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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Variáveis associadas ao desempenho de cirurgiões-dentistas na estratégia de saúde da família]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Background: the Family Health Program (FHP) has become in recent years the main strategy to improve the organization of health services in primary care in our country and, since 2000, dental services have been included in FHP to restructure all actions and practices of oral health in primary care. Objective: The aim of this study was to investigate the variables that impact the performance of professionals in relation to dentistry in the FHP. Methods: a sample of 15 dentists working in oral health teams from FHP of the city of Jequié, BA, participated in this study. The instrument of data collection was a selfapplied questionnaire. Data analysis was performed using descriptive statistics and exact Fischer test. Results: the majority (86.6%) of dentists reported that clinical care was the main activity among oral health actions, while preventive activities were performed less frequently. The majority of dentists (78.6%) declared dissatisfaction with their salary but 71.4% reported satisfaction in working in oral health teams of the FHP. Conclusion: it was concluded that despite the adversities encountered, the professionals felt pleased to be working in the FHP. It was verified a centralization of activities in the figure of the dentist in their office, which pointed to the need to invest in continuing education for professionals.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><a name="top"/></a><B>Vari&aacute;veis associadas ao desempenho de cirurgi&otilde;es-dentistas na estrat&eacute;gia de sa&uacute;de da fam&iacute;lia</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Variables associated to the performance of dental surgeons in the health family strategy</B> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Vanessa Barreiros Gon&ccedil;alves<sup>I</sup>; Luciane Miranda Guerra<sup>II</sup>; Antonio Carlos Pereira<sup>IV</sup>    <br> Marcelo de Castro Meneghim<sup>III</sup>; F&aacute;bio Luiz Mialhe<sup>IV</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup> Professora mestra da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Jequi&eacute; - BA, Brasil    <br> <sup>II</sup> Professora Doutora. Adjunta do Departamento de Sa&uacute;de Coletiva da Faculdade de Medicina de Jundia&iacute; SP. Jundia&iacute; - SP, Brasil    ]]></body>
<body><![CDATA[<br><sup>III</sup> Professor Livre-Docente do Departamento de Odontologia Social da Faculdade de Odontologia de Piracicaba &ndash; FOP-Unicamp. Piracicaba - SP, Brasil    <br> <sup>IV</sup> Professor Titular do Departamento de Odontologia Social da Faculdade de Odontologia de Piracicaba &ndash; FOP-Unicamp. Piracicaba - SP, Brasil</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#back">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Introdu&ccedil;&atilde;o: a estrat&eacute;gia de sa&uacute;de da fam&iacute;lia (ESF) tem se tornado, nos &uacute;ltimos anos, a principal estrat&eacute;gia para alavancar a reorganiza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de na aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica e, desde 2000, a Odontologia foi inserida nesse contexto visando &agrave; reestrutura&ccedil;&atilde;o de todas as a&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas em sa&uacute;de bucal na aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica. Objetivos: O objetivo deste estudo foi investigar as vari&aacute;veis que impactam no desempenho de profissionais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; odontologia na ESF. M&eacute;todos: para esse fim, participaram 15 cirurgi&otilde;es-dentistas (CDs) que faziam parte de equipes de sa&uacute;de bucal da ESF no munic&iacute;pio de Jequi&eacute; - BA. Foram utilizados question&aacute;rios autoaplic&aacute;veis como instrumento de coleta dos dados para os dentistas. A an&aacute;lise dos dados foi realizada por meio de estat&iacute;stica descritiva e pelo uso do teste exato de Fischer. Resultados: a maioria (86,6%) dos CDS participantes afirmou realizar o atendimento cl&iacute;nico como atividade predominante dentre as a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de bucal, ao passo que as atividades preventivas foram desempenhadas com menor frequ&ecirc;ncia. A remunera&ccedil;&atilde;o foi vista como negativa por 78,6% dos profissionais, apesar de 71,4% relatarem satisfa&ccedil;&atilde;o em trabalhar na ESF. Conclus&atilde;o: apesar das adversidades encontradas, os profissionais sentiam-se satisfeitos em trabalhar na ESF e havia centraliza&ccedil;&atilde;o das atividades na figura do profissional e no consult&oacute;rio, o que apontou para necessidade de reformula&ccedil;&atilde;o dos processos de trabalho, visando &agrave; descentraliza&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es para toda a equipe e &agrave; atua&ccedil;&atilde;o do profissional para al&eacute;m dos muros das unidades de sa&uacute;de, e demonstrando , inclusive, necessidade de investimento na educa&ccedil;&atilde;o permanente dos profissionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>Palavras-chave: </B>Recursos humanos em odontologia. Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de. Sa&uacute;de bucal. Sa&uacute;de da fam&iacute;lia.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><B>ABSTRACT</B> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Background: the Family Health Program (FHP) has become in recent years the main strategy to improve the organization of health services in primary care in our country and, since 2000, dental services have been included in FHP to restructure all actions and practices of oral health in primary care. Objective: The aim of this study was to investigate the variables that impact the performance of professionals in relation to dentistry in the FHP. Methods: a sample of 15 dentists working in oral health teams from FHP of the city of Jequi&eacute;, BA, participated in this study. The instrument of data collection was a selfapplied questionnaire. Data analysis was performed using descriptive statistics and exact Fischer test. Results: the majority (86.6%) of dentists reported that clinical care was the main activity among oral health actions, while preventive activities were performed less frequently. The majority of dentists (78.6%) declared dissatisfaction with their salary but 71.4% reported satisfaction in working in oral health teams of the FHP. Conclusion: it was concluded that despite the adversities encountered, the professionals felt pleased to be working in the FHP. It was verified a centralization of activities in the figure of the dentist in their office, which pointed to the need to invest in continuing education for professionals.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>Keywords: </B>Dental staff. Family health. Oral health. Unified health system.</font> </p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B> Introdu&ccedil;&atilde;o</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Durante muitos anos, no Brasil, a inser&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de bucal e das pr&aacute;ticas odontol&oacute;gicas no Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS) deu-se de forma paralela e afastada do processo de organiza&ccedil;&atilde;o dos demais servi&ccedil;os de sa&uacute;de. Essa situa&ccedil;&atilde;o vem sendo revertida, observando-se uma maior integra&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de bucal aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, a partir da conjuga&ccedil;&atilde;o de saberes e de pr&aacute;ticas que apontam para a promo&ccedil;&atilde;o e vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de, para revis&atilde;o das pr&aacute;ticas assistenciais que incorporam a abordagem familiar e a defesa da vida<sup>1</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> De acordo com o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, as a&ccedil;&otilde;es realizadas pelas equipes de sa&uacute;de da fam&iacute;lia incluem a&ccedil;&otilde;es territoriais que extrapolam os muros das unidades de sa&uacute;de, enfatizando atividades educativas e de preven&ccedil;&atilde;o de riscos e agravos espec&iacute;ficos, com a&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de de grupos priorit&aacute;rios. A estrat&eacute;gia de sa&uacute;de da fam&iacute;lia (ESF) vem se apresentando como estrat&eacute;gia de reorganiza&ccedil;&atilde;o da aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria da sa&uacute;de, influenciando na reestrutura&ccedil;&atilde;o do modelo de aten&ccedil;&atilde;o em sua totalidade. Busca romper a organiza&ccedil;&atilde;o disciplinar tradicional, fragmentada e prioritariamente voltada para a dimens&atilde;o biol&oacute;gica do processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a, oferecendo condi&ccedil;&otilde;es para que m&eacute;dicos, enfermeiros, cirurgi&otilde;es-dentistas, e demais profissionais sejam capazes de estabelecer conex&otilde;es entre os conhecimentos espec&iacute;ficos de cada profiss&atilde;o, com a proposi&ccedil;&atilde;o de novas pr&aacute;ticas de cuidado em sa&uacute;de<sup>2</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nessa nova vis&atilde;o, a publica&ccedil;&atilde;o da portaria ministerial n&ordm; 1.444, de 28 de dezembro de 2000, inseriu oficialmente a aten&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de bucal na ESF, sob a modalidade um: composta de um cirurgi&atilde;o-dentista e um auxiliar de sa&uacute;de bucal (ASB); e a modalidade dois: um CD, um ASB e um t&eacute;cnico em sa&uacute;de bucal (TSB)<sup>1</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As diretrizes da pol&iacute;tica nacional de sa&uacute;de bucal apontam para o desenvolvimento de a&ccedil;&otilde;es na perspectiva do cuidado em sa&uacute;de bucal, seguindo os princ&iacute;pios da gest&atilde;o participativa, &eacute;tica, acesso e acolhimento, universalidade, integralidade e equidade. No campo da sa&uacute;de bucal, essa nova forma de se fazer as a&ccedil;&otilde;es cotidianas representa, ao mesmo tempo, um avan&ccedil;o significativo e um grande desafio. Um novo espa&ccedil;o de pr&aacute;ticas e rela&ccedil;&otilde;es a serem constru&iacute;das, com possibilidades de reorientar o processo de trabalho e a pr&oacute;pria inser&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de bucal no &acirc;mbito dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de. Vislumbra-se uma possibilidade de aumento de cobertura, de efetividade na resposta &agrave;s demandas da popula&ccedil;&atilde;o e de alcance de medidas de car&aacute;ter coletivo. As maiores possibilidades de ganhos situam-se nos campos do trabalho em equipe, das rela&ccedil;&otilde;es com os usu&aacute;rios e da gest&atilde;o, implicando uma nova forma de se produzir o cuidado em sa&uacute;de bucal<sup>8</sup>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Com mais de uma d&eacute;cada de inser&ccedil;&atilde;o na estrat&eacute;gia de sa&uacute;de da fam&iacute;lia, a sa&uacute;de bucal ainda encontra desafios para sedimentar-se. A avalia&ccedil;&atilde;o e o monitoramento das a&ccedil;&otilde;es, das informa&ccedil;&otilde;es, dos indicadores, dos processos de trabalho e demais vari&aacute;veis que possam impactar no desempenho profissional s&atilde;o fundamentais para o alcance da sua excel&ecirc;ncia e para sua sustentabilidade. Com base nessa compreens&atilde;o, faz-se necess&aacute;ria a realiza&ccedil;&atilde;o de estudos que avaliem tal inser&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de diferentes vis&otilde;es (gestor, usu&aacute;rio e profissional), a fim de que sejam identificados os desafios e entraves &agrave; pr&aacute;tica profissional do cirurgi&atilde;o-dentista na ESF. Sendo assim, o presente estudo prop&ocirc;s-se a investigar as varia&ccedil;&otilde;es que impactam no desempenho de profissionais cirurgi&otilde;es-dentistas na ESF, em um munic&iacute;pio de m&eacute;dio porte do estado da Bahia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Materiais e m&eacute;todo</B> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O presente estudo foi submetido &agrave; aprova&ccedil;&atilde;o do Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa em Seres Humanos da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), em Ilh&eacute;us-Bahia, de acordo com a resolu&ccedil;&atilde;o n&ordm; 196/96, sob protocolo n&ordm; 301/09. A pesquisa foi realizada no munic&iacute;pio de Jequi&eacute; (BA), com &aacute;rea territorial de 3.227,34 km2 e cuja popula&ccedil;&atilde;o &eacute; de 151.921 habitantes4. Dos 169 estabelecimentos de sa&uacute;de cadastrados no CNES/SUS em 2010, 25 se referiam a unidades de sa&uacute;de da fam&iacute;lia (USF), sendo que 18 dessas possu&iacute;am equipes de sa&uacute;de bucal (ESB).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Foram selecionadas todas as USFs que possu&iacute;am ESB e que estavam localizadas na zona urbana de Jequi&eacute;; bem como todos os CDs que estavam trabalhando em ESBs da zona urbana no per&iacute;odo da coleta dos dados. Foram exclu&iacute;dos da amostra dois CDs da zona rural e um que estava de f&eacute;rias, totalizando 15 profissionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para a coleta de dados, utilizou-se um question&aacute;rio semiestruturado e autoaplic&aacute;vel, pr&eacute;-testado em cinco CDs de ESBs do munic&iacute;pio de Itabuna. A constru&ccedil;&atilde;o do instrumento pautou-se em quest&otilde;es propostas em estudos anteriores 5,11. Os dados obtidos foram inicialmente analisados atrav&eacute;s de estat&iacute;sticas descritivas. Para a anal&iacute;tica, utilizou-se o teste exato de Fischer, com n&iacute;vel de signific&acirc;ncia de 5%.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Resultados</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A idade m&eacute;dia dos participantes foi de 37,7 anos, e a m&eacute;dia de tempo de forma&ccedil;&atilde;o profissional foi de 14,1 anos. A maioria dos CDs era do sexo masculino (53,3%), sendo que 40% apresentavam mais de vinte anos de gradua&ccedil;&atilde;o e 53,3% relataram ter quatro anos ou mais de atua&ccedil;&atilde;o no ESF.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A maioria dos CDs respondeu sempre prestar atendimento cl&iacute;nico e atividades preventivas/educativas no consult&oacute;rio odontol&oacute;gico. Quanto &agrave;s atividades preventivas/educativas em sala de espera ou em espa&ccedil;os sociais, a maioria relatou realiz&aacute;-las de vez em quando ou raramente, conforme  <a href="#tab01">Tabela 1</a>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="tab01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rfo/v17n2/a14tab01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os CDs apontaram dificuldade de execu&ccedil;&atilde;o das atividades preventivo-educativas em espa&ccedil;os sociais, seguidas das de sala de espera, conforme <a href="#tab02">Tabela 2</a>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="tab02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rfo/v17n2/a14tab02.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sobre a visita domiciliar (VD), 60% dos profissionais afirmou realiz&aacute;-la aos acamados, conforme prescrito pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Uma propor&ccedil;&atilde;o significativa de profissionais (33,3%) tamb&eacute;m a realiza quando o agente comunit&aacute;rio de sa&uacute;de (ACS) solicita. Apenas um profissional relatou n&atilde;o realizar a VD. Al&eacute;m disso, 42,9% dos profissionais entrevistados relataram n&atilde;o delegar outras fun&ccedil;&otilde;es ao auxiliar de sa&uacute;de bucal (ASB) al&eacute;m daquelas relacionadas ao atendimento cl&iacute;nico no ambiente do consult&oacute;rio odontol&oacute;gico. Os profissionais relataram as condi&ccedil;&otilde;es limitantes do seu trabalho, conforme a <a href="#tab03">Tabela 3</a>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="tab03"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rfo/v17n2/a14tab03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">As condi&ccedil;&otilde;es restritivas mais citadas foram: condi&ccedil;&atilde;o do consult&oacute;rio (22,2%) e qualidade do instrumental (19,4%). Em seguida, foram citadas as condi&ccedil;&otilde;es de instala&ccedil;&otilde;es prediais e a equipe de trabalho (16,7% cada uma). Aspectos relacionados &agrave; limpeza e &agrave; esteriliza&ccedil;&atilde;o do material/instrumental tamb&eacute;m foram citados numa propor&ccedil;&atilde;o significativa (13,9% e 11,1%, respectivamente). Sobre a satisfa&ccedil;&atilde;o dos profissionais em trabalhar na ESFs, 71,4% afirmaram que apresenta um grau de satisfa&ccedil;&atilde;o positiva ao trabalhar dentro da ESF, apesar de que 78,6% demonstraram-se insatisfeitos com a remunera&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Testou-se, ainda, a associa&ccedil;&atilde;o entre indicadores de forma&ccedil;&atilde;o e atua&ccedil;&atilde;o profissional e atua&ccedil;&atilde;o em atividades preventivas/educativas na ESF, conforme <a href="#tab04">Tabela 4</a>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="tab04"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rfo/v17n2/a14tab04.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Foi constatado que n&atilde;o houve associa&ccedil;&atilde;o entre o profissional j&aacute; ter participado de curso voltado &agrave; ESF, o tempo de gradua&ccedil;&atilde;o ou tempo de atua&ccedil;&atilde;o na ESF com a realiza&ccedil;&atilde;o de atividades preventivas e educativas no programa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outra associa&ccedil;&atilde;o testada foi entre o tempo de atua&ccedil;&atilde;o do profissional na ESF e a satisfa&ccedil;&atilde;o profissional considerada positiva (soma das respostas &oacute;tima e boa) pelo teste Exato de Fischer. Constatou-se que n&atilde;o houve associa&ccedil;&atilde;o entre as vari&aacute;veis, como pode ser observado na <a href="#tab05">Tabela 5</a>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="tab05"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rfo/v17n2/a14tab05.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Discuss&atilde;o</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O presente trabalho foi realizado em um munic&iacute;pio de m&eacute;dio porte, em processo crescente de estrutura&ccedil;&atilde;o da aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, dada a expans&atilde;o do n&uacute;mero de equipes de sa&uacute;de da fam&iacute;lia que v&ecirc;m sendo implantadas naquele local. De acordo com Baldani et al.<sup>6</sup> (2005), a partir do ano 2000, a ESF passou a ter maior ades&atilde;o de munic&iacute;pios de m&eacute;dio e grande porte, contrapondo-se com o que se verificou no in&iacute;cio da implanta&ccedil;&atilde;o do programa, quando houve uma maior ades&atilde;o dos munic&iacute;pios de pequeno porte, sendo que, quando da implanta&ccedil;&atilde;o das ESBs, essas seguiram a mesma trajet&oacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">essas seguiram a mesma trajet&oacute;ria. Um dos aspectos de grande import&acirc;ncia observado no presente estudo foi que a maior parte das a&ccedil;&otilde;es desenvolvidas pelos profissionais era voltada ao atendimento cl&iacute;nico, j&aacute; que 86,6% dos CDs relataram desenvolv&ecirc;-lo de forma frequente. Apesar de as a&ccedil;&otilde;es de preven&ccedil;&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de seremcitadas, eram desempenhadas em uma frequ&ecirc;ncia inferior quando comparadas &agrave; assist&ecirc;ncia odontol&oacute;gica e majoritariamente realizadas de forma individual, dentro do consult&oacute;rio odontol&oacute;gico da unidade. E, em menor propor&ccedil;&atilde;o, a realiza&ccedil;&atilde;o dessas atividades na sala de espera da unidade ou em espa&ccedil;os sociais. Nesses espa&ccedil;os, os CDs relataram que achavam a realiza&ccedil;&atilde;o dessas atividades de mais dif&iacute;cil execu&ccedil;&atilde;o do que no consult&oacute;rio. Logo, infere-se que esses profissionais t&ecirc;m encontrado dificuldades em desenvolver a&ccedil;&otilde;es de cunho coletivo e que extrapolam a assist&ecirc;ncia individual.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Considerando-se as diretrizes da estrat&eacute;gia de sa&uacute;de da fam&iacute;lia e da pol&iacute;tica nacional de sa&uacute;de bucal, as a&ccedil;&otilde;es odontol&oacute;gicas deveriam seguir os princ&iacute;pios de uma nova filosofia de reorganiza&ccedil;&atilde;o do modelo de aten&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de, refletindo sobre uma concep&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de n&atilde;o centrada somente na assist&ecirc;ncia aos doentes, mas na promo&ccedil;&atilde;o da boa qualidade de vida e interven&ccedil;&atilde;o nos fatores que a colocam em risco; o que aponta para a necessidade inequ&iacute;voca da incorpora&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o, em conjunto com as a&ccedil;&otilde;es de recupera&ccedil;&atilde;o<sup>3</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, os resultados deste estudo indicam que h&aacute; necessidade de se focar esfor&ccedil;os para a invers&atilde;o da l&oacute;gica de aten&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de bucal no munic&iacute;pio, a fim de que as a&ccedil;&otilde;es de preven&ccedil;&atilde;o e de promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de sejam enfatizadas. Para tanto, percebe-se, pelos resultados, que ainda se faz necess&aacute;rio detectar os poss&iacute;veis dificultadores desse processo. H&aacute; de se verificar as quest&otilde;es ligadas &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o da demanda, como agenda de atendimentos cl&iacute;nicos sobrecarregada, eventuais dificuldades com espa&ccedil;os sociais para a realiza&ccedil;&atilde;o de atividades, entre outros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Al&eacute;m disso, &eacute; necess&aacute;rio considerar a necessidade de recapacita&ccedil;&atilde;o desses profissionais para a execu&ccedil;&atilde;o de tais atividades, dada a &ecirc;nfase que os cursos de gradua&ccedil;&atilde;o conferem &agrave;s ci&ecirc;ncias b&aacute;sicas e, consequentemente, &agrave;s atividades cl&iacute;nicas, em detrimento dos componentes sociais e educativos e, por conseguinte, das atividades de cunho preventivo-promocional. Consequentemente, nota-se falta de vis&atilde;o cr&iacute;tica das necessidades sociais em sa&uacute;de bucal. Somado a esse fator est&aacute; uma forma&ccedil;&atilde;o em que as pr&aacute;ticas de atividades educativas desenvolvidas foram baseadas em uma educa&ccedil;&atilde;o doutrinadora, realizada por meio de transmiss&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es, visando que o indiv&iacute;duo alcance sa&uacute;de depois de ser educado. Essa forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica, cujo processo ensino-aprendizagem &eacute; centrado em uma educa&ccedil;&atilde;o tradicional, faz com que ocorra uma reprodu&ccedil;&atilde;o dessa situa&ccedil;&atilde;o nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, resultando na dificuldade em se realizar pr&aacute;ticas educativas dial&oacute;gicas e participativas, impedindo o indiv&iacute;duo de desenvolver a autonomia e responsabilidade sobre sua pr&oacute;pria sa&uacute;de<sup>12</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; refer&ecirc;ncia e contrarrefer&ecirc;ncia, observou-se que a integralidade das a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de bucal &eacute; poss&iacute;vel, mas precisa melhorar, pois 46,8% o fazem de vez em quando ou raramente. Considerado o fato de que o munic&iacute;pio estudado conta com um Centro de Especialidades Odontol&oacute;gicas (CEO) para onde os pacientes podem ser referenciados na aten&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria, bem como em n&iacute;vel terci&aacute;rio atrav&eacute;s do atendimento hospitalar, &eacute; vis&iacute;vel a necessidade de melhorias da organiza&ccedil;&atilde;o e di&aacute;logo entre os n&iacute;veis de aten&ccedil;&atilde;o do sistema. Os profissionais devem ter consci&ecirc;ncia da import&acirc;ncia de referenciar os pacientes para a realiza&ccedil;&atilde;o de procedimentos que requerem tecnologias e conhecimentos mais avan&ccedil;ados do que aqueles oferecidos na aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, visando &agrave; aten&ccedil;&atilde;o integral ao usu&aacute;rio. Soma-se a isso a import&acirc;ncia da contrarrefer&ecirc;ncia, para que possam avaliar a resolutividade das a&ccedil;&otilde;es integradas. Como limita&ccedil;&atilde;o deste estudo est&aacute; o fato de que n&atilde;o foram coletados dados suficientes para avaliar se o que era referenciado estava sendo resolvido e contrarreferenciado pelos n&iacute;veis de aten&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria ou terci&aacute;ria. Acrescente-se ainda o fato de que o CEO n&atilde;o foi pesquisado no presente estudo. Logo, n&atilde;o se sabe exatamente quais as especialidades oferecidas, nem tampouco qual a disponibilidade de vagas para as mesmas. Para os profissionais que relataram referenciar "de vez em quando"; n&atilde;o foi questionado se a raz&atilde;o do n&atilde;o referenciamento se deve &agrave; falta de refer&ecirc;ncia e/ou de vagas para certas especialidades. Isso aponta a necessidade de continuidade deste estudo, a fim de melhor investigar eventuais dificuldades dos profissionais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; integralidade das a&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em estudo desenvolvido por Martelli et al. (2008)<sup>13</sup>, que analisou o modelo de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de bucal em munic&iacute;pios do estado de Pernambuco, os autores observaram que 40% desses apresentavam a falta de uma rede de refer&ecirc;ncia e contrarrefer&ecirc;ncia oficializada para a sa&uacute;de bucal, o que comprometia a qualidade da assist&ecirc;ncia prestada, n&atilde;o assegurando &agrave; popula&ccedil;&atilde;o a possibilidade de integralidade da aten&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de bucal. Rocha e Ara&uacute;jo<sup>16</sup>, ao avaliarem as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho das equipes de sa&uacute;de bucal na ESF em Natal (RN), chegaram &agrave; conclus&atilde;o de que a articula&ccedil;&atilde;o da refer&ecirc;ncia e contrarrefer&ecirc;ncia n&atilde;o tem funcionado como previsto naquele munic&iacute;pio, tanto pelo fato de n&atilde;o haver o atendimento adequado da demanda das especialidades quanto pela falta de especialistas nas unidades b&aacute;sicas de sa&uacute;de, impedindo, assim, a integralidade da assist&ecirc;ncia &agrave; popula&ccedil;&atilde;o adscrita.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Observou-se que a maioria dos CDs frequenta reuni&otilde;es em equipe "sempre"; ou "muitas vezes";, e nenhum profissional afirmou "nunca"; participar das reuni&otilde;es. Essas s&atilde;o de grande import&acirc;ncia no planejamento de a&ccedil;&otilde;es, visando melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de vida da comunidade pelo seu diagn&oacute;stico situacional, al&eacute;m de ser um catalisador da interdisciplinaridade ao propiciar envolvimento da ESB com a ESF.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Ao avaliar a frequ&ecirc;ncia de realiza&ccedil;&atilde;o das visitas domiciliares, poucos profissionais afirmaram faz&ecirc;-la com frequ&ecirc;ncia, sendo que a maioria (60%) o faz no caso de acamados e, em menor porcentagem, quando solicitado pelo agente comunit&aacute;rio de sa&uacute;de (33,3%). A visita domiciliar constitui-se em um importante recurso dentre as atividades de &acirc;mbito de educa&ccedil;&atilde;o e preven&ccedil;&atilde;o, possibilitando o conhecimento da situa&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de das fam&iacute;lias com uma maior profundidade, bem como favorecendo o fortalecimento do v&iacute;nculo entre os profissionais e as fam&iacute;lias<sup>1</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Observou-se que apenas 28,6% dos CDs delegam outras fun&ccedil;&otilde;es &agrave;s auxiliares de sa&uacute;de bucal (ASB) que n&atilde;o sejam o atendimento cl&iacute;nico, o que refor&ccedil;a mais uma vez a forma&ccedil;&atilde;o profissional centrada no modelo biom&eacute;dico. Muito embora seja importante que o profissional se desloque para al&eacute;m das atividades cl&iacute;nicas, &eacute; necess&aacute;rio atentar-se para que tal deslocamento seja cuidadoso, no sentido de evitar-se desassist&ecirc;ncia cl&iacute;nica. Para tanto, os deslocamentos podem tamb&eacute;m ser feitos pelo t&eacute;cnico em sa&uacute;de bucal, pelo ASB e pelo agente comunit&aacute;rio de sa&uacute;de, competindo ao CD planej&aacute;-los, organiz&aacute;-los, supervision&aacute;-los e avali&aacute;-los<sup>3</sup>. O Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de recomenda que 75 a 85% do tempo de trabalho do CD seja para procedimentos cl&iacute;nicos e de 15 a 25% seja para atividades de outra natureza, visando uma maior resolutividade do servi&ccedil;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">V&aacute;rios estudos t&ecirc;m relatado que os CDs n&atilde;o conseguem realizar um bom trabalho dentro da ESF devido a fatores limitantes que atrapalham o desenvolvimento de suas a&ccedil;&otilde;es. No presente estudo, a condi&ccedil;&atilde;o do consult&oacute;rio, bem como a qualidade do instrumental, foram as condi&ccedil;&otilde;es mais citadas como limita&ccedil;&otilde;es. Tamb&eacute;m foram relatadas as instala&ccedil;&otilde;es prediais, a equipe de trabalho e a limpeza e esteriliza&ccedil;&atilde;o do material. A qualidade do instrumental e a qualidade do material de consumo foi citada em menor propor&ccedil;&atilde;o. Tais achados corroboram estudo que analisou discursos proferidos por CD da ESF da &aacute;rea metropolitana de Fortaleza e concluiu que os principais motivos de insatisfa&ccedil;&atilde;o profissional na ESF referiram-se &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es estruturais e organizativas, consideradas insuficientes ou inadequadas pela maioria dos entrevistados, al&eacute;m da falta de insumos tecnol&oacute;gicos, bem como aus&ecirc;ncia de manuten&ccedil;&atilde;o dos equipamentos odontol&oacute;gicos <sup>14</sup>. Da mesma forma, Souza e Roncalli (2007)15 e Rocha e Ara&uacute;jo (2009)<sup>16</sup> observaram que as unidades onde desenvolveram pesquisa apresentaram problemas f&iacute;sicos, como falta de sala de espera e sala de atendimento cl&iacute;nico em condi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias. Al&eacute;m disso, observou-se o n&atilde;o atendimento por falta de material de consumo (luvas, am&aacute;lgama e anest&eacute;sicos), falta de limpeza, pela unidade estar passando por reforma ou pela falta de instrumental cl&iacute;nico<sup>15</sup>. N&atilde;o obstante &agrave; import&acirc;ncia dessas limita&ccedil;&otilde;es, nota-se, contudo, que os profissionais referem-se a dificuldades apenas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s f&iacute;sico-estruturais, n&atilde;o citando, portanto, dificuldades outras, relacionadas a processo de trabalho, organiza&ccedil;&atilde;o de demanda, modelo assistencial etc. Isso nos induz &agrave; reflex&atilde;o: ser&aacute; que n&atilde;o h&aacute; outros problemas al&eacute;m dos f&iacute;sico-estruturais? E se n&atilde;o h&aacute;, por que, ent&atilde;o, os profissionais ainda n&atilde;o conseguiram atender certas diretrizes da estrat&eacute;gia de sa&uacute;de da fam&iacute;lia, como as j&aacute; citadas? Ou ser&aacute; que o olhar desses profissionais &eacute; que ainda nem vislumbra os demais desafios, em raz&atilde;o de estar focado na pr&aacute;tica cl&iacute;nica, atividades assistenciais e procedimentos?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No que diz respeito &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o profissional, apesar de a maioria (78,6%) perceber a remunera&ccedil;&atilde;o como um fator fortemente negativo, 71,4% se sentem satisfeitos em trabalhar no ESF. Embora o presente trabalho n&atilde;o tenha testado a associa&ccedil;&atilde;o entre remunera&ccedil;&atilde;o e grau de satisfa&ccedil;&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel inferir que certamente a remunera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica fonte de satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho, o que nos induz a pensar que outros fatores, peculiares ao processo de trabalho da estrat&eacute;gia de sa&uacute;de da fam&iacute;lia, devem ser atrativos a esses profissionais. Contudo, se considerarmos que, de acordo com os resultados, as atividades coletivas, a&ccedil;&otilde;es educativas e visitas domiciliares s&atilde;o pouco desempenhadas pelos entrevistados se comparadas com a atividade cl&iacute;nica, percebemos que esses profissionais poderiam ter sua satisfa&ccedil;&atilde;o potencializada, caso conseguissem mudar seu processo de trabalho, enfatizando as a&ccedil;&otilde;es e atividades citadas, j&aacute; que essas, por sua caracter&iacute;stica coletiva, ou por sua import&acirc;ncia no acompanhamento das fam&iacute;lias, s&atilde;o caracter&iacute;sticas peculiares a essa estrat&eacute;gia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As diferen&ccedil;as salariais existentes entre os profissionais de n&iacute;vel superior dentro do ESF &ndash; principalmente entre o m&eacute;dico e os outros profissionais &ndash; v&ecirc;m sendo relatadas em in&uacute;meros estudos. Isso tem sido impactante na dificuldade de integra&ccedil;&atilde;o entre os membros da equipe, estimulando a compara&ccedil;&atilde;o competitiva ao inv&eacute;s da coopera&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua interdisciplinar. Fac&oacute; et al. (2005<sup>)5</sup> relatam que CDs que trabalham em ESF no Cear&aacute; citam como pontos negativos os baixos sal&aacute;rios, as condi&ccedil;&otilde;es inadequadas de trabalho e a falta de v&iacute;nculo empregat&iacute;cio, o que gera insatisfa&ccedil;&atilde;o. Como ponto positivo &eacute; citada a adscri&ccedil;&atilde;o da clientela, possibilitando melhor acompanhamento dos pacientes. Ressaltam, ainda, que a busca da odontologia voltada para os interesses da popula&ccedil;&atilde;o passa pela discuss&atilde;o da gest&atilde;o do trabalho.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Conclus&atilde;o</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O presente estudo aponta que os CDs atuantes nas ESBs do munic&iacute;pio de Jequi&eacute; (BA), apesar das adversidades encontradas, sentiam-se satisfeitos em trabalhar no ESF e que o perfil dos mesmos demonstrou significativa tend&ecirc;ncia cl&iacute;nica, com centraliza&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es no consult&oacute;rio e na figura do dentista. Para o alcance das diretrizes da estrat&eacute;gia de sa&uacute;de da fam&iacute;lia e legitima&ccedil;&atilde;o do papel do cirurgi&atilde;o-dentista nesta, h&aacute; que se atentar para a necessidade de transforma&ccedil;&atilde;o dos processos de trabalho. Para tanto, as equipes dever&atilde;o nortear-se pela descentraliza&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es para toda a equipe; bem como a atua&ccedil;&atilde;o do profissional para al&eacute;m dos muros das unidades de sa&uacute;de, com utiliza&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os institucionais e compartilhamento com outros atores da comunidade. Na perspectiva de tais mudan&ccedil;as, reflete-se a necessidade de investimentos em educa&ccedil;&atilde;o permanente dos profissionais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Refer&ecirc;ncias</B></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">1. Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secret&aacute;ria de Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Sa&uacute;de. Departamento de Aten&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica. Sa&uacute;de Bucal. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; 2006. Caderno de Aten&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica, 17 &#91;acesso 2009 maio 30&#93;. Dispon&iacute;vel em: http://dtr2004.saude. gov.br/dab/imgs/publicacoes/cadernos_ab/abcad17.jpg.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=160134&pid=S1413-4012201200020001400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">2. Rabello SB, Corvino MPF. A inser&ccedil;&atilde;o do cirurgi&atilde;o-dentista no Programa de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia. Rev Bras Odontol. 2001; 58(6):366-7. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">3. Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria de Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Sa&uacute;de, Departamento de Aten&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica, Coordena&ccedil;&atilde;o Nacional de Sa&uacute;de Bucal. Diretrizes da Pol&iacute;tica Nacional de Sa&uacute;de Bucal. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; 2004. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">4. Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica - IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domic&iacute;lios &ndash; PNAD: Um panorama da Sa&uacute;de no Brasil: Acesso e Utiliza&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os, Condi&ccedil;&otilde;es de Sa&uacute;de e Fatores de Risco e Prote&ccedil;&atilde;o &agrave; Sa&uacute;de 2008: Brasil. Rio de Janeiro: IBGE; 2010. 245p </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">5. Fac&oacute; EF, Viana LMO, Bastos VA, Nuto SAS. O cirurgi&atilde;o-dentista e o Programa Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia na microrregi&atilde;o II, Cear&aacute;, Brasil. Rev Bras Promo&ccedil; Saude. 2005; 18(2):70-7. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">6. Baldani MA, Fadel CB, Possamai T, Queiroz MGS. A inclus&atilde;o da odontologia no Programa Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia no Estado do Paran&aacute;, Brasil. Cad Saude Publica. 2005; 21(4):1026-35. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">7. Louren&ccedil;o EC. A inser&ccedil;&atilde;o de equipes de sa&uacute;de bucal no Programa de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia no Estado de Minas Gerais &#91;Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado&#93;. Piracicaba: FOP/UNICAMP; 2005. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">8. Santos AM, Assis MM. Rede de rela&ccedil;&otilde;es dos protagonistas da pr&aacute;tica de sa&uacute;de bucal no Programa de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia (PSF) de Alagoinhas-Bahia. Rev Baiana de Saude Publica. 2005; 29(2):313-25. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">9. Souza TMS. A incorpora&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de bucal no Programa de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia no Rio Grande do Norte: investigando a possibilidade de convers&atilde;o do modelo assistencial &#91;Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado&#93;. Natal: UFRN; 2005. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">10. Villalba JP. Perfil profissional dos cirurgi&otilde;es-dentistas e o Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de: uma reflex&atilde;o sobre a capacitac&atilde;o para a pr&aacute;tica na aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica &#91;Tese de Doutorado&#93;. Campinas: UNICAMP; 2007. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">11. Ronzani TM, Silva CM. O Programa de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia segundo profissionais de sa&uacute;de, gestores e usu&aacute;rios. Cien Saude Colet. 2008; 13(1):23-34. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">12. Mialhe FL, Silva CMC. A educa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de e suas representa&ccedil;&otilde;es entre alunos de um curso de odontologia. Cien Saude Colet. 2011; 16(Supl 1):1555-61. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">13. Martelli PJ, Cabral AP, Pimentel FC, Macedo CL, Monteiro IS, Silva SF. An&aacute;lise do modelo de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de bucal em munic&iacute;pios de Pernambuco. Cien Saude Colet. 2008; 13(5):1669-74. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">14. Chaves MC, Miranda AS. Discursos de cirurgi&otilde;es-dentistas do Programa Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia: crise e mudan&ccedil;a de habitus na Sa&uacute;de P&uacute;blica. Interface Comun Saude Educ. 2009; 12(24):153-67. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">15. Souza TMS, Roncalli AG. Sa&uacute;de bucal no Programa de Sa&uacute;de da Fam&iacute;ia: uma avalia&ccedil;&atilde;o do modelo assistencial. Cad Saude Publica. 2007; 23(11):2727-39. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">16. Rocha EC, Ara&uacute;jo MA. Condi&ccedil;&otilde;es de trabalho das equipes de sa&uacute;de bucal no Programa de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia: o caso do Distrito Sanit&aacute;rio Norte em Natal, RN. Rev Adm Publica. 2009; 43(2):481-517.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="back"/></a><a href="#top"><img src="/img/revistas/rfo/v17n2/seta.jpg" border="0" align="absmiddle"/></a><b>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia:</b>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   </font><font size="2" face="Verdana">F&aacute;bio Luiz Mialhe     <br>   Faculdade de Odontologia de Piracicaba    <br> Avenida Limeira, 901- Bairro Are&atilde;o    <br>   13414-903 Piracicaba - SP</font><font size="2" face="Verdana">    <br>   e-mail: </font><font size="2" face="Verdana"><a href="mailto:mialhe@fop.unicamp.br" target="_blank">mialhe@fop.unicamp.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Recebido: 25/04/2012<br/> Aceito: 4/08/2012</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
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<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>Brasil. Ministério da Saúde.^dSecretária de Atenção à Saúde.</collab>
<source><![CDATA[Departamento de Atenção Básica. Saúde Bucal.]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Brasília ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Ministério da Saúde]]></publisher-name>
</nlm-citation>
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