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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Objective: To verify knowledge, attitudes, and perceptions of pregnant women on their oral health through a systematic literature review. Materials and method: The search was performed in SCIELO, BBO, and LILACS databases, including scientific articles, dissertations, and theses published between 2004 and 2014. One single reviewer assessed the abstracts and selected publications that met the eligibility criteria, amounting to twelve. These were grouped according to their purpose: studies on knowledge (2), perception (5), self-perception (2), and social representation (3) of pregnant women on oral health. Results: The results showed the existence of misinformation, low demand for dentists, and lack of referral from obstetricians to dental assessment. Pregnant women associate oral health with hygiene and esthetic appearance issues, and fear of the dental procedure is still an obstacle for service. Most pregnant women have a positive oral health self-perception, although this is not consistent with the clinical condition, and most of social representations indicate myths and beliefs about oral health. Final considerations: Quantitative and qualitative investigations regarding knowledge and perceptions of pregnant women on their own oral health are important tools in building protection approaches and health promotion.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><a name="top"/></a><B>Sa&uacute;de bucal: a voz da gestante</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Oral health: the voice of pregnant women</B> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Bruna Naiara de Carvalho Mattos <sup>I</sup>; Rosane Silvia Davoglio <sup>II</sup></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>  Cirurgi&atilde;-dentista, residente em Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia, Universidade Federal do Vale do S&atilde;o Francisco, Petrolina, PE, Brasil    <br> <sup>II</sup> Doutora em Odontologia, professora adjunta, Universidade Federal do Vale do S&atilde;o Francisco, Petrolina, PE, Brasil    <br>     ]]></body>
<body><![CDATA[<br> </font><font size="2" face="Verdana">    <br>     <br>       <br> </font>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#back">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Resumo</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Objetivo: verificar o conhecimento, as atitudes e as percep&ccedil;&otilde;es das gestantes sobre sua sa&uacute;de bucal por meio de uma revis&atilde;o sistem&aacute;tica de literatura. M&eacute;todos: este trabalho &eacute; resultado de uma pesquisa nas bases de dados Scielo, Biblioteca Brasileira de Odontologia (BBO) e Lilacs, incluindo artigos cient&iacute;ficos, disserta&ccedil;&otilde;es e teses publicadas entre 2004 e 2014. Um &uacute;nico revisor avaliou os resumos e selecionou as publica&ccedil;&otilde;es que seguiram os crit&eacute;rios de elegibilidade, totalizando doze trabalhos, que foram agrupados de acordo com seu objetivo: estudos sobre conhecimento (dois), percep&ccedil;&atilde;o (cinco), autopercep&ccedil;&atilde;o (dois) e representa&ccedil;&atilde;o social (tr&ecirc;s) das gestantes sobre sa&uacute;de bucal. Resultados: os resultados evidenciaram a exist&ecirc;ncia de informa&ccedil;&otilde;es deturpadas, baixa procura pelo dentista e falta de encaminhamento do obstetra para avalia&ccedil;&atilde;o odontol&oacute;gica. Foi poss&iacute;vel verificar que as gestantes associam sa&uacute;de bucal com quest&otilde;es de higiene e apar&ecirc;ncia est&eacute;tica e que o medo do procedimento odontol&oacute;gico ainda &eacute; uma barreira &agrave; assist&ecirc;ncia; a maioria das gestantes tem autopercep&ccedil;&atilde;o positiva de sa&uacute;de bucal, embora n&atilde;o seja condizente com a condi&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica; a maioria das representa&ccedil;&otilde;es sociais aponta para mitos e cren&ccedil;as sobre sa&uacute;de bucal. Considera&ccedil;&otilde;es finais: investiga&ccedil;&otilde;es quantitativas e qualitativas a respeito dos conhecimentos e percep&ccedil;&otilde;es das gestantes sobre a pr&oacute;pria sa&uacute;de bucal constituem importantes ferramentas na constru&ccedil;&atilde;o de abordagens de prote&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><B>Palavras-chave: </B>Gestantes. Sa&uacute;de bucal. Percep&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Abstract</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Objective: To verify knowledge, attitudes, and perceptions of pregnant women on their oral health through a systematic literature review. Materials and method: The search was performed in SCIELO, BBO, and LILACS databases, including scientific articles, dissertations, and theses published between 2004 and 2014. One single reviewer assessed the abstracts and selected publications that met the eligibility criteria, amounting to twelve. These were grouped according to their purpose: studies on knowledge (2), perception (5), self-perception (2), and social representation (3) of pregnant women on oral health. Results: The results showed the existence of misinformation, low demand for dentists, and lack of referral from obstetricians to dental assessment. Pregnant women associate oral health with hygiene and esthetic appearance issues, and fear of the dental procedure is still an obstacle for service. Most pregnant women have a positive oral health self-perception, although this is not consistent with the clinical condition, and most of social representations indicate myths and beliefs about oral health. Final considerations: Quantitative and qualitative investigations regarding knowledge and perceptions of pregnant women on their own oral health are important tools in building protection approaches and health promotion.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>Keywords:</B> Pregnant women. Oral health. Perception.</font></p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B> Introdu&ccedil;&atilde;o</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b></b> </font><font size="2" face="Verdana">As a&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de no per&iacute;odo gestacional s&atilde;o importantes porque a mulher mostra-se mais propensa a receber informa&ccedil;&otilde;es e melhorar suas atitudes, estando mais suscept&iacute;vel a ado&ccedil;&atilde;o de novos h&aacute;bitos e comportamentos de sa&uacute;de que tendem a ser reproduzidos por toda a fam&iacute;lia, tornando-se, assim, multiplicadora de comportamentos saud&aacute;veis<sup>1,2</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Segundo Silva et al.<sup>1</sup> (2006), o comportamento dos indiv&iacute;duos em rela&ccedil;&atilde;o a cuidados com sa&uacute;de bucal depende da forma como &eacute; percebida sua condi&ccedil;&atilde;o bucal. Compreender o que pensam as gestantes na sua &oacute;tica de vida, torna-se importante, visto que se age melhor quando se entende melhor determinado assunto<sup>2</sup>. Sob essa perspectiva, pesquisas s&atilde;o conduzidas no intuito de procurar compreender o que pensam, acreditam e fazem as mulheres gr&aacute;vidas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua sa&uacute;de bucal. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Muitas mulheres acreditam que o tratamento odontol&oacute;gico &eacute; prejudicial &agrave; gravidez<sup>3</sup>. Abordagens que visem quebrar mitos como esse, mediante um levantamento pr&eacute;vio dos conhecimentos e percep&ccedil;&otilde;es das gestantes sobre sa&uacute;de bucal, tornam-se uma importante ferramenta para o sucesso do pr&eacute;-natal odontol&oacute;gico, repercutindo na melhora da ades&atilde;o, confian&ccedil;a e motiva&ccedil;&atilde;o das pacientes<sup>4</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De forma isolada e pouco uniforme, alguns profissionais que atuam na Estrat&eacute;gia Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia j&aacute; adotam o pr&eacute;-natal odontol&oacute;gico. Na ess&ecirc;ncia da cria&ccedil;&atilde;o dessa abordagem, o objetivo era oferecer a&ccedil;&otilde;es de preven&ccedil;&atilde;o e de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de bucal &agrave;s gestantes sem, entretanto, deixar de realizar pr&aacute;ticas curativas. Contudo, em muitas realidades, as pr&aacute;ticas promotoras de sa&uacute;de e preventivas s&atilde;o geralmente esquecidas, j&aacute; que o atendimento &agrave;s gestantes ocorre por demanda de urg&ecirc;ncias<sup>5</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O cirurgi&atilde;o-dentista tem por orienta&ccedil;&atilde;o ministerial a compet&ecirc;ncia de trabalhar na Equipe de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia de forma a "Realizar a aten&ccedil;&atilde;o integral em sa&uacute;de &#91;...&#93; a grupos espec&iacute;ficos, de acordo com planejamento local, com resolubilidade"<sup>6</sup>. N&atilde;o s&oacute; o cirurgi&atilde;o-dentista mas toda sua equipe auxiliar, t&eacute;cnicos de sa&uacute;de bucal e auxiliares de sa&uacute;de bucal est&atilde;o envolvidos nessa estrat&eacute;gia. &Eacute; compet&ecirc;ncia do profissional auxiliar em sa&uacute;de bucal "Realizar a&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o e preven&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de bucal &#91;...&#93; mediante planejamento local e protocolos de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de"<sup>6</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, se a atua&ccedil;&atilde;o das equipes de sa&uacute;de bucal n&atilde;o incorporar essa concep&ccedil;&atilde;o e continuar voltada para a abordagem curativa, privilegiando pr&aacute;ticas mutiladoras que contrariam as orienta&ccedil;&otilde;es da Estrat&eacute;gia Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia, ser&aacute; dif&iacute;cil obter melhoras significativas nos indicadores de sa&uacute;de bucal do pa&iacute;s. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outro ponto importante em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de bucal das gestantes &eacute; o fato de que esse per&iacute;odo na vida da mulher causa altera&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas sist&ecirc;micas que afetam o sistema estomatogn&aacute;tico, e altera&ccedil;&otilde;es patol&oacute;gicas na cavidade oral podem influenciar a sa&uacute;de sist&ecirc;mica n&atilde;o s&oacute; da gestante como tamb&eacute;m do beb&ecirc;<sup>7</sup>. Por isso &eacute; t&atilde;o importante a aten&ccedil;&atilde;o odontol&oacute;gica durante a gravidez, e esse fato deve ser reconhecido pelo cirurgi&atilde;o-dentista e pela gestante, que deve ser estimulada a fazer acompanhamento no pr&eacute;-natal odontol&oacute;gico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A gesta&ccedil;&atilde;o pode ocasionar altera&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas singulares, como aumento da press&atilde;o arterial, maior consumo de oxig&ecirc;nio, hipoglicemia, ganho de peso, incontin&ecirc;ncia urin&aacute;ria, n&aacute;useas, enjoos e v&ocirc;mitos<sup>8</sup>. No que tange &agrave; regi&atilde;o estomatogn&aacute;tica, a grande transforma&ccedil;&atilde;o ocorre com o aumento dos horm&ocirc;nios femininos circulantes, que t&ecirc;m a&ccedil;&atilde;o vasodilatadora, o que exacerba a rea&ccedil;&atilde;o inflamat&oacute;ria da gengiva<sup>9</sup>. Existem outros fatores, como defici&ecirc;ncia nutricional e estado transit&oacute;rio de imunodepress&atilde;o, que tamb&eacute;m tendem a modificar o periodonto<sup>10</sup>. Esses fatores, no entanto, n&atilde;o provocam por si s&oacute; doen&ccedil;as bucais em mulheres gr&aacute;vidas, desde que mantenham uma higiene bucal adequada. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, h&aacute;bitos e comportamentos relacionados &agrave; sa&uacute;de bucal devem ser refor&ccedil;ados ou modificados, beneficiando a mulher e o beb&ecirc; durante e ap&oacute;s o per&iacute;odo gestacional<sup>11</sup>. &Eacute; nisso que os pr&eacute;-natais odontol&oacute;gicos devem pautar-se, em mostrar &agrave; futura m&atilde;e que as altera&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas que ocorrem em seu organismo n&atilde;o podem ser respons&aacute;veis pela perpetua&ccedil;&atilde;o de mitos, como o de que a cada gesta&ccedil;&atilde;o a mulher perderia um dente. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para que a mulher entenda e aceite esse processo, &eacute; importante que os profissionais que ir&atilde;o trat&aacute;-la compreendam os costumes e a cultura que permeiam sua vida, para que as informa&ccedil;&otilde;es realmente sejam consideradas em seu cotidiano e nas a&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias de maneira efetiva. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Visto que investiga&ccedil;&otilde;es quantitativas e qualitativas a respeito dos conhecimentos e percep&ccedil;&otilde;es desse grupo populacional sobre a pr&oacute;pria sa&uacute;de bucal constituem importantes ferramentas na constru&ccedil;&atilde;o de abordagens de prote&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de, este trabalho tem como objetivo verificar o conhecimento, as atitudes e as percep&ccedil;&otilde;es das gestantes sobre sua sa&uacute;de bucal por meio de uma revis&atilde;o sistem&aacute;tica de literatura, visando agregar conhecimento para a defini&ccedil;&atilde;o e ado&ccedil;&atilde;o de condutas na aten&ccedil;&atilde;o odontol&oacute;gica &agrave;s gestantes. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Metodologia</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Foi realizada uma revis&atilde;o sistem&aacute;tica de literatura por meio da busca de publica&ccedil;&otilde;es nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (Scielo), Biblioteca Brasileira de Odontologia (BBO), Literatura Latino-Americana de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de (Lilacs). Os descritores utilizados foram divididos em tr&ecirc;s grupos. O primeiro grupo com os termos gestantes e mulheres gr&aacute;vidas; o segundo com autoavalia&ccedil;&atilde;o, autoimagem, percep&ccedil;&atilde;o e autopercep&ccedil;&atilde;o; e o terceiro com sa&uacute;de bucal e assist&ecirc;ncia odontol&oacute;gica. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Foram adotados como crit&eacute;rios de inclus&atilde;o: livre acesso ao p&uacute;blico, ser artigos cient&iacute;ficos, disserta&ccedil;&otilde;es ou teses, ter ao menos um descritor de cada grupo simultaneamente, ter sido publicado entre janeiro de 2004 e janeiro de 2014. Foram exclu&iacute;das publica&ccedil;&otilde;es sobre mulheres gr&aacute;vidas de outros pa&iacute;ses que n&atilde;o o Brasil e artigos de revis&otilde;es de literatura, para evitar ambiguidade na an&aacute;lise, visto que as publica&ccedil;&otilde;es analisadas poderiam tamb&eacute;m estar sendo utilizadas neste estudo, ocasionando uma duplicidade de avalia&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A busca foi feita por um &uacute;nico revisor que avaliou os resumos e selecionou os artigos que seguiam os crit&eacute;rios de elegibilidade, obtendo-os na &iacute;ntegra, totalizando doze. Foi procedida a leitura das publica&ccedil;&otilde;es organizando-as em quatro grupos, de acordo com o objetivo: estudos que tratavam de conhecimento (dois), percep&ccedil;&atilde;o (cinco), autopercep&ccedil;&atilde;o (dois) e representa&ccedil;&atilde;o social (tr&ecirc;s) das gestantes sobre sa&uacute;de bucal (<a href="#quad01">Quadro 1</a>).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="quad01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rfo/v20n3/a20quad01.jpg"></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Resultados e discuss&atilde;o</b> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">As avalia&ccedil;&otilde;es subjetivas retratam a percep&ccedil;&atilde;o dos sujeitos e s&atilde;o importantes indicadores, pois, a partir do conhecimento de como os indiv&iacute;duos e grupos pensam ou se comportam diante de determinadas situa&ccedil;&otilde;es, pode-se viabilizar estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o que levem em conta a realidade vivenciada e valorizem suas experi&ecirc;ncias, utilizando-as como instrumentos de motiva&ccedil;&atilde;o para mudan&ccedil;a de h&aacute;bito e atitudes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quando os comportamentos de sa&uacute;de bucal adotados pelos sujeitos v&atilde;o de encontro ao preconizado surge um conflito, que deve ser contornado com atividades que evidenciem a melhora na condi&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de/bem-estar, que pode advir de uma mudan&ccedil;a comportamental, estimulando a ado&ccedil;&atilde;o de novos h&aacute;bitos<sup>3,8</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; nessa dire&ccedil;&atilde;o que os estudos analisados apontam. Os objetivos primordiais encontrados foram constatar o entendimento das gestantes, com o intuito de assinalar falhas nos procedimentos adotados atualmente para abord&aacute;-las, e, a partir dessas falhas, buscar solu&ccedil;&otilde;es para seu enfrentamento, a fim de promover melhoras na condi&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de bucal desse importante grupo populacional. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sabe-se que a mulher, como multiplicadora de atitudes e promotora de h&aacute;bitos dentro do cerne familiar, deve ser sensibilizada com atividades de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e preven&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as<sup>7,13-15</sup>. Al&eacute;m disso, o estado grav&iacute;dico pode provocar altera&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas, possibilitando que a mulher esteja mais prop&iacute;cia a receber e a adotar h&aacute;bitos positivos de sa&uacute;de<sup>16</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na &uacute;ltima d&eacute;cada, alguns estudos subjetivos sobre sa&uacute;de bucal foram feitos com mulheres gr&aacute;vidas. Percebeu-se que n&atilde;o existiu entre eles uma singularidade na quest&atilde;o conceitual. Os conceitos representa&ccedil;&atilde;o social, percep&ccedil;&atilde;o, autopercep&ccedil;&atilde;o e conhecimento n&atilde;o s&atilde;o sin&ocirc;nimos, mas todos servem para avaliar quest&otilde;es subjetivas a respeito dos sujeitos estudados<sup>1,2-5,13</sup>. Foram ent&atilde;o utilizados na presente pesquisa como aporte para alcan&ccedil;ar seu objetivo, retratando a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica da &uacute;ltima d&eacute;cada em rela&ccedil;&atilde;o ao que as gestantes pensam e fazem a respeito da sa&uacute;de bucal durante a gesta&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Estudos sobre o conhecimento das gestantes acerca de sa&uacute;de bucal</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Saber o que est&aacute; certo ou errado depende da bagagem de conhecimento que &eacute; carregada a respeito de determinado assunto. N&atilde;o basta simplesmente recomendar que as gestantes adotem determinadas rotinas de cuidado sem que sejam orientadas sobre como execut&aacute;-las e tomem conhecimento de seus benef&iacute;cios. O ponto de partida de qualquer processo de interven&ccedil;&atilde;o &eacute; constitu&iacute;do na rela&ccedil;&atilde;o entre o ser humano e o conhecimento<sup>19</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nos estudos cujo objetivo foi avaliar o conhecimento das mulheres gr&aacute;vidas sobre sa&uacute;de bucal, Vieira e Zocrato<sup>12</sup>, utilizando metodologia quantitativa, observaram que, em um grupo de 76 gestantes mineiras, 57% achavam que gravidez causava c&aacute;rie. Os autores n&atilde;o encontraram associa&ccedil;&atilde;o entre essa cren&ccedil;a com a classe social nem com a condi&ccedil;&atilde;o de serem primigestas ou multigestas. Os autores descreveram que 38% delas aumentaram o consumo de a&ccedil;&uacute;car sem, no entanto, intensificar os h&aacute;bitos de higiene oral, buscar atendimento odontol&oacute;gico ou receber informa&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de bucal, situa&ccedil;&otilde;es relatadas por 70%, 55% e 48%, respectivamente. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Similarmente, Bastiani et al.<sup>13</sup> (2010), tamb&eacute;m em pesquisa quantitativa, constataram que, em um grupo de oitenta mulheres paranaenses, a falta de informa&ccedil;&atilde;o permeou as entrevistas. Apenas 30% das entrevistadas receberam orienta&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de bucal durante a gesta&ccedil;&atilde;o, a maioria dos m&eacute;dicos n&atilde;o examinou a cavidade oral, e somente 15% deles fizeram encaminhamento ao dentista. Grande parte das gestantes (48,75%) acreditava ser normal desenvolver c&aacute;rie durante a gravidez, aliando este fato a uma poss&iacute;vel perda mineral do dente da m&atilde;e, passando para o filho, argumenta&ccedil;&atilde;o fruto de um senso popular. O descaso com a sa&uacute;de bucal durante a gravidez tamb&eacute;m foi observado nesse estudo. Apenas 20% da amostra faziam pr&eacute;-natal odontol&oacute;gico, e somente 40% procurou o dentista, de modo que as que n&atilde;o procuraram alegaram falta de dinheiro e medo do procedimento como motivos. No entanto, apesar desses argumentos, a maioria (90%) achava importante ir ao dentista e que n&atilde;o via problemas em fazer procedimentos odontol&oacute;gicos durante a gravidez.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Destaca-se nos estudos sobre conhecimento das gestantes a exist&ecirc;ncia de informa&ccedil;&otilde;es deturpadas, baixa procura ao dentista bem como a falta de encaminhamento do obstetra &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o odontol&oacute;gica. Percebe-se que h&aacute; necessidade de empoderar a gestante pela apropria&ccedil;&atilde;o de conhecimentos sobre sa&uacute;de bucal, que em geral s&atilde;o permeados pelo senso comum, sendo a conduta profissional um fator importante na difus&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>Estudos sobre a percep&ccedil;&atilde;o das gestantes acerca de sa&uacute;de bucal</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A percep&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de consiste em avaliar globalmente a condi&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de, baseando-se em aspectos objetivos e subjetivos individuais<sup>20</sup>. Diferen&ccedil;as entre g&ecirc;nero, faixa et&aacute;ria e n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o afetam a percep&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de dos indiv&iacute;duos<sup>20</sup>. Os conceitos de percep&ccedil;&atilde;o e autopercep&ccedil;&atilde;o s&atilde;o parecidos, mas n&atilde;o iguais. Na presente pesquisa, optou-se por separ&aacute;-los porque se observou que os estudos que objetivaram avaliar apenas a percep&ccedil;&atilde;o s&atilde;o mais abrangentes e trazem mais informa&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Moimaz et al.<sup>14</sup> (2009) avaliaram quantitativamente a percep&ccedil;&atilde;o de mulheres atendidas no programa de aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s gestantes da Faculdade de Odontologia de Ara&ccedil;atuba da Universidade Estadual Paulista (FOAUnesp). Esse programa trabalha pautado em requisitos como simplicidade, efetividade, baixo custo e resultados abrangentes e duradouros. Al&eacute;m de oferecer pr&aacute;ticas curativas e preventivas, oferece oficinas pedag&oacute;gicas no intuito de empoderar as mulheres com informa&ccedil;&otilde;es reais sobre a sa&uacute;de bucal na gesta&ccedil;&atilde;o. Talvez seja por isso que os resultados obtidos nessa pesquisa foram excelentes. A maioria das gestantes relatou n&atilde;o sentir medo durante o tratamento odontol&oacute;gico, que &eacute;, de maneira geral, uma das dificuldades de acesso &agrave; consulta odontol&oacute;gica para esse grupo. Quase todas sentiram seguran&ccedil;a no atendimento, e todas o recomendariam para outras pessoas. No entanto, um fato negativo constatado foi de que a busca por atendimento ainda se deu por conta de dor, e n&atilde;o como forma de preven&ccedil;&atilde;o de danos &agrave; sa&uacute;de. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em um estudo quantitativo, com aplica&ccedil;&atilde;o de question&aacute;rio, Praetzel et al.<sup>15</sup> (2011) investigaram uma amostra de 75 gestantes no estado do Rio Grande do Sul. Os autores avaliaram a percep&ccedil;&atilde;o das pacientes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de bucal e fonoaudiol&oacute;gica durante e ap&oacute;s o per&iacute;odo grav&iacute;dico. Em rela&ccedil;&atilde;o aos achados de sa&uacute;de bucal, os autores constataram que apenas 43% consultaram o dentista durante a gesta&ccedil;&atilde;o, fato extremamente negativo, visto que existe a orienta&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de para que as gestantes passem pelo pr&eacute;-natal odontol&oacute;gico, tanto por motivos preventivos quanto curativos<sup>6</sup>. Todas as gr&aacute;vidas reconheciam que sua alimenta&ccedil;&atilde;o poderia influenciar a sa&uacute;de do beb&ecirc;, e apenas 63% reportaram controlar o consumo de a&ccedil;&uacute;car, apesar da necessidade de haver o controle da ingest&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car por todas as gestantes, n&atilde;o s&oacute; para prevenir doen&ccedil;as bucais, mas tamb&eacute;m outros agravos, como o diabetes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em rela&ccedil;&atilde;o a medos e mitos, o estudo qualitativo conduzido por Codato et al.<sup>3</sup> (2011) constatou que eles estariam sendo fortalecidos pelos pr&oacute;prios profissionais por meio de seus discursos. As gestantes acreditavam que qualquer interven&ccedil;&atilde;o odontol&oacute;gica s&oacute; deveria ser feita com a permiss&atilde;o do m&eacute;dico. Moimaz et al.<sup>14</sup>, em seu estudo, encontraram que mulheres gr&aacute;vidas de uma cidade do Estado do Paran&aacute; tinham medo do dentista e dos procedimentos. Por isso, os autores consideram necess&aacute;rio haver programas para esclarecer a popula&ccedil;&atilde;o sobre sa&uacute;de bucal, no intuito de desmitificar conhecimentos e pr&aacute;ticas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com o objetivo de descrever a percep&ccedil;&atilde;o de gestantes catarinenses sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre sa&uacute;de bucal e parto prematuro, Correia e Silveira<sup>7</sup> realizaram um estudo qualitativo em que a minoria das entrevistadas reconhecia a rela&ccedil;&atilde;o entre sa&uacute;de bucal e sa&uacute;de sist&ecirc;mica. Constataram que, al&eacute;m da falta de conhecimento dessa rela&ccedil;&atilde;o, v&aacute;rios mitos eram cultuados. A maioria das gestantes via a sa&uacute;de bucal como uma quest&atilde;o est&eacute;tica, relacionando-a com a imagem pessoal, ligando-a &agrave; apar&ecirc;ncia. Assim, o dentista s&oacute; precisaria ser procurado caso houvesse uma afec&ccedil;&atilde;o autopercebida, sen&atilde;o, a consulta deveria ser evitada durante a gravidez para n&atilde;o prejudicar a crian&ccedil;a. Os autores observaram que a gravidez n&atilde;o promoveu mudan&ccedil;a nos h&aacute;bitos de higiene bucal e conclu&iacute;ram que existe pouca motiva&ccedil;&atilde;o para a ado&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos saud&aacute;veis de higiene bucal no cotidiano das gestantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No &uacute;nico artigo encontrado, cuja investiga&ccedil;&atilde;o foi feita na regi&atilde;o nordeste do pa&iacute;s, Cabral et al.<sup>16</sup> (2013) objetivaram compreender a percep&ccedil;&atilde;o de gestantes de Sergipe em rela&ccedil;&atilde;o a problemas bucais e ao tratamento odontol&oacute;gico por meio de uma pesquisa quali-quantitativa. Do grupo de 41 mulheres pesquisadas, com idades entre 17 e 37 anos, 68% n&atilde;o recebeu orienta&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de bucal durante a gesta&ccedil;&atilde;o, e 63% acreditava existir rela&ccedil;&atilde;o entre gravidez e problemas bucais. Segundo os autores, alguns depoimentos evidenciaram indiferen&ccedil;a e desvaloriza&ccedil;&atilde;o a respeito da sa&uacute;de bucal. Algumas gestantes tamb&eacute;m referiram dificuldades para ades&atilde;o ao tratamento odontol&oacute;gico, e a maioria delas tinha a cren&ccedil;a de que h&aacute; contraindica&ccedil;&atilde;o para o tratamento durante a gravidez. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os estudos sobre percep&ccedil;&atilde;o mostraram que o medo do procedimento odontol&oacute;gico ainda &eacute; uma barreira na assist&ecirc;ncia &agrave; gestante. Al&eacute;m disso, ao associar os cuidados com a sa&uacute;de bucal durante a gesta&ccedil;&atilde;o apenas com h&aacute;bitos de higiene e apar&ecirc;ncia est&eacute;tica, as gestantes reproduzem representa&ccedil;&otilde;es sociais existentes e evidenciam que desconhecem a import&acirc;ncia da aten&ccedil;&atilde;o odontol&oacute;gica durante o per&iacute;odo gestacional tanto para preven&ccedil;&atilde;o quanto para tratamento de doen&ccedil;as maternas e de suas repercuss&otilde;es para o feto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Estudos sobre a autopercep&ccedil;&atilde;o das gestantes</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A autopercep&ccedil;&atilde;o &eacute; um conceito cada vez mais utilizado. Ele retrata a avalia&ccedil;&atilde;o que o indiv&iacute;duo faz de si mesmo de maneira n&atilde;o circunstancial. &Eacute; uma medida utilizada principalmente em compara&ccedil;&otilde;es com indicadores cl&iacute;nicos de morbidade e mortalidade<sup>20</sup>. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Foram identificados dois artigos que analisaram a autopercep&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de bucal de gestantes. Silva et al.<sup>1</sup> (2006), em estudo quantitativo realizado em S&atilde;o Paulo, utilizando uma amostra de 56 gestantes, observaram predom&iacute;nio de autopercep&ccedil;&atilde;o positiva de sa&uacute;de bucal, j&aacute; que as atribui&ccedil;&otilde;es excelente, boa e regular somaram 88% das participantes e somente 12% fizeram avalia&ccedil;&atilde;o ruim. N&atilde;o foi encontrada rela&ccedil;&atilde;o entre estrato social, idade e escolaridade e a autopercep&ccedil;&atilde;o. Como n&atilde;o houve avalia&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica nesse estudo, os autores alertaram que nem sempre a autopercep&ccedil;&atilde;o reflete a real situa&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica do sujeito, pois muitos indiv&iacute;duos fazem uma avalia&ccedil;&atilde;o positiva, mas apresentam patologias bucais menos percept&iacute;veis que, se verificadas, diminuiriam o conceito positivo por eles atribu&iacute;do. Assim, recomendaram que estudos de autopercep&ccedil;&atilde;o aliem sua metodologia &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica, com o intuito de fazer o comparativo entre a situa&ccedil;&atilde;o real e a autorreferida. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Suprindo essa necessidade metodol&oacute;gica, Jeremias et al.<sup>17</sup> (2010) estudaram a autopercep&ccedil;&atilde;o e compararam com os resultados do exame cl&iacute;nico, em um grupo de cinquenta gestantes paulistas. Os pesquisadores observaram que 52% das gestantes atribu&iacute;ram conceito bom ou regular para os dentes, 80% avaliaram como boa ou regular a sa&uacute;de da gengiva, e para o estado geral da boca o conceito bom ou regular atingiu 70%. Quando submetidas a uma avalia&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica, os pesquisadores encontraram que, apesar do conceito positivo, todas precisavam de tratamento periodontal e de orienta&ccedil;&otilde;es de higiene oral. Al&eacute;m disso, 40% necessitavam utilizar pr&oacute;tese, e o &iacute;ndice de dentes cariados, perdidos e obturados (CPOD) encontrado para o grupo foi de 13,5, valor considerado alto. Foi constatada diferen&ccedil;a estatisticamente significativa entre a avalia&ccedil;&atilde;o subjetiva e a avalia&ccedil;&atilde;o normativa de sa&uacute;de bucal, no que tange ao &iacute;ndice de CPOD e &agrave; necessidade de pr&oacute;tese, ao contr&aacute;rio do que ocorreu em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a periodontal. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A autopercep&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de bucal positiva pelas gestantes foi consenso entre os estudos analisados nesta revis&atilde;o da literatura, embora n&atilde;o refletisse a real condi&ccedil;&atilde;o bucal quando investigados os dados cl&iacute;nicos. Observou-se que apenas um estudo fez esse tipo de an&aacute;lise comparativa, por isso, dada sua import&acirc;ncia, a necessidade de outros estudos nessa perspectiva. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Estudos sobre representa&ccedil;&atilde;o social das gestantes</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A teoria das representa&ccedil;&otilde;es sociais interessa-se por saber como um conhecimento &eacute; apropriado por diferentes grupos sociais, pertencendo a uma tradi&ccedil;&atilde;o que estuda a populariza&ccedil;&atilde;o de fen&ocirc;menos sociais que se tornaram motivo de preocupa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, focando em como o ser humano procura compreender o mundo<sup>21</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nos estudos sobre representa&ccedil;&otilde;es sociais das gestantes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de bucal, os resultados demonstraram a sua necessidade de esclarecimento. A maioria das representa&ccedil;&otilde;es aponta no sentido contr&aacute;rio ao que &eacute; recomend&aacute;vel para a sa&uacute;de bucal. Finkler et al.<sup>2</sup> (2004), em investiga&ccedil;&atilde;o realizada em Santa Catarina, constataram que as gestantes achavam desaconselh&aacute;vel ir ao dentista durante a gesta&ccedil;&atilde;o, que a gravidez &eacute; prejudicial para os dentes e que a visita ao dentista tem car&aacute;ter meramente curativo. Mesmo assim, elas concordaram que precisam cuidar dos seus pr&oacute;prios dentes para, depois, cuidar dos dentes dos seus filhos, e que os cuidados de sa&uacute;de bucal no beb&ecirc; devem ser realizados precocemente pelas m&atilde;es, al&eacute;m de reconhecerem a necessidade de restri&ccedil;&atilde;o parcial de alimentos cardiog&ecirc;nicos como m&eacute;todo de preven&ccedil;&atilde;o de problemas de sa&uacute;de para o beb&ecirc;. As gestantes relataram, ainda, ter muitas d&uacute;vidas sobre o cuidado com a boca e sentir necessidade de orienta&ccedil;&atilde;o profissional quanto &agrave; sa&uacute;de bucal durante a gesta&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O mesmo relato foi registrado por Codato<sup>5</sup> (2005) em pesquisa qualitativa realizada com usu&aacute;rias do SUS e de conv&ecirc;nios, tamb&eacute;m em Santa Catarina, na qual foram identificadas seis categorias de an&aacute;lise: autocuidado durante o per&iacute;odo gestacional, aten&ccedil;&atilde;o odontol&oacute;gica durante a gesta&ccedil;&atilde;o, vis&atilde;o/pesquisa sobre gravidez e suas consequ&ecirc;ncias na sa&uacute;de bucal, como gestantes resolvem seus problemas de sa&uacute;de bucal, a m&atilde;e na promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de bucal, os profissionais de sa&uacute;de. Dentro dessas categorias, foram encontradas 26 representa&ccedil;&otilde;es. Uma das diferen&ccedil;as entre os grupos foi o fato de que as gestantes assistidas pelo SUS procuravam mais o servi&ccedil;os de sa&uacute;de bucal do que as de conv&ecirc;nio, possivelmente pela facilidade de acesso nesse per&iacute;odo. O autor destacou que, para ambos os grupos, as representa&ccedil;&otilde;es sociais demonstraram existir muitos mitos e cren&ccedil;as arraigados &agrave; vis&atilde;o sobre aten&ccedil;&atilde;o odontol&oacute;gica &agrave; gestante que acabam por prejudicar esse processo. Essas dificuldades poderiam ser esclarecidas pelos profissionais que prestam assist&ecirc;ncia a esse grupo populacional com a tomada de medidas de preven&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Figueira<sup>18</sup> (2007) conduziu um estudo com o mesmo objetivo com gestantes de Minas Gerais. As representa&ccedil;&otilde;es sociais sobre sa&uacute;de bucal referiram-se a um estado de bem-estar relacionado &agrave; est&eacute;tica e &agrave; ado&ccedil;&atilde;o de cuidados de higiene bucal. A maioria das gestantes relatou n&atilde;o mudar o comportamento em rela&ccedil;&atilde;o aos h&aacute;bitos de sa&uacute;de bucal durante o per&iacute;odo grav&iacute;dico. O estudo constatou a baixa procura por assist&ecirc;ncia odontol&oacute;gica, a falta de informa&ccedil;&otilde;es sobre a influ&ecirc;ncia da sa&uacute;de bucal da m&atilde;e na sa&uacute;de do beb&ecirc; e a cren&ccedil;a de que o tratamento odontol&oacute;gico &eacute; prejudicial ao beb&ecirc;. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os estudos das representa&ccedil;&otilde;es sociais apontaram informa&ccedil;&otilde;es que contrariam as orienta&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de bucal durante a gravidez pautadas na evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica. Ficou em evid&ecirc;ncia a escassez de conhecimentos das gestantes sobre cuidados com a sa&uacute;de bucal durante a gesta&ccedil;&atilde;o e a exist&ecirc;ncia de conhecimentos equivocados sobre assist&ecirc;ncia odontol&oacute;gica &agrave; gestante, al&eacute;m da baixa procura pelo cirurgi&atilde;o-dentista<sup>2,5,18</sup>.</font><font size="2" face="Verdana"> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A concep&ccedil;&atilde;o da gestante sobre sa&uacute;de bucal configura um quadro de falta de informa&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a cuidados durante a gravidez, &agrave; procura por assist&ecirc;ncia odontol&oacute;gica e a altera&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas ou patol&oacute;gicas relacionadas &agrave; sa&uacute;de bucal durante a gesta&ccedil;&atilde;o. Constatou-se que &eacute; muito frequente a aceita&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es deturpadas por cren&ccedil;as e mitos. Esses fatos pareceram influenciar negativamente </font><font size="2" face="Verdana">negativamente suas atitudes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de bucal durante a gesta&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No per&iacute;odo estudado, poucas pesquisas foram realizadas com o intuito de entender a concep&ccedil;&atilde;o da gestante sobre sa&uacute;de bucal durante a gravidez. Com isso, verifica-se a necessidade da realiza&ccedil;&atilde;o de mais estudos com esse enfoque, que utilizem diferentes metodologias e abarquem todas as regi&otilde;es brasileiras, uma vez que as investiga&ccedil;&otilde;es encontradas concentraram-se nas Regi&otilde;es Sul e Sudeste do pa&iacute;s, com uma &uacute;nica exce&ccedil;&atilde;o, o que acaba por n&atilde;o retratar as diferentes caracter&iacute;sticas sociais e culturais que podem influenciar essa quest&atilde;o. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Refer&ecirc;ncias</B></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">1. Silva SRC, Rosell FL, Valsecki JR A. Percep&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de bucal por gestantes atendidas em uma unidade de sa&uacute;de no munic&iacute;pio de Araraquara, S&atilde;o Paulo, Brasil. Rev Bras Sa&uacute;de Matern Infant 2006; 6(4):405-10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=179097&pid=S1413-4012201500030002000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">2. Finkler M, Oleiniski DMB, Ramos FRS. Sa&uacute;de bucal materno- infantil: um estudo de representa&ccedil;&otilde;es sociais com gestantes. Texto &amp; Contexto Enferm 2004; 13(3):360-8. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">3. Codato LAB, Nakama L, Cordoni JRL, Higasi MS. Aten&ccedil;&atilde;o odontol&oacute;gica &agrave; gestante: papel dos profissionais de sa&uacute;de. Ci&ecirc;nc Sa&uacute;de Coletiva 2011; 16(4):2297-301. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">4. Medeiros-Serpa E, Freire PLL. Percep&ccedil;&otilde;es das gestantes de Jo&atilde;o Pessoa, PB sobre a sa&uacute;de bucal de seus beb&ecirc;s. Odontol Cl&iacute;n-Cient 2012; 11(2):121-5. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">5. Codato LAB. Pr&eacute;-natal odontol&oacute;gico e sa&uacute;de bucal: percep&ccedil;&otilde;es e representa&ccedil;&otilde;es de gestantes &#91;Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado&#93;. Londrina: Universidade Estadual de Londrina; 2005. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">6. Brasil. Secretaria de Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Sa&uacute;de. Departamento de Aten&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica. Sa&uacute;de Bucal. Bras&iacute;lia, DF; 2006. Cadernos de Aten&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica, n. 17. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">7. Correia SMB, Silveira JLGC. Percep&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o sa&uacute;de bucal e parto prematuro entre membros da equipe de ESF e gestantes. Pesqui Bras Odontopediatria Cl&iacute;n Integr 2011; 11(3):347-55. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">8. Reis DM, Pitta DR, Ferreira HMB, Jesus MCP, Moraes MEL, Soares MG. Educa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de como estrat&eacute;gia de promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de bucal em gestantes. Ci&ecirc;nc Sa&uacute;de Coletiva 2010; 15(1):269-76. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">9. Passini J&uacute;nior R, Nomura ML, Politano GT. Doen&ccedil;a periodontal e complica&ccedil;&otilde;es obst&eacute;tricas: h&aacute; rela&ccedil;&atilde;o de risco. Rev Bras Ginecol Obstet 2007; 29(7):372-7. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">10. Rossel FL, Montandon-Pompeu AAB, Valsecki JRA. Registro periodontal simplificado em gestantes. Rev Sa&uacute;de P&uacute;blica 1999; 33(2):157-62. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">11. Codato LAB, Nakama L, Melchior R. Percep&ccedil;&otilde;es de gestantes sobre a aten&ccedil;&atilde;o odontol&oacute;gica durante a gravidez. Ci&ecirc;nc Sa&uacute;de Coletiva 2008; 13(3):1075-80. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">12. Vieira GF, Zocratto KBF. Percep&ccedil;&atilde;o das gestantes quanto a sua sa&uacute;de bucal. RFO UPF 2007; 12(2):27-31. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">13. Bastiani C, Cota ALS, Provenzano MGA, Fracasso MLC, Hon&oacute;rio HM, Rios D. Conhecimento das gestantes sobre altera&ccedil;&otilde;es bucais e tratamento odontol&oacute;gico durante a gravidez. Odontol Cl&iacute;n-Cient 2010; 9(2):155-60. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">14. Moimaz SAS, Saliba NA, Bino LS, Rocha NB. A &oacute;tica do usu&aacute;rio na avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade do programa de aten&ccedil;&atilde;o odontol&oacute;gica &agrave; gestante. Pesqui Bras Odontopediatria Cl&iacute;n Integr 2009; 9(2):147-53. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">15. Praetzel JR, Ferreira FV, Lenzi TL, Melo GP, Alves LS. Percep&ccedil;&atilde;o materna sobre aten&ccedil;&atilde;o odontol&oacute;gica e fonoaudiol&oacute;gica na gravidez. Rev Ga&uacute;cha Odontol 2010; 58(2):155-60. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">16. Cabral MCB, Santos TS, Moreira TP. Percep&ccedil;&atilde;o das gestantes do Programa de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de bucal no munic&iacute;pio de Ribeir&oacute;polis, Sergipe, Brasil. Rev Port Sa&uacute;de P&uacute;blica 2013; 31(2):173-80. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">17. Jeremias F, Silva SRC, Valsecki JRA, Tagliaferro EPS, Rossel FL. Autopercep&ccedil;&atilde;o e condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de bucal em gestantes. Odontol Cl&iacute;n-Cient 2010; 9(4):359-63. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">18. Figueira TR. Educa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de bucal para gestantes: possibilidades de constru&ccedil;&atilde;o e multiplica&ccedil;&atilde;o de saberes &#91;Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado&#93;. Belo Horizonte: Centro de Pesquisa Ren&eacute; Rachou; 2007. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">19. F&aacute;vero MH. A pesquisa de interven&ccedil;&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias conceituais. Psicol Estud 2012; 17(1):103-10. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">20. Bezerra CLB, Opitz SP, Koifman RJ, Muniz PT. Percep&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de e fatores associados em adultos: inqu&eacute;rito populacional em Rio Branco, Acre, Brasil, 2007-2008. Cad Sa&uacute;de P&uacute;blica 2011; 27(12):2441-51. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">21. Saraiva ERA, Coutinho MPL. Meios de comunica&ccedil;&atilde;o impressos, representa&ccedil;&otilde;es sociais e viol&ecirc;ncia contra idosos. Psicol Estud 2012; 17(2):205-14.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="back"/></a><a href="#top"><img src="/img/revistas/rfo/v20n3/seta.jpg" border="0" align="absmiddle"/></a><b>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia:</b>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   </font><font size="2" face="Verdana">Rosane Silvia Davoglio     <br>   Universidade Federal do Vale do S&atilde;o Francisco    <br>   Av. Jos&eacute; de S&aacute; Mani&ccedil;oba, s/n &ndash; Centro    <br>   56.304-205 Petrolina, PE    <br>     e-mail: </font><font size="2" face="Verdana"><a href="mailto:rosanedavoglio@gmail.com" target="_blank">rosanedavoglio@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Recebido: 27/03/15<br/> Aceito: 26/06/15</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Percepção das condições de saúde bucal por gestantes atendidas em uma unidade de saúde no município de Araraquara, São Paulo, Brasil]]></article-title>
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