central da pesquisa, ou seja, a ess&ecirc;ncia do que se quer buscar &#91;3&#93;. Dessa forma percebe&#45;se que &eacute; iminente a necessidade de adequa&ccedil;&atilde;o &agrave; t&eacute;cnica para o levantamento dos dados requeridos para a investiga&ccedil;&atilde;o. O pesquisador tem de estar pronto para a escuta ativa e neutra, bem como para exercitar a capacidade de estimular a fala interativa entre os participantes &#91;4, 13&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Sobre a tarefa de interpreta&ccedil;&atilde;o, esta deve ser feita por meio de um olhar distanciado, sem permitir a interfer&ecirc;ncia de cren&ccedil;as pessoais e pr&eacute;&#45;julgamentos que possam comprometer a confiabilidade dos resultados da investiga&ccedil;&atilde;o &#91;4, 14&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quanto ao aprendizado para a correta aplica&ccedil;&atilde;o da t&eacute;cnica, a viv&ecirc;ncia &eacute; imprescind&iacute;vel, pois para aprender m&eacute;todos qualitativos &eacute; preciso aprender a observar, registrar e analisar intera&ccedil;&otilde;es reais entre pessoas e entre pessoas e sistemas &#91;10, 11&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sob essa &oacute;tica, este estudo tamb&eacute;m relata o experimento feito por um grupo de alunos que est&atilde;o em processo de aprendizagem das t&eacute;cnicas para a realiza&ccedil;&atilde;o de pesquisa qualitativa em suas disserta&ccedil;&otilde;es e teses.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Fundamenta&ccedil;&atilde;o do exerc&iacute;cio de aplica&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia de grupos focais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esta experi&ecirc;ncia foi suportada pelo documento das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para os cursos de gradua&ccedil;&atilde;o em Odontologia &#91;2&#93;, cujo texto explicita as qualidades que se esperam do egresso/profissional cirurgi&atilde;o&#45;dentista. A escolha desse documento deu&#45;se pelo consenso que ele representa. O Conselho Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o (CNE) e a C&acirc;mara de Educa&ccedil;&atilde;o Superior (CES) do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (MEC) definiram princ&iacute;pios, fundamentos, condi&ccedil;&otilde;es e procedimentos da forma&ccedil;&atilde;o de cirurgi&otilde;es&#45;dentistas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De acordo com as DCNs, o perfil do profissional, em Odontologia deve contemplar algumas compet&ecirc;ncias e habilidades, entre as quais: "ser generalista, ter uma s&oacute;lida forma&ccedil;&atilde;o &eacute;tica e respeitar aos princ&iacute;pios legais inerentes ao exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o, al&eacute;m de ser sens&iacute;vel e comprometido com o ser humano, valorizando&#45;o e respeitando&#45;o. Deve tamb&eacute;m atuar multiprofissional, inter e transdisciplinarmente" &#91;2&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Essas diretrizes v&atilde;o ao encontro da consci&ecirc;ncia contempor&acirc;nea sustentada por Morin &#91;12&#93;, que desconstr&oacute;i a valoriza&ccedil;&atilde;o da superespecializa&ccedil;&atilde;o dos profissionais de sa&uacute;de, formados sob a &oacute;tica flexneriana &#91;7&#93;. Em seu discurso Morin &#91;12&#93; ressalta que "&eacute; preciso substituir um pensamento que isola e separa por um pensamento que distingue e une. &Eacute; preciso substituir um pensamento disjuntivo e redutor por um pensamento do complexo, no sentido origin&aacute;rio do termo <I>complexus</I>: o que &eacute; tecido junto".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Fica claro que o "desafio da globalidade" enquanto "desafio de complexidade" deve considerar que os aspectos econ&ocirc;mico, pol&iacute;tico, sociol&oacute;gico, psicol&oacute;gico, afetivo e at&eacute; mitol&oacute;gico s&atilde;o insepar&aacute;veis e existem de modo interdependente e interativo entre as partes e o todo, e o todo e as partes &#91;12&#93;. Conclui&#45;se que o profissional da Odontologia precisa exercer a profiss&atilde;o de maneira articulada ao contexto social, entendendo&#45;o como determinante da condi&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ainda cabe ressaltar o expresso no artigo 4.º das DCNs para os cursos de gradua&ccedil;&atilde;o em Odontologia &#91;2&#93; sobre as compet&ecirc;ncias e as habilidades gerais do cirurgi&atilde;o&#45;dentista. Tanto durante sua forma&ccedil;&atilde;o como ao longo de sua carreira o profissional deve estar apto a: "a) desenvolver a&ccedil;&otilde;es de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de; b) tomar decis&otilde;es para avaliar, sistematizar e decidir as condutas mais adequadas, baseadas em evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas; c) desenvolver comunica&ccedil;&atilde;o acess&iacute;vel, seja mediante linguagem verbal e/ou n&atilde;o&#45;verbal, como nas habilidades de escrita e leitura; d) garantir confidencialidade das informa&ccedil;&otilde;es; e) ter compromisso, responsabilidade, empatia, habilidade para tomada de decis&otilde;es, comunica&ccedil;&atilde;o e gerenciamento de forma efetiva e eficaz; f) ser empreendedor, gestor, empregador e l&iacute;der de equipe de sa&uacute;de; g) comprometer&#45;se com a educa&ccedil;&atilde;o permanente, tanto na sua forma&ccedil;&atilde;o quanto na sua pr&aacute;tica".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Material e m&eacute;todos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Conforme o contexto mencionado, a atividade de aplica&ccedil;&atilde;o dos GFs foi desenvolvida sob o tema "Determinantes na rela&ccedil;&atilde;o que se estabelece entre o profissional de Odontologia e seus pacientes". A escolha do assunto foi motivada pela curiosidade do grupo condutor da atividade e pela adequa&ccedil;&atilde;o aos demais alunos da disciplina, que atuaram como integrantes do grupo de discuss&atilde;o, j&aacute; que todos j&aacute; haviam frequentado consult&oacute;rios odontol&oacute;gicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De uma popula&ccedil;&atilde;o formada por 20 graduandos, seis apresentaram&#45;se como volunt&aacute;rios para compor o grupo de discuss&atilde;o. Eles autorizaram a participa&ccedil;&atilde;o mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Compuseram os crit&eacute;rios de exclus&atilde;o os seguintes itens: ser portador de plano odontol&oacute;gico e/ou ser usu&aacute;rio exclusivo do servi&ccedil;o p&uacute;blico de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A equipe que coordenou a atividade foi constitu&iacute;da por alunos da j&aacute; referida disciplina, todos com forma&ccedil;&atilde;o em Odontologia. Foram quatro integrantes que desempenharam fun&ccedil;&otilde;es no desenrolar do grupo focal: mediador, relator, observador e operador de grava&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O mediador lan&ccedil;ou quest&otilde;es pertinentes ao tema e o GF desenvolveu&#45;se durante 55 minutos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A grava&ccedil;&atilde;o foi transcrita e submetida a an&aacute;lise de conte&uacute;do. O trabalho de Bardin &#91;1&#93; foi utilizado para sustentar o conceito "an&aacute;lise de conte&uacute;do". Essa autora o descreve como "um conjunto de t&eacute;cnicas de an&aacute;lise das comunica&ccedil;&otilde;es que visa obter, por procedimentos sistem&aacute;ticos e objetivos de descri&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do das mensagens, indicadores (quantitativos ou n&atilde;o) que permitem a infer&ecirc;ncia de conhecimentos relativos &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o/recep&ccedil;&atilde;o (vari&aacute;veis inferidas) destas mensagens". Esse m&eacute;todo consiste em tr&ecirc;s polos cronol&oacute;gicos: a) pr&eacute;&#45;an&aacute;lise, em que s&atilde;o realizadas as etapas de leitura flutuante, a escolha dos documentos, a formula&ccedil;&atilde;o de hip&oacute;teses e objetivos e a elabora&ccedil;&atilde;o de indicadores; b) explora&ccedil;&atilde;o do material e aplica&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica das decis&otilde;es tomadas na etapa anterior; c) tratamento dos resultados convertendo dados brutos em informa&ccedil;&otilde;es significativas e v&aacute;lidas, na infer&ecirc;ncia e interpreta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Durante a an&aacute;lise de conte&uacute;do foi utilizado o programa computacional Atlas. TI 5.0 como recurso tecnol&oacute;gico para a interpreta&ccedil;&atilde;o dos dados. Esta obedeceu aos seguintes passos: a) associou&#45;se o documento da transcri&ccedil;&atilde;o do grupo focal ao programa; b) realizou&#45;se a codifica&ccedil;&atilde;o com base nas categorias "compet&ecirc;ncia e experi&ecirc;ncia profissional", "educa&ccedil;&atilde;o continuada, organiza&ccedil;&atilde;o de recursos do cuidado &agrave; sa&uacute;de e incorpora&ccedil;&atilde;o de tecnologia"; c) foram feitas a leitura e a sele&ccedil;&atilde;o de cada passagem do texto e organizou&#45;se o documento prim&aacute;rio, com c&oacute;digos e fam&iacute;lias; d) procedeu&#45;se &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de redes sem&acirc;nticas ou preposicionais com os c&oacute;digos criados, permitindo a emers&atilde;o da teoria; e) efetuaram&#45;se a compila&ccedil;&atilde;o e a escrita do relat&oacute;rio baseando&#45;se nas redes criadas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Resultados e discuss&atilde;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Os usu&aacute;rios dos servi&ccedil;os de Odontologia, no grupo pesquisado, abandonaram a postura usual de intimida&ccedil;&atilde;o e medo para adotar a posi&ccedil;&atilde;o de consumidores exigentes, os quais requerem qualidades do profissional que possam garantir um bom atendimento e o sucesso do tratamento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na an&aacute;lise do discurso, a principal evid&ecirc;ncia foi que o profissional &eacute; escolhido pelas refer&ecirc;ncias que as pessoas obt&ecirc;m a respeito dele.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A quest&atilde;o do relacionamento pessoal foi muito valorizada pelo grupo, e refor&ccedil;aram&#45;se compet&ecirc;ncias como sensibilidade e compromisso com o ser humano contidas no texto das DCNs. As palavras que mais apareceram na fala dos sujeitos participantes foram: simpatia, empatia, alegria, capacidade de transmitir seguran&ccedil;a e confian&ccedil;a: "<I>A quest&atilde;o primeira &eacute; a refer&ecirc;ncia. Se um profissional, assim, que tem um atendimento t&atilde;o pr&oacute;ximo a voc&ecirc;, voc&ecirc; n&atilde;o vai buscar num cat&aacute;logo, numa... revista ou num livro, voc&ecirc; vai numa refer&ecirc;ncia e a simpatia</I>".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; experi&ecirc;ncia profissional traduzida nas DCNs como compromisso com a educa&ccedil;&atilde;o continuada e a habilidade t&eacute;cnica consolidada, essa caracter&iacute;stica &eacute; relatada em v&aacute;rios momentos, entre os quais se destacam: "<I>Pra mim, particularmente, &eacute; o modo como ele executa o procedimento. Isso &eacute; fundamental, se ele tem maestria e o resultado final daquele procedimento. Isso pra mim &eacute; compet&ecirc;ncia</I>"; "<I>Se ele est&aacute; atualizado com as &uacute;ltimas t&eacute;cnicas... n&atilde;o sei se t&eacute;cnica aqui &eacute; a melhor palavra, mas isso &eacute; algo que me preocupa, al&eacute;m de tudo que eles j&aacute; falaram: empatia, &#91;...&#93; profissionalismo tamb&eacute;m</I>".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A maioria dos participantes mostrou&#45;se contr&aacute;ria &agrave; ideia de ser submetida a tratamento odontol&oacute;gico por v&aacute;rios profissionais para resolver o seu problema de sa&uacute;de bucal, mesmo que dentro de um &uacute;nico ambiente cl&iacute;nico. Nas DCNs, essa necessidade do paciente expressa&#45;se pela determina&ccedil;&atilde;o do perfil do profissional generalista. Nem sempre os profissionais indicados transmitem a mesma confian&ccedil;a que o seu profissional de refer&ecirc;ncia. Assim, o paciente sente&#45;se despersonalizado e desvalorizado no seu atendimento. Sob a &oacute;ptica do paciente, a interven&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios profissionais n&atilde;o &eacute; percebida como resolutiva, mas sim como uma sequ&ecirc;ncia de a&ccedil;&otilde;es desconectadas entre si.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Al&eacute;m do que, retomando a quest&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o pessoal, o atendimento por profissionais diferentes impede a forma&ccedil;&atilde;o e a manuten&ccedil;&atilde;o do v&iacute;nculo e tamb&eacute;m &eacute; considerado uma forma de explora&ccedil;&atilde;o financeira: "<I>Ent&atilde;o vai pra l&aacute; e vai pr&aacute; c&aacute;... agora me p&otilde;e pra c&aacute;, agora voc&ecirc; vai com o meu irm&atilde;o, ent&atilde;o eu n&atilde;o gostei desse neg&oacute;cio, achei que eu tive mais consultas do que eu precisava...</I>"; "<I>Ent&atilde;o ele me indicou para um profissional que era amigo dele e eu fui, acreditando porque era uma refer&ecirc;ncia e que era muito bom. N&atilde;o questionei o pre&ccedil;o, fui no local em que ele me mandou e cheguei l&aacute;, fiz o procedimento, nota dez, fant&aacute;stico, mas, assim, a famosa pergunta que a gente faz: Quanto que &eacute;, doutor? A&iacute;, naquela &eacute;poca, j&aacute; tem uns dez anos atr&aacute;s, foi quase mil reais</I>"; "<I>Alguns cuidados que eu acho que o pr&oacute;prio profissional deveria ter at&eacute; pra n&atilde;o causar um pouco de constrangimento pro paciente seria informar o custo do trabalho, pra que depois o paciente n&atilde;o se sinta explorado</I>".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A defici&ecirc;ncia na comunica&ccedil;&atilde;o entre profissional e paciente fica clara na fala anterior. A capacidade de comunica&ccedil;&atilde;o requerida para o cirurgi&atilde;o&#45;dentista deve ser explicitada na habilidade de explicar o plano de tratamento, o seu desenvolvimento e o seu custo. Muitos participantes relataram a import&acirc;ncia de o profissional dar informa&ccedil;&otilde;es claras e exercer a escuta qualificada, no sentido de dar voz ao paciente nas suas necessidades. Um deles relatou: "<I>Se tiver do lado de l&aacute; um consultor... eu estou me sentindo bem atendido. Consultor no sentido de que ele vai me dar orienta&ccedil;&otilde;es do que eu devo fazer... ele &#91;o profissional&#93; tem que agir como um consultor. Se ele n&atilde;o tiver esse tipo de atitude eu procuro outro</I>".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A fala anterior demonstra que h&aacute; uma valoriza&ccedil;&atilde;o significativa da informa&ccedil;&atilde;o prestada pelo profissional. A informa&ccedil;&atilde;o possibilita ao paciente um olhar mais cr&iacute;tico em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s atitudes do cirurgi&atilde;o&#45;dentista e &agrave; qualidade do tratamento odontol&oacute;gico. O paciente sente&#45;se mais seguro quando o procedimento realizado tem significa&ccedil;&atilde;o para ele. Al&eacute;m disso, a orienta&ccedil;&atilde;o adequada favorece uma melhor proserva&ccedil;&atilde;o do tratamento, pois o conhecimento estimula o autocuidado, refor&ccedil;a a autonomia do paciente e afirma a corresponsabilidade com a manuten&ccedil;&atilde;o de sua sa&uacute;de bucal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quanto &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o, uma das maiores preocupa&ccedil;&otilde;es do paciente &eacute; com os procedimentos de biosseguran&ccedil;a. A primeira impress&atilde;o &eacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; limpeza e &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o do ambiente, que se for adequado leva o paciente a pressupor que os demais cuidados foram tomados: "<I>Limpeza em primeiro lugar. A higiene do ambiente no todo, desde a recep&ccedil;&atilde;o at&eacute; a broca que entra na minha boca</I>".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outros apresentam conhecimento mais aprofundado no que diz respeito &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de equipamentos de prote&ccedil;&atilde;o individual (EPIs) e esteriliza&ccedil;&atilde;o do instrumental: "<I>Pra mim os crit&eacute;rios s&atilde;o que todos usem luva, tudo esteja esterilizado, que eu possa ver retirando da estufa, colocando de novo e s&atilde;o esses crit&eacute;rios</I>".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A estrat&eacute;gia da entrevista qualitativa na modalidade de GF mostrou&#45;se adequada ao prop&oacute;sito da atividade. A aprendizagem foi exitosa, uma vez que o grupo dominou a estrat&eacute;gia e ainda avan&ccedil;ou no sentido de ter utilizado recurso que associou um programa computacional a um referencial te&oacute;rico consolidado para a an&aacute;lise do discurso dos sujeitos participantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A aplica&ccedil;&atilde;o da t&eacute;cnica de GF propiciou a imers&atilde;o do grupo no tema abordado por meio da viv&ecirc;ncia e da a&ccedil;&atilde;o&#45;reflex&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os resultados revelaram que as recomenda&ccedil;&otilde;es das DCNs para os cursos de Odontologia est&atilde;o conectadas com a representa&ccedil;&atilde;o social do cirurgi&atilde;o&#45;dentista.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">1. Bardin L. An&aacute;lise de conte&uacute;do. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70; 2009. 281 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=276526&pid=S1984-5685201000020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">2. Brasil. Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. Resolu&ccedil;&atilde;o CNE/CES n. 3, de 19 de fevereiro de 2002. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de gradua&ccedil;&atilde;o em Odontologia. Bras&iacute;lia: Di&aacute;rio Oficial da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil; 2002. Se&ccedil;&atilde;o 1, p. 10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=276528&pid=S1984-5685201000020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">3. Carlini&#45;Cotrim B. Potencialidades da t&eacute;cnica qualitativa grupo focal em investiga&ccedil;&otilde;es sobre abuso de subst&acirc;ncias. Rev Sa&uacute;de P&uacute;blica. 1996;30(3):285&#45;93.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=276530&pid=S1984-5685201000020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">4. Cruz Neto O, Moreira MR, Sucena LFM. Grupos focais e pesquisa social qualitativa: o debate orientado como t&eacute;cnica de investiga&ccedil;&atilde;o. In: XIII Encontro da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Estudos Populacionais; 2002; Ouro Preto. &#91;Acesso em Sep 2009 20&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.abep.nepo.unicamp.br/.../Com_JUV_P027_Neto_texto.pdf" target="_blank">http://www.abep.nepo.unicamp.br/.../Com_JUV_P027_Neto_texto.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=276532&pid=S1984-5685201000020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">5. Dall'Agnol CM, Trench MH. Grupos focais como estrat&eacute;gia metodol&oacute;gica em pesquisa na enfermagem. Rev Ga&uacute;cha Enfermagem. 1999;20(1):5&#45;25.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=276534&pid=S1984-5685201000020000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">6. Dias CA. Grupo focal: t&eacute;cnica de coleta de dados em pesquisas qualitativas. Informa&ccedil;&atilde;o &amp; Sociedade: Estudos. 2000;10(2):141&#45;58.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=276536&pid=S1984-5685201000020000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">7. Flexner A. Medical education in the United States and Canada. Nova York: The Carnegie Foundation for the Advancement of Teaching; 1910. Bulletin 4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=276538&pid=S1984-5685201000020000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">8. Iervolino AS, Pelicioni MCF. A utiliza&ccedil;&atilde;o do grupo focal como metodologia qualitativa na promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de. Rev Esc Enf USP. 2001;35(2):115&#45;21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=276540&pid=S1984-5685201000020000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">9. Krueger RA. Focus group: a practical guide for applied research. 2ª ed. Londres: Sage Publications; 1996. 200 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=276542&pid=S1984-5685201000020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">10. Liebscher P. Quantity with quality? Teaching quantitative and qualitative methods in a LIS Master's program. Library Trends. 1998;46(4):  668&#45;80.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=276544&pid=S1984-5685201000020000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">11. Morgan DL. Focus group. Annu Rev Sociol. 1996;22(1):129&#45;52.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=276546&pid=S1984-5685201000020000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">12. Morin E. A cabe&ccedil;a bem&#45;feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 8ª ed. 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Interpreta&ccedil;&atilde;o de dados qualitativos: m&eacute;todos para an&aacute;lise de entrevistas, textos e intera&ccedil;&otilde;es. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed; 2009. 376 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=276552&pid=S1984-5685201000020000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">15. Warren C. Qualitative interviewing. In: Gubrium JF, Holstein JA (Eds.). Handbook of interview research: context and method. 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