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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Abuso físico infantil: vivências e atitudes de estudantes de Odontologia]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The purpose of this study was to verify the experiences vivências and attitudes of Dental undergraduate students, facing physical child abuse cases. This study was carried out in 2016, with a representative sample (N = 195) of junior and senior undergraduate students from a private education institution. The data were collected through a self-administered questionnaire, validated in Portuguese. In the statistical analysis, a descriptive analysis and comparative were performed with Chi-square, Kruskal-Wallis tests, and multiple comparisons. The majority of the students did not identify physical child abuse cases (85,6%), did not perform reports (97,4%) and claims to know the proper entities to which notify (74,4%), being mentioned the Tutelary Council (65,0%). In a 0 to 10 scale, the undergraduate program collaborates with an average of 5.47 for students preparation for care for a child victim of physical abuse. In this regard, 89,7% of the students states the interest in receiving training regarding the theme. A significant difference was observed among students in regard to the effectiveness of recognizing the main signs and symptoms of physical child abuse and the interest in training regarding the theme. Based on the results it is suggested the need for greater emphasis on this theme during the course, aiming at preparing the future professional to deal with cases of physical abuse of children.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Maus-tratos Infantis.]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="top"/></a><B>Abuso f&iacute;sico infantil: viv&ecirc;ncias e atitudes de estudantes de Odontologia</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Physical child abuse: experiences and attitudes of Dental students</b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Priscila Tha&iacute;s Rodrigues de Abreu<sup>I</sup>; Isabela Faria de Souza Costa<sup>I</sup>; Amanda Galv&atilde;o<sup>I</sup>; Ana Carla de Paula Souza<sup>I</sup>; Keli Bahia Felic&iacute;ssimo Zocratto<sup>II</sup>; MCamilla Aparecida Silva de Oliveira<sup>III</sup></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup> Discente do curso de Odontologia do Centro Universit&aacute;rio Newton Paiva    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <sup>II</sup>Doutora, Professora Adjunta da Escola de Enfermagem da UFMG, Curso de Gest&atilde;o de Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de    <br> <sup>III</sup> Doutoranda em Sa&uacute;de Coletiva pela UFMG, Professora Adjunta do Centro Universit&aacute;rio Newton Paiva    <br>     <br>     <br> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a href="#back">Correspondência</a></font></p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">objetivo desse estudo foi verificar as viv&ecirc;ncias e as atitudes dos graduandos em Odontologia frente a casos de abuso f&iacute;sico infantil. O estudo foi realizado no ano de 2016, com uma amostra representativa (n=195) de alunos do 6&ordm; ao 9&ordm; per&iacute;odo de uma institui&ccedil;&atilde;o de ensino privada. Os dados foram coletados por meio de question&aacute;rio autoaplic&aacute;vel validado para a l&iacute;ngua portuguesa. Na an&aacute;lise estat&iacute;stica realizaram-se an&aacute;lises descritiva e comparativa com os testes Qui-quadrado, Kruskal-Wallis e compara&ccedil;&otilde;es m&uacute;ltiplas. A maioria dos alunos n&atilde;o identificou casos de abuso f&iacute;sico infantil (85,6%), n&atilde;o realizou notifica&ccedil;&otilde;es (97,4%) e julga saber o &oacute;rg&atilde;o ao qual notificar (74,4%), sendo citado o Conselho Tutelar (65,0%). Em uma escala de 0 a 10, a gradua&ccedil;&atilde;o tem colaborado com uma m&eacute;dia de 5,47 no preparo do aluno para o atendimento &agrave; crian&ccedil;a v&iacute;tima de abuso. Nesse sentido, 89,7% dos alunos declararam interesse em receber treinamentos sobre o tema. Observou-se diferen&ccedil;a significativa entre os per&iacute;odos no que se refere &agrave; efetividade de reconhecer os principais sinais e sintomas do abuso f&iacute;sico infantil e interesse em treinamentos sobre o tema. Com base nos resultados sugere-se a necessidade de maior &ecirc;nfase no tema durante o curso, visando o preparo do futuro profissional para atuar frente a casos de abuso f&iacute;sico infantil.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Descritores</b>: Maus-tratos Infantis. Odontologia. Estudantes.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>ABSTRACT</B> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">The purpose of this study was to verify the experiences viv&ecirc;ncias and attitudes of Dental undergraduate students, facing physical child abuse cases. This study was carried out in 2016, with a representative sample (N = 195) of junior and senior undergraduate students from a private education institution. The data were collected through a self-administered questionnaire, validated in Portuguese. In the statistical analysis, a descriptive analysis and comparative were performed with Chi-square, Kruskal-Wallis tests, and multiple comparisons. The majority of the students did not identify physical child abuse cases (85,6%), did not perform reports (97,4%) and claims to know the proper entities to which notify (74,4%), being mentioned the Tutelary Council (65,0%). In a 0 to 10 scale, the undergraduate program collaborates with an average of 5.47 for students preparation for care for a child victim of physical abuse. In this regard, 89,7% of the students states the interest in receiving training regarding the theme. A significant difference was observed among students in regard to the effectiveness of recognizing the main signs and symptoms of physical child abuse and the interest in training regarding the theme. Based on the results it is suggested the need for greater emphasis on this theme during the course, aiming at preparing the future professional to deal with cases of physical abuse of children. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>Descriptors: </B>Child Abuse. Dentistry. Students.</font> </p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B> 1 INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O abuso f&iacute;sico infantil (AFI) &eacute; definido como o uso intencional da for&ccedil;a f&iacute;sica contra uma crian&ccedil;a, que resulte em danos reais ou potenciais &agrave; sua sa&uacute;de, sobreviv&ecirc;ncia, desenvolvimento ou dignidade<sup>1</sup>. Segundo dados da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de, estima-se que cerca de 23% das crian&ccedil;as em todo o mundo sofreram AFI em 2014<sup>2</sup>. Nas grandes cidades brasileiras a agress&atilde;o &eacute; considerada a primeira causa externa respons&aacute;vel pelos &oacute;bitos na faixa et&aacute;ria de 0 a 19 anos<sup>3</sup>. Estima-se que nos </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&uacute;ltimos 15 anos a preval&ecirc;ncia de AFI no Brasil foi de aproximadamente 15,7%<sup>4</sup>. As principais organiza&ccedil;&otilde;es governamentais e n&atilde;o governamentais est&atilde;o sensibilizadas quanto ao debate da viol&ecirc;ncia infantil, visto tratar-se de um problema de sa&uacute;de p&uacute;blica<sup>5</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Na maioria dos casos, o AFI &eacute; cometido dentro do pr&oacute;prio lar, caracterizando a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica<sup>6</sup>. Dentre as inj&uacute;rias associadas aos maus-tratos, evidenciam-se as les&otilde;es orofaciais, presentes em cerca de 50 a 70% dos casos<sup>7</sup>. Destacam-se as contus&otilde;es, desvios da abertura bucal, lacera&ccedil;&otilde;es, queimaduras provocadas por alimentos quentes ou utens&iacute;lios dom&eacute;sticos, equimoses nas bochechas sugerindo agress&atilde;o por socos ou tapas, bem como a presen&ccedil;a de escaras no canto da boca devido ao amorda&ccedil;amento<sup>8,9</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como visto, uma gama de les&otilde;es pode acometer a face, colocando o cirurgi&atilde;o-dentista em posi&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica para identificar os casos e realizar a notifica&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria (NC)<sup>10,12</sup>. Segundo a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal e o Estatuto Brasileiro da Crian&ccedil;a e do Adolescente &eacute; dever legal, &eacute;tico e moral de qualquer profissional da sa&uacute;de notificar &agrave;s autoridades quaisquer casos suspeitos de AFI<sup>3</sup>. O Conselho Federal de Odontologia explicita no c&oacute;digo deontol&oacute;gico que &eacute; dever do cirurgi&atilde;o-dentista zelar pela sa&uacute;de e dignidade do paciente<sup>12,14</sup>. Tais fatos justificam a necessidade da abordagem do assunto durante a gradua&ccedil;&atilde;o<sup>15,16</sup>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A abordagem adequada &eacute; de suma import&acirc;ncia para a forma&ccedil;&atilde;o do estudante, pois capacitar&aacute; o futuro profissional a diagnosticar e adotar condutas assertivas frente a poss&iacute;veis casos de AFI<sup>16</sup>. Estudos apontam que a abordagem do tema durante a gradua&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem ocorrido de forma satisfat&oacute;ria, o que pode repercutir em uma futura forma&ccedil;&atilde;o inadequada e deficiente nesse quesito<sup>17</sup>. Portanto, faz-se necess&aacute;rio avaliar a experi&ecirc;ncia dos alunos acerca do tema a fim de elaborar melhoras curriculares e projetos de interven&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica, no intuito de conscientizar o egresso quanto &agrave; import&acirc;ncia do problema<sup>18,19</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O uso de um instrumento de coleta validado &eacute; necess&aacute;rio para que se avalie a experi&ecirc;ncia dos alunos que cursam Odontologia, bem como os cirurgi&otilde;es-dentistas, frente a casos de AFI. Contudo, h&aacute; uma escassez de estudos que utilizem question&aacute;rios validados e adaptados ao idioma local<sup>9,16,23</sup>. Nesse sentido, essa pesquisa teve como objetivo verificar as viv&ecirc;ncias e as atitudes dos estudantes do curso de Odontologia de uma institui&ccedil;&atilde;o de ensino privada, frente a casos de AFI, por meio da utiliza&ccedil;&atilde;o de um question&aacute;rio validado em portugu&ecirc;s, comparando os resultados de acordo com o per&iacute;odo do curso em andamento.</font> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B> 2 MATERIAIS E M&Eacute;TODOS</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Trata-se de um estudo de car&aacute;ter transversal, realizado no ano de 2016 em uma institui&ccedil;&atilde;o de ensino privada, no Munic&iacute;pio de Belo Horizonte/MG. O universo do estudo foi composto por 365 alunos do 6&ordm; ao 9&ordm; per&iacute;odo do curso de Odontologia, uma vez que nesta etapa do curso j&aacute; possuem contato com o p&uacute;blico infantil nas cl&iacute;nicas de Odontopediatria. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para esse estudo realizou-se c&aacute;lculo amostral pelo m&eacute;todo de estimativa de propor&ccedil;&otilde;es populacionais finita, considerando uma preval&ecirc;ncia de 53% para identifica&ccedil;&atilde;o do AFI<sup>24</sup>, n&iacute;vel de confian&ccedil;a de 95% e signific&acirc;ncia de 5%. Obteve-se uma amostra m&iacute;nima de 188 alunos e, no intuito de resguardar a precis&atilde;o, aumentou-se a amostra em 20%, a fim de compensar eventuais perdas, obtendo-se uma amostra final de 226 alunos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os alunos foram selecionados de forma aleat&oacute;ria, por sorteio, mantendo-se a propor </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">cionalidade para cada per&iacute;odo do curso. A abordagem dos pesquisados foi realizada em sala de aula, em hor&aacute;rios cedidos pelos professores. Aqueles que aceitaram participar assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido e posteriormente receberam o question&aacute;rio. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O question&aacute;rio semiestruturado e autoaplic&aacute;vel utilizado nessa pesquisa foi originalmente desenvolvido por Lazenbatti e Freeman (2006)<sup>11</sup> e posteriomente traduzido, adaptado transculturalmente e validado no Brasil por Silva-Oliveira et al. (2014)<sup>24</sup>. Para o presente estudo, pequenas adapta&ccedil;&otilde;es foram realizadas no question&aacute;rio a fim de adequ&aacute;-lo ao p&uacute;blico-alvo, sem comprometimento do seu conte&uacute;do e entendimento. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As quest&otilde;es abordaram dados do entrevistado (idade, g&ecirc;nero e per&iacute;odo do curso); detec&ccedil;&atilde;o e NC de qualquer suspeita e/ou casos confirmados do AFI; barreiras para a NC, autoavalia&ccedil;&atilde;o sobre a capacidade de reconhecer e diagnosticar o AFI, bem como perguntas sobre a forma&ccedil;&atilde;o e o interesse em rela&ccedil;&atilde;o ao atendimento &agrave; crian&ccedil;a. As quest&otilde;es de autoavalia&ccedil;&atilde;o foram mensuradas por meio de uma escala, com valor m&iacute;nimo de zero (incapacidade de identificar/ indisposto) e valor m&aacute;ximo de 10 (capacidade total de identifica&ccedil;&atilde;o/ totalmente disposto)<sup>24</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os dados obtidos foram analisados meio da distribui&ccedil;&atilde;o de frequ&ecirc;ncias, medidas de tend&ecirc;ncia central e variabilidade. O teste de Kolmogorov&ndash;Smirnov foi utilizado para avaliar a normalidade das vari&aacute;veis quantitativas. Como apresentaram distribui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o gaussiana, o teste n&atilde;o-param&eacute;trico do Qui-quadrado foi utilizado para avaliar as vari&aacute;veis dicot&ocirc;micas e o teste de Kruskal-Wallis para comparar as vari&aacute;veis ordinais (escalas de 0 a 10) segundo o per&iacute;odo do curso (6&ordm;, 7&ordm;, 8&ordm; e 9&ordm;). Realizaram-se compara&ccedil;&otilde;es m&uacute;ltiplas para determinar quais grupos eram diferentes (family-wise error rate - FWER). O n&iacute;vel de signific&acirc;ncia estat&iacute;stica adotado foi de 5%. Utilizaram-se os softwares Statiscal Package for the Social Sciences (SPSS) vers&atilde;o 19.0 e Action Stat vers&atilde;o 3.1. O presente estudo foi submetido &agrave; aprecia&ccedil;&atilde;o do Comit&ecirc; de &Eacute;tica e aprovado sob o CAAE 55515616.0.0000.5097.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B> 3 RESULTADOS</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No total, 195 (86,2%) alunos responderam ao question&aacute;rio. Destes, 142 (72,8%) eram do g&ecirc;nero feminino, 46 (23,6%) do masculino e 7 (3,6%) que n&atilde;o relataram seu g&ecirc;nero. A idade variou de 20 a 44 anos, com m&eacute;dia de 24,42 (&plusmn;4,5). Observou-se que 58 (29,7%) alunos encontravam-se no 6&ordm; per&iacute;odo, 55 (28,2%) no 7&ordm;, 41 (21,0%) no 8&ordm; e 41 (21,0%) no 9&ordm;. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante a gradua&ccedil;&atilde;o, apenas 28 (14,4%) alunos relataram ter presenciado casos suspeitos de AFI entre seus pacientes. Destes, a maioria (85,6%) relatou haver visto apenas um caso. Somente 6 (3,1%) identificaram casos que envolviam trauma orofacial. A NC foi realizada apenas por 5 (2,6%) alunos. No &uacute;ltimo ano, 43 (22,1%) alunos se depararam com casos suspeitos de AFI e 20 (10,3%), eram casos comprovados. Desses, apenas 4 (2,1%) notificaram &agrave;s autoridades. A maioria dos alunos (175, 89,7%) expressa interesse em receber treinamentos sobre mecanismos de identifica&ccedil;&atilde;o e NC de casos de AFI e acredita que estes devam fazer parte dos cursos de capacita&ccedil;&atilde;o profissional, 189 (96,6%) (<a href="#tab01">tabela 1</a>). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao comparar as atitudes e experi&ecirc;ncias dos alunos de Odontologia conforme o per&iacute;odo do curso, observou-se que houve diferen&ccedil;a estatisticamente significativa (p&lt;0,05) para a pergunta: "Voc&ecirc; quer receber treinamento sobre como identificar e sobre os mecanismos de notifica&ccedil;&atilde;o de casos suspeitos de abuso f&iacute;sico em crian&ccedil;as?", apontando que o interesse dos estudantes do 6&ordm;, 7&ordm; e 9&ordm; per&iacute;odos foi 1,2 vezes superior ao do 8&ordm; per&iacute;odo. N&atilde;o houve diferen&ccedil;as estat&iacute;sticas entre os per&iacute;odos para as demais perguntas (<a href="#tab02">tabela 2</a>). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No total, 145 (74,4%) alunos responderam saber o &oacute;rg&atilde;o ou a institui&ccedil;&atilde;o a qual recorrer para notificar casos suspeitos de AFI. O <a href="#graf01">gráfico 1</a> evidencia quais os principais &oacute;rg&atilde;os ou institui&ccedil;&otilde;es citados pelos alunos. Ressalta-se que cada aluno p&ocirc;de citar mais de uma op&ccedil;&atilde;o, por isso, 41 (28,2%) recorreriam a mais de um &oacute;rg&atilde;o ou institui&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="graf01"></a></p>     <p>&nbsp; </p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/abeno/v17n2/a13graf01.jpg">      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="tab01"></a></p>     <p>&nbsp; </p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/abeno/v17n2/a13tab01.jpg">      <p>&nbsp;</p>     <p><a name="tab02"></a></p>     <p>&nbsp; </p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/abeno/v17n2/a13tab02.jpg">     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As pontua&ccedil;&otilde;es m&eacute;dias das autoavalia&ccedil;&otilde;es que utilizaram escala de 0 a 10 encontram-se descritas na <a href="#tab03">tabela 3</a>. Ao realizar a compara&ccedil;&atilde;o dessas m&eacute;dias, segundo os per&iacute;odos, foram observadas diferen&ccedil;as estat&iacute;sticas significantes entre os grupos. As diferen&ccedil;as foram evidenciadas ao considerar a capacidade de diagnosticar (p=0,022) e a disposi&ccedil;&atilde;o a se envolver na detec&ccedil;&atilde;o do AFI (p=0,011) (<a href="#tab04">tabela 4</a>). Por meio das compara&ccedil;&otilde;es m&uacute;ltiplas observou-se que os alunos do 9&ordm; per&iacute;odo se consideram mais aptos a diagnosticar do que os do 7&ordm; per&iacute;odo (p=0,008) e que o grupo do 6&ordm; per&iacute;odo estava mais disposto a envolver-se na detec&ccedil;&atilde;o do AFI do que o grupo do 8&ordm; per&iacute;odo (p=0,013).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Para os alunos os tr&ecirc;s principais fatores que poderiam facilitar ou encorajar os profissionais da sa&uacute;de a notificarem casos suspeitos de AFI foram confidencialidade (79,1%), seguran&ccedil;a (72,9%) e capacita&ccedil;&atilde;o (68,3%). Tamb&eacute;m foram citadas facilita&ccedil;&atilde;o do processo de NC (48,0%) e interdisciplinaridade/ intersetorialidade (22,0%). Apenas um aluno (0,5%) assinalou a op&ccedil;&atilde;o outros e tr&ecirc;s n&atilde;o responderam &agrave; quest&atilde;o. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s tr&ecirc;s principais barreiras para a realiza&ccedil;&atilde;o da NC destacaram-se medo, conhecimento insuficiente e falta de confidencialidade com frequ&ecirc;ncia de 86,0%, 81,9% e 62,3%, respectivamente. Tamb&eacute;m foram assinalados neglig&ecirc;ncia (87, 44,8%), excesso de demanda (13, 6,7%) e outros (1,5%). Apenas um aluno n&atilde;o respondeu &agrave; quest&atilde;o (0,5%). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="tab03"></a></p>     <p>&nbsp; </p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/abeno/v17n2/a13tab03.jpg">     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="tab04"></a></p>     <p>&nbsp; </p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/abeno/v17n2/a13tab04.jpg">     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>4 DISCUSS&Atilde;O  </B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No presente estudo, a maioria dos estudantes relatou n&atilde;o ter se deparado com casos suspeitos de AFI ou de traumas orofaciais que pudessem ter rela&ccedil;&atilde;o com maus-tratos infantis, assim como n&atilde;o notificou &agrave;s autoridades durante a gradua&ccedil;&atilde;o. Ademais, alegou saber o &oacute;rg&atilde;o ou institui&ccedil;&atilde;o ao qual recorrer, citando em primeiro lugar o Conselho Tutelar. Os alunos, em sua quase totalidade, creem que a abordagem do tema deva fazer parte da sua forma&ccedil;&atilde;o profissional. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quanto &agrave; experi&ecirc;ncia vivenciada pelos alunos, observou-se que a maioria n&atilde;o viu casos de AFI durante a gradua&ccedil;&atilde;o. A exist&ecirc;ncia de uma poss&iacute;vel subnotifica&ccedil;&atilde;o &eacute; um fator a ser considerado, pois segundo os resultados encontrados, o percentual de alunos que notificou &eacute; inferior ao daqueles que viram casos suspeitos entre seus pacientes infantis. Esses resultados corroboram estudos realizados com cirurgi&otilde;es-dentistas, nos quais se observou que o percentual daqueles que notificaram &agrave;s autoridades sempre era inferior ao daqueles que suspeitaram de AFI<sup>11,15,20</sup> e com estudos conduzidos com alunos, nos quais se observou que a maioria nunca suspeitou de abuso f&iacute;sico entre seus pacientes<sup>17,21</sup>. Al&eacute;m disso, os dados do presente estudo apontam que o n&uacute;mero de casos observados no &uacute;ltimo ano supera os casos identificados na pr&aacute;tica cl&iacute;nica, fato que pode remeter a outras viv&ecirc;ncias e experi&ecirc;ncias do aluno. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As m&eacute;dias obtidas para a capacidade dos graduandos em reconhecer os principais sinais do AFI e para o quanto s&atilde;o efetivamente capazes de diagnosticar casos suspeitos foram similares &agrave;s encontradas em estudo conduzido com cirurgi&otilde;es-dentistas, uma vez que os autores encontraram m&eacute;dia 6,0 para o quanto os profissionais se sentem capazes em reconhecer sinais e sintomas e 5,0 para o quanto se sentem aptos a diagnosticar<sup>15</sup>. Lazenbatt e Freeman (2006)<sup>11</sup> ao compararem o conhecimento, experi&ecirc;ncia e atitudes dos profissionais da aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, observaram que os cirurgi&otilde;esdentistas apresentaram m&eacute;dias menores em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; capacidade de reconhecer sinais e sintomas (4,21) e efetividade em diagnosticar o AFI (3,27), quando comparados a m&eacute;dicos e enfermeiros. Resultados similares tamb&eacute;m foram encontrados em estudos realizados com alunos e profissionais, nos quais observou-se conhecimento e capacidade diagn&oacute;stica deficientes<sup>17,22</sup>. Azevedo et al. (2012)<sup>20</sup> e Matos et al. (2013)<sup>21</sup> encontraram resultados distintos aos do presente estudo, pois um percentual de entrevistados superior a 70,0% considerava-se apto a diagnosticar crian&ccedil;as e adolescentes v&iacute;timas de maus-tratos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No presente trabalho, os alunos do 6&ordm; per&iacute;odo apresentaram maior interesse em receber treinamentos sobre o AFI. Os resultados encontrados chamam a aten&ccedil;&atilde;o, pois a literatura analisada evidencia que o conhecimento e interesse dos alunos do &uacute;ltimo ano &eacute; superior ao dos alunos de per&iacute;odos precedentes<sup>9,19,25</sup>. Nesse sentido, o maior interesse desses alunos pode relacionar-se ao recente contato com a disciplina "Legisla&ccedil;&atilde;o e &Eacute;tica Odontol&oacute;gica" e &agrave; sua introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; cl&iacute;nica de Odontopediatria. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar dos alunos do 9&ordm; per&iacute;odo, da presente pesquisa, sentirem-se mais capazes de diagnosticar os sinais e sintomas do AFI em compara&ccedil;&atilde;o aos do 7&ordm; per&iacute;odo, observa-se na literatura que o conhecimento dos alunos sobre os principais sinais diagn&oacute;sticos de AFI tem sido apontado como baixo, independentemente do grau de instru&ccedil;&atilde;o<sup>18</sup>. Este fato pode estar atrelado &agrave; baixa viv&ecirc;ncia do aluno envolvendo casos de traumas orofaciais associados ao AFI, o que foi evidenciado neste estudo e corrobora os achados de Marengo et al. (2013)<sup>15</sup>, em que 82,5% dos profissionais n&atilde;o viram casos de trauma orofacial associado a maus-tratos nos &uacute;ltimos seis meses. Al&eacute;m disso, outros relatos evidenciam que o conhecimento acerca do tema n&atilde;o &eacute; adequado, pois um percentual consider&aacute;vel de alunos e profissionais n&atilde;o estava ciente da alta preval&ecirc;ncia de tais les&otilde;es, bem como n&atilde;o sabiam qual a regi&atilde;o do organismo mais afetada em casos de viol&ecirc;ncia infantil1<sup>8,19,23</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Quanto &agrave;s responsabilidades legais e &eacute;ticas relacionadas ao tema, observou-se que 74,4% dos entrevistados alegou saber o &oacute;rg&atilde;o ao qual recorrer para realizar uma NC. Esse resultado diverge da maioria dos estudos analisados, nos quais um percentual consider&aacute;vel de entrevistados desconhecia a quem notificar<sup>17-19,22</sup>. Lazenbatt e Freeman (2006)<sup>11</sup>, observaram que 74,0% dos profissionais relatou saber algum mecanismo de NC, por&eacute;m dentre os tr&ecirc;s grupos analisados, os dentistas apresentaram o pior resultado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No presente trabalho, o Conselho Tutelar seria o primeiro &oacute;rg&atilde;o ao qual os alunos recorreriam, seguido pela pol&iacute;cia. Esse resultado est&aacute; em concord&acirc;ncia com as diretrizes estabelecidas pelo Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente e apresenta similaridade a diversos estudos<sup>9,21,23</sup>. Ressalta-se que diante de casos de suspeitas de maus-tratos infantis, o profissional da sa&uacute;de realize o atendimento de urg&ecirc;ncia e notifique aos conselhos tutelares, por meio de oficio ou telefonema. Na falta deste &oacute;rg&atilde;o, recomenda-se notificar ao juizado da inf&acirc;ncia e da juventude, aos &oacute;rg&atilde;os de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; crian&ccedil;a, ou ainda reportar o caso &agrave;s autoridades policiais e solicitar o encaminhamento para o exame de corpo de delito<sup>13,21</sup>. O profissional que deixar de comunicar &agrave;s autoridades casos de AFI que vierem ao seu conhecimento pode ser penalizado com multa de tr&ecirc;s a vinte sal&aacute;riosm&iacute;nimos<sup>16,21</sup>. Ressalta-se que o Conselho Federal de Odontologia estabelece como dever do cirurgi&atilde;o-dentista zelar pela sa&uacute;de e dignidade do paciente<sup>14</sup>, no entanto n&atilde;o h&aacute; uma especifica&ccedil;&atilde;o clara no C&oacute;digo de &Eacute;tica Profissional sobre as condutas a serem tomadas pelo profissional ao se deparar com uma suspeita de maus-tratos. Portanto, &eacute; necess&aacute;rio que sejam estabelecidas orienta&ccedil;&otilde;es sobre a conduta a ser tomada<sup>21</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um dos principais problemas que permeiam o AFI &eacute; a subnotifica&ccedil;&atilde;o<sup>6</sup>, por isso compreender quais s&atilde;o os empecilhos para que os profissionais da sa&uacute;de notifiquem os casos &agrave;s autoridades &eacute; fundamental. No presente estudo, os alunos consideraram o medo, o conhecimento insuficiente e a falta de confidencialidade como as principais barreiras enfrentadas pelos profissionais da sa&uacute;de, concordando com os achados de Lazenbatt e Freeman (2006)<sup>11</sup>. O medo tem sido apontado como um importante fator, pois profissionais relataram que caso notificassem suspeitas de abuso, o fariam de modo an&ocirc;nimo<sup>23</sup>. Outros fatores como receio de um diagn&oacute;stico incorreto, n&atilde;o saber a quem denunciar e n&atilde;o saber o que fazer quando confrontados, tamb&eacute;m foram apontados na literatura<sup>18,19,22,23</sup>. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A abordagem do tema de forma adequada durante a gradua&ccedil;&atilde;o &eacute; de extrema import&acirc;ncia para a forma&ccedil;&atilde;o do estudante. Um treinamento eficaz permitir&aacute; ao futuro profissional saber diagnosticar e adotar condutas assertivas frente a poss&iacute;veis casos de AFI<sup>16</sup>. Al-Jundi et al. (2010)<sup>18</sup> observaram que mais da metade dos alunos entrevistados considerou a Universidade como o local adequado para receber informa&ccedil;&atilde;o sobre o tema, bem como acredita n&atilde;o haver </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">recebido treinamento formal suficiente para reconhecer e notificar casos de AFI. No presente estudo, observou-se que os alunos n&atilde;o perceberam a gradua&ccedil;&atilde;o como colaboradora em seu preparo para o atendimento &agrave; crian&ccedil;a, apontando quase em totalidade, a necessidade de incluir treinamentos sobre o tema em cursos de capacita&ccedil;&atilde;o profissional. Essa opini&atilde;o tamb&eacute;m foi expressada em diversos estudos nos quais alunos e profissionais da sa&uacute;de apontaram a necessidade de receber capacita&ccedil;&atilde;o sobre o assunto<sup>11,15,22,26</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste trabalho, obtiveram-se m&eacute;dias semelhantes para a disposi&ccedil;&atilde;o do aluno em envolver-se na detec&ccedil;&atilde;o do AFI, bem como interesse em cursos de capacita&ccedil;&atilde;o sobre o tema. Em contrapartida, Marengo et al. (2013)<sup>15</sup> encontraram m&eacute;dia m&aacute;xima no que concerne &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o dos profissionais em envolver-se na detec&ccedil;&atilde;o de casos (10,0). Por outro lado, Lazenbatt e Freeman (2006)<sup>11</sup> observaram que dentre m&eacute;dicos, enfermeiros e dentistas da aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria &agrave; sa&uacute;de, os &uacute;ltimos al&eacute;m de apresentarem baixo conhecimento apresentaram ainda, baixo interesse em envolver-se na detec&ccedil;&atilde;o de AFI. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A necessidade de reformula&ccedil;&atilde;o dos projetos curriculares e a elabora&ccedil;&atilde;o de novas interven&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas tem se mostrado cada vez mais importante. Moura et al. (2015)<sup>23</sup> expuseram que 60,0% dos alunos de Odontologia do 5&ordm; ano, relataram que o assunto foi abordado durante a gradua&ccedil;&atilde;o. De modo similar, Al-Jundi et al. (2010)<sup>18</sup> verificaram que a maioria dos alunos alegou haver lido sobre o tema, por&eacute;m, ainda assim, o conhecimento foi deficiente. Jordan et al. (2012)<sup>19</sup> expuseram que apenas 60,0% dos alunos relataram realmente haver sentido deparar-se com o assunto durante a gradua&ccedil;&atilde;o. Segundo os autores, tal achado pode dever-se ao fato do tema ser abordado em disciplinas eletivas sendo, portanto, frequentadas apenas por alguns alunos. Thomas et al. (2006)<sup>17</sup> observaram que 100% dos alunos de Odontologia relatou haver lido sobre o tema, sendo que a maioria o fez em aulas te&oacute;ricas. Observou-se que somente leituras te&oacute;ricas n&atilde;o preparam adequadamente o futuro cirurgi&atilde;odentista para a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas<sup>18</sup>. Para superar o panorama apresentado, prop&otilde;e-se o uso da Teoria de Aprendizagem Experimental, pois a mesma permite ao aluno absorver o conte&uacute;do de forma te&oacute;rica e realizar uma an&aacute;lise cr&iacute;tica, no intuito de desenvolver novas habilidades e comportamentos para enfrentar situa&ccedil;&otilde;es diversas<sup>18</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A limita&ccedil;&atilde;o deste estudo atrela-se ao fato de ter sido realizado em uma &uacute;nica institui&ccedil;&atilde;o de ensino privada. No entanto, &eacute; o primeiro estudo que visa avaliar as experi&ecirc;ncias e as atitudes de alunos de Odontologia, utilizando um question&aacute;rio previamente validado, em Belo Horizonte, Minas Gerais<sup>24</sup>. Apesar da limita&ccedil;&atilde;o, a pesquisa se adequa &agrave; realidade local e possui validade interna, permitindo avaliar o conhecimento e o preparo do aluno a respeito do tema na amostra envolvida. Nesse sentido, contribui para a sugest&atilde;o de melhorias curriculares a fim de conscientizar o futuro profissional quanto &agrave; import&acirc;ncia do problema e prepar&aacute;-lo para atuar frente a poss&iacute;veis casos de AFI. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>5 CONCLUS&Otilde;ES </B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A maioria dos alunos n&atilde;o viu ou notificou casos suspeitos de AFI, bem como traumas orofaciais que pudessem estar relacionados. Os alunos n&atilde;o se sentiam preparados para reconhecer os principais sinais e sintomas do AFI, por&eacute;m manifestaram interesse em receber treinamentos sobre o tema e souberam a quem recorrer no caso de NC. Percebeu-se que a gradua&ccedil;&atilde;o precisa melhorar sua colabora&ccedil;&atilde;o no preparo do aluno para o atendimento de casos de AFI, sugerindo a necessidade do desenvolvimento de estrat&eacute;gias pedag&oacute;gicas que melhorem a abordagem do tema. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>REFER&Ecirc;NCIAS  </B></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. World Health Organization. Report of the consultation on child abuse prevention, 29- 31 March 1999. Geneva, World Health Organization, 1999. &#91;Acesso em 09 jan. 2017&#93;. Dispon&iacute;vel em: http://apps.who. int/iris/handle/10665/65900.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=399565&pid=S1679-5954201700020001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. World Health Organization. Child maltreatment. Geneva, Switzerland: World Health Organization. 2014. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Garbin CAS, Guimar&atilde;es e Queiroz APD; Rovida TAS, Saliba O. A viol&ecirc;ncia familiar sofrida na inf&acirc;ncia: uma investiga&ccedil;&atilde;o com adolescentes. Psicol Rev. 2012; 18(1):107- 18.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 4. Reicheinhem ME, Souza ER, Moraes CL, Mello Joge MH, Silva CMFP, Minayo MCS. Viol&ecirc;ncia e les&otilde;es no Brasil: efeitos, avan&ccedil;os alcan&ccedil;ados e desafios futuros. Lancet. 2011; 6736(11)75-89. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. World Health Organization (WHO). Preventing child maltreatment: a guide to taking action and generating evidence. Sui&ccedil;a: World Health Organization. 2006. &#91;Acesso em 09 jan. 2017&#93;. Dispon&iacute;vel em: http://www.who.int/violence_injury_prevent ion/publications/violence/child_maltreatmen t/en/.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 6. U.S. Department of Health &amp; Human Services. Child Maltreatment 2010. Washington: U.S. Department of Health &amp; Human Services; 2013. &#91;Acesso em 09 jan. 2017&#93;. Dispon&iacute;vel em: https://www.acf. hhs.gov/sites/default/files/cb/cm2013.pdf.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 7. Cavalcanti AL. Prevalence and characteristics of injuries to the head and orofacial region in physically abused children and adolescents &ndash; a retrospective study in a city of the Northeast of Brazil. Dent Traumatol. 2010;26:149-53.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 8. Dalledone M, de Paola APB, Correr GM, Pizzatto E, de Souza JF, Losso, EM. Child abuse: perception and knowledge by Public Health Dentistry teams in Brazil. Braz J Oral Sci. 2015;14(3):224-9.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 9. Paulino de Souza GF, Carvalho MMP, Granville-Garcia AF, Gomes MNC, Ferreira JMS. Conhecimento de acad&ecirc;micos em odontologia sobre maus-tratos infantis. Odonto. 2012;20(40):101-8. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Garbin CAS, Dias IA, Rovida TAS, Garbin AJI. Desafios do profissional de sa&uacute;de na notifica&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia: obrigatoriedade, efetiva&ccedil;&atilde;o e encaminhamento. Ci&ecirc;nc Sa&uacute;de Coletiva. 2015;20(6):1879-90. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Lazenbatti A, Freeman R. Recognizing and reporting child physical abuse: A survey of primary healthcare professionals. J Adv Nurs. 2006; 56(3):227-36.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 12. Moreira GAR; Rolim ACA; Saintrain MVL; Vieira LJES. Atua&ccedil;&atilde;o do cirurgi&atilde;o-dentista na identifica&ccedil;&atilde;o de maus-tratos contra crian&ccedil;as e adolescentes na aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria. Sa&uacute;de Debate. 2015; 39: 257-67. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Brasil. Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente. Lei N&ordm; 8.069 de 13 de Julho de 1990. Disp&otilde;e sobre o Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias. &#91;Acesso em 13 jan. 2017&#93;. Dispon&iacute;vel em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ LEIS /L8069.htm. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Conselho Federal de Odontologia. C&oacute;digo de &Eacute;tica Odontol&oacute;gica. &#91;Acesso em 13 jan. 2017&#93;. Dispon&iacute;vel em: http://cfo.org.br. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1</font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Marengo G, Paola APB, Ferreira FM, Pizzatto E, Correr GM, Losso EM. Child abuse: validation of a questionnaire translated into Brazilian Portuguese. Braz Oral Res. 2013; 27(2):163-8. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Silva Junior MF, Pagel MD, Campos DMKS, Miotto MHMB. Conhecimento de acad&ecirc;micos de Odontologia sobre maustratos infantis. Arq Odontol. 2015; 51(3):138-44. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. Thomas JE, Straffon L, Inglehart MR. Child abuse and neglect: dental and dental hygiene students' educational experiences and knowledge. J Dent Educ. 2006;70(5):558- 65. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. Al-Jundi SHS, Zawaideh, FI; Al-Rawi, MH. Jordanian Dental students' knowledge and attitudes in regard to child physical abuse. J Dent Educ. 2010; 74(10):1159-65. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19. Jordan A, Welbury RR, Tiljak, MK. Croatian Dental Students' educational experiences and knowledge in regard to child abuse and neglect. J Dent Educ. 2012; 76(11):1512-9. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">20. Azevedo MS, Goettems ML, Brito A, Possebon AP, Domingues, J, Demarco, FF, Torriani, DD. Child maltreatment: a survey of dentists in southern Brazil. Braz Oral Res. 2012; 26(1):5-11. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">21. Mattos FZ, Borges AH, Mamede Neto, I, Rezende CD, Silva KL, Pedro FLM, Porto AN. Avalia&ccedil;&atilde;o do conhecimento dos alunos de gradua&ccedil;&atilde;o em odontologia x cirurgi&atilde;o dentista no diagn&oacute;stico de maus-tratos a crian&ccedil;as. Rev Odontol Bras Central. 2013; 22(63):153-7. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">22. Mogaddam M, Kamal I, Merdad L. Alamoudic N. Knowledge, attitudes, and behaviors of dentists regarding child physical abuse in Jeddah, Saudi Arabia. Child Abuse &amp; Neglect. 2016; 54: 43-56. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">23. Moura AR, Amorim A, Proen&ccedil;a L, Milagre V. Dentists and undergraduate dental students require more information relating to child abuse. Medical Express. 2015;2(2):1- 4. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">24. Silva-Oliveira F, Ferreira e Ferreira E, Mattos FF, Ribeiro MTF, Cota LOM, Vale MP, Zarzar PM. Adapta&ccedil;&atilde;o transcultural e reprodutibilidade de question&aacute;rios para avalia&ccedil;&atilde;o de conhecimento de profissionais de sa&uacute;de frente a casos de abuso f&iacute;sico </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">infantil. Ci&ecirc;ncia &amp; Sa&uacute;de Coletiva. 2014;19(3):917-29. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">25. Serpa EM, Ramos AAS. Percep&ccedil;&atilde;o dos maus tratos infantis pelos estudantes de Odontologia da UFPB. Int J Dent. 2011; 10(4):234-41. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">26. Silva, KBG; Cavalcanti, AFC; Cavalcanti, AL. Child abuse: knowledge and actions undertaken by dentists of the Family Health Strategy in Guarabira - PB, Brazil. REFACS. 2016; 5(Supl.1):108-17. </font> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back"/></a><a href="#top"><img src="/img/revistas/abeno/v17n2/seta.jpg" border="0" align="absmiddle"/></a>    <b>Correspondencia para:</b> <br/>   Profa. Camilla Aparecida Silva de Oliveira<br/>   Rua Dr. Ari Teixeira da Costa, 377     <br>   33025-010 - Esplanada     <br>    Santa Luzia/MG    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   E-mail: <a href="mailto:camillaaparecidasol@gmail.com">camillaaparecidasol@gmail.com</a></font></p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
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<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>World Health Organization.</collab>
<source><![CDATA[Report of the consultation on child abuse prevention, 29- 31 March 1999.]]></source>
<year>1999</year>
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<publisher-loc><![CDATA[Geneva ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[World Health Organization]]></publisher-name>
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