<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0004-5276</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista da Associacao Paulista de Cirurgioes Dentistas]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. Assoc. Paul. Cir. Dent.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0004-5276</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Associacão Paulista de Cirurgiões-Dentistas]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0004-52762016000300002</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[ODONTOLOGIA RESTAURADORA NA ERA ADESIVA]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[França]]></surname>
<given-names><![CDATA[Swellyn]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<volume>70</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>234</fpage>
<lpage>241</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0004-52762016000300002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0004-52762016000300002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0004-52762016000300002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="left"><font size="3" face="Verdana"><B>Mat&eacute;ria de capa</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="3" face="Verdana"><B>ODONTOLOGIA RESTAURADORA NA ERA ADESIVA</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i> Especialistas nacionais e internacionais falam um pouco sobre restaura&ccedil;&otilde;es adesivas com enfoque nas resinas bulk-fill, que surgiram para simplificar a t&eacute;cnica. Embora citem alguns cuidados necess&aacute;rios com essa classe de materiais, perspectivas positivas s&atilde;o unanimidade entre os entrevistados</i> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A Odontologia restauradora e est&eacute;tica e a filosofia de tratamento restaurador minimamente invasivo t&ecirc;m sido baseadas no conceito da ades&atilde;o dos materiais restauradores aos tecidos dentais mineralizados. Neste contexto, a Dent&iacute;stica atual se alicer&ccedil;a em princ&iacute;pios de preven&ccedil;&atilde;o, m&aacute;xima preserva&ccedil;&atilde;o e m&iacute;nima restaura&ccedil;&atilde;o ou interven&ccedil;&atilde;o das estruturas dentais, que somente puderam ser contemplados depois do conceito e aplica&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica das t&eacute;cnicas restauradoras adesivas. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Os sistemas adesivos desempenham um papel fundamental na Odontologia atual. O mecanismo de ades&atilde;o ao esmalte e &agrave; dentina consiste basicamente em um processo de substitui&ccedil;&atilde;o dos minerais removidos dos tecidos dentais duros, pelos mon&ocirc;meros resinosos obtendo-se uma reten&ccedil;&atilde;o micromec&acirc;nica pela penetra&ccedil;&atilde;o desses mon&ocirc;meros nas microrreten&ccedil;&otilde;es criadas com a remo&ccedil;&atilde;o desses minerais", explica a doutora em Dent&iacute;stica pela Faculdade de Odontologia da Universidade de S&atilde;o Paulo (Fousp), Alessandra Pereira de Andrade. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O professor titular de Dent&iacute;stica do Departamento de Odontologia Restauradora da Faculdade de Farm&aacute;cia, Odontologia e Enfermagem da Universidade Federal do Cear&aacute; (FFOE/UFC) e avaliador de cursos do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o desde 2002, Vicente de Paulo Arag&atilde;o Sab&oacute;ia, concorda que ter a possibilidade de praticar uma Odontologia Minimamente Invasiva &eacute; a principal vantagem das restaura&ccedil;&otilde;es adesivas diretas. "Os preparos podem se resumir &agrave; remo&ccedil;&atilde;o do tecido cariado e acabamento das paredes das cavidades. Isso &eacute; um avan&ccedil;o extremamente consider&aacute;vel se compararmos com os preparos cavit&aacute;rios que exigiam ampla destrui&ccedil;&atilde;o de tecido dental sadio em busca de reten&ccedil;&atilde;o para as restaura&ccedil;&otilde;es convencionais". </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outra vantagem das restaura&ccedil;&otilde;es adesivas diretas em resina composta, quando comparada &agrave;quelas realizadas em am&aacute;lgama est&aacute; relacionada ao grau est&eacute;tico que pode ser obtido. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Os protocolos adesivos empregando resinas compostas devolvem forma, textura e cor natural dos dentes h&iacute;gidos com baixo custo operacional. Outro aspecto importante &eacute; a recupera&ccedil;&atilde;o do estado de tens&atilde;o e deforma&ccedil;&atilde;o do dente restaurado de forma similar ao dente h&iacute;gido. As resinas possuem caracter&iacute;sticas mec&acirc;nicas otimizadas pelas novas formula&ccedil;&otilde;es, que aliada a integra&ccedil;&atilde;o adesiva faz com que o dente recupere a resist&ecirc;ncia similar a dos dentes h&iacute;gidos. Ou seja, a resist&ecirc;ncia do dente restaurado aos esfor&ccedil;os mastigat&oacute;rios passa a ser a mesma do dente natural", esclarece o doutor em Cl&iacute;nica Odontol&oacute;gica - &aacute;rea de Dent&iacute;stica - pela FOP-Unicamp, Carlos Jos&eacute; Soares, atual professor da &aacute;rea de Dent&iacute;stica e Materiais Odontol&oacute;gicos da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberl&acirc;ndia (UFU), em Minas Gerais, professor permanente do programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Odontologia da UFU e atual coordenador da &aacute;rea de Odontologia da Capes. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tamb&eacute;m destacando a vantagem est&eacute;tica das restaura&ccedil;&otilde;es adesivas, o professor respons&aacute;vel de Biomateriais e Odontologia Minimamente Invasiva na Universidad CEU Cardenal Herrera, na Espanha, Salvatore Sauro, que tem 15 anos de experi&ecirc;ncia em ades&atilde;o dental, Odontologia preventiva e biomateriais, enfatiza que as resinas compostas est&atilde;o dispon&iacute;veis em uma grande gama de cores para que este material possa combinar melhor com a cor natural das estruturas dent&aacute;rias a serem restauradas. "As resinas compostas, assim como as estruturas dent&aacute;rias, apresentam translucidez, opalesc&ecirc;ncia e fluoresc&ecirc;ncia. N&atilde;o h&aacute; qualquer outro material para restaura&ccedil;&otilde;es diretas que apresentem tais propriedades. H&aacute; ainda mais propriedades das resinas compostas que a fazem um material mais favor&aacute;vel que muitos outros. As resinas compostas s&atilde;o caracterizadas por resistencia &agrave; compress&atilde;o e tra&ccedil;&atilde;o altas, e pequenas altera&ccedil;&otilde;es em suas propriedades f&iacute;sicas e mec&acirc;nicas podem prover indica&ccedil;&otilde;es de utiliza&ccedil;&atilde;o mais amplas. O tipo de part&iacute;cula inorg&acirc;nica e a propor&ccedil;&atilde;o entre part&iacute;culas e matriz org&acirc;nica determinam a habilidade das resinas compostas em suportar desgaste e estresse. Ainda, as resinas apresentam excelentes propriedades de manipula&ccedil;&atilde;o resultando consequentemente em maior aceita&ccedil;&atilde;o de uso na maioria das situa&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas". </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As propriedades de 'ades&atilde;o indireta' das resinas compostas s&atilde;o outra vantagem muito importante quando estas s&atilde;o utilizadas em procedimentos restauradores diretos, conforme acrescenta Sauro. "Estes materiais podem ser aderidos a tecidos duros como, por exemplo, esmalte e dentina, por meio de sistemas adesivos espec&iacute;ficos. Sistemas adesivos modernos associados a procedimentos espec&iacute;ficos de ades&atilde;o permitem que cl&iacute;nicos criem uma uni&atilde;o micromec&acirc;nica e/ou qu&iacute;mica com a dentina e esmalte, resultando em reten&ccedil;&atilde;o est&aacute;vel de at&eacute; seis a oito anos de utiliza&ccedil;&atilde;o intrabucal. </font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entretanto, a sobrevida de uma restaura&ccedil;&atilde;o de resina composta tamb&eacute;m deve depender do tipo de sistema adesivo empregado e tamb&eacute;m da qualidade dos procedimentos adesivos realizados clinicamente", explana o professor da Universidad CEU Cardenal Herrera. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entretanto, h&aacute; algumas desvantagens relacionadas &agrave;s restaura&ccedil;&otilde;es adesivas diretas. "Todos os procedimentos que envolvem t&eacute;cnicas adesivas s&atilde;o muito mais sens&iacute;veis a varia&ccedil;&otilde;es de manipula&ccedil;&atilde;o e de contamina&ccedil;&atilde;o. Requer maior conhecimento t&eacute;cnico de todos os produtos empregados durante a aplica&ccedil;&atilde;o, maior conhecimento cient&iacute;fico para adequada escolha dos materiais para uso cl&iacute;nico, um treinamento do operador, j&aacute; que s&atilde;o materiais sens&iacute;veis a experi&ecirc;ncia operat&oacute;ria do usu&aacute;rio e n&atilde;o podem ser realizadas sem controle adequado da umidade do campo operat&oacute;rio. Estas caracter&iacute;sticas, restringem ou reduzem a durabilidade do procedimento quando realizadas em situa&ccedil;&otilde;es adversas, e podem, desta forma, ser consideradas como desvantagens da t&eacute;cnica adesiva", lembra a doutora em Materiais Dent&aacute;rios pela Universidade de S&atilde;o Paulo, Alessandra Reis, que atualmente &eacute; professora adjunta do Departamento de Dent&iacute;stica da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O maior problema que caracteriza todos os materiais &agrave; base de resina polimeriz&aacute;vel, na vis&atilde;o de Salvatore Sauro, &eacute; a contra&ccedil;&atilde;o volum&eacute;trica, e como consequ&ecirc;ncia o estresse gerado na interface entre dente e adesivo/resina. "A maioria das resinas micro-h&iacute;bridas ou nano-h&iacute;bridas apresenta contra&ccedil;&atilde;o de polimeriza&ccedil;&atilde;o que varia de 1,5 a 5,3%. &Eacute; conhecido que contra&ccedil;&atilde;o excessiva ou descontrolada de resinas pode levar &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de fendas e microinfiltra&ccedil;&atilde;o consequentemente. Outra desvantagem das resinas compostas &eacute; sua durabilidade. De fato, &eacute; relatado na literatura que at&eacute; quando se utiliza adesivo padr&atilde;o-ouro como, por exemplo, adesivos multipassos autocondicionantes ou de condicionamento total, n&atilde;o duram tanto quanto restaura&ccedil;&otilde;es de am&aacute;lgama (&gt; 15 anos de utiliza&ccedil;&atilde;o intrabucal). Adicionalmente, algumas restaura&ccedil;&otilde;es de resina podem degradar (especialmente em casos de erros operat&oacute;rios), desgastando relativamente r&aacute;pido e apresentando altera&ccedil;&atilde;o de cor. Estes problemas s&atilde;o mais evidentes em resinas microparticuladas de esmalte, as quais geralmente apresentam resist&ecirc;ncia mec&acirc;nica inferior e maior sor&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua e solubilidade que outras resinas micro-h&iacute;bridas ou nanoh&iacute;bridas. Al&eacute;m disso, restaura&ccedil;&otilde;es de resina composta s&atilde;o consideradas sens&iacute;veis &agrave; t&eacute;cnica. Isto significa que os cl&iacute;nicos devem apresentar habilidades e treinamento adequados para realizar restaura&ccedil;&otilde;es diretas em resina. Adicionalmente, a utiliza&ccedil;&atilde;o do isolamento absoluto &eacute; obrigat&oacute;ria durante procedimento de ades&atilde;o ou aplica&ccedil;&atilde;o das camadas resinosas para se evitar a contamina&ccedil;&atilde;o com saliva e sangue, reduzindo o risco de falha prematura da restaura&ccedil;&atilde;o", detalha.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Na opini&atilde;o do doutor em Cl&iacute;nica Odontol&oacute;gica pela Universidade Estadual de Campinas e University of North Carolina, Andr&eacute; Figueiredo Reis, que &eacute; professor associado do Centro de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o e Pesquisa da Universidade Guarulhos (CEPPE/ UNG), se a t&eacute;cnica adequada &eacute; empregada, n&atilde;o h&aacute; desvantagens em sua utiliza&ccedil;&atilde;o. "As pesquisas na &aacute;rea resultaram em materiais que minimizam estas desvantagens citadas (sensibilidade, contra&ccedil;&atilde;o de polimeriza&ccedil;&atilde;o e durabilidade), conseguindo altas taxas de sucesso em longo prazo. Claro que qualquer procedimento &eacute; operador-dependente, e se as recomenda&ccedil;&otilde;es dos fabricantes n&atilde;o forem seguidas e os princ&iacute;pios b&aacute;sicos de uni&atilde;o forem desrespeitados, resultados desastrosos podem acontecer", pondera. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Resinas bulk-fill surgem para facilitar a restaura&ccedil;&atilde;o direta adesiva</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O professor do CEPPE/UNG, Andr&eacute; Reis, conta que, em agosto de 2007, a convite do doutor Walter Dias, foi passar duas semanas prestando consultoria na empresa Dentsply Caulk, em Milford, nos Estados Unidos. "Nesta visita, tive a oportunidade de conversar com os qu&iacute;micos que desenvolveram a primeira resina bulk-fill de baixa tens&atilde;o de contra&ccedil;&atilde;o de polimeriza&ccedil;&atilde;o e auto-nivelamento do mercado, uma equipe brilhante, liderada pelos doutores Xiaoming Jin e Bernard Koltisko. Na ocasi&atilde;o Xiaoming Jin, me fez a seguinte pergunta: se voc&ecirc; encontrasse o g&ecirc;nio da l&acirc;mpada e tivesse direito a um desejo odontol&oacute;gico, o que pediria? Sem pensar duas vezes disse: uma resina composta que eu n&atilde;o precise inserir em incrementos, que n&atilde;o produza os efeitos indesej&aacute;veis da contra&ccedil;&atilde;o de polimeriza&ccedil;&atilde;o e tenha boas propriedades mec&acirc;nicas. Ele ficou pensativo e disse: estamos trabalhando nisso! No mesmo dia, tive um encontro com outro qu&iacute;mico, que tamb&eacute;m se tornou um grande amigo, Skip Bertrand, que me apresentou ao prot&oacute;tipo da SDR, veio com um manequim, e pediu para que utilizasse e apresentasse minha opini&atilde;o. Fiquei encantado com a facilidade de aplica&ccedil;&atilde;o, mas como pesquisador, pensei: este neg&oacute;cio n&atilde;o tem como funcionar, imposs&iacute;vel. Chegando ao Brasil, recebi um e-mail com uma proposta para desenvolver um projeto de pesquisa na Universidade Guarulhos para avaliar o material e propus a realiza&ccedil;&atilde;o de testes em cavidades clinicamente relevantes, 'para provar que o material n&atilde;o funcionava'. Por incr&iacute;vel que pare&ccedil;a, os resultados foram significativamente melhores do que a t&eacute;cnica incremental convencional. Vim saber alguns anos depois, que o projeto de desenvolvimento da Surefil SDR Flow estava pronto para ser descontinuado, e quando a empresa recebeu os meus resultados foi dado continuidade ao projeto, o que resultou no lan&ccedil;amento da primeira resina bulk-fill do mercado, em 2009". </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Andr&eacute; Reis apresentou o primeiro trabalho cient&iacute;fico sobre a resina no encontro da International Association for Dental Research, que aconteceu em Miami naquele mesmo ano. Depois do seu lan&ccedil;amento, o material rapidamente recebeu aprova&ccedil;&atilde;o dos cl&iacute;nicos e diversos outros pesquisadores publicaram resultados favor&aacute;veis. "Outros fabricantes se apressaram para n&atilde;o ficar de fora desta nova classe de materiais. Sobre empregabilidade, aceitabilidade e efic&aacute;cia? A t&eacute;cnica incremental est&aacute; com os dias contados. Desde 2009 n&atilde;o aplico mais a t&eacute;cnica incremental em dentes posteriores na minha pr&aacute;tica cl&iacute;nica. Utilizo a resina composta Surefil SDR Flow h&aacute; sete anos, e esta pr&aacute;tica cl&iacute;nica &eacute; apoiada por estudos cl&iacute;nicos de longo prazo e dezenas de pesquisas laboratoriais", enaltece Andr&eacute;. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Questionado sobre sua avalia&ccedil;&atilde;o quanto &agrave;s resinas bulk-fill, o professor da UFU e coordenador do Capes, Carlos Jos&eacute; Soares, acredita muito nesta modalidade de resina composta. "Pela facilidade de uso e pelos resultados de diversos estudos laboratoriais do nosso grupo e nos achados que a literatura recente e volumosa tem expressado sobre este tema. Estas resinas que surgiram h&aacute; poucos anos ganham espa&ccedil;o por duas caracter&iacute;sticas fundamentais: simplifica&ccedil;&atilde;o de protocolo e redu&ccedil;&atilde;o das tens&otilde;es de contra&ccedil;&atilde;o de polimeriza&ccedil;&atilde;o. A possibilidade de inser&ccedil;&atilde;o em &uacute;nico incremento para as resinas na forma de pastas ou de viscosidade regular restaurando dentina e esmalte ou ent&atilde;o no preenchimento da dentina com o uso das resinas flow ou de baixa viscosidade e posterior recobrimento com resinas convencionais superam algumas limita&ccedil;&otilde;es da t&eacute;cnica incremental convencional. Quanto &agrave; aceitabilidade vejo que ela &eacute; crescente e irrevers&iacute;vel por parte dos cl&iacute;nicos. O ganho de tempo e, mais que isso, a simplifica&ccedil;&atilde;o de protocolo agrega benef&iacute;cios ao profissional e ao paciente. Imagine o ganho de 20 a 30 minutos em cada procedimento extenso no atendimento de crian&ccedil;as; em condi&ccedil;&otilde;es de maior dificuldade de manuten&ccedil;&atilde;o do controle do campo operat&oacute;rio; e em casos de dentes tratados endodonticamente, tudo isso &eacute; extremamente relevante. Entendo que em breve este benef&iacute;cio ser&aacute; incorporado no servi&ccedil;o p&uacute;blico com ganho de efici&ecirc;ncia e produtividade. N&atilde;o tenho d&uacute;vida de que o futuro da Odontologia restauradora adesiva passa pela simplifica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas para ganho de tempo, mas por reduzir etapas onde a ocorr&ecirc;ncia de falhas tamb&eacute;m seja reduzida. Neste horizonte as resinas bulk-fill s&atilde;o grandes aliadas." </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Da mesma forma, o professor titular da FFOE UFC, Vicente Sab&oacute;ia descreve que, "as resinas bulk-fill possuem modo de aplica&ccedil;&atilde;o mais simples e passos operat&oacute;rios mais curtos, o que torna o trabalho mais r&aacute;pido, sendo bastante atrativa para os cl&iacute;nicos. Um comp&oacute;sito bulk-fill ideal seria aquele que exibisse pouco estresse de contra&ccedil;&atilde;o de polimeriza&ccedil;&atilde;o e mantivesse, ao mesmo tempo, um elevado grau de polimeriza&ccedil;&atilde;o por toda a restaura&ccedil;&atilde;o. Para atingirem um bom desempenho cl&iacute;nico, tais comp&oacute;sitos cont&ecirc;m mon&ocirc;meros modificados e part&iacute;culas que permitem elevada transmiss&atilde;o de luz que possibilitam a inser&ccedil;&atilde;o de uma &uacute;nica camada e a fotopolimeriza&ccedil;&atilde;o adequada at&eacute; uma profundidade de 4-5 mm. Uma inova&ccedil;&atilde;o dentro da categoria das resinas bulk-fill foi o desenvolvimento de uma resina que possui modificadores especiais que reagem &agrave; energia sonora (SonicFill - Kerr Co., Orange, CA, EUA), transmitida por meio de um equipamento espec&iacute;fico de ultrassom acoplado ao terminal do equipo. O acionamento do equipamento faz com que a viscosidade do material diminua em at&eacute; 87%, fazendo com que esse escoe facilmente para dentro da cavidade preenchendo-a por completo. Isso permite uma inser&ccedil;&atilde;o ainda mais r&aacute;pida e uma boa adapta&ccedil;&atilde;o nas paredes da cavidade. Quando a energia sonora &eacute; interrompida, a resina composta retorna para um estado mais viscoso, que &eacute; perfeito para escultura. As resinas bulk-fill t&ecirc;m apresentado bons resultados em ensaios laboratoriais com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s propriedades de polimeriza&ccedil;&atilde;o, forma&ccedil;&atilde;o de fendas, resist&ecirc;ncia de uni&atilde;o &agrave; dentina, deflex&atilde;o de c&uacute;spides, microinfiltra&ccedil;&atilde;o na parede cervical de restaura&ccedil;&otilde;es classe II, al&eacute;m de menor tens&atilde;o de contra&ccedil;&atilde;o e maior resist&ecirc;ncia &agrave; fratura. Esses materiais t&ecirc;m se mostrado promissores para restaura&ccedil;&otilde;es de dentes posteriores, no entanto, os trabalhos cl&iacute;nicos ainda necessitam de maior tempo de avalia&ccedil;&atilde;o". </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A utiliza&ccedil;&atilde;o das resinas bulk-fill tamb&eacute;m &eacute; defendida fora do Brasil. Doutora em Dent&iacute;stica pela Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de S&atilde;o Paulo (FOB-USP) e professora associada, respons&aacute;vel pelo laborat&oacute;rio de pesquisa e ensino em Materiais Dent&aacute;rios no Departamento de Odontologia da Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas e de Sa&uacute;de da Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, Ana Raquel Benetti conta que, na Dinamarca, resinas compostas s&atilde;o o material de escolha para restaurar dentes permanentes. "A t&eacute;cnica restauradora empregando resina bulk-fill &eacute; bem aceita na pr&aacute;tica cl&iacute;nica dinamarquesa devido &agrave; praticidade e rapidez da t&eacute;cnica e o respaldo das pesquisas cient&iacute;ficas. O uso de resinas bulk-fill &eacute; uma alternativa interessante, por exemplo, no tratamento de pacientes que t&ecirc;m dificuldade em manter a boca aberta por per&iacute;odos prolongados e onde o risco de contamina&ccedil;&atilde;o da cavidade &eacute; maior. Adicionalmente, o ganho de tempo cl&iacute;nico minimiza o desconforto do paciente frente a um tratamento restaurador mais prolongado. Vale ressaltar que maior translucidez e concentra&ccedil;&atilde;o de fotoiniciador de algumas resinas bulk-fill podem implicar em menor tempo de trabalho. A translucidez aumentada e/ou a limitada oferta de cores tamb&eacute;m t&ecirc;m implica&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas, mas como esses materiais s&atilde;o indicados para restaura&ccedil;&otilde;es posteriores, um resultado satisfat&oacute;rio pode ser obtido na grande maioria dos casos. Apesar disso, em minha opini&atilde;o, o Cirurgi&atilde;o-Dentista n&atilde;o necessita mudar sua pr&aacute;tica se ele est&aacute; satisfeito com os resultados obtidos com a resina composta convencional", considera. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O professor da Universidade CEU Cardenal Herrera, Salvatore Sauro, afirma que estas resinas fotopolimerizam em espessuras de 4 a 5 mm. "Isto parece apropriado devido &agrave;s propriedades de alta transmiss&atilde;o de luz, resultantes da redu&ccedil;&atilde;o de reflex&atilde;o de luz na interface entre part&iacute;cula e matriz org&acirc;nica da resina, tanto pelo decr&eacute;scimo do conte&uacute;do de part&iacute;culas ou pelo aumento do tamanho destas part&iacute;culas. Reivindica-se ainda que as resinas bulk-fill tamb&eacute;m geram pouca tens&atilde;o de contra&ccedil;&atilde;o de polimeriza&ccedil;&atilde;o na interface resina e dentina/esmalte. As bulk-fill de alta viscosidade cont&eacute;m maior conte&uacute;do de part&iacute;culas inorg&acirc;nicas em compara&ccedil;&atilde;o com as resinas fluidas, as quais apresentam melhor adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s paredes cavit&aacute;rias, embora exibam maior contra&ccedil;&atilde;o de polimeriza&ccedil;&atilde;o e menores propriedades mec&acirc;nicas quando comparadas &agrave;s resinas que podem ser esculpidas. Com isto, devido &agrave;s propriedades mec&acirc;nicas espec&iacute;ficas das resinas bulk-fill fluidas, uma camada final de 2 mm de espessura realizada com resinas de alta viscosidade &eacute; recomendada, especialmente quando for realizar restaura&ccedil;&otilde;es de &aacute;reas de grandes estresses como, por exemplo, superf&iacute;cies oclusais de dentes posteriores. Entretanto, somente algumas resinas bulk-fill 'especiais' s&atilde;o capazes de atingir polimeriza&ccedil;&atilde;o adequada em profundidade de 4 a 5 mm, at&eacute; mesmo quando se empregam aparelhos com alta irradi&acirc;ncia, com intensidade de luz &gt; 1000 mW/cm2. Tamb&eacute;m h&aacute; poss&iacute;veis problemas sobre contra&ccedil;&atilde;o volum&eacute;trica, estresse de contra&ccedil;&atilde;o e propriedades mec&acirc;nicas de todas as bulk-fills fluidas e esculp&iacute;veis dispon&iacute;veis atualmente no mercado". </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Salvatore comenta que, em um artigo recente de Hanan Al Sunbul, Nick Silikas e David C. Watts (Dent Mater. 2016 Aug;32(8):998-1006), muitas resinas convencionais e resinas bulk-fill foram investigadas e demonstrou-se um comportamento diferente de contra&ccedil;&atilde;o, o qual estava fortemente relacionado com diferentes sistemas de mon&ocirc;meros e part&iacute;culas de suas composi&ccedil;&otilde;es. "A natureza do material determina a quantidade de for&ccedil;a e grau de polimeriza&ccedil;&atilde;o e o estresse resultante. Estes autores tamb&eacute;m relatam que os resultados para as resinas bulk-fill estavam na por&ccedil;&atilde;o de menor tens&atilde;o e estresse de polimeriza&ccedil;&atilde;o, e que os materiais fluidos representavam a por&ccedil;&atilde;o com maiores resultados de estresse e tens&atilde;o de polimeriza&ccedil;&atilde;o. Entretanto, um dos objetivos mais importantes e problem&aacute;ticos entre cl&iacute;nicos do mundo todo &eacute; a polimeriza&ccedil;&atilde;o profunda em procedimentos com bulk-fill. Muitos cl&iacute;nicos utilizam sistemas de polimeriza&ccedil;&atilde;o que provem intensidade de luz entre 512mW/cm2 e 300mW/cm2. Nestas circunst&acirc;ncias cr&iacute;ticas, a utiliza&ccedil;&atilde;o de bulk-fills &eacute; em v&atilde;o, uma vez que n&atilde;o acontecer&aacute; uma polimeriza&ccedil;&atilde;o confi&aacute;vel em profundidades maiores que 2 mm. Com isto, a primeira recomenda&ccedil;&atilde;o, quando utiliza-se estas resinas, &eacute; que se usem aparelhos de polimeriza&ccedil;&atilde;o que perten&ccedil;am ao grupo daqueles que j&aacute; foram comprovados em estudos in vivo e in vitro, como o Bluephase (Ivoclar Vivadent), VALO (Ultradent) e outros poucos modelos. Ainda, os Cirurgi&otilde;es-Dentistas devem se certificar que a ponta do sistema de fotopolimeriza&ccedil;&atilde;o est&aacute; livre de res&iacute;duos resinosos, o que causaria redirecionamento da luz, prejudicando a energia entregue &agrave;s restaura&ccedil;&otilde;es de resina. Ent&atilde;o, uma das regras mais importantes a ser considerada para se atingir um alto grau de efici&ecirc;ncia (polimeriza&ccedil;&atilde;o &oacute;tima) de resinas bulk-fill modernas &eacute; que os cl&iacute;nicos devem manter a ponteira de seus sistemas de fotopolimeriza&ccedil;&atilde;o sempre em &oacute;timo estado. Outra regra importante para se ter em mente &eacute; que sistemas de fotopolimeriza&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida (fotopolimeriza&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s a cinco segundos) n&atilde;o possuem penetra&ccedil;&atilde;o t&atilde;o profunda quanto sistemas de cura lenta (&gt;30s). Al&eacute;m do mais, a luz nem sempre &eacute; emitida em &acirc;ngulo pr&oacute;ximo a 90 graus da fonte emissora. Isto reduzir&aacute; o n&iacute;vel de polimeriza&ccedil;&atilde;o em muitas situa&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas como, por exemplo, em restaura&ccedil;&otilde;es de superf&iacute;cies linguais de dentes anteriores, em superf&iacute;cies vestibular e lingual de dentes posteriores, em superf&iacute;cies distais de dentes posteriores e em caixas mesiais e distais de cavidades de Classe II. &Eacute; importante considerar, no entanto, que ap&oacute;s aplica&ccedil;&atilde;o em bloco de resinas compostas pode-se induzir contra&ccedil;&atilde;o cumulativa adicional em compara&ccedil;&atilde;o com a t&eacute;cnica de camadas com pequenos incrementos (&lt; 2 mm). Tamb&eacute;m, a rea&ccedil;&atilde;o de polimeriza&ccedil;&atilde;o em resinas com 4 mm de espessura pode produzir aumento excessivo de temperatura (at&eacute; 76,9&deg;C no interior da resina) durante a rea&ccedil;&atilde;o de polimeriza&ccedil;&atilde;o, o que pode causar inj&uacute;rias pulpares quando em cavidades profundas. Tem-se relatado que resinas compostas fluidas com baixo conte&uacute;do de part&iacute;culas apresentam maior aumento de temperatura que resinas h&iacute;bridas com a mesma distribui&ccedil;&atilde;o de part&iacute;culas", esmi&uacute;&ccedil;a o professor. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Outras evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A professora adjunta do Departamento de Dent&iacute;stica da UEPG, Alessandra Reis, refor&ccedil;a que &eacute; cada vez mais frequente a busca pelos pacientes por restaura&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas, tanto em dentes anteriores quanto em posteriores, e a resina composta geralmente &eacute; o material de escolha quando n&atilde;o h&aacute; desgaste excessivo da estrutura dental, devido ao f&aacute;cil acesso, custo relativamente baixo e possibilidade de preparos mais conservadores. "Uma caracter&iacute;stica inerente dos materiais resinosos &ndash; a contra&ccedil;&atilde;o de polimeriza&ccedil;&atilde;o (Rutterman et al., 2010, Oliveira et al., 2012) - pode gerar tens&otilde;es no substrato dental (Stansbury et al., 2005), falhas adesivas da interface dente-restaura&ccedil;&atilde;o, descolora&ccedil;&atilde;o marginal, c&aacute;rie adjacente &agrave; restaura&ccedil;&atilde;o (Braga e Ferracane 2004, Ferracane 2008), deflex&atilde;o de c&uacute;spide (Kwon et al., 2012), sensibilidade p&oacute;s-operat&oacute;ria e microfissuras de esmalte (Ferracane 2008). Para minimizar estes efeitos delet&eacute;rios recomenda-se o uso da t&eacute;cnica incremental para inser&ccedil;&atilde;o da resina composta. Outra desvantagem das resinas compostas convencionais &eacute; a sua limitada profundidade de polimeriza&ccedil;&atilde;o. Conforme aumenta a espessura do incremento da resina composta, h&aacute; uma redu&ccedil;&atilde;o gradativa no grau de convers&atilde;o da resina composta, e com isto redu&ccedil;&atilde;o nas propriedades mec&acirc;nicas do material (Rueggeberg et al., 1994; Rueggeberg et al., 1999). Estas duas caracter&iacute;sticas inerentes das resinas compostas (contra&ccedil;&atilde;o de polimeriza&ccedil;&atilde;o e limitada profundidade de polimeriza&ccedil;&atilde;o) requerem que sua aplica&ccedil;&atilde;o ou inser&ccedil;&atilde;o na cavidade seja realizada em incrementos. Assim, a restaura&ccedil;&atilde;o de resina composta convencional deve ser realizada em incrementos que idealmente n&atilde;o deveriam ter mais do que 1 mm de espessura (Rueggeberg et al., 1994) para assegurar &oacute;tima polimeriza&ccedil;&atilde;o mesmo em condi&ccedil;&otilde;es adversas, como intensidade ou tempo de exposi&ccedil;&atilde;o inferiores aos recomendados pelo fabricante. No entanto, 2 mm de espessura &eacute; considerado aceit&aacute;vel, desde que a intensidade de luz e o tempo de exposi&ccedil;&atilde;o totalizem uma densidade de energia em torno de 16-24 J/cm2 (Rueggeberg et al., 1999). Por outro lado, a t&eacute;cnica de inser&ccedil;&atilde;o incremental possui alguns inconvenientes (Ferracane 2008), como a possibilidade de ocorrer contamina&ccedil;&atilde;o ou incorpora&ccedil;&atilde;o de bolhas entre as camadas, al&eacute;m de necessitar de um maior tempo cl&iacute;nico para execu&ccedil;&atilde;o (Abbas et al., 2003, Lazarchik et al., 2007), que por sua vez aumenta os custos envolvidos na confec&ccedil;&atilde;o da restaura&ccedil;&atilde;o. Desta forma, uma resina composta ideal seria aquela que pudesse ser efetivamente fotoativada e atingisse propriedades mec&acirc;nicas satisfat&oacute;rias para uso cl&iacute;nico quando inseridas em um &uacute;nico incremento". </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Alessandra declara que esta &eacute; a raz&atilde;o pela qual diversos fabricantes j&aacute; tentaram (com gera&ccedil;&otilde;es anteriores de resinas) e mais atualmente reeditaram este conceito produzindo novas resinas compostas bulk-fill com diferentes tecnologias das utilizadas no passado. "Estas novas resinas compostas bulk fill, permitem a inser&ccedil;&atilde;o de incrementos de espessura de at&eacute; 4 mm, de uma &uacute;nica vez, quanto que as atuais podem ser de baixa ou alta viscosidade, sendo que as de baixa viscosidade requerem a cobertura por um incremento de resina composta convencional, que n&atilde;o se faz necess&aacute;rio quando se utiliza as resinas compostas bulk-fill de alta viscosidade. A facilidade e a rapidez proporcionada por esta t&eacute;cnica a tornou muito popular, mas por outro lado os cl&iacute;nicos se sentem muito inseguros quanto ao seu emprego j&aacute; que conhecem as limita&ccedil;&otilde;es das resinas compostas convencionais. Questionamentos sobre os mecanismos pelos quais as resinas bulk-fill t&ecirc;m melhor profundidade de polimeriza&ccedil;&atilde;o e como elas foram capazes de reduzir os efeitos delet&eacute;rios advindos da contra&ccedil;&atilde;o de polimeriza&ccedil;&atilde;o comparativamente &agrave;s resinas compostas convencionais s&atilde;o bastante pertinentes e devem ser elucidados. Basicamente, a melhoria profundidade de polimeriza&ccedil;&atilde;o das resinas bulk-fill foi melhorada por meio dos seguintes mecanismos: 1. Aumento da translucidez da matriz monom&eacute;rica atrav&eacute;s de altera&ccedil;&otilde;es nos &iacute;ndices de refra&ccedil;&atilde;o matriz-carga e redu&ccedil;&atilde;o do uso de pigmentos ou agentes opacificadores que absorvem a luz e assim reduzem sua passagem para regi&otilde;es mais profundas (Bucuta et al., 2014); 2. Melhoria na efic&aacute;cia da polimeriza&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do uso de maior concentra&ccedil;&atilde;o de iniciadores ou mediante o uso de diferentes co-iniciadores com maior pot&ecirc;ncia tais como o Irgacure 819 e o Ivocerin. Diversos estudos laboratoriais atestam que a maioria das resinas bulk-fill atuais possuem uma adequada cura e profundidade de polimeriza&ccedil;&atilde;o (Alshali et al., 2013, Abed et al., 2015, Fronza et al., 2015), microdureza (Flury et al., 2012, Czasch e Ilie 2012), al&eacute;m de reduzida elui&ccedil;&atilde;o monom&eacute;rica (Alshali et al., 2015, Cebe et al., 2015) e deforma&ccedil;&atilde;o pl&aacute;stica (El-Safty et al., 2012) comparativamente que as resinas compostas convencionais e desta forma, neste quesito, podem ser utilizadas com seguran&ccedil;a desde que os outros fatores envolvidos, tais como tempo de exposi&ccedil;&atilde;o e intensidade de luz da unidade fotoativadora, sejam adequados para uma adequada convers&atilde;o monom&eacute;rica." </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">E quanto &agrave;s tens&otilde;es desenvolvidas durante a contra&ccedil;&atilde;o de polimeriza&ccedil;&atilde;o? Quais foram os mecanismos desenvolvidos para minimizar estes efeitos? A professora da UEPG responde que "sabe-se que a composi&ccedil;&atilde;o da resina composta e que a t&eacute;cnica de inser&ccedil;&atilde;o s&atilde;o fatores prim&aacute;rios empregados para reduzir o desenvolvimento de tens&otilde;es da contra&ccedil;&atilde;o de polimeriza&ccedil;&atilde;o (Ferracane, 2011; Gao et al., 2012) e seus consequentes efeitos delet&eacute;rios. Neste quesito, diversos tipos de modifica&ccedil;&otilde;es foram realizadas na depend&ecirc;ncia da marca comercial do produto. Por exemplo, no material SDR&reg; bulk-fill, a mol&eacute;cula de UDMA foi modificada de adi&ccedil;&atilde;o de grupamentos fotoativos, que gerou menores tens&otilde;es de polimeriza&ccedil;&atilde;o que outras resinas compostas de baixa viscosidade de resinas compostas convencionais (Ilie et al., 2011). Outros sistemas aumentam a concentram de part&iacute;culas de carga, empregam part&iacute;culas de carga pre-polimerizadas &agrave; semelhan&ccedil;as das resinas compostas microparticuladas e alguns ainda empregam outros tipos de modifica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o reveladas pelas empresas. Estas modifica&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m mostrado resultados satisfat&oacute;rios nos estudos laboratoriais, por vezes melhores ou por vezes similares &agrave;queles observados com as resinas compostas convencionais que requerem inser&ccedil;&atilde;o incremental. Estes estudos mostram que estas resinas bulk-fill apresentam tens&otilde;es de contra&ccedil;&atilde;o de polimeriza&ccedil;&atilde;o similar ou reduzida, comparativamente &agrave;s resinas compostas convencionais que usam t&eacute;cnica incremental (Al Sunbul et al., 2016; Rosatto et al., 2015). A integridade marginal (Campos et al., 2014; Al-Harbi et al., 2016) e infiltra&ccedil;&atilde;o marginal (Francis et al., 2015, Furness et al., 2014) &eacute; semelhante &agrave;quela observada com as resinas convencionais, por&eacute;m observa-se reduzida deflex&atilde;o cusp&iacute;dea com as resinas compostas bulk-fill (Francis et al., 2015; Bahery et al., 2016). Os mecanismos envolvidos nestes resultados n&atilde;o est&atilde;o bem elucidados e s&atilde;o dependentes da marca comercial do produto. Ainda s&atilde;o poucos os estudos cl&iacute;nicos sobre o tema, por&eacute;m os existentes apontam que as resinas compostas bulk-fill apresentam resultados semelhantes em termos de sensibilidade p&oacute;s-operat&oacute;ria e efic&aacute;cia cl&iacute;nica, quando comparados com as resinas empregadas na t&eacute;cnica incremental quando utilizadas em dentes posteriores (Costa et al. 2016; Van Dijken et al. 2016). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A professora da Universidade de Copenhagen, Ana Raquel, conta que "em nosso laborat&oacute;rio investigamos cinco resinas bulk-fill (de alta e baixa viscosidade) quanto &agrave; profundidade de polimerizac&atilde;o, contrac&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o de fendas marginais em cavidades de Classe II* (Benetti et al. 2015). Quando comparadas &agrave; resina composta convencional, apenas um pequeno aumento quanto &agrave; contrac&atilde;o volum&eacute;trica e profundidade de polimerizac&atilde;o foi constatado para as resinas bulk-fill de alta viscosidade (Tetric EvoCeram Bulk Fill, SonicFill). Em contrapartida, as resinas bulk-fill de baixa viscosidade (x-tra base, Venus Bulk Fill, SDR) mostraram significativamente maior contrac&atilde;o e profundidade de polimerizac&atilde;o. Interessantemente, a forma&ccedil;&atilde;o de fendas marginais foi semelhante &agrave;quela observada para a resina composta convencional (Tetric EvoCeram), com exce&ccedil;&atilde;o das resinas x-tra base e Venus Bulk Fill onde maiores fendas foram constatadas em nosso estudo. Em parceria com Trinity College Dublin, na Irlanda, observamos que as resinas bulk-fill de baixa viscosidade (SDR, x-tra base) recobertas com resina composta convencional (GrandioSO) resultaram em significativamente menor deflec&ccedil;&atilde;o das c&uacute;spides ao restaurar cavidades de Classe II em pr&eacute;-molares, em compara&ccedil;&atilde;o com &agrave; t&eacute;cnica incremental, empregando a mesma resina composta convencional (Moorthy A et al. 2012). A t&eacute;cnica restauradora com resina bulk-fill foi introduzida no ensino de gradua&ccedil;&atilde;o em Odontologia na Universidade de Copenhague h&aacute; aproximadamente dois anos, quando os resultados de acompanhamento cl&iacute;nico de tr&ecirc;s anos de uma resina bulk-fill de baixa viscosidade (SDR) recoberta com resina composta convencional (Ceram X) mostraram resultados compar&aacute;veis &agrave; t&eacute;cnica restauradora incremental com a mesma resina composta. Esses resultados, em parceria entre as escolas de Odontologia da Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, e da Universidade de Ume&aring;, na Su&eacute;cia, foram confirmados ap&oacute;s cinco anos de acompanhamento cl&iacute;nico das restaura&ccedil;&otilde;es (van Dijken JW et al. 2016)". </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Perspectivas sobre resinas bulk-fill s&atilde;o otimistas</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Alessandra Pereira de Andrade, avalia as expectativas em rela&ccedil;&atilde;o aos comp&oacute;sitos bulk-fill como animadoras. "Pois a aceita&ccedil;&atilde;o mostra-se efetiva pela praticidade, pela possibilidade em algumas cavidades da utiliza&ccedil;&atilde;o da t&eacute;cnica de monoincremento de at&eacute; 5mm, diminuindo assim problemas da t&eacute;cnica de inser&ccedil;&atilde;o incremental. Algumas empresas devem otimizar as propriedades &oacute;ticas de suas resinas bulk-fill visto que algumas marcas comerciais apresentam alta translucidez que facilita a polimeriza&ccedil;&atilde;o em maior profundidade, por&eacute;m apresentam um aspecto acinzentado ap&oacute;s o t&eacute;rmino da restaura&ccedil;&atilde;o. Vale salientar que uma aten&ccedil;&atilde;o adicional aos equipamentos de fotopolimeriza&ccedil;&atilde;o utilizados deve ser empregada. Por serem realizadas polimeriza&ccedil;&otilde;es de camada de at&eacute; 5mm de espessura, s&atilde;o necess&aacute;rios fotopolimerizadores com pot&ecirc;ncia m&iacute;nima de 800mW/cm2, sendo o idealmente desejada uma potencia de 1000mW/cm2", refor&ccedil;a. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Embora acredite que os trabalhos cl&iacute;nicos apresentem ainda resultados de muito curto prazo, o professor da FFOE/UFC, Vicente Sab&oacute;ia, diz que "espera-se que restaura&ccedil;&otilde;es feitas com esses materiais tenham maior tempo de vida cl&iacute;nica. Pesquisas s&atilde;o feitas constantemente e as perspectivas s&atilde;o de que sejam desenvolvidos materiais ainda com melhores propriedades mec&acirc;nicas e t&eacute;cnica menos sens&iacute;vel para que no final tenhamos restaura&ccedil;&otilde;es com maior tempo de vida &uacute;til". </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Em raz&atilde;o do crescente n&uacute;mero de estudos e do desenvolvimento tecnol&oacute;gico na &aacute;rea de materiais dent&aacute;rios h&aacute; expectativas de melhorias quanto &agrave;s propriedades f&iacute;sicas das resinas bulk-fill", avalia Ana Raquel, da Universidade de Copenhagen. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Andr&eacute; Reis, professor do CEPPE/UNG, &eacute; taxativo: "Em um futuro pr&oacute;ximo, todas as restaura&ccedil;&otilde;es em dentes posteriores ser&atilde;o realizadas com comp&oacute;sitos bulk-fill. N&atilde;o existe volta! A t&eacute;cnica incremental utilizando comp&oacute;sito convencional &eacute; coisa do passado. &Eacute; &oacute;bvio que a t&eacute;cnica incremental ainda funciona, mas o que se ganha de tempo cl&iacute;nico e o que temos de melhora na adapta&ccedil;&atilde;o marginal e adapta&ccedil;&atilde;o interna da restaura&ccedil;&atilde;o justificam a sua aplica&ccedil;&atilde;o". </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"As resinas bulk-fill devem se tornar mais populares com o passar do tempo e seu uso deve-se virar corriqueiro, principalmente em dentes posteriores. De uma forma gen&eacute;rica, estes materiais ainda possuem limita&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas, o que restringem seu uso em &aacute;reas amplas em restaura&ccedil;&otilde;es anteriores", opina a professora da UEPG, Alessandra Reis. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Salvatore Sauro, da Universidad CEU Cardenal Herrera, "as perspectivas futuras das resinas bulk-fill s&atilde;o muito positivas. Esta classe de materiais &eacute; destinada para conquistar o cen&aacute;rio global da Odontologia est&eacute;tica adesiva, uma vez que o crescente peso financeiro em sa&uacute;de criou a necessidade de restaura&ccedil;&otilde;es mais simples e r&aacute;pidas, mas com durabilidade melhorada. Este &uacute;ltimo aspecto ser&aacute; possivelmente realizado devido ao baixo estresse de contra&ccedil;&atilde;o que estas resinas compostas devem gerar na interface adesiva. Assim, a utiliza&ccedil;&atilde;o destes materiais oferecer&aacute; aos cl&iacute;nicos a possibilidade de realizar restaura&ccedil;&otilde;es com mais longevidade e maior custo-benef&iacute;cio em compara&ccedil;&atilde;o a restaura&ccedil;&otilde;es mais laboriosas. Entretanto, pesquisadores e companhias de materiais odontol&oacute;gicos devem manter coopera&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua para criar novos mon&ocirc;meros de baixa contra&ccedil;&atilde;o e resinas bulk-fill, a fim de gerar materiais restauradores com polimeriza&ccedil;&atilde;o e contra&ccedil;&atilde;o de polimeriza&ccedil;&atilde;o otimizadas".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> "Tamb&eacute;m concordo que as perspectivas s&atilde;o promissoras, os indicadores de desempenho nos estudos laboratoriais demonstram tend&ecirc;ncia de sucesso e de efetividade. Por&eacute;m, refor&ccedil;o que este desempenho &eacute; dependente do material, ou seja, resinas compostas com formula&ccedil;&otilde;es distintas apresentam desempenhos diferenciados. Os cl&iacute;nicos devem estar atentos a informa&ccedil;&otilde;es atualizadas geradas por fontes seguras e respons&aacute;veis que o suporte na sele&ccedil;&atilde;o do material. Tenho convic&ccedil;&atilde;o de que melhoras vir&atilde;o como o ganho de efetividade de polimeriza&ccedil;&atilde;o em profundidades maiores que os 4 a 5 mm que os materiais j&aacute; apresentam hoje, aliado a adequada translucidez que n&atilde;o comprometa a est&eacute;tica. Pensar em efici&ecirc;ncia nos remete a acompanhamento cl&iacute;nico, que ainda s&atilde;o escassos, por&eacute;m est&atilde;o sendo realizados neste momento por diversos pesquisadores ao redor do mundo. Os poucos j&aacute; dispon&iacute;veis s&atilde;o encorajadores e estimulam o uso. Nosso grupo em Uberl&acirc;ndia est&aacute; em fase final de um estudo longitudinal de tr&ecirc;s anos de uso de resinas bulk-fill em condi&ccedil;&otilde;es extrema, ou seja, em dentes severamente destru&iacute;dos com tratamento endod&ocirc;ntico em pacientes jovens e os resultados s&atilde;o excelentes. Incorporar este material na pr&aacute;tica cl&iacute;nica n&atilde;o requer grandes investimentos e muito menos modifica&ccedil;&otilde;es substanciais na conduta cl&iacute;nica. Sugiro aos profissionais que sigam adequadamente a recomenda&ccedil;&atilde;o dos produtos selecionados e que se atualizem com as in&uacute;meras fontes de educa&ccedil;&atilde;o continuada, mas sempre com cuidado, analisando a fonte da informa&ccedil;&atilde;o que est&aacute; se baseando para construir a sua tomada de decis&atilde;o", finaliza o professor da UFU, Carlos Jos&eacute; Soares. </font></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><i><b>Por Swellyn Fran&ccedil;a    <br> </b></i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body>

</article>
