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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Celulite facial em lábio inferior oriunda de acne inflamada: relato de caso]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: facial cellulitis is the diffusion of inflammatory process by subcutaneous planes in soft tissues; its etiology potentially comes from several factors and the odontogenic origin is the one most commonly found. However, facial cellulitis may also be related to less common causes, such as infectious processes from non-odontogenic origin. Objective: the present case report clarifies the beginning of an infectious process generated by inflamed acne lesions on the lower lip border, which was the gateway to bacteria, producing the diffusion of inflammatory process to subcutaneous planes and originating facial cellulitis. Case report: because there is no specific causal agent such as those produced by odontogenic causes, the treatment with broad-spectrum antibiotic therapy has been established, associated with meticulous hygiene and heat therapy to induce spontaneous abscessation. Specific laboratory tests were also requested for higher safety and accurate diagnosis of the professional. The evolution of the case occurred in the course of 8 days, quickly and acutely, especially in the first 5 days. Final considerations: as reported in the case, the intimate interaction between the dentist and the physician, and the presence of interdisciplinarity were fundamental factors in the treatment as a whole to solve the case satisfactorily, considering the occurrence of facial cellulitis in such areas are not usually witnessed.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><a name="top"/></a><B>Celulite facial em l&aacute;bio inferior oriunda de acne inflamada: relato de caso</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Facial cellulitis in lower lip caused by inflamed acne: case report</B> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Marcelo Bighetti Toniollo<sup>I</sup></b><i><b>; </b></i><b>Andrea Sayuri Silveira Dias Terada</b><b> <sup>II</sup>; </b></font><font size="2" face="Verdana"><b>Enzo Melchior Junior</b></font><font size="2" face="Verdana"><b> <sup>III</sup></b></font><font size="2" face="Verdana"><b>    <br> </b></font></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>  Especialista em Pr&oacute;tese Dent&aacute;ria pela AORP. Mestre e doutor em Reabilita&ccedil;&atilde;o Oral pela FORP-USP. Docente da Faculdade de Odontologia de Rio Verde, Universidade de Rio Verde (FORV/UniRV), Rio Verde, GO, Brasil    <br>   <sup>II</sup> </font><font size="2" face="Verdana">Doutoranda em Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de na Faculdade de Medicina de Ribeir&atilde;o Preto, FMRP/USP. Docente da Faculdade de Odontologia de Rio Verde, Universidade de Rio Verde (FORV/UniRV), Rio Verde, GO, Brasil    <br>   <sup>III</sup> </font><font size="2" face="Verdana">Dermatologista pelo Hospital das Cl&iacute;nicas e Cl&iacute;nica Dermatol&oacute;gica de Strasbourg, Fran&ccedil;a</font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#back">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="2" face="Verdana">RESUMO	</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Introdu&ccedil;&atilde;o: a celulite facial &eacute; a difus&atilde;o de processo inflamat&oacute;rio por planos subcut&acirc;neos em tecidos moles, podendo ter sua etiologia oriunda de variados fatores, sendo, dentre eles, a origem odontog&ecirc;nica a mais comumente encontrada. Entretanto, a celulite facial pode tamb&eacute;m estar relacionada a causas menos comuns, como processos infecciosos de origem n&atilde;o odontog&ecirc;nica. Objetivo: o presente relato de caso vem a elucidar o in&iacute;cio de um processo infeccioso gerado por acne inflamada na borda inferior do l&aacute;bio, a qual foi a porta de entrada para bact&eacute;rias, o que gerou a difus&atilde;o do processo inflamat&oacute;rio para planos subcut&acirc;neos e originou uma celulite facial. Relato de caso: pelo fato de n&atilde;o haver agente causal espec&iacute;fico, como as originadas por causa odontog&ecirc;nica, foi estabelecido tratamento com antibi&oacute;ticoterapia de amplo espectro, associado &agrave; meticulosa higieniza&ccedil;&atilde;o e terapia com calor, a fim de induzir absceda&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea. Exames espec&iacute;ficos laboratoriais tamb&eacute;m foram solicitados para maior seguran&ccedil;a e diagn&oacute;stico preciso do profissional. A evolu&ccedil;&atilde;o do caso transcorreu em oito dias, de forma r&aacute;pida e aguda, principalmente nos primeiros cinco dias. Considera&ccedil;&otilde;es finais: conforme relatado no caso, a intera&ccedil;&atilde;o entre o cirurgi&atilde;o-dentista e o m&eacute;dico bem como a presen&ccedil;a da interdisciplinaridade foram fatores fundamentais no tratamento como um todo e para a resolu&ccedil;&atilde;o do caso de forma satisfat&oacute;ria, uma vez que a ocorr&ecirc;ncia de celulite facial nessa &aacute;rea n&atilde;o &eacute; geralmente presenciada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>Palavras-chave: </B>Celulite facial. Drenagem. Infec&ccedil;&atilde;o. L&aacute;bio inferior.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT	</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Introduction: facial cellulitis is the diffusion of inflammatory process by subcutaneous planes in soft tissues; its etiology potentially comes from several factors and the odontogenic origin is the one most commonly found. However, facial cellulitis may also be related to less common causes, such as infectious processes from non-odontogenic origin. Objective: the present case report clarifies the beginning of an infectious process generated by inflamed acne lesions on the lower lip border, which was the gateway to bacteria, producing the diffusion of inflammatory process to subcutaneous planes and originating facial cellulitis. Case report: because there is no specific causal agent such as those produced by odontogenic causes, the treatment with broad-spectrum antibiotic therapy has been established, associated with meticulous hygiene and heat therapy to induce spontaneous abscessation. Specific laboratory tests were also requested for higher safety and accurate diagnosis of the professional. The evolution of the case occurred in the course of 8 days, quickly and acutely, especially in the first 5 days. Final considerations: as reported in the case, the intimate interaction between the dentist and the physician, and the presence of interdisciplinarity were fundamental factors in the treatment as a whole to solve the case satisfactorily, considering the occurrence of facial cellulitis in such areas are not usually witnessed.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><B>Keywords</B>: Facial cellulitis. Drainage. Infection. Lower lip.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B> Introdu&ccedil;&atilde;o</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">	A celulite facial &eacute; um processo inflamat&oacute;rio agudo difuso nos tecidos subcut&acirc;neos. Trata-se de uma esp&eacute;cie de abscesso que n&atilde;o drena via extra ou intrabucal, o que gera aumento de volume pela sua difus&atilde;o atrav&eacute;s dos planos faciais dos tecidos moles<sup>1</sup>. Geralmente, &eacute; causada por bact&eacute;rias do tipo estreptococos ou estafilococos, as quais se infiltram nas camadas subcut&acirc;neas por poss&iacute;veis portas de entrada<sup>2</sup>. Quando tal infec&ccedil;&atilde;o evolui e toma forma de Angina de Ludwig, Trombose do Seio Cavernoso, Mediastinite ou mesmo se aproxima das meninges e do c&eacute;rebro, o paciente corre riscos mais elevados, podendo gerar septicemia e chegar &agrave; morte<sup>1,3,4</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; sabido que pacientes imunodeprimidos, alco&oacute;latras e/ou diab&eacute;ticos apresentam maior susceptibilidade a variadas doen&ccedil;as e infec&ccedil;&otilde;es, inclusive &agrave; celulite facial e suas complica&ccedil;&otilde;es, que tem maior incid&ecirc;ncia em crian&ccedil;as e adultos jovens<sup>5,6</sup>. Al&eacute;m disso, dependendo da &aacute;rea afetada pela celulite facial, os tecidos loco-regionais apresentam dilata&ccedil;&atilde;o e extens&atilde;o variadas, de acordo com a resist&ecirc;ncia muscular e do tecido &oacute;sseo<sup>7,8</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Variados s&atilde;o os casos de relato de celulite facial associados &agrave; origem odontog&ecirc;nica, causa mais comum<sup>1,6</sup>. No entanto, tal inflama&ccedil;&atilde;o pode advir de outras fontes, correlatas ou distintas, tais como: foco de infec&ccedil;&atilde;o dent&aacute;ria, como c&aacute;ries ou periodontites, infec&ccedil;&atilde;o em procedimentos cir&uacute;rgicos, cortes e machucados em geral, arranh&otilde;es e at&eacute; mesmo, por&eacute;m de forma menos frequente, acnes inflamadas<sup>9</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Independentemente do tipo de porta de entrada para a infec&ccedil;&atilde;o, os sintomas s&atilde;o os mesmos: vermelhid&atilde;o, incha&ccedil;o e eleva&ccedil;&atilde;o de temperatura local ou febre. O problema tamb&eacute;m pode levar &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de grande cole&ccedil;&atilde;o purulenta e, em caso mais avan&ccedil;ado, absceder de forma espont&acirc;nea. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A avalia&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica do caso &eacute; de fundamental import&acirc;ncia para o correto diagn&oacute;stico. Em casos de maiores propor&ccedil;&otilde;es, &eacute; necess&aacute;rio analisar os sinais vitais do paciente, como temperatura corporal, press&atilde;o arterial, frequ&ecirc;ncia card&iacute;aca e respirat&oacute;ria. A inspe&ccedil;&atilde;o e a palpa&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o s&atilde;o fundamentais, assim como a avalia&ccedil;&atilde;o da eventual presen&ccedil;a de trismo, dispneia, sialorreia, disfagia e disfonia. Associados a isso, est&atilde;o os exames por imagem para avalia&ccedil;&atilde;o do complexo maxilomandibular, a localiza&ccedil;&atilde;o do agente causador da infec&ccedil;&atilde;o e o planejamento da eventual cirurgia<sup>10</sup>. E, tamb&eacute;m, os exames laboratoriais s&atilde;o importantes auxiliares para a melhor conduta, devendo sempre estar dispon&iacute;vel o hemograma para an&aacute;lise geral da s&eacute;rie vermelha e branca<sup>11</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O tratamento t&iacute;pico utilizado para casos de celulite facial &eacute; a antibi&oacute;ticoterapia, associada &agrave; terapia com calor, al&eacute;m da elimina&ccedil;&atilde;o do foco de infec&ccedil;&atilde;o e eventual incis&atilde;o e drenagem na &aacute;rea afetada. Al&eacute;m disso, em casos mais graves, a interna&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria, al&eacute;m de tratamento com corticosteroides6. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A preven&ccedil;&atilde;o &eacute; por meio de cuidados </font><font size="2" face="Verdana">b&aacute;sicos de higiene, tanto intrabucais como extraorais. Para isso, a consulta rotineira ao cirurgi&atilde;o-dentista se faz imprescind&iacute;vel, al&eacute;m de aten&ccedil;&atilde;o a qualquer tipo de altera&ccedil;&atilde;o tecidual. Tamb&eacute;m, o ato de apertar espinhas &eacute; risco potencial para originar a celulite facial. Dessa forma, a intera&ccedil;&atilde;o bem ajustada entre profissionais da &aacute;rea da sa&uacute;de, como o cirurgi&atilde;o-dentista e o m&eacute;dico, &eacute; fundamental para o adequado desfecho do caso, j&aacute; que pode haver varia&ccedil;&atilde;o por parte do paciente em procurar um ou outro profissional.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">No presente caso cl&iacute;nico, &eacute; apresentada a ocorr&ecirc;ncia de celulite facial no l&aacute;bio inferior oriunda, provavelmente, de uma acne inflamada, a qual foi a via de entrada das bact&eacute;rias para os tecidos subcut&acirc;neos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Relato de caso</B> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Paciente do g&ecirc;nero masculino, 29 anos de idade, compareceu ao profissional cirurgi&atilde;o-dentista com relato de certo incha&ccedil;o e desconforto no l&aacute;bio inferior (<a href="#fig01">Figura 1</a>, T0). No exame cl&iacute;nico, foi observada, na &aacute;rea central da borda inferior do l&aacute;bio, les&atilde;o semelhante a uma espinha infeccionada. Houve relato do paciente de tentativa de expelir uma acne naquela &aacute;rea dias antes. No exame cl&iacute;nico, tamb&eacute;m foi notado relativo edemaciamento da regi&atilde;o central do l&aacute;bio inferior, de consist&ecirc;ncia firme e com registro de leve dor ao ser pressionado. O profissional cirurgi&atilde;o-dentista optou pelo encaminhamento ao m&eacute;dico dermatologista, uma vez suspeitada a possibilidade de celulite facial. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sob an&aacute;lise do m&eacute;dico dermatologista, no mesmo T0, foram solicitados exames laboratoriais (Hemograma, Antiestreptolisina O e Prote&iacute;na C Reativa) e iniciada antibi&oacute;ticoterapia imediata com Cefalexina 500mg, de 8 em 8 horas, por 10 dias, sendo solicitado retorno ap&oacute;s 3 dias. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A evolu&ccedil;&atilde;o nos 3 dias subsequentes foi de abrupta piora do quadro cl&iacute;nico (<a href="#fig01">Figura 1</a>, T1 e T3), com piora na capacidade de fala e maior sensibilidade dolorosa ao tato. Na consulta de retorno, foi realizado novo exame cl&iacute;nico, mas optou-se em manter a mesma terapia, acrescentando o uso de um regenerador labial a base de dexpantenol e vitamina E, a fim de evitar ressecamento labial. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No quarto dia ap&oacute;s T0 (<a href="#fig01">Figura 1</a>, T4), o caso apresentou-se em seu pico de evolu&ccedil;&atilde;o. O l&aacute;bio inferior estava altamente edemaciado e desconfigurado, j&aacute; com &aacute;reas de n&iacute;tidas forma&ccedil;&otilde;es purulentas intrad&eacute;rmicas. A sensibilidade dolorosa ao tato era alta, com queixa de dificuldade da fala e em se alimentar. Apesar de o l&aacute;bio inferior ainda estar todo inchado, notou-se o in&iacute;cio de certa concentra&ccedil;&atilde;o purulenta intrad&eacute;rmica, aparentando uma organiza&ccedil;&atilde;o do processo infeccioso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Na transi&ccedil;&atilde;o entre o quarto para o quinto dia ap&oacute;s T0, tendo sido feita, frequentemente, a terapia com calor, notou-se dois pontos de drenagem, um na parte superior do l&aacute;bio inferior (local de aparente concentra&ccedil;&atilde;o purulenta intrad&eacute;rmica) e outro na parte central inferior do l&aacute;bio inferior (local referente &agrave; espinha inflamada, prov&aacute;vel porta de entrada da infec&ccedil;&atilde;o) (<a href="#fig01">Figura 1</a>, T5). O paciente relatou que, no momento da compressa t&eacute;rmica, e sob leve press&atilde;o, havia expuls&atilde;o bastante evidente de cole&ccedil;&atilde;o purulenta com sangue. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Foi mantida a mesma terapia medicamentosa e, nos 3 dias subsequentes (<a href="#fig01">Figura 1</a>, T6, T7 e T8), foi observada gradativa melhora. O antibi&oacute;tico foi mantido at&eacute; completar os 10 dias estipulados inicialmente. A total e completa melhora do quadro, com aus&ecirc;ncia total de sensibilidade dolorosa e volta da consist&ecirc;ncia normal do l&aacute;bio inferior, foi registrada ap&oacute;s 30 dias de T0.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Os resultados dos exames solicitados foram normais para o Hemograma e para a Antiestreptolisina O, no entanto, para a Prote&iacute;na C Reativa o resultado deu alterado, o que evidencia a presen&ccedil;a de infec&ccedil;&atilde;o no organismo, por&eacute;m de origem diferente do grupo dos estreptococos </font><font size="2" face="Verdana"> (<a href="#tab01">Tabela 1</a>).</font> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rfo/v21n3/a14fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="tab01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rfo/v21n3/a14tab01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">As celulites faciais s&atilde;o infec&ccedil;&otilde;es graves de caracter&iacute;sticas agudas, com r&aacute;pida progress&atilde;o (2 a 4 dias), localiza&ccedil;&atilde;o difusa, aus&ecirc;ncia de secre&ccedil;&atilde;o purulenta, em alguns casos, consist&ecirc;ncia endurecida, &aacute;rea hiper&ecirc;mica e causada por bact&eacute;rias mistas, apresentando potencial risco &agrave; sa&uacute;de do indiv&iacute;duo<sup>1</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diferentes trabalhos j&aacute; apresentaram situa&ccedil;&otilde;es de infec&ccedil;&otilde;es graves de origem dent&aacute;ria, que culminaram em infec&ccedil;&otilde;es graves. Uma vez constatada origem odontog&ecirc;nica e abscesso dentoalveolar, deve-se tentar, inicialmente, a preserva&ccedil;&atilde;o do elemento dental e adequa&ccedil;&atilde;o do meio bucal, mas, quando n&atilde;o for poss&iacute;vel, a exodontia do elemento envolvido deve ser realizada. A elimina&ccedil;&atilde;o do fator causador permite melhora dos sinais e sintomas do quadro de infec&ccedil;&atilde;o, e a drenagem da cole&ccedil;&atilde;o purulenta tamb&eacute;m &eacute; recomendada<sup>1,9</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por&eacute;m, quando se trata de celulite facial sem origem dent&aacute;ria, como foi o caso relatado na presente pesquisa, adequa&ccedil;&atilde;o do meio e extra&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se justificam. Como relatado, outras vias de infec&ccedil;&atilde;o s&atilde;o totalmente poss&iacute;veis, e a acne ou espinha infeccionada pode gerar uma infec&ccedil;&atilde;o local que se dissemina nos planos subcut&acirc;neos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quando tal fato ocorre em &aacute;rea de tecido mole vascular frouxo, tal como no l&aacute;bio inferior, o edema se torna bastante evidente devido &agrave; maior flacidez do local, o que gera uma evolu&ccedil;&atilde;o extremamente r&aacute;pida do caso e consequente inc&ocirc;modo ao paciente. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Caso haja gera&ccedil;&atilde;o de abscesso e drenagem espont&acirc;nea, estando o paciente coberto por terapia medicamentosa, a resolu&ccedil;&atilde;o do caso, geralmente, &eacute; feita de forma mais acelerada, tal como ocorreu no presente caso. Os exames laboratoriais tamb&eacute;m s&atilde;o capazes de nortear a decis&atilde;o do profissional por qual conduta tomar. Por isso, exames como Hemograma, Prote&iacute;na C Reativa (subst&acirc;ncia presente no sangue que indica inflama&ccedil;&atilde;o ou infec&ccedil;&atilde;o no organismo) e Antiestreptolisina O (indicador de infec&ccedil;&otilde;es estreptoc&oacute;cicas) s&atilde;o fundamentais para a correta conduta do caso. No relato em quest&atilde;o, em que este &uacute;ltimo exame n&atilde;o apresentou altera&ccedil;&otilde;es, imagina-se que a infec&ccedil;&atilde;o teria origem microbiol&oacute;gica por estafilococos (<a href="#tab01">Tabela 1</a>). Por isso, &eacute; importante tamb&eacute;m que se opte por tratamento com antibi&oacute;ticos de largo espectro. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Azenha et al.<sup>1</sup> (2012) relatam que a antibi&oacute;ticoterapia &eacute; uma grande aliada no tratamento das infec&ccedil;&otilde;es faciais, por&eacute;m, tem papel coadjuvante no tratamento, pois deve sempre ser associada &agrave; drenagem e &agrave; remo&ccedil;&atilde;o da causa. Os autores ainda afirmam que a simples administra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o causa efeito algum, podendo, em alguns casos, exacerbar e intensificar a gravidade da infec&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s o per&iacute;odo de administra&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No entanto, &eacute; not&oacute;rio que a afirma&ccedil;&atilde;o desses autores se justifica em casos de celulite facial com origem etiol&oacute;gica definida, como a odontog&ecirc;nica, em que h&aacute; um agente causal espec&iacute;fico. Entretanto, casos como o relatado no presente artigo, em que houve uma via de entrada definida (acne inflamada), por&eacute;m, n&atilde;o h&aacute; agente etiol&oacute;gico poss&iacute;vel de ser removido, &eacute; indicada, sim, apenas a correta higieniza&ccedil;&atilde;o acompanhada da antibi&oacute;ticoterapia, que pode ser bem sucedida, como citado por Calzadilla<sup>12</sup> (1997). O acompanhamento da evolu&ccedil;&atilde;o do caso de forma criteriosa e cautelosa &eacute; tamb&eacute;m imprescind&iacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Fato &eacute; que o profissional envolvido deve estar atento &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o do caso, munido de todos os exames necess&aacute;rios e informado da forma mais vi&aacute;vel e eficaz para tratamento do caso. Al&eacute;m disso, &eacute; de suma import&acirc;ncia a interdisciplinaridade entre os profissionais, tanto da &aacute;rea odontol&oacute;gica quanto da m&eacute;dica, j&aacute; que, muitas vezes, o paciente procura pelo profissional que lhe gera maior confian&ccedil;a, mas n&atilde;o necessariamente sua &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o ser&aacute; a mais adequada para resolu&ccedil;&atilde;o do caso.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Conclus&otilde;es</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">As celulites faciais s&atilde;o infec&ccedil;&otilde;es graves que, se n&atilde;o corretamente tratadas, podem gerar complica&ccedil;&otilde;es indesejadas. Em casos de origem definida, em que h&aacute; agente causal determinado, faz-se necess&aacute;ria sua remo&ccedil;&atilde;o, associada &agrave; drenagem e &agrave; antibi&oacute;ticoterapia. J&aacute; em casos como o relatado neste trabalho, em que n&atilde;o h&aacute; fator etiol&oacute;gico a ser removido, o acompanhamento associado &agrave; antibi&oacute;ticoterapia &eacute; fundamental, junto de meticulosa higieniza&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea afetada. &Eacute; importante ressaltar que, al&eacute;m do correto exame cl&iacute;nico, &eacute; fundamental o diagn&oacute;stico por meio de exames de imagem e/ou exames laboratoriais, para uma correta an&aacute;lise microbiol&oacute;gica e um tratamento direcionado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Refer&ecirc;ncias</B></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">1. Azenha MR, de Lacerda AS, Bim AL, Caliente R, Guzman S. Celulite facial de origem odontog&ecirc;nica. Apresenta&ccedil;&atilde;o de 5 casos. Rev Cir Traumatol Buco-Maxilo-Fac Camaragibe 2012; 12(3):41-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=186521&pid=S1413-4012201600030001400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">2. Calzadilla O. Diagn&oacute;stico y tratamiento de la celulitis facial odont&oacute;dena. Act Odont Venez 2001; 39:1-10. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">3. Dice W, Pryor EJ, Kilpatrick W. Facial cellulitis following dental injury in child. Ann Emerg Med 1982; 11:541-5. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">4. Schusterman S. Pediatric dental update. Pediatr Rev 1994; 15:311-8. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">5. Hodges T, Cohen DA, Deck D. Odontogenic sinus tracts. Am Fam Psysician 1989; 40:113-6.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> 6. Itiere Odzili FA, Mahoungou Guimbi K, Boumandoki PJ, Otiobanda GF, Ovoundard M, Ondzotto G. 67 cases of face and neck cellulitis managed at the Brazzaville Teaching Hospital. Rev Stomatol Chir Maxillofac Chir Orale 2014; 115(6):349-52. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">7. Allen CM, Bouquot JE, Damm DD, Neville BW. Patologia oral e maxilofacial. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 1998. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">8. Almeida AM, Lia RCC. Dissemina&ccedil;&atilde;o de infec&ccedil;&atilde;o purulenta envolvendo segundo e terceiro molares inferiores &ndash; relato de caso cl&iacute;nico. Rev Brasileira de Cirurgia e Implantodontia 2000; 7:34-6. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">9. Brito N, Rodrigues F, Salgado M, Lemos L. Celulite facial de prov&aacute;vel causa odontog&ecirc;nica. Sa&uacute;de Infantil 2005; 27(2):55-7. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">10. Vasconcelos BEC, Cau&aacute;s M, Albert DGM, Nascimento GJF, Holanda GZ. Dissemina&ccedil;&atilde;o de infec&ccedil;&atilde;o odontog&ecirc;nica atrav&eacute;s das f&aacute;scias cervicais profundas: relato de caso cl&iacute;nico. Rev Cir Traumatol Buco-Maxilo-Fac Camaragibe 2002; 2:21-5.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> 11. Carvalho ACP, Carvalho PSP, Andrade ED, Passeri LA. Tratamento dos abscessos de origem dental. Odontol Mod 1988; 15:34-9. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">12. Calzadilla O. Celulitis facial odont&oacute;gena. Rev Cub Estomatol 1997; 34:15-20.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="back"/></a><a href="#top"><img src="/img/revistas/rfo/v21n3/seta.jpg" border="0" align="absmiddle"/></a><b>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   </font><font size="2" face="Verdana">Marcelo Bighetti Toniollo     <br>Rua Primo Tronco, 81 &ndash; apto 23     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>14030-020 Vila Virg&iacute;nea, Ribeir&atilde;o Preto     <br>   e-mail: </font><font size="2" face="Verdana"><a href="mailto:martoniollo@yahoo.com.br" target="_blank">martoniollo@yahoo.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Recebido: 29/09/2016<br/> Aceito: 24/03/2017</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
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<source><![CDATA[Rev Cir Traumatol Buco-Maxilo-Fac Camaragibe]]></source>
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