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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Marsupialização como tratamento definitivo de cistos odontogênicos: relato de dois casos]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Objective: Marsupialization is a treatment option for cysts, which a surgical window communicating with the oral cavity and sutured along the adjacent mucosa is performed for the progressive emptying of the internal content of the lesion, resulting in its decompression and consequent size reduction. By definition, the technique is followed by a second surgical time for the resection of the remaining lesion. This article aims to present a literature review regarding the marsupialization technique, and report two cases of odontogenic cysts from different origins, in which marsupialization was performed as definitive treatment with satisfactory results in both cases. Case report: (1) Man, 22 years old, with a well-defined radiolucent area involving the crown of tooth 48 suggestive of a dentigerous cyst. The patient underwent extraction of tooth 48 and marsupialization, with total remission of the lesion. (2) Woman, 38 years old, referred by the endodontist due to the presence of a well-defined radiolucent lesion with radiopaque halo in the periapical region of tooth 21 suggestive of a cyst with inflammatory origin. Marsupialization was the treatment selected, resulting in bone repair and lesion remission. Final considerations: Marsupialization as a definitive treatment for cystic lesions is an approach that reduces patient morbidity, and preserves noble anatomical structures, but such topic is rarely addressed in the literature. It is worth noting that this isolated procedure is not predictable and the outcome of each case should be evaluated.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><a name="top"/></a><B>Marsupializa&ccedil;&atilde;o como tratamento definitivo de cistos odontog&ecirc;nicos: relato de dois casos</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Marsupialization as definitive treatment of odontogenic cysts: report of two cases</B> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Gustavo Nascimento de Souza Pinto <sup>I</sup>; J&eacute;ssica Ara&uacute;jo Figueira <sup>II</sup>; Eduardo Sanches Gon&ccedil;ales <sup>III</sup>; Eduardo Sant'ana <sup>IV</sup>; Elen de Souza Tolentino <sup>V</sup></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>  Mestrando em Cl&iacute;nica Integrada, Universidade Estadual de Maring&aacute;, Maring&aacute;, PR, Brasil    <br> <sup>II</sup> Graduanda de Odontologia, Universidade Estadual de Maring&aacute;, Maring&aacute;, PR, Brasil    <br> <sup>III</sup> Professor doutor, Departamento de Estomatologia, &aacute;rea de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de S&atilde;o Paulo, Bauru, SP, Brasil    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <sup>IV</sup> Professor doutor, Departamento de Estomatologia, &aacute;rea de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de S&atilde;o Paulo, Bauru, SP, Brasil    <br> </font><font size="2" face="Verdana"><sup>V</sup> Professora doutora, Departamento de Odontologia, Universidade Estadual de Maring&aacute;, Maring&aacute;, PR, Brasil    <br>     <br>          <br>   </font>    <br>     <p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#back">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Resumo</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Objetivo: a marsupializa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o de tratamento dos cistos, no qual uma janela cir&uacute;rgica comunicando com a cavidade bucal, suturada junto &agrave; mucosa adjacente, &eacute; aberta para o esvaziamento progressivo do conte&uacute;do interno da les&atilde;o, acarretando em sua descompress&atilde;o e consequente diminui&ccedil;&atilde;o. Por defini&ccedil;&atilde;o, a t&eacute;cnica &eacute; acompanhada por um segundo tempo cir&uacute;rgico para ex&eacute;rese da les&atilde;o remanescente. Este artigo objetiva apresentar uma revis&atilde;o de literatura a respeito da t&eacute;cnica de marsupializa&ccedil;&atilde;o e relatar dois casos de cistos odontog&ecirc;nicos de diferentes origens, nos quais a marsupializa&ccedil;&atilde;o foi realizada como tratamento definitivo, com resultados satisfat&oacute;rios em ambos os casos. Relato de caso: a) homem, 22 anos, apresentou uma &aacute;rea radiol&uacute;cida, bem definida, envolvendo a coroa do dente 48, sugestiva de cisto dent&iacute;gero. O paciente foi submetido &agrave; extra&ccedil;&atilde;o do dente 48 e &agrave; marsupializa&ccedil;&atilde;o, com total remiss&atilde;o da les&atilde;o; b) mulher, 38 anos, encaminhada pelo endodontista devido &agrave; presen&ccedil;a de uma les&atilde;o radiol&uacute;cida, bem definida, com halo radiopaco no peri&aacute;pice do dente 21, sugestivo de cisto de origem inflamat&oacute;ria. O tratamento escolhido foi a marsupializa&ccedil;&atilde;o, resultando em reparo &oacute;sseo e remiss&atilde;o da les&atilde;o. Considera&ccedil;&otilde;es finais: a marsupializa&ccedil;&atilde;o como tratamento definitivo para les&otilde;es c&iacute;sticas &eacute; uma abordagem que leva &agrave; menor morbidade ao paciente e tamb&eacute;m &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o de estruturas anat&ocirc;micas nobres, por&eacute;m o tema &eacute; pouco abordado na literatura. &Eacute; importante salientar que esse procedimento isolado n&atilde;o apresenta previsibilidade e a evolu&ccedil;&atilde;o de cada caso deve ser avaliada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>Palavras-chave: </B>Cisto dent&iacute;gero. Cisto periapical. Cirurgia bucal.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Abstract</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Objective: Marsupialization is a treatment option for cysts, which a surgical window communicating with the oral cavity and sutured along the adjacent mucosa is performed for the progressive emptying of the internal content of the lesion, resulting in its decompression and consequent size reduction. By definition, the technique is followed by a second surgical time for the resection of the remaining lesion. This article aims to present a literature review regarding the marsupialization technique, and report two cases of odontogenic cysts from different origins, in which marsupialization was performed as definitive treatment with satisfactory results in both cases. Case report: (1) Man, 22 years old, with a well-defined radiolucent area involving the crown of tooth 48 suggestive of a dentigerous cyst. The patient underwent extraction of tooth 48 and marsupialization, with total remission of the lesion. (2) Woman, 38 years old, referred by the endodontist due to the presence of a well-defined radiolucent lesion with radiopaque halo in the periapical region of tooth 21 suggestive of a cyst with inflammatory origin. Marsupialization was the treatment selected, resulting in bone repair and lesion remission. Final considerations: Marsupialization as a definitive treatment for cystic lesions is an approach that reduces patient morbidity, and preserves noble anatomical structures, but such topic is rarely addressed in the literature. It is worth noting that this isolated procedure is not predictable and the outcome of each case should be evaluated.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>Keywords:</B> Dentigerous cyst. Periapical cyst. Oral surgery.</font></p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><B> Introdu&ccedil;&atilde;o</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A marsupializa&ccedil;&atilde;o &eacute; considerada uma forma de tratamento muito comum para alguns tipos de cistos e tumores odontog&ecirc;nicos. N&atilde;o &eacute; raro que alguns autores confundam os termos marsupializa&ccedil;&atilde;o e descompress&atilde;o, utilizando-os de maneira err&ocirc;nea. Ambas as t&eacute;cnicas t&ecirc;m por objetivo reduzir a press&atilde;o interna da les&atilde;o com a retirada de flu&iacute;do, que leva, consequentemente, &agrave; redu&ccedil;&atilde;o progressiva da les&atilde;o, para posterior enuclea&ccedil;&atilde;o. O que difere as duas t&eacute;cnicas &eacute; que na descompress&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria a instala&ccedil;&atilde;o de um artif&iacute;cio (dispositivo) para manuten&ccedil;&atilde;o da abertura cir&uacute;rgica<sup>1</sup>. A t&eacute;cnica cir&uacute;rgica &eacute; considerada simples: realiza-se uma incis&atilde;o geralmente circular e cria-se uma janela ampla, para comunica&ccedil;&atilde;o da les&atilde;o com a cavidade oral, que &eacute; suturada junto &agrave; mucosa adjacente, e ao retirar parte da c&aacute;psula da les&atilde;o, ela j&aacute; fornece material para o exame histopatol&oacute;gico<sup>2</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Essa t&eacute;cnica &eacute; muito utilizada em casos de les&otilde;es extensas, visando &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o de estruturas nobres pr&oacute;ximas ao campo operat&oacute;rio, como, os dentes, feixes v&aacute;sculo-nervosos e espa&ccedil;os a&eacute;reos. Geralmente &eacute; necess&aacute;rio um segundo tempo cir&uacute;rgico para total remo&ccedil;&atilde;o da les&atilde;o, ap&oacute;s a diminui&ccedil;&atilde;o de seu tamanho. O n&uacute;mero de trabalhos abordando a marsupializa&ccedil;&atilde;o como tratamento definitivo &eacute; escasso, por&eacute;m existem relatos da efic&aacute;cia dessa t&eacute;cnica quando ela foi eleita como tratamento definitivo<sup>1-3</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diante da alta preval&ecirc;ncia dos cistos nos maxilares, t&eacute;cnicas mais conservadoras para os pacientes devem ser eleitas, visando ao melhor progn&oacute;stico bem como &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o de estruturas anat&ocirc;micas importantes. A marsupializa&ccedil;&atilde;o vem sendo apontada como um procedimento cir&uacute;rgico mais conservador, uma vez que permite a descompress&atilde;o c&iacute;stica acarretando em regress&atilde;o da les&atilde;o. Alguns estudos t&ecirc;m mostrado que essa t&eacute;cnica, que, por defini&ccedil;&atilde;o, deve ser acompanhada de enuclea&ccedil;&atilde;o, pode ser realizada como tratamento definitivo, acarretando em menor morbidade ao paciente, j&aacute; que um segundo tempo cir&uacute;rgico n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio<sup>1,4</sup>. Nesse contexto, o objetivo deste trabalho &eacute; caracterizar a marsupializa&ccedil;&atilde;o como tratamento definitivo para les&otilde;es c&iacute;sticas bem como relatar dois casos cl&iacute;nicos de cistos odontog&ecirc;nicos de diferentes origens nos quais a marsupializa&ccedil;&atilde;o como tratamento &uacute;nico obteve sucesso.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Relato de caso</B> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ambos os pacientes foram atendidos na Cl&iacute;nica de Estomatologia da Faculdade de Odontologia de Bauru, da Universidade de S&atilde;o Paulo, e assinaram termos de consentimento livre e esclarecido permitindo a coleta dos dados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Caso 1</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Homem, leucoderma, 22 anos, apresentou-se com queixa de odontalgia na regi&atilde;o mandibular direita. Clinicamente a regi&atilde;o em si n&atilde;o revelava nenhuma altera&ccedil;&atilde;o, o paciente n&atilde;o apresentava nenhuma assimetria facial e n&atilde;o relatou nenhuma altera&ccedil;&atilde;o sist&ecirc;mica. A radiografia panor&acirc;mica evidenciou uma &aacute;rea radiol&uacute;cida, bem definida, de aproximadamente 30 mm envolvendo a coroa do dente 48. A tomografia computadorizada de feixe c&ocirc;nico (TCFC) revelou fenestra&ccedil;&atilde;o da t&aacute;bua &oacute;ssea lingual (Figuras 1: <a href="#fig01">A</a> e <a href="#fig01">B</a>). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rfo/v20n3/a15fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diante das caracter&iacute;sticas cl&iacute;nicas e radiogr&aacute;ficas apresentadas, a hip&oacute;tese diagn&oacute;stica foi de cisto dent&iacute;gero. A odontalgia era decorrente de uma restaura&ccedil;&atilde;o profunda no dente 47. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O paciente foi ent&atilde;o submetido a um procedimento cir&uacute;rgico, visando &agrave; exodontia do dente 48 e &agrave; enuclea&ccedil;&atilde;o da les&atilde;o. Por&eacute;m, durante a cirurgia, n&atilde;o houve colabora&ccedil;&atilde;o do paciente e, diante das dificuldades de manejo, optou-se pela manuten&ccedil;&atilde;o da janela cir&uacute;rgica suturada &agrave;s mucosas adjacentes, caracterizando a t&eacute;cnica de marsupializa&ccedil;&atilde;o (Figura 1: <a href="#fig01">C</a>, <a href="#fig01">D</a>, <a href="#fig01">E</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Durante a primeira semana, o paciente compareceu &agrave;s consultas di&aacute;rias para irriga&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea com clorexidina 0,12% e soro fisiol&oacute;gico. Depois, ele foi orientado a realizar a higiene rigorosa do local com soro fisiol&oacute;gico<sup>1</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O fragmento da les&atilde;o foi enviado para an&aacute;lise microsc&oacute;pica, que revelou achados que confirmaram a hip&oacute;tese de cisto dent&iacute;gero. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Aos oito meses de p&oacute;s-operat&oacute;rio, o paciente foi submetido novamente a uma TCFC, e foi observada uma consider&aacute;vel neoforma&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea da t&aacute;bua lingual. No controle de dois anos, a an&aacute;lise radiogr&aacute;fica evidenciou um total reparo &oacute;sseo no local da les&atilde;o (<a href="#fig02">Figura 2</a>).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rfo/v20n3/a15fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <b>Caso 2</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mulher, leucoderma, 38 anos, encaminhada pelo endodontista que constatou a presen&ccedil;a de uma les&atilde;o radiol&uacute;cida de aproximadamente 40 mm, bem definida e com halo radiopaco na regi&atilde;o periapical do dente 21, que estava tratado endodonticamente, e com o dente 22 ausente (Figura 3: <a href="#fig03">A</a> e <a href="#fig03">B</a>).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig03"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rfo/v20n3/a15fig03.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diante desses achados, as hip&oacute;teses diagn&oacute;sticas foram de cisto periapical inflamat&oacute;rio oriundo do dente 21 ou cisto residual oriundo do dente 22 ausente. Considerando a extens&atilde;o e a localiza&ccedil;&atilde;o da les&atilde;o, optou-se por realizar a marsupializa&ccedil;&atilde;o (Figura 3: <a href="#fig03">C</a>, <a href="#fig03">D</a>, <a href="#fig03">E</a>, <a href="#fig03">F</a>). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O mesmo esquema de irriga&ccedil;&atilde;o e higieniza&ccedil;&atilde;o realizado no primeiro caso foi aplicado a essa paciente. Um fragmento da c&aacute;psula c&iacute;stica foi enviado para an&aacute;lise microsc&oacute;pica e revelou diagn&oacute;stico compat&iacute;vel com cisto de natureza inflamat&oacute;ria. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No p&oacute;s-operat&oacute;rio de 45 dias, foi poss&iacute;vel observar sinais radiogr&aacute;ficos de neoforma&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea na regi&atilde;o. Foi realizado ent&atilde;o o acompanhamento radiogr&aacute;fico mensal e, ao final do per&iacute;odo em que a loja cir&uacute;rgica permaneceu aberta, p&ocirc;de-se observar uma significativa neoforma&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea. No controle de tr&ecirc;s anos, foi verificado o total reparo da regi&atilde;o (<a href="#fig04">Figura 4</a>).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig04"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rfo/v20n3/a15fig04.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Discuss&atilde;o</b> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O tratamento do cisto periapical inflamat&oacute;rio &eacute; discutido h&aacute; muito tempo. Alguns autores defendem que apenas o tratamento endod&ocirc;ntico do dente afetado seria suficiente5-8, enquanto outros acreditam na necessidade de interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica<sup>9,10</sup>. No caso dos cistos dent&iacute;geros e residuais, &eacute; consenso a interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica para resolu&ccedil;&atilde;o do caso. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">H&aacute; autores que defendem a descompress&atilde;o seguida de enucleac&atilde;o. Contudo, a instala&ccedil;&atilde;o de um artefato para manuten&ccedil;&atilde;o da janela cir&uacute;rgica pode causar inc&ocirc;modo ao paciente, assim como pode converter- se em um foco retentor de placa bacteriana. J&aacute; a enuclea&ccedil;&atilde;o de les&otilde;es extensas pode comprometer dentes e estruturas anat&ocirc;micas bem como causar danos a nervos e vasos da regi&atilde;o<sup>8,10-12</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outra op&ccedil;&atilde;o de tratamento &eacute; a marsupializa&ccedil;&atilde;o &ndash; janela cir&uacute;rgica suturada junto &agrave; mucosa bucal &ndash; seguida de um segundo tempo cir&uacute;rgico de enuclea&ccedil;&atilde;o. A marsupializa&ccedil;&atilde;o &eacute; aconselh&aacute;vel para preven&ccedil;&atilde;o de poss&iacute;veis complica&ccedil;&otilde;es, pois, al&eacute;m de conservadora e pouco invasiva, pode manter o dente n&atilde;o irrompido e promover seu irrompimento<sup>10,13-15</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Alguns pesquisadores acreditam que apenas com a marsupializa&ccedil;&atilde;o possa ocorrer total resolu&ccedil;&atilde;o da les&atilde;o. Uma grande vantagem desse procedimento &eacute; a possibilidade da aus&ecirc;ncia de um segundo tempo cir&uacute;rgico, reduzindo a morbidade para o paciente. Duas formas de resolu&ccedil;&atilde;o s&atilde;o consideradas: o epit&eacute;lio pode sofrer metaplasia escamosa para tornar-se uma mucosa normal<sup>1,16</sup> ou ainda pode sofrer substitui&ccedil;&atilde;o, quando as bordas da les&atilde;o d&atilde;o origem a um epit&eacute;lio normal, substituindo subsequentemente o epit&eacute;lio c&iacute;stico<sup>1</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A grande maioria dos trabalhos relacionados &agrave; marsupializa&ccedil;&atilde;o como tratamento definitivo aborda o tumor odontog&ecirc;nico queratoc&iacute;stico (TOQ) &ndash; anteriormente classificado como cisto e denominado queratocisto odontog&ecirc;nico<sup>1,4,17</sup>. Por apresentarem comportamento agressivo e recidivante, muitas vezes, abordagens mais invasivas seguidas de tratamentos adjuvantes (como a crioterapia e aplica&ccedil;&atilde;o da solu&ccedil;&atilde;o de Carnoy) s&atilde;o requeridos, e a marsupializa&ccedil;&atilde;o como &uacute;nico m&eacute;todo de tratamento pode n&atilde;o ser efetiva. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Uma retrata&ccedil;&atilde;o realizada por Pogrel (2006)<sup>18</sup> discorreu sobre a recidiva de alguns casos de TOQ em seu estudo pr&eacute;vio. O autor mostrou que nem sempre a marsupializa&ccedil;&atilde;o nos casos de TOQ &eacute; eficiente, e uma poss&iacute;vel causa dessa recorr&ecirc;ncia &eacute; devido &agrave; presen&ccedil;a de cistos "sat&eacute;lites", que permanecem mesmo ap&oacute;s a marsupializa&ccedil;&atilde;o<sup>18</sup>. Apesar de o &iacute;ndice de recorr&ecirc;ncia ter sido muito pequeno, ele deve ser levado em considera&ccedil;&atilde;o. Contudo, trabalhos em que a t&eacute;cnica foi aplicada para les&otilde;es de comportamento menos agressivo, como o cisto dent&iacute;gero<sup>4,19,20</sup>, demostraram resultados satisfat&oacute;rios. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">N&atilde;o foram encontrados na literatura trabalhos que abordassem as diferen&ccedil;as entre procedimentos de marsupializa&ccedil;&atilde;o ou descompress&atilde;o em cistos odontog&ecirc;nicos de origem inflamat&oacute;ria ou de desenvolvimento. Como mencionado, a maioria dos trabalhos investiga os TOQs, tumores com altas taxas de recidiva. Por se tratar de cistos com bom progn&oacute;stico p&oacute;s-tratamento cir&uacute;rgico, acredita-se que a marsupializa&ccedil;&atilde;o seja vi&aacute;vel nesses casos, desde que o tratamento endod&ocirc;ntico seja realizado, no caso de cistos periapicais inflamat&oacute;rios. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Entretanto, &eacute; importante enfatizar as limita&ccedil;&otilde;es dessa t&eacute;cnica, como a impossibilidade de analisar microscopicamente toda a extens&atilde;o da les&atilde;o, a necessidade de per&iacute;odos mais longos para o tratamento e a depend&ecirc;ncia da colabora&ccedil;&atilde;o dos pacientes quanto &agrave; higieniza&ccedil;&atilde;o da cavidade, fator essencial para o sucesso da t&eacute;cnica<sup>1,4,16,20</sup>. Outro ponto importante a ser destacado &eacute; a necessidade de uma abertura ampla da loja cir&uacute;rgica, para que ela n&atilde;o se feche e o fluido c&iacute;stico volte a se acumular, incorrendo na necessidade de um segundo tempo cir&uacute;rgico para nova abertura<sup>14,21,22</sup>, o que j&aacute; descaracterizaria a marsupializa&ccedil;&atilde;o como um procedimento isolado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Apesar do sucesso obtido em ambos os casos, a marsupializa&ccedil;&atilde;o isolada n&atilde;o deve ser considerada como um procedimento padr&atilde;o. Os controles cl&iacute;nicos e radiogr&aacute;ficos subsequentes s&atilde;o fundamentais na decis&atilde;o em submeter ou n&atilde;o o paciente &agrave; subsequente cirurgia de enuclea&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, nos casos em que a comunica&ccedil;&atilde;o mant&eacute;m-se aberta ap&oacute;s total regress&atilde;o da les&atilde;o, o fechamento cir&uacute;rgico dessa f&iacute;stula &eacute; necess&aacute;rio, ou seja, uma segunda cirurgia &eacute; realizada de qualquer maneira. Seguramente, quando poss&iacute;vel, a enuclea&ccedil;&atilde;o ainda &eacute; o tratamento de escolha, visto que possibilita a an&aacute;lise microsc&oacute;pica de toda a les&atilde;o, menor morbidade ao paciente e resolu&ccedil;&atilde;o mais r&aacute;pida para o caso. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nos casos cl&iacute;nicos apresentados, a marsupializa&ccedil;&atilde;o como tratamento definitivo mostrou-se como uma t&eacute;cnica favor&aacute;vel para os tipos de les&otilde;es abordados, uma vez que houve reparo &oacute;sseo satisfat&oacute;rio e aus&ecirc;ncia de sinais de recidiva, sem necessidade de um segundo procedimento cir&uacute;rgico. &Eacute; importante ressaltar que a colabora&ccedil;&atilde;o dos pacientes e os controles radiogr&aacute;ficos peri&oacute;dicos foram essenciais no sucesso do tratamento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De acordo com a literatura consultada e considerando a evolu&ccedil;&atilde;o dos casos cl&iacute;nicos apresentados, conclui-se que a marsupializa&ccedil;&atilde;o pode ser utilizada como tratamento definitivo em determinados cistos odontog&ecirc;nicos desde que a t&eacute;cnica seja corretamente executada e que haja colabora&ccedil;&atilde;o do paciente. A patogenia da les&atilde;o tamb&eacute;m parece exercer impacto no sucesso desse tipo de tratamento e o comportamento biol&oacute;gico da patologia em quest&atilde;o deve ser considerado.</font> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Agradecimentos</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os autores agradecem ao prof. Dr. Heliton Gustavo de Lima pela valiosa contribui&ccedil;&atilde;o neste trabalho. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Refer&ecirc;ncias</B></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">1. Pogrel MA, Jordan RCK. Marsupialization as a definitive treatment for the odontogenic keratocyst. J Maxillofac Oral Surg 2004; 62(6):651-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=178442&pid=S1413-4012201500030001500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">2. Peterson L. Cirurgia oral e maxilofacial contempor&acirc;nea. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2000. </font><font size="2" face="Verdana">3. Hanada K, Yoshimura Y, Sugata T, Yoshiga K, Takahashi Y, Seyama A et al. Clinical investigation of marsupialization for the cystic lesion of jaw. J Maxillofac Oral Surg 1983; 41(4):274-6. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">4. Bastos EG, Cruz MCFN, Martins GAS, Mendes MC, Marques RVCF. Marsupializa&ccedil;&atilde;o de cisto dent&iacute;gero na mand&iacute;bula em uma crian&ccedil;a de sete anos de idade na denti&ccedil;&atilde;o mista: relato de caso. Rev Odontol Unesp 2011; 40(5):268-71. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">5. Bhaskar SN. Nonsurgical resolution of radicular cysts. Oral Surg Oral Med Oral Pathol 1972; 34(3):458-68. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">6. Shah N. Nonsurgical management of periapical lesions: a prospective study. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol 1988; 66(3):365-71. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">7. Valois CRA, Costa-J&uacute;nior ED. Periapical cyst repair after nonsurgical endodontic therapy &ndash; case report. Braz Dent J 2005; 16(5):254-8. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">8. Vasconcelos RG, Queiroz LMG, Alvez-J&uacute;nior LC, Germano AR, Vasconcelos MG. Abordagem terap&ecirc;utica em cisto radicular de grandes propor&ccedil;&otilde;es: relato de caso. Rev Bras Ci&ecirc;nc Sa&uacute;de 2012; 16(3):467-74.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> 9. Neaverth EJ, Burg HA. Decompression of large periapical cystic lesions. J Endod 1982; 8(4):175-82. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">10. Henry-Neto MDE, Barbosa DZ, Silva CJ, Silva MCP. Marsupializa&ccedil;&atilde;o e enuclea&ccedil;&atilde;o de cisto radicular apical. Rev Inpeo Odontol 2007; 1(1):33-8. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">11. Ara&uacute;jo A, Gabrielli MFR, Medeiros PJ. Aspectos atuais da cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial. S&atilde;o Paulo: Livraria Santos; 2007. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">12. Brandt-Filho SHO, Marzola C, Toledo-Filho JL, Pereira LC, Pastori CM, Zorzetto DLG et al. T&eacute;cnica da descompress&atilde;o para o tratamento cir&uacute;rgico dos cistos da cavidade bucal. Rev Odontol ATO 2010; 10(5):254-66. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">13. Jones TA, Perry RJ, Wake MJ. Marsupialization of a large unilateral mandibular dentigerous cyst in a 6-year-old boy &ndash; a case report. Dent Update 2003; 30(10):557-61. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">14. Tolentino ES, Tolentino LS, Camarini ET, Iwaki-Filho L, Iwaki LCV. Marsupializa&ccedil;&atilde;o de extenso queratocisto odontog&ecirc;nico em regi&atilde;o anterior de mand&iacute;bula. Rev Bras Odontol 2008; 65(2):224-7. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">15. Blaya DS, Blaya MG, Menezes JDS, Silva CO, Perez WB, Oliveira MG. Cisto dent&iacute;gero mandibular tratado com marsupializa&ccedil;&atilde;o e enuclea&ccedil;&atilde;o: relato de dois casos. Rev Bras Cir Bucomaxilofac 2010; 10(2):99-104. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">16. Tabrizi R, Ozkan BT, Dehgani A, Langer NJ. Marsupialization as treatment option for the odontog&ecirc;nico keratocyst. J Craniofac Surg 2012; 23(5):459-61. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">17. Neville BW. Patologia oral &amp; maxilofacial. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2004. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">18. Pogrel MA, Jordan RC. Retrata&ccedil;&atilde;o em: Pogrel MA. J Oral Maxillofac Surg 2006; 9(32):362-3. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">19. Deboni MCZ, Brozoski MA, Traina AA, Acay RR, Nacl&eacute;rio-Homem MG. Surgical management of dentigerous cyst and keratocystic odontogenic tumor in children: a conservative approach and 7-year follow-up. J Appl Oral Sci 2012; 20(2):282-5. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">20. Carreira M, Dantas DB, Marchionni AM, Oliveira MG, Andrade MGS. Conservative treatment of the dentigerous cyst: report of two cases. Braz J Oral Sci 2013; 12(1):52-6. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">21. Teixeira RG, Moraes PC, Jodas CRP, Bonecker MJS, Tacchelli DP. Decompression of a maxillary dentigerous cyst. Rev Ga&uacute;cha Odontol 2011; 59(2):299-303. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">22. Pogrel MA. Treatment of keratocysts: The case for decompression and marsupialization. J Oral Maxillofac Surg 2005; 63(11):1667-73.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="back"/></a><a href="#top"><img src="/img/revistas/rfo/v20n3/seta.jpg" border="0" align="absmiddle"/></a><b>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   </font><font size="2" face="Verdana">J&eacute;ssica Ara&uacute;jo Figueira     <br>   Av. Prudente de Moraes, 772, apto. 401    <br>   87020-010 Maring&aacute;, PR, Brasil    <br>     e-mail: </font><font size="2" face="Verdana"><a href="mailto:jessica.a.figueira@gmail.com" target="_blank">jessica.a.figueira@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Recebido: 14/07/15<br/> Aceito: 22/10/15</b></font></p>     ]]></body>
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